DOUBLE DRAGON (1987, Arcade, Atari, NES, Master System, Mega Drive, MSX, ZX Spectrum, Game Boy)

Já analisamos aqui no Cemetery Games o game que inaugurou o gênero beat’em up (briga de rua), que foi muito popular nos anos 80 e na primeira metade dos 90. Trata-se de Kung Fu Master, de 1984. Também já dissecamos por aqui o game que definiu a estética do gênero, ditando o visual e os elementos narrativos básicos de todos os beat’em ups posteriores: Renegade, de 1986.

Agora, chegou a vez de analisarmos o beat’em up definitivo dos anos 80. O mais inovador, mais memorável, mais influente e de maior sucesso entre todos de sua época. Uma lenda eterna da história dos videogames, consagrada nas máquinas de arcade e posteriormente adaptada para quase todo console doméstico e microcomputador existente em sua época. O primeiro, o único e inimitável DOUBLE DRAGON, lançado em 1987 pela Technos (no Japão) e distribuído no mundo ocidental pela Taito.

A história de Double Dragon está intimamente ligada com a de Renegade. Como já vimos anteriormente, Renegade foi a adaptação ocidental de um game japonês chamado Nekketsu Kōha Kunio-kun. A Technos, é claro, gostou muito do sucesso internacional que a localização do jogo original fez. No entanto, esse processo era muito caro e complexo para a época, pois envolvia a substituição de cenários e personagens inteiros do game original, o que demandava tempo de programação e custos adicionais.

Num belo dia, o programador Yoshihisa Kishimoto estava trabalhando na continuação de Kunio-kun quando foi abordado por seu chefe na Technos, Kunio Taki. O Sr. Taki convenceu Kishimoto que, ao invés de a empresa lançar Kunio-Kun 2 apenas no mercado japonês e depois gastar tempo e dinheiro “localizando” o game para o mercado europeu e americano, seria mais inteligente e lucrativo criar um novo game que fosse, desde o início, aceito no mundo inteiro. Um jogo com temática e visual voltados para os mercados ocidentais, que pudesse ser igualmente bem sucedido dentro e fora do Japão sem precisar de adaptações posteriores. Com isso, Kunio-Kun 2 foi engavetado. Nascia o conceito de Double Dragon.

Quando eu era criança, eu vi ‘Enter the Dragon’, filme de Bruce Lee. Eu me tornei o maior fã dele. Ele fez os mais incríveis filmes de ação do mundo. E eu queria me tornar como ele, e criar os mais incríveis games de ação do mundo. Então, como Bruce é um ator mundialmente famoso, ele me inspirou para o meu novo jogo. É como uma homenagem, sabe? O apelido dele era “O Pequeno Dragão”, certo? Como o conceito de Kunio-Kun 2 era um game para dois jogadores, eu decidi criar os ‘Irmãos Lee’ e chamar o meu jogo de ‘Double Dragon’“, afirma Kishimoto.

Na trama, uma sinistra gangue de rua chamada Black Warriors sequestra Marian, a garota pela qual os irmãos Jimmy e Billy Lee estão apaixonados. Os dois são mestres em artes marciais e não pensam duas vezes antes de atravessar a cidade para resgatar sua amada, descendo a porrada nas hordas de lutadores de rua que integram a gangue. No final do jogo, chegando ao esconderijo dos bandidos, os heróis precisam derrotar o chefão dos Black Warriors, um maníaco chamado Willy – que, infelizmente, tem o desagradável costume de andar por aí carregando uma enorme metralhadora!

Double Dragon seguia com fidelidade a estética consagrada em Renagade: briga de rua em cenários urbanos distópicos e intimidadores, os inimigos representados por diferentes estereótipos de gangues de rua (a piranha seminua com jeitão de garota de programa, o magrão de camisa regata com um taco de baseball, o negão parrudo, etc), golpes variados que incluem socos, chutes e voadoras, uma jornada que começa no centro da cidade e vai até o covil da gangue inimiga, a movimentação em quatro direções diferentes, etc.

Por outro lado, do ponto de vista técnico, Double Dragon botava Renegade no chinelo. Enquanto as fases de Renagade continham apenas duas telas diferentes cada uma (e um mínimo de “scrolling”), em Double Dragon o jogador se aventurava por fases bastante extensas, percorrendo longos trajetos em cenários marcados pela riqueza de detalhes visuais. O ambiente era mais interativo e “vivo”: era possível pegar armas no chão, pegar barris para atirar nos inimigos, subir em escadas, etc.

