O PRIMEIRO CONSOLE A GENTE NUNCA ESQUECE … O SUPERGAME DA CCE!


O André Breder começou com essa brincadeira lá no Gagá Games, e agora é hora de eu confessar em público a extensão da minha velhice, falando do meu primeiro videogame. Peço especial cautela para os mais jovens, que poderão sofrer vertigens com a prolongada regressão temporal que agora faremos. Depois não digam que eu não avisei, hein?

O ano é 1987. O presidente do Brasil é José Sarney, o presidente dos EUA é Ronald Reagan e o mundo vive os últimos anos da Guerra Fria entre os americanos e a União Soviética. O Brasil começa uma progressiva transição para a democracia. A Super-Máquina, Esquadrão Classe-A e Miami Vice são as séries do momento no Brasil. Michael Jackson é, de longe, o artista mais popular do universo. O U2 lança o seu seminal álbum The Joshua Tree.

Um aparelho de telefone com fio e um televisor colorido com tela de 14 polegadas e controle remoto são algumas das coisas mais sofisticadas que você pode ter na sua sala. Em 13 de setembro (um dia antes do meu aniversário), ocorreu o acidente com Césio-137 em Goiânia, até hoje considerado o pior acidente radioativo em área urbana de todos os tempos.

Basicamente, esse era o Brasil e o mundo. Não que eu estivesse particularmente muito interessado na maior parte dessas coisas (bem, eu gostava do Michael Jackson e de Super-Máquina …). Eu estava entre os cinco e os seis anos de idade, entrando na escola no pré-primário. Minha vida era brincar. Mas faltava uma coisa, algo que já capturava os corações e mentes das crianças naquela época: um videogame! E, naquele ano, eu viria a ganhar o meu primeiro console, o SUPERGAME, um clone nacional do Atari 2600, fabricado pela CCE.


“Atari”? Ora, mas em 1987 já existiam o Nintendo 8-bits e o Master System, correto? Sim, mas aqui no Brasil ainda eram poucos os privilegiados que já estavam ingressando na ainda inovadora terceira geração de consoles. Embora o Atari já contasse com 10 anos de vida no mercado internacional, aqui no Brasil ele ainda gozava de imensa popularidade naqueles tempos, o que podia ser verificado pela grande quantidade de clones nacionais que o console tinha, fabricados por empresas como CCE, Milmar, Dynacom e outras.


O Supergame já causava suspiros antes de sair da caixa. A embalagem, extremamente caprichada, mostrava o console como se fosse o computador de bordo de uma espaçonave, com naves inimigas aparecendo no espaço sideral, vistas pelo painel da nave. A mensagem era clara: “atenção, fedelho, o poder está agora em suas mãos. Prepare-se para trocar tiros – muitos tiros! – com naves alienígenas”.

Se bem me lembro, o console vinha acompanhado de três cartuchos. Um deles era Command Raid (do qual nunca gostei muito), o outro eu não lembro qual era e o último era PAC-MAN, o game definitivo da minha infância. É, eu sei: o Pac-Man do Atari 2600 é um dos jogos mais criticados e avacalhados de todos os tempos, e hoje faz parte da cultura retrogamer crucificar o jogo. Mas acreditem nessa testemunha ocular da história que vos fala: na época, todo mundo por aqui AMAVA esse jogo. Não é como se as crianças fossem familiarizadas com o Pac-Man original do arcade e estivessem em condições de fazer juízos comparativos críticos. Todo mundo adorava o Pac-Man e a versão mais popular do jogo era a do Atari, e era só isso o que importava.


O Supergame tinha um belo visual “black”, e eu sempre achei ele mais bonito e elegante do que o Atari 2600 original da Atari. Os joysticks também eram em preto, com o enorme (e único) botão na cor amarela. Os joysticks eram bonitos, mas de uma fragilidade comovente, e quebravam com irritante facilidade. Felizmente, existiam no mercado alternativas na forma de joysticks “pad”, menos propensos a quebrar do que os joysticks “de torre” como aqueles que acompanhavam consoles.

