CHOUJIKUU YOUSAI MACROSS (NES, 1985)


Super Dimension Fortress Macross (a tradução em inglês do título original) é um game que nunca foi lançado fora do Japão. Por isso, é até incorreto dizer que ele é um game do NES, já que o console tinha esse nome apenas nos EUA e na Europa. No Japão, o videogame de 8-bits da Nintendo se chamava Famicom, e portanto Choujikuu Yousai Macross nunca ganhou propriamente uma versão para o NES, ficando restrito ao formato original japonês no qual foi lançado.

Se um game que nunca foi lançado fora do Japão está merecendo um post aqui no Cemetery Games, então é porque pelo menos era um jogaço, né? Errado. Macross é um título bem medíocre para os padrões do Nes/Famicom. Os gráficos são aceitáveis, mas a mecânica do jogo parece coisa do Atari 2600. Explico: todas as fases são essencialmente iguais, e repetem-se em looping infinito. No controle de uma espaçonave-robô, o jogador precisa enfrentar uma série de adversários até adentrar na nave-mãe Zentrandi (raça de aliens inimigos), onde terá 30 segundos para destruir o reator principal. Feito isso, a missão está cumprida e uma nova fase com o mesmo objetivo começa. Mudam alguns inimigos adicionais, dificuldade crescente, etc. Mas o jogo, essencialmente, é essa porcaria repetitiva quase desprovida de cenários e diversidade.

Aposto que agora vocês já estão de saco cheio, perguntando: “credo, mas por que essa droga ganhou um post aqui no blog então, porra”? O motivo é puramente sentimental, já que tenho um episódio engraçado da infância que envolve esse game.

É o seguinte: em 1992, um colega da escola – e grande amigo meu na época – ganhou um Dynavision III, um dos melhores clones nacionais do NES/Famicom existentes no mercado brasileiro naqueles tempos. Ávido por desbravar as pérolas da biblioteca de jogos deste que foi o mais popular videogame de 8-bits de todos os tempos, meu amigo entrou numa loja e pediu pro vendedor lhe dar algumas dicas sobre algum jogo legal para comprar. Então o vendedor disse coisas do tipo “esse aqui é bem legal, tu é uma navezinha que vira um robô, e precisa destruir outros robôs e naves espaciais“. Com esse papo furado, o cara empurrou para o meu amigo um cartucho com o game Macross (que é como nós chamávamos o jogo na época, ignorando completamente qual era o título nipônico original).

Meu amigo foi pra casa feliz da vida, crente de que tinha acabado de comprar um grande jogo no melhor estilo MEGA MAN (que a gente adorava). Afinal, não dá pra errar com robôs que viram espaçonaves, certo? ERRADO! No outro dia na escola, já dava pra ver a desilusão nos olhos da pobre criança, e ele já estava doido pra empurrar o game para algum colega que também tivesse um NES, para trocar por qualquer outro cartucho.

Em retrospecto, preciso admitir que Macross não é um game TÃO ruim assim. Embora repetitivo, a jogabilidade é boa e ele é um game simples, porém funcional. O problema é que, naquela época, nós estávamos saindo (tardiamente) da “Era Atari”, e estávamos ansiosos por games com começo, meio e fim, com história, com fases legais e diferentes, com mecânica complexa. Queríamos Tartarugas Ninja, Mega Man, Double Dragon, Super Mario Bros 3 e coisas do tipo, e não um jogo de fases idênticas que se repetem, coisa que já tínhamos enjoado de experimentar no Atari.

Naqueles tempos, era muito raro a gente achar um game de terceira ou quarta geração “ruim”. Como o acesso aos cartuchos era limitado pelo preço salgado, tratávamos tudo o que nos caía nas nossas mãos com deferência e adoração. Para vocês terem uma ideia, esse mesmo amigo meu comprou o infame Total Recall do NES algum tempo depois e nós achávamos o jogo ÓTIMO (nós atribuíamos nossas dificuldades com o jogo à nossa própria falta de habilidade, e não ao fato óbvio de que o game tinha péssima jogabilidade e era chatíssimo, coisa que hoje salta aos olhos e fica evidente pela má recepção que o game teve na época). Mas com Macross não deu … foi um raro exemplo de game que nem nós, então criaças com muito tempo livre/paciência e relativamente poucos games à disposição, conseguimos aturar.