Double Dragon foi o primeiro beat’em up com um verdadeiro scrolling multi-telas“, diz Kishimoto. “Era difícil estabelecer o que era melhor para isso. Scrolling forçado? Scroll livre? Por exemplo, se tivéssemos usado free scrolling, o jogador poderia caminhar direto até o final de cada estágio sem lutar com ninguém. Mas, como as posições dos inimigos são pré-determinadas, eles aparecem quando você chega em certos pontos da fase. Assim, se o jogador não luta, todos os inimigos da fase iriam aparecer e ficar perseguindo Jimmy e Billy. Isso faria com que houvesse um excesso de sprites na tela, o que faria o jogo travar. Hoje, o conceito e o scrolling de Double Dragon parecem muito naturais, mas naquele tempo foi uma ideia pioneira. Levou tempo para que essas configurações técnicas parecessem tão naturais quanto possível“, explica o programador.

 

Double Dragon logo se transformou num dos games de maior sucesso dos anos 80. Naturalmente, isso levou o jogo a ser convertido para praticamente tudo o que era máquina de rodar games que existia naqueles tempos, incluindo até mesmo – pasmem! – o Atari 2600, que naquela época já contava com respeitáveis 10 anos de existência no mercado! Também saíram versões para Nes, Master System, Game Boy, Mega Drive, Lynx, MSX, ZX Spectrum, Commodore 64, Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Atari 7800 e para IBM-PC (sistema operacional DOS). Isso, é claro, para não falar do sensacional remake Double Dragon Advance, lançado em 2003 para o Game Boy Advance (e, na minha modesta opinião, possivelmente a melhor versão desse clássico já feita até hoje).

Não conheço todas as versões existentes de Double Dragon, mas joguei várias delas e vou comentar rapidamente as adaptações que conheço:

MASTER SYSTEM: era a versão mais popular de Double Dragon aqui no Brasil, entre o final dos anos 80 e começo dos 90. Até hoje se discute qual versão é melhor, se esta ou a do NES (Nintendo 8-bits). Pessoalmente, prefiro a do Master. Como acontecia com praticamente todas as versões do jogo, essa adaptação era claramente inferior ao original dos arcades, mas ainda assim mantinha com muita fidelidade o espírito e a jogabilidade de Double Dragon, e certamente é um dos melhores beat’em ups de consoles de 8-bits já feitos. Ainda considero uma ótima pedida, principalmente para ser desbravado com dois jogadores ao mesmo tempo.

NES: possivelmente era a versão doméstica mais popular de Double Dragon pelo mundo afora, dado o fato de que o NES era, de longe, o videogame líder em vendas naqueles tempos. É uma versão competente, mas inferior a do Master System, principalmente porque não permite jogo no modo two-players simultâneo. Curiosamente, é a única adaptação doméstica de Double Dragon na qual Kishimoto esteve envolvido. É possível jogar no modo two-player de forma alternada, com o jogador sempre controlando Billy. Numa das maiores bizarrices já vistas na longa história dos videogames, Jimmy Lee foi transformado no chefão final do jogo! Sim, na versão do NES ele é o verdadeiro líder dos Black Warriors, e precisa ser derrotado após o confronto com Willy! Também é digno de nota o fato de que a versão do NES introduzia um modo two-players simultâneo do tipo “mano a mano”, competitivo, na linha do estilo que seria consagrado anos depois pelo clássico Street Fighter II.

 

ATARI 2600: uma piada, não há outra forma de definir essa vergonhosa conversão. Double Dragon era claramente um jogo sofisticado demais para o hardware do Atari, que na época tinha 10 anos de idade e, nos países desenvolvidos, já era considerado um dinossauro completamente obsoleto. O scrolling foi substituído por telas fixas sucessivas, os gráficos são de uma precariedade comovente e a jogabilidade é virtualmente inexistente. Curiosamente, a responsável por essa picaretagem é a Activision, uma das melhores produtoras de games para o Atari 2600, que aqui protagoniza aquele que é provavelmente o seu maior fiasco na plataforma.