O game-símbolo dessa época dos joysticks que quebravam com frequência é o célebre jogo de esportes Decathlon (que, graças a Deus, eu nunca joguei naqueles tempos). Com suas provas de corrida, o jogo era um campeão absoluto em causar o arrebentamento de joysticks.


O grande barato de ter um Atari (ou um clone nacional) era o preço reduzido dos cartuchos, que eram muito acessíveis. Haviam cartuchos de todos os tipos, lançados por empresas das mais diversas. Os da CCE eram os que apresentavam os desenhos mais legais. Os da Milmar, por sua vez, se destacavam por trazer quatro jogos num único cartucho, usando um sistema de “chaves” compostas para seleção do jogo desejado.


Era uma festa: todo mundo que tinha um console compatível com Atari em casa tinha também uma caixa de sapatos (ou algo semelhante) repleta de cartuchos. Era algo muito, mas MUITO diferente do que se viu pouco tempo depois, na época do Master System e do Mega Drive, quando o custo de três ou quatro cartuchos atingia o valor do próprio console! No entanto, a razão desses “preços baratos” da cena nacional do Atari é hoje conhecida por todos: era uma pirataria institucionalizada. Por trás do aparente profissionalismo das empresas envolvidas, a verdade é que a maior parte desses cartuchos de jogos eram lançados por aqui sem pagamento de royalties para as empresas estrangeiras.

Até onde eu sei, a CCE lançou dois modelos diferentes do Supergame “grande”, que é o que eu tinha (não lembro qual modelo era o meu). Um terceiro modelo (de tamanho bem reduzido e joysticks diferenciados que não podiam ser removidos do console) chegou a ser lançado, e também era bem popular.

Além de ser meu primeiro videogame, o Supergame foi o console definitivo da minha infância. Eu o tive por longos cinco anos, de 1987 a 1992. Nos meus últimos dias com ele, eu tinha passado nada menos do que metade do meu tempo total de vida convivendo com Space Invaders, Pac-Man, Frogger, Pitfall, Megamania, Enduro, Mr. Postman, Keystone Kapers, Donkey Kong e tantos outros.

Os primeiros anos foram de absoluto encantamento e diversão, mas no final desse período eu preciso confessar que já estava completamente de saco cheio do Atari. Nada mais natural: em 1992, os videogames de terceira geração já estavam extremamente popularizados, e as atenções dos fãs de videogames estavam voltadas para os maravilhosos Mega Drive e Super Nes, as máquinas que estabeleceram a então toda-poderosa quarta geração de videogames. Por mais que o meu querido “Atari-compatível” tivesse me entretido em anos anteriores, naquela altura do campeonato já não dava mais pra se divertir com aqueles jogos excessivamente precários e simplórios. A magia havia se esgotado.

Felizmente, naquele ano, minha necessidade por novidades foi atendida com a chegada de um fantástico computador MSX. Pouco depois, vendi o meu velho Supergame de guerra (coisa da qual me arrependo amargamente até hoje). Anos mais tarde, já adulto e na condição de retrogamer, a minha paixão pelo pioneiro e fantástico Atari 2600 voltou com tudo – e, dessa vez, para nunca mais ir embora.

Juro: só de olhar, eu consigo lembrar do cheiro do chip desses cartuchos, quando eles esquentavam depois de algum tempo de jogo!