Ainda assim, a musiquinha do game nunca me saiu da cabeça …

Diário de bordo – FINAL FANTASY I (Parte 3)

E chegou a hora de atravessar a recém criada ponte ao norte de Cornelia. Chegando ali, o game mostra uma breve sequência de textos sobre uma tela parada, explicando que chegou a hora de os Quatro Guerreiros da Luz começarem a sua grande aventura, bla bla bla.

Sem saber pra onde ir nesta nova parte norte do continente, optei por seguir para o noroeste. Passei por alguns combates aleatórios murrinhas e de repente cheguei nessa caverninha.

Entrei no lugar e o jogo prontamente me informou de que eu estava na Matoya’s Cave. Encontrei umas vassouras varrendo sozinhas por lá e, na sala principal, dei de cara com Matoya, que pelo jeito é um bruxa maluca. A criatura não pára de reclamar que perdeu seu olho de vidro e que não consegue enxergar nada. Procurei por tudo pelo local, mas não achei olho de vidro nenhum. Talvez esteja em outro lugar. Resolvi me mandar dali.

Saí da caverna disposto a encontrar uma segunda cidade no mapa. E não foi fácil! Voltei para perto da ponte e andei para o leste até não poder mais, encarando uma sucessão infindável de combates aleatórios. Finalmente, quando meu mago Rune já estava ficando sem feitiços de cura, eis que encontro uma nova cidade.

O nome do lugar é Pravoka. Mal cheguei todo arrebentado nesse povoadinho ordinário e o primeiro cara com quem converso me pede socorro, querendo que o grupo salve o lugar de alguma coisa. Ai, meu Deus! Herói de RPG não tem sossego. Na Parte 4 do diário de bordo, vamos descobrir do que esse sujeito está falando. Até a próxima, retrogamers!

DIÁRIO DE BORDO – FINAL FANTASY I (Parte 2)

Dando sequência à minha aventura, parei para conversar com um guardinha da cidade. Ele viu que os heróis carregavam cristais e mandou o grupo direto pro castelo de Cornelia para falar com o Rei. É, o nome da cidade é Cornelia, e não Cordelia como eu tinha escrito no post anterior.

Chegando ao castelo, o Rei fica em polvorosa ao ver os quatro guerreiros com seus cristais, e vê neles a realização da profecia sobre os Guerreiros da Luz que salvarão o mundo. A primeira coisa que o monarca pede para os heróis é para que salvem sua filha, a Princesa Sarah. Ela foi raptada por Garland, um antigo soldado a serviço do reino que “virou a casaca”. O Rei explica que o vilão está escondido ao norte, num lugar chamado Chaos Shrine.

Então vâmo lá cagar a pau esse cretino!

Saí da cidade com meu grupo e rumei para o norte. Ah, agora me dei conta de que ainda não apresentei os personagens para vocês! Meu grupo é formado pelo guerreiro MIKE, pelo ladrão MÃO LEVE, pelo mago branco RUNE e pelo mago negro PAULO C. Muito prazer!

Caminhando para o norte, entro na primeira briga do jogo, contra alguns goblins salteadores vagabundos que por ali vagavam. Demoli na porrada esses e mais alguns meliantes semelhantes pelo caminho.

Logo adiante, cheguei numa caverninha que o jogo identifica como sendo o Earthgift Shrine.

Lá dentro encontro um maluco que disse que não dava para seguir adiante, e realmente ele tinha razão. Reparei numa estátua esquisita aparentemente em ruínas (pode ser o cadáver de algum bicho também) por ali, mas fui embora.