ZX SPECTRUM: a adaptação de Double Dragon para ZX Spectrum padecia de todos os defeitos mais comuns dos games do microcomputador britânico, como o visual pobre em cores e efeitos sonoros escassos e limitados. A conversão não era ruim em termos gerais, mas foi recebida com certa indiferença pela mídia especializada da época (ganhou nota 64 da revista Crash e 80 da revista Your Sinclair). É preciso lembrar que a versão de Renegade lançada para o Spectrum foi uma das mais bem sucedidas entre todas, e o Renegade do Spectrum sempre foi considerado um beat’em up muito superior à versão de Double Dragon lançada para o micro, por paradoxal que isso possa parecer. Além disso, vale lembrar que o Spectrum foi uma das poucas plataformas nas quais Renagade recebeu uma continuação – o elogiado Target Renegade, de 1988.

MSX: foi a versão de Double Dragon que eu mais joguei na infância e adolescência. Pobre de mim! A versão do MSX é a mesma do Spectrum, só que piorada em virtude da lentidão, típica de jogos do Spectrum que eram diretamente convertidos para o MSX sem maiores cuidados. Infernalmente lento e padecendo de toda a mediocridade visual e sonora vista no Spectrum, a versão de Double Dragon do MSX carecia de qualquer atrativo digno de nota.

Curiosamente, uma outra versão de Double Dragon para MSX foi lançada pela Zemina em 1989. A versão da Zemina tinha gráficos coloridos e mais cartunescos, mas eu nunca joguei ela. Dificilmente pode ser tão ruim quanto a lentíssima versão para MSX portada do ZX Spectrum.

MEGA DRIVE: é uma versão bem executada, mas que pecou pelo lançamento tardio, em 1992, quando Double Dragon já era considerado um jogo ultrapassado e que tinha perdido definitivamente a coroa de “Rei dos Beat’em Ups” para jogos mais sofisticados como Final Fight e Streets of Rage. É digno de nota o fato de que o Mega Drive recebeu, praticamente de uma vez só, versões de todos os três games da série Double Dragon. No entanto, em razão da época, isso acabou não fazendo muito barulho.

GAME BOY: Pura diversão! Essa versão portátil de Double Dragon foi um dos primeiros jogos lançados para o Game Boy, e certamente era uma das melhores coisas que você poderia jogar num videogame portátil em 1989. Apesar do visual monocromático, a adaptação reproduz com competência a experiência vista nos consoles “grandes” de 8-bits da época (NES e Master System). A velocidade da ação é boa, a jogabilidade é sólida, o visual é legal e os efeitos sonoros são bem executados dentro das limitações do Game Boy. Sem dúvida, uma versão que merece ser conferida por qualquer retrogamer!

A história de Double Dragon, como sabemos, não terminou por aí. O jogo virou uma trilogia formada pelo elogiadíssimo e clássico Double Dragon II – The Revenge (1988) e pelo controvertido e criticado Double Dragon III – The Rosetta Stone (1990). Em 1992, a série ganharia o seu último game no estilo tradicional beat’em up: Super Double Dragon, lançado exclusivamente para o Super Nintendo. É claro que, futuramente, nós vamos analisar e destrinchar todas estas velharias aqui no Cemetery Games e dar sequência à nossa retrospectiva histórica sobre o gênero beat’em up, hoje bastante esquecido pela indústria dos games.

Nas palavras do próprio Kishimoto: “Double Dragon é como um embaixador de uma década: os anos oitenta. Kung fu, brigas de rua, dragões, Bruce Lee, filmes sombrios de ação … Double Dragon é uma fotografia da cultura pop dos anos oitenta. E, é claro, ele era inovador e incrivelmente divertido.

É isso, pessoal! Escolham a versão de Double Dragon que acharem mais apropriada e partam para salvar a pobre Marian das garras dos fascínoras da Black Warriors!

CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS (1993, Mega Drive)


Acabou de ser lançado nos cinemas o novo filme da Marvel, Os Vingadores (The Avengers), e o negócio é bom demais – seguramente um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Para comemorar, nada melhor do que jogar o game baseado no filme. Deve ser um arraso, né? Com sorte, lançaram até mais de um jogo baseado nesse filmão e …

Peraí, espera aí um pouquinho! COMO ASSIM “não lançaram nenhum game baseado no filme”?!?

É isso mesmo, caros retrogamers. Para espanto e decepção dos gamers de todo o mundo, NENHUM jogo baseado no grande filmão do ano foi lançado. Isso aconteceu porque a produção do game (com versões previstas para Xbox 360, PlayStation 3 e PC) estava a cargo dos estúdios THQ Australia e Blue Tongue Entertainment, sendo que os dois foram fechados pela THQ, proprietária de ambos. Com isso, o game acabou cancelado.