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Confira os outros blogs particantes do meme “O primeiro console a gente nunca esquece:

1/2 ORC: http://meioorc.com/artigos/o-primeiro-console-a-gente-nunca-esquece-mega-drive-e-super-nintendo/

1/2 ORC (2ª PARTE): http://meioorc.com/artigos/games/o-primeiro-console-snes-master-system/

ARQUIVOS DO WOO: http://arquivosdowoo.blogspot.com/2011/04/meme-o-primeiro-console-gente-nunca.html

BLUE ROSE GARDEN: http://blue-rose-garden.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

COSMIC EFFECT: http://cosmiceffect.com.br/2011/04/29/o-primeiro-console-a-gente-nunca-esquece-atari-2600/

GAGÁ GAMES: http://www.gagagames.com.br/?p=26458

GAME GENIUS: http://xgamegeniusx.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html  /   http://xgamegeniusx.blogspot.com/2011/05/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

GLStoque: http://www.glstoque.com.br/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

JOGANDO COM OS AMIGOS: http://jogandocomosamigos.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

MEMÓRIAS DE UM LOBO DE MADEIRA: http://memoriasdeumlobodemadeira.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

NINTENDOBLAST: http://www.nintendoblast.com.br/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

QG MASTER: http://qgmaster.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

RETRONEWSFOREVER (NESBITT): http://retronewsforever.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca-esquece.html

RETRONEWSFOREVER (TANDRILION): http://retronewsforever.blogspot.com/2011/04/o-primeiro-console-gente-nunca.html

RETROPLAYERS: http://www.retroplayers.com.br/?p=9930

ROBSON’S BLOG: http://robsonfranca.eti.br/node/39

VÃO JOGAR: http://vaojogar.com.br/escrito/o-primeiro-console-a-gente-nunca-esquece-snes

VIDEOGAME.ETC.BR: http://videogame.etc.br/?p=1615

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MARATONA ATARI

E estamos nós de volta para mais um capítulo da nossa aventura pela biblioteca de games do clássico console Atari 2600. Mas já vou avisando: nessa etapa vocês precisarão ser corajosos, porque tem cada joguinho ruim pela frente que chega até a ser difícil de acreditar. Vai encarar mesmo assim? Então vamos lá!

BACKGAMMON

O primeiro game desta etapa da nossa Maratona é … BACKGAMMON, de 1979. Hmmm, não estou gostando nada disso, acho que é … pois é, eu estava certo: é uma versão do jogo de GAMÃO para videogame! Alguem aí tem uma corda para eu me enforcar? Nunca joguei gamão na minha vida, não pretendo fazê-lo e, se um dia eu bater a cabeça com força e mudar de ideia, certamente não vou começar a jogar Gamão num Atari! Meu Deus, que pena que eu sinto das crianças que ganharam esse jogo na época. Aposto que cresceram com o coração cheio de ódio pelo mundo. Próximo game!

BIG BIRD’S EGG CATCH

Oh, céus. Pelo jeito não estamos com sorte nessa etapa. A próxima pedra game no nosso caminho é BIG BIRD’S EGG CATCH, de 1983. É mais um daqueles horrendos jogos “educativos” do Atari, que precisavam ser jogados com controles especiais.

A moral do jogo é fazer o Garibaldo pegar ovos. Pois é. “Legal”, né? Imagine a cena: duas crianças nos anos 80, cada um com seu Atari em casa. Um chega para o outro e diz “meu pai comprou pra mim Pitfall e River Raid“, e daí o outro responde “e o meu pai comprou pra mim o PEGA OVO DO GARIBALDO!“. Depois a pessoa termina num manicômio quando vira adulto e a sociedade não compreende o motivo …

BMX AIRMASTER

BMX AIRMASTER, de 1989, já é um game lançado no final da vida útil do Atari, quando o console já era considerado uma velharia no mundo desenvolvido. O game até que é legalzinho (ainda mais se jogado imediatamente após Big Bird’s Egg Catch!), apesar da jogabilidade tosca. O game funciona mais ou menos como a modalidade skate do clássico California Games, só que com uma bicicleta ao invés do skate.

Para ganhar velocidade com a sua “bike”, o jogador precisa ficar colocando o joystick para esquerda e para a direita incessamente, feito um louco, e ainda por cima apertando o botão do controle. É meio tosco e aleatório, mas rende alguma diversão quando se consegue uma boa velocidade – sem falar que é engraçado pra caramba quando a bicicleta chega a voar tão alto que aparece numa outra tela, nas nuvens. Se você tiver a devida paciência, esse game pode render de cinco a dez minutos de entretenimento.