Saí dessa caverninha e fui um pouco mais ao norte, onde localizei um local inóspito que tinha todo o jeito de ser o esconderijo do tal Garland. O problema é que eu fui “noob” e imaturo o suficiente para sair da cidade sem comprar nada, e então percebi que meu grupo estava sem quaisquer poções ou feitiços e que já estava todo mundo quase morrendo de tanto apanhar. Rumei desesperadamente de volta para Cornelia, sendo que só o ladrão conseguiu chegar vivo na cidade, e mesmo assim virado em farrapos. Meus outros três personagens tinham batido as botas apanhando no caminho de volta. Levei todo mundo pra tirar uma noite de sono na pousada, e só daí me dei conta do fato de que sono não restaura a saúde de cadáveres! Era preciso encontrar uma igreja para ressuscitar os pobres coitados. Finalmente, encontrei a igrejinha lá no canto nordeste da cidade. O padre picareta e explorador me cobrou 120 moedas para resssuscitar todo mundo, mas foi o jeito.

Refeito do susto, adotei o procedimento Rambo: comprei armas, armaduras, magias e poções pra todo mundo. Só aí me dei conta de como o grupo estava fracote anteriormente.

Como os recém-ressuscitados estavam com apenas 1 ponto de energia cada um, levei eles novamente pra dormir na pousada. Agora, com todo mundo com boa saúde e bem armado, saí novamente de Cornelia, disposto a arrancar as tripas do cretino chamado Garland.

Refiz todo o caminho até o esconderijo do vilão, que lembra o Castelo de Greyskull em ruínas.

Logo na entrada, dou de cara com Garland contando vantagem e parto pra cima do pescoço do cara.

Como eu estava com poções, boas armas e com feitiços de ataque para o mago negro, a luta não teve nem graça. Demoli o bandido, resgatei a princesa e levei ela de volta pro castelo.

Chegando lá, o Rei agradece aos heróis e conta para eles o resto da profecia: os quatro cristais em posse dos heróis precisam ser reenergizados para que a profecia se cumpra (eles estão “apagados” até então). Para isso, o grupo precisará seguir para o norte. A ponte próxima da cidade está em ruínas há muito tempo, mas para ajudar os heróis a cumprirem com a profecia, o Rei ordena a reconstrução da ponte.

Massa proletária trabalhando duro para cumprir as ordens do Rei vida mansa.

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Ok, hora de ir para o norte então. Mas isso fica para a próxima parte do nosso Diário de Bordo!

Diário de Bordo: FINAL FANTASY I (Parte 1)


Depois da minha vergonhosa confissão de que o único RPG de console que terminei até hoje foi o PHANTASY STAR do Master System, resolvi agir para redimir minha honra retrogamer. Para tanto, vou encarar o desafio de jogar até o final (ou pelo menos tentar) o clássico FINAL FANTASY I, o primeiríssimo game da famosa série, lançado em 1987 para o NES.

Detalhe: a versão que vou jogar não é a original do NES, mas sim o excelente remake lançado para o Game Boy Advance em 2004 sob o nome de Final Fantasy – Dawn of Souls. Até onde sei, é um remake essencialmente fiel ao original, que apenas melhorou sensivelmente a parte gráfica e adicionou algumas dungeons novas, um bestiário e mais uns outros ganhos de jogabilidade.

A HISTÓRIA

De cara, você começa o jogo com um grupo de quatro heróis: um guerreiro, um ladrão, um mago branco e um mago negro (de magia negra, nada a ver com a cor da pele dos aventureiros!). Após dar nome a cada um deles, o jogador é apresentado à sucinta história do game.

O negócio é o seguinte: o jogo se passa em um mundo fantástico, formado por três grandes continentes. Esse mundo está envolto em trevas, com os mares em fúria e cataclismas naturais acontecendo. As pessoas aguardam a realização de uma profecia que diz que Quatro Guerreiros da Luz surgirão pra salvar o mundo desse caos, e então subitamente aparecem quatro jovens aventureiros, cada um portando uma orbe mística.

Logo após essa pequena narrativa, o grupo se encontra na frente da cidade de Cordelia. É aí que a aventura começa.

Fiquem ligados para a segunda parte do Diário de Bordo – Final Fantasy I!

Os heróis, contentes e renovados depois de uma bela noite de sono na pousada da cidade!

O guerreiro, liderando o grupo no centro de Cordelia, a primeira cidade do game.