Claro, nada impede que a Marvel venha a lançar algum jogo logo para capitalizar em cima do sucesso do blockbuster dos Vingadores. Mas pelo menos até o presente momento, o único jeito de ver esse grupo de super-heróis na tela dos videogames é … voltando ao passado! Felizmente, isso é o que nós fazemos de melhor por aqui. Portanto, limpem bem os pés antes de entrar no nosso DeLorean voador e lá vamos nós, voltar para o começo dos anos 1990.

Estamos no verão de 1993. Num belo dia de tédio na praia, comprei a mais recente edição da saudosa revista Videogame (a história dessa edição eu já contei nesse post aqui, lembram?). Um dos games destrinchados na publicação era Captain America and the Avengers do Mega Drive.


A primeira coisa que me chamou a atenção é que eu já conhecia um game de mesmo nome lançado para o Nintendo 8-bits, e que aliás eu achava bem legalzinho. Explico: a Data East lançou o jogo originalmente nos arcades, em 1991, e depois lançou versões dele para Mega Drive, Super Nes, Game Gear e Game Boy. Todos eram basicamente adaptações simplificadas do original do arcade, exceto pelo game do NES, que era um jogo de plataforma completamente diferente, embora estrelado pelos mesmos personagens e ostentando o mesmo título.


Pelas fotos na revista, o jogo parecia interessante. Algum tempo depois, ainda na praia, eu tive oportunidade de jogá-lo … e gostei! Os gráficos não eram nenhum assombro e o jogo não era uma revolução nem nada do tipo, mas na época, com meus 11 anos de idade, fiquei particularmente satisfeito com as brigas em cenários urbanos e com a diversidade das fases. O game tem fases de sair dando soco no meio da rua, de sair voando e atirando em inimigos pelos céus, fases subaquáticas, no espaço e por aí vai. Devo dizer que, na época, eu gostei bastante.


Uma análise um pouco mais atenta do jogo, é claro, não deixa dúvidas no sentido de que a minha tenra idade me impediu de enxergar alguns defeitos mais óbvios do game. Os gráficos mais parecem saídos de um console de 8-bits, a música e efeitos sonoros são ruins (as vozes digitalizadas são piores do que as do clássico Altered Beast), a jogabilidade é confusa e pouco precisa e a animação é mal acabada, com cara de “frame skipping”.

Basta ver que a própria revista Videogame (que era uma “mãe” com quase todos os games) na época deu nota 6 para os gráficos, 6 para a música/efeitos sonoros e 7 para a diversão. Ou seja, nem a habitualmente deslumbrada publicação brazuca se convenceu com a estreia dos Vingadores no Mega Drive. Logo na tela de abertura, quando você ouve uma voz dizer “VÃ AVÂNGÃRS” no que parece ser o Capitão América com a boca cheia de paçoquinha, já dá pra perceber que os aspectos técnicos do jogo deixam a desejar.

Na trama do game, o terrível Caveira Vermelha (o mais tradicional inimigo do Capitão América), sempre afinzão de dominar um pouco de mundo, coloca sob seu comando uma equipe de super criminosos prontos para espalhar o caos por todo o globo. O pior de tudo, no entanto, é que tudo isso é só uma distração. O verdadeiro problema é que o ominoso vilão está terminando de construir uma terrível arma gigante laser em pleno solo lunar. Quando pronta, essa super arma dará ao Caveira vermelha o controle absoluto sobre o destino da Terra. Só quem pode impedí-lo, é claro, é o grupo dos heróis mais poderosos da Terra, Os Vingadores!

Mas não fique tão animado ainda. Se o seu plano era sair por aí detonando bandidos com o Hulk ou o Thor, prepare-se para um balde de água fria: a equipe dos Vingadores que aparece nesse game não é a mesma do filme. Viúva Negra, Thor e Hulk estão ausentes nesse game. Aqui, o supergrupo é representado por apenas quatro heróis: Capitão América (de longe, o melhor personagem), Homem de Ferro, Arqueiro e o misterioso Visão, uma espécie de andróide que mais parece o C3PO de capa e cueca por cima das calças.