BERENSTEIN BEARS

Má notícia, caro retrogamer. Aqui vai mais uma horrível abominação do Atari: BERENSTEIN BEARS, lançado em 1983. Para você ter uma ideia da gravidade dessa coisa, o game simplesmente não pode ser jogado sem o joystick especial KidVid e sem o uso de três fitas K7 (!!!) que acompanhavam o jogo.

No emulador, só o que se consegue ver é a tela de abertura. Não consegui (graças a Deus!) jogar esse jogo em nenhum emulador e ele não consta no acervo dos emuladores online de Atari que conheço (por que será?). Portanto, “infelizmente”, parece que esse aqui é um game infantil e retardado que nós não poderemos jogar. Que peninha, hein?

BLUE PRINT

BLUE PRINT, de 1982, é uma das coisas mais bizarras que já vi na vida em matéria de videogames! Precisei de alguns minutos para conseguir entender a mecânica do jogo, mas por incrível que pareça ele é interessante depois que o jogador consegue penetrar seu véu de absurdidade incompreensível. É o seguinte: o cenário do jogo é uma vila onde monstros estão atacando as pessoas. O jogo começa com um dos monstros roubando partes da roupa de um sujeito e escondendo elas em casas aleatórias. Você precisa prestar atenção em quais casas as roupas foram escondidas, recuperá-las na ordem certa e “vestir” no sujeito todas as partes das roupas. Mas cuidado: se você entrar nas casas erradas, será transformado numa bomba, e então precisa correr rapidamente para o canto inferior direito da tela para desarmar a bomba antes de explodir.

Fazendo tudo corretamente, o jogador é levado para uma segunda tela, que funciona mais ou menos como um “tiro ao alvo”. O objetivo é acertar um tiro no monstro que persegue a menina indefesa. Enfim, Blue Print mais parece um teste de sanidade e quem concebeu o jogo certamente estava perto de ter uma overdose de tanto usar drogas. Mas o game vale uma conferida rápida, pois não é todo dia que se vê um jogo TÃO esquisito assim.

BRIDGE

BRIDGE, de 1981, é uma versão da Activision para o jogo de cartas de mesmo nome. Nunca joguei bridge e não faço a menor ideia de como se joga, então passo. Sinceramente, não consigo imaginar que tipo de doido teria paciência para ficar jogando uma reprodução de um jogo de cartas num Atari. Bom, mas tem louco para tudo. Sem falar que a vida tinha bem menos opções de entretenimento doméstico em 1981 …

BLACKJACK

BLACKJACK é um game de … ah, não, não é possível! MAIS UM game de cartas?!? Sério, quem é que iria querer essas porcarias? Jogar cartas num Atari na frente da televisão, é isso que os caras na época achavam que as pessoas achariam “divertido”? Dou um desconto pelo fato de que o game é de 1977 e foi um dos nove títulos lançados simultaneamente junto com o videogame Atari 2600. Mas mesmo assim … argh! E os gráficos, caramba, alguém aí já viu uma representação de jogo de cartas mais HORRÍVEL do que esta?

O próximo game na minha lista era BREAKAWAY IV, mas acontece que esse é apenas um título alternativo para o BREAKOUT, que nós já analisamos na etapa anterior da maratona. Portanto: próximo!

BOING

O que tem de jogo ruim nessa nossa etapa da Maratona Atari é uma coisa de louco, mas sempre há uma luz no fim do túnel: BOING, lançado em 1983, é um game surpreendentemente divertido, apesar de ter ficado relegado ao Abismo do Completo Esquecimento.

É um game de ação estilo arcade, típico da segunda geração de consoles, no qual o jogador controla uma bolinha que “pinta” os espaços pelos quais passa. O objetivo é fazer a bolinha colorir todas as plataformas de cada fase sem ser atingida pelo raio mortal que fica atravessando a tela e nem ser capturada pelo monstrengo que fica perseguindo ela o tempo todo. Divertido e viciante, Boing é pura ação videogâmica de segunda geração. Pode conferir sem medo!

Ufa, terminamos mais uma etapa da Maratona Atari e finalmente passamos por todos os títulos do console iniciados com a letra B. Já são 53 games analisados ao longo da maratona até aqui, mais ainda temos uma longa jornada pela frente. Até a próxima, corajosos retrogamers!

Vacas magras … e um site interessante!

Caros retrogamers: o blog tem recebido poucas atualizações nas últimas semanas em virtude de uma série de compromissos meus, mas esse período de vacas magras vai acabar logo. Nos próximos dias, teremos mais uma etapa da nossa intrépida Maratona Atari, a segunda parte do Especial Adventures-Texto, análises de novos emuladores do Dingoo e por aí vai. Quem vivê, verá!


Mas, por enquanto, vamos ficar apenas com uma breve (e muito útil) novidade: o site GAME BOY ONLINE, no qual você pode jogar um monte de jogos do Game Boy clássico e do Game Boy Color diretamente no seu browser, sem a necessidade de ter qualquer emulador (ou roms) no seu computador. São mais de OITOCENTOS (!) games destes consoles portáteis, prontos para serem jogados em qualquer computador com acesso à internet. E ainda tem recursos de save state. Tá bom ou quer mais? Esse vale à pena guardar nos “favoritos” …

http://www.gameboyonline.com

Review: o DINGOO nacional da Dynacom

Com o preço a R$ 149,00 numa promoção do Ponto Frio, não deu pra resistir: comprei um Dingoo nacional, produzido pela Dynacom.

O Dingoo, para quem não sabe, é um videogame portátil chinês lançado em 2009, com algumas funções multimídia (roda vídeos e música) e voltado principalmente para a emulação de videogames antigos.

Vou fazer aqui um pequeno review do aparelho e de suas funcionalidades, mas quero deixar claro que não estou avaliando as capacidades do Dingoo como um todo, mas sim tão somente do sistema operacional padrão do aparelho, da forma como ele vem configurado de fábrica em sua versão nacional da Dynacom. Pelo menos até o momento, eu não instalei o popular sistema operacional alternativo Dingux nele, nem instalei nenhum tipo de software novo ou alternativo. Este é, portanto, um review do Dingoo da Dynacom, do jeito como ele sai da caixa.

1) HARDWARE e MANUAIS: apesar de carregar o estigma de ser um “troço barato inventado pelos chineses”, o Dingoo em nenhum momento parece um aparelho frágil ou ordinário. O design é uma imitação do Nintendo DS (sem a tela superior), mas o aparelho é sólido e bem construído. Só o botão liga/desliga parece ser meio “vagabundo”. Os demais botões funcionam bem e possuem boa sensibilidade, e o console é uma das coisas mais leves e portáteis que eu já vi na minha vida. O Nintendo DS e o primeiro modelo do PSP são quase uns tijolos na comparação com o minúsculo Dingoo.


Nem tudo são flores, no entanto. A ideia de colocar a entrada de fones de ouvido na lateral foi uma grande mancada, pois o fio dos fones acaba atrapalhando o jogador. A alternativa mais eficaz para contornar esse problema é colocar os fones na saída A/V, pois funciona da mesma forma. O único incoveniente é que, fazendo isso, o som continua saindo também pelos speakers do aparelho. Portanto, se você estiver usando os fones para não incomodar outras pessoas por perto, a saída A/V não é uma alternativa.

Os botões superiores, no topo do console, poderiam ser maiores ou mais espaçados. Usá-los não é tão confortável quanto no GBA, no PSP ou no Nintendo DS, mas não chega a ser uma coisa que compromete a jogabilidade.

Os fones de ouvido que acompanham o aparelho são surpreendentemente bons, ouvi dizer que são melhores do que os fones do Dingoo original importado. O aparelho vem acompanhado por um manual impresso muito resumido, mas uma versão mais completa em PDF é disponibilizada na memória do Dingoo e pode ser lida em qualquer computador. Da minha parte, achei o material suficientemente informativo e esclarecedor.