A variedade de cenários nesse game permite uma boa variação também na mecânica do game, alternando entre beat’em up e tiro/aventura. Os personagens pequenos e gráficos desinteressantes até não comprometeriam tanto o conjunto da obra se a jogabilidade não fosse tão sofrível. O Captain America and the Avengers do Mega Drive é um “button-smasher” absolutamente sem cérebro, estratégia ou precisão. A movimentação dos personagens também acaba não ajudando muito.

Apesar desses defeitos nada perdoáveis, algo que sempre me agradou nesse game foi a sua capacidade de reproduzir com competência uma atmosfera de história em quadrinhos. A ação variada do game, cheia de idas e vindas e bizarrices (rola até um combate com um polvo gigante robótico!) realmente dá a impressão de que o game é uma HQ dos Vingadores se desenrolando na tela. Não é um trabalho realizado da melhor forma possível, mas os fãs de quadrinhos – e principalmente do Capitão América e dos Vingadores – certamente se divirtirão com o jogo, caso consigam ao menos sobreviver à primeira fase!

Longe de ostentar aquela qualidade de visual e de gameplay de games de super-heróis daqueles tempos, como por exemplo o sensacional War of the Gems (1996, Super Nes), esse Captain America and the Avengers pelo menos coloca o jogador no controle de uma aventura repleta de ação no melhor estilo das grandes aventuras das HQs. Sem falar que socar o Caveira Vermelha é sempre um estímulo reconfortante!

Não cheguei a jogar as versões do Game Gear e do Game Boy, mas desconfio que são bem inferiores à do Mega Drive – que já estava longe de ser perfeita. Recomendo certa cautela, portanto. A versão Super Nes é um pouco melhor acabada quanto aos efeitos sonoros e apresentação da história no começo do game, mas é essencialmente o mesmo jogo do Mega Drive, sem melhorias muito significativas.

Claro, há ainda o exclusivo Captain America and the Avengers do Nintendo 8-bits, mas isso já é história para uma próxima vez!

Matando a saudade do Mega Drive no Steam

Para quem é saudosista do bom e velho Mega Drive e usa o serviço de compra de games pela internet STEAM, há uma série de opções legais e relativamente baratas para matar a saudade do mais icônico de todos os videogames da Sega já lançados até hoje.

Entre as várias opções, a grande pedida é o SEGA Mega Drive Classics Collection, que custa US$ 29,96 (cerca de R$ 54,00) e contém 40 games do Mega prontinhos para serem executados em qualquer PC com Windows (não precisa ficar baixando emuladores ou roms e nem configurar nada). Entre os 40 títulos, há uma série de clássicos absolutos do Mega Drive – e outros nem tanto. Confira a lista completa: Comix Zone, Crack Down, Ecco the Dolphin, Ecco: The Tides of Time, Gain Ground, Golden Axe, Golden Axe II, Shadow Dancer, Shinobi III: Return of the Ninja Master, Space Harrier II, Vectorman, Altered Beast, Alex Kidd in the Enchanted Castle, Bonanza Bros., Columns, Ecco Jr., Eternal Champions, Fatal Labyrinth, Galaxy Force II, Kid Chameleon, Ristar, Super Thunder Blade, Alien Storm, Bio-Hazard Battle, Columns III, Decap Attack, ESWAT: City Under Siege, Flicky, Sword of Vermilion, Virtua Fighter 2, Alien Soldier, Gunstar Heroes, Landstalker: The Treasures of King Nole, Light Crusader, Shining Force, Shining Force II, Shining in the Darkness, Streets of Rage, Streets of Rage 2 e Wonder Boy III: Monster Lair.

Ponto alto do pacote: o preço. Comprado separadamente, cada jogo sai por US$ 2,99 (cerca de R$ 5,40). Nesse pacote, cada um dos games acima mencionados sai por míseros R$ 1,35 – sim, UM REAL E TRINTA E CINCO CENTAVOS por jogo! Fala sério: comprar clássicos excelentes como STREETS OF RAGE 2, GOLDEN AXE ou SHADOW DANCER por pouco mais de 1 real parece até piada, não é mesmo?

Ponto baixo do pacote: a ausência de inúmeros títulos indispensáveis. A insuperável coletânea Sonic’s Ultimate Genesis Collection (lançada em 2009 para Xbox 360 e Playstation 3) ainda continua dando de dez a zero em termos de títulos oferecidos. Esse SEGA Mega Drive Classics Collection não traz nenhum game do Sonic, nenhum Phantasy Star e deixa de fora Golden Axe III e Streets of Rage III.