A tela do Dingoo, é preciso dizer, não chega a ser nenhuma maravilha. Ela é bem inferior às telas do PSP ou do Nintendo-DS. Basta inclinar o console um pouquinho para o lado e você já começa a não enxergar mais o que está na tela. O nível ideal de brilho e visibilidade só é alcançado com o console numa posição específica em relação ao jogador. Li comentários de que a tela do Dingoo da Dynacom é significamente inferior ao do modelo importado, mas não tenho como garantir se essas observações procedem. De qualquer forma, a tela não é ruim. Ainda acho que ela é melhor do que a do GBA-SP, o modelo de Game boy Advance que eu tive (e ainda tenho) e que já me parecia bom na sua época.

O sistema operacional básico do Dingoo é simples e eficiente, mas não é livre de problemas. Comecei a usar meu Dingoo há apenas três dias e já houve um momento no qual o console simplesmente não ligava mais (nem ligado na tomada), me obrigando a inserir um palito de dentes no minúsculo botão “reset” na lateral. Feito isso, tudo voltou ao normal.

2) VÍDEOS: a compatibilidade do Dingoo com diferentes formatos de vídeo é simplesmente impressionante. Ele roda todo tipo de AVI, RMVB, MP4 e WMV sem maiores dificuldades. Neste quesito, o Dingoo é muito mais amigável e compatível do que o PSP, por exemplo. Mas isso não significa que o Dingoo seja uma “máquina dos sonhos” na hora de ver vídeos. Ele tem dois problemas sérios: primeiro, a tela minúscula, sensivelmente menor do que a do Nintendo DS e muito menor do que a do PSP. Segundo – e pior – é o fato do Dingoo “engasgar” com vídeos mais longos. Se você colocar para rodar um vídeo com 20 ou 30 minutos de duração, o Dingoo o exibirá sem “soluços”. Mas se for um vídeo de uma ou duas horas, a reprodução do vídeo sofrerá constantes pulos, arruinando a experiência. De qualquer forma, para ver vídeos pequenos, o Dingoo é uma boa pedida. Sem falar que o tamanho diminuto da tela pode ser contornado ligando-se o Dingoo na televisão, através da saída A/V.

3) MÚSICA: o Dingoo é uma ótima opção de player portátil de MP3. A coisa é absolutamente sem mistérios, é só arrastar os arquivos e pastas para dentro do diretório de música do console e pronto. Na minha opinião, é ótimo poder abastecer um player com músicas diretamente pelo Windows Explorer, sem precisar de softwares proprietários para “sincronizar” o aparelho e coisas do tipo, comuns em aparelhos como o Ipod da Apple e o Zen da Creative. O player de música é bastante simples, sem maiores recursos, mas eficiente e funcional.

4) GAMES 3D: o Dingoo possui alguns “games próprios” com gráficos que lembram o PsOne. O 7 Days – Salvation, em particular, é considerado o ícone dos jogos exclusivos do Dingoo. O console da Dynacom vem com alguns destes games na memória (incluindo o 7 Days), mas eu sinceramente não tenho qualquer interesse por eles e nem cheguei a jogá-los.

5) EMULADORES: finalmente chegamos ao cartão de visitas do Dingoo. E aí, como o Dingoo da Dynacom se sai emulando videogames antigos? Vamos conferir!

O Dingoo da Dynacom se gaba, já na parte externa da caixinha, de emular 14 sistemas diferentes: Nintendo (o NES, ou Nintendo 8-bits), Super Nintendo, Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance, Mega Drive, Neo Geo, Capcom (arcades com placas CPS-1 e CPS-2), PC-Engine, Atari Lynx, Atari 7800, Odyssey (conhecido lá fora como Odyssey2), Jungle Tac e Dingoo 3D. Na verdade, os jogos 3D do Dingoo são originais do console, e não “emulados”. Já “Jungle Tac” é o nome da empresa que produz alguns joguinhos simples, estilo flash, que vêm na memória do Dingoo. Nenhum deles é muito impressionante.

Já adianto: além dos games Jungle Tac e dos 3D, as únicas roms que já vêm na memória do Dingoo são de NES. E não se anime, é um punhado de games medíocres, virtualmente desconhecidos e dispensáveis. Você só começará a realmente se divertir com o seu Dingoo depois de ligá-lo no computador e abastecê-lo com suas roms favoritas. Particularmente, não tive nenhum problema ou dificuldade para que o aparelho fosse rapidamente reconhecido pelo Windows Vista (e pelo Windows 7, num outro computador).


A emulação de NES (Nintendo 8-bits) é o carro-chefe do Dingoo. O emulador é uma belezinha, com alta compatibilidade, games rodando sem redução de frame-rate, em tela cheia, com gráficos e sons fiéis ao console real. Enfim, uma maravilha. Se o seu objetivo é ter um NES de bolso, você pode comprar o Dingoo da Dynacom sem pensar duas vezes.   

A alegria continua com a emulação do GAME BOY clássico (o primeiro portátil da Nintendo) e do GAME BOY COLOR. A emulação é excelente, e a única coisa que fica devendo um pouco é o aspecto da tela em relação ao que se veria num Game Boy real. O único formato do emulador que deixa a tela nas proporções corretas faz a tela de jogo ficar muito reduzida. Os formatos que aproveitam bem a tela do Dingoo distorcem levemente o visual dos gráficos do Game Boy (o que não ocorre nos emuladores para PSP, por exemplo, que compensam esse alargamento da tela com filtros gráficos). Se você já jogou algum cartucho de Game Boy no GBA, vai lembrar que era possível aumentar a tela “esticando” a imagem, e que isso distorcia um pouco os gráficos. É mais ou menos assim que fica a emulação de Game Boy no Dingoo. Mas não é nada gritante e não chega a prejudicar a experiência. No mais, a emulação é perfeita.


Igualmente surpreendente é a emulação de GAME BOY ADVANCE. A compatibilidade é alta e o emulador é muito bom, com fidelidade nos gráficos e sons. Só não dá para dizer que o emulador é “perfeito” porque, para os games rodarem bem, é indispensável configurar o emulador para que role algum tipo de “frameskip” (automático ou pré-definido). Mas não é nada para desanimar, o frameskip é baixo e discreto, não prejudica muito nem nos games de ação. O único jogo de GBA que testei que me pareceu REALMENTE prejudicado pelo frameskip foi o Street Fighter II Turbo Revival. Mas, no geral, a emulação é muito boa, eventualmente com alguns slowdowns discretos e um pouco de frameskip em alguns jogos, mas sem maiores prejuízos práticos para a jogabilidade.


Outra boa surpresa do Dingoo é o emulador de CPS-1, uma antiga placa de arcades da Capcom, que foi utilizada em diversos games. Com esse emulador, você pode jogar as versões arcade de games como Final Fight, Cadillac and Dinossaurs, The Punisher, Knights of the Round e outros. A emulação é ótima, apresentando apenas um pouco de frameskip em alguns jogos. O único game CPS-1 que testei e que não funcionou foi o Ghouls ‘n Ghosts.


O emulador de Super Nes me surpreendeu. Eu não esperava absolutamente nada dele, pois todo mundo sempre diz que a emulação de Super Nes no Dingoo é muito ruim. Confesso que achei o emulador melhor do que eu esperava. Testei alguns games nele (Super Double Dragon, Super Castlevania IV, Turtles in Time, Final Fight 1 e 2) e todos rodaram suficientemente bem, desde que – é claro – você configure o emulador para que ele execute os games com 2 quadros de frameskip sempre. E nem tente emular games mais exigentes, como Starfox, pois certamente o resultado não será bom. Além disso, o único formato de rom de Super Nes que o Dingoo reconhece é o com extensão “.smc”. Apesar das limitações, o emulador é suficientemente bom com diversos títulos do Super Nes.