Mesmo assim, essa coletânea do PC apresenta algumas vantagens pontuais sobre a coletânea dos consoles, como por exemplo a presença dos clássicos Shadow Dancer, Eternal Champions e Gunstar Heroes no repertório de títulos.


Outra boa notícia é que, se você estiver disposto a pagar um pouco mais, os games da clássica trilogia Sonic do Mega Drive estão todos disponíveis no Steam, a US$ 4,99 (cerca de R$ 9,00) cada. E o mais legal é que, recentemente, foi disponibilizado pelo mesmo preço o célebre SONIC CD do Sega CD, um game que sempre aparece nas listas de melhores jogos do Sonic de todos os tempos. Por cerca de R$ 36,00 é possível, portanto, comprar todos os três clássicos games do Sonic do Mega Drive e ainda o Sonic CD. Fala sério, não chega a ser nenhuma fortuna também, né? Para ficar perfeito, só falta o Steam oferecer Golden Axe III, Streets of Rage III e a saudosa quadrilogia Phantasy Star do Mega. Daí os usuários de PC finalmente não teriam mais nenhum motivo para invejar a maravilhosa coletênea Sonic’s Ultimate Genesis Collection …


Alguém pode perguntar: “Mas pra quê isso? Não é muito mais fácil e barato jogar esses games com emuladores e roms?”. Bem, se você sabe mexer com emuladores e roms (acredite, muita gente tem muita dificuldade com isso) e não se importa com a polêmica sobre o uso de roms ser um tipo de pirataria, com certeza os emuladores são uma opção mais barata e com muito mais recursos. Mas, para quem não tem intimidade com emuladores ou não quer entrar no problema da (i)legalidade das roms, pagar R$ 54,00 por 40 games de Mega Drive é certamente uma ótima pedida …

OUT RUN – Parte II: as versões para consoles e computadores

No final de janeiro, fizemos um retrospecto sobre a história, a criação e o lançamento do arcade OUT RUN, até hoje um dos maiores clássicos da Sega e um dos games de corrida mais revolucionários dos anos 80.

Agora, conforme prometido, é hora de analisarmos como Out Run fez sua transição para os videogames e microcomputadores daquela época, para alegria – ou profunda decepção – daqueles que eram proprietários dessas plataformas domésticas. Vamos ver o que nos aguarda!

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MASTER SYSTEM: a versão de Out Run para o Master System foi a primeira adaptação doméstica do arcade e, pelo menos aqui no Brasil, era de longe a versão mais conhecida e difundida do jogo – até mais do que o próprio arcade. Entre o final dos anos 80 e começo dos anos 90, Out Run era praticamente visto como “um game do Master System”. Isso adiciona uma carga sentimental a esta versão (a primeira vez que joguei Out Run foi precisamente no Master System, um momento inesquecível da minha infância), o que torna difícil falar mal dela, apesar de seus inegáveis defeitos. Mas a verdade é que a versão do Master é imensamente inferior ao original, com visual econômico e a Ferrari do jogador representada por um sprite bem menor do que no arcade. As músicas são as mesmas do original, mas soam muito inferiores. De qualquer forma, para uma versão doméstica, o resultado era muito bom, ainda mais levando em consideração que essa adaptação foi lançada na mesma época que o arcade original. Para você ter uma ideia, naqueles tempos eu jogava Enduro no Atari e achava a oitava maravilha do mundo!