Até aqui, tudo muito bom. Agora vamos para as minhas decepções. O emulador de Mega Drive é uma vergonha obscena. Apesar de o manual dizer que ele reconhece as roms do Mega nos formatos BIN e SMD, na prática ele só reconhece os SMD. Para você ter uma ideia, TODAS as roms de Mega Drive que eu tenho estão no formato BIN. Como se não bastasse, o emulador roda os jogos com inaceitável lentidão. Para todos os efeitos práticos, considere que o Dingoo da Dynacom – em sua configuração standard – simplesmente NÃO EMULA Mega Drive. O mesmo pode ser dito do Odyssey2, cujas roms também não são reconhecidas.

Por enquanto, ainda não cheguei a testar os emuladores de CPS 2, Atari Lynx, PC Engine, Neo-Geo e Atari 7800. Vou ficar devendo as informações sobre estes sistemas.

A saída de áudio e vídeo do Dingoo funciona muito bem, e eu consegui ligar o console na minha televisão sem maiores problemas. Joguei um pouco de Nintendo 8-bits na televisão, e o visual fica muito parecido com o que se vê ao ligar um console antigo de verdade na TV. As cores ficam levemente “estouradas” e os gráficos não têm aqueles filtros especiais que suavizam a imagem. Ou seja, o resultado não fica como aqueles emuladores que rodam em PC em monitores de alta definição, mas sim como se fosse um NES antigo de verdade ligado numa TV atual. Eu achei muito bom. Pena que não é possível entrar com um segundo joystick para jogar os games no modo two players –  isso seria o máximo!

6) CONCLUSÃO: VALE À PENA?

Um Nintendo 8-bits de bolso, com saída para TV, que ainda emula satisfatoriamente todos os Game Boys da história (Classic/Color/Advance) e quebra o galho rodando alguns arcades da Capcom e alguns games do Super Nes. Tudo isso por R$ 150,00. Vale à pena? Caramba, mas é CLARO que sim! Sem falar que o Dingoo é o mais portátil de todos os portáteis, algo extremamente confortável de carregar por aí (e, por esse precinho, dá para andar com o Dingoo pelas ruas sem maiores receios). Além disso, ele ainda pode render bons momentos rodando vídeos e servindo como Mp3 player. Um belo brinquedinho!

No entanto, cabe lembrar que o preço normal do Dingoo da Dynacom não é esse que eu paguei. O Ponto Frio está anunciando o aparelho agora por R$ 259,00 (mas em promoção, em certos dias, por R$ 189,90). Eu diria que, até a faixa dos duzentos reais, o Dingoo vale a compra. Acima disso, me parece um pouco caro. Dá vontade de rir quando lembro que a Dynacom lançou o aparelho no Brasil inicialmente por mais de R$ 400,00.

Além disso, é bom lembrar que o Dingoo é o “xodó” dos retrogamers de todo o mundo, e possui uma fortíssima cena independente de desenvolvedores de software. Ninguém é obrigado a ficar limitado às configurações de fábrica do aparelho da Dynacom. A instalação do sistema operacional Dingux, por exemplo, abre para o jogador uma ampla gama de novos emuladores, inclusive de Master System e Game Gear, bem como de emuladores de Mega Drive que prestam, ao contrário do que vem com o Dingoo.

Na minha opinião, o PSP é muito melhor do que o Dingoo quando o assunto é emuladores (até porque o PSP emula com absoluta perfeição os games de PsOne, o que ainda é um sonho distante para o Dingoo, mesmo fazendo uso do Dingux). Mas se você considerar que um PSP custa em torno de R$ 700,00 enquanto que o Dingoo pode ser comprado por 1/4 desse valor, fica evidente que o custo/benefício do Dingoo é muito bom. Enfim, essa pequena bugiganga “xing-ling” é capaz de ganhar o coração de qualquer retrogamer, e – desde que seu preço seja razoável – é uma compra altamente recomendada.