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ZX SPECTRUM: eu sou um fã incondicional do Spectrum desde criança, mas não tem como gostar da versão de Out Run do clássico microcomputador britânico. A sensação de velocidade é inexistente e o visual monocromático é horrendo. Sabe tudo aquilo que qualquer pessoa normal associa com Out Run – sol, mar, praia, cenários bucólicos, velocidade e sensação de liberdade? Pois é, tudo isso DESAPARECEU nessa versão, que mais parece um péssimo jogo de corrida genérico qualquer. As limitações gráficas assassinaram o conceito e a ambientação do jogo, e basicamente as músicas representam a única coisa que sobrou para nos lembrarmos de que estamos jogando uma conversão de Out Run. Por mais que você seja um retrogamer dedicado e corajoso, passe longe dessa versão!
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COMMODORE 64: essa versão tem jogabilidade rápida e surpreendentemente boa, músicas muito bem executadas e bons gráficos. Poderia ter entrado para a história como uma conversão milagrosa de Out Run. Mas não, é CLARO que não, alguém TINHA que estragar tudo. Algum programador insano (que certamente hoje deve estar internado num hospício) olhou para os cenários do game original – o mar, a praia, a grama – e pensou: “hmmm, toda essa vida e sensação de liberdade não é legal! Sabe o que está faltando aqui? Mais asfalto!!!“. Sim, não só a estrada, mas TODA A SUPERFÍCIE dos cenários possui a mesma textura e a mesma cor cinza-listrado. É INACREDITÁVEL! É como se você fosse para a praia e descobrisse que alguma megacorporção maligna aterrou toda a areia e o mar com CIMENTO! Desnecessário dizer que, com isso, o visual do jogo foi simplesmente ARRUINADO. Correr num mundo cinza todo feito de concreto é a coisa mais distante do espírito de Out Run que eu posso imaginar. Um lamentável estrago nessa que poderia ter sido uma magnífica adaptação de Out Run para computador.
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MSX 1: foram lançadas duas versões de Out Run para MSX. A do MSX 1 era meramente uma conversão do game do ZX Spectrum, ou seja, má notícia para os pobres donos de MSX na época. Como pão de pobre sempre cai com a margarina virada para o chão, ADIVINHEM qual foi a única versão de Out Run que eu tive na infância/adolescência? Tadããã … a “maravilhosa” conversão para MSX da horrível versão do Spectrum. Triste, hein?
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MSX 2: O pessoal que tinha MSX 2 deu mais sorte, pois podiam contar com uma versão feita pela Pony Canion (responsável pelo abominável Back to the Future do MSX, um dos games que eu mais ODEIO na minha vida!). A versão do MSX 2, é preciso admitir, é bem caprichadinha, com gráficos coloridos e uma jogabilidade bem eficiente. Mas o fato de a Pony Canion ter refeito todos os sprites e gráficos do jogo me incomoda, pois o resultado mais parece uma boa IMITAÇÃO de Out Run do que uma CONVERSÃO propriamente dita. Posso estar sendo chato aqui, mas eu realmente não me sinto jogando um game da Sega quando jogo esse Out Run do MSX 2. De qualquer forma, de todas as versões para microcomputadores que eu conheço, essa é tranquilamente a melhor. Mas lembre-se: isso não quer dizer grande coisa …
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PC-ENGINE: versão incrivelmente boa, quase não dá para acreditar que foi feita para um console de 8-bits (embora seja importante ter em mente que o PC-Engine era, de longe, o videogame de 8-bits mais poderoso da época). A música, o framerate e a jogabilidade ainda ficam bem atrás do game do arcade, mas os gráficos ficaram bastante próximos. E – cara! – como é bom ver a Ferrari vermelha grande e bonita, ao invés daquela miniatura da versão do Master System. Mas cuidado com as comparações, hein? Muita gente maldosa gosta de espinafrar o game do Master comparando-a com essa versão do PC-Engine, mas é bom lembrar que a versão do Master System foi lançada quatro anos antes desta!
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GAME GEAR: a versão de Out Run para o portátil da Sega até que impressiona. Lançada em 1991, ela mostra que houve uma evidente preocupação da Sega em dar uma melhorada nos gráficos em relação à versão do Master System. Apesar dos bons gráficos, o veículo continua minúsculo, repetindo o que já se via na versão do Master. Uma novidade interessante foi o acréscimo de um modo de troca automática de marchas, que deixa o jogo BEM mais fácil para os gamers mais manetas (entre os quais me incluo). Enfim, apesar de estar léguas de distância atrás do original do arcade, a versão de Out Run para Game Gear é bastante competente para um console portátil do começo dos anos 90 e até se pode dizer que, em vários aspectos, é superior à versão do Master System  (da qual, no entanto, eu continuo gostando mais).
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MEGA DRIVE: covardia, né? É claro que essa é a melhor versão de Out Run lançada para consoles caseiros na época. O resultado ficou excelente, embora ainda com algumas simplificações em relação ao original do arcade. Mas, se você não for muito chato, dá pra dizer que a versão do Mega não fica devendo quase nada para o arcade em termos de visual e jogabilidade. As músicas soam maravilhosas também, e rola aquele “feeling” de game da Sega em tudo (gráficos, sons, gameplay, etc), da tela de abertura até o final de cada partida. Se você quer realmente se divertir jogando Out Run – e não meramente se envolver numa escavação arqueológica retrogamer – então a versão do Mega Drive é a única que eu recomendo (além do original do arcade, é claro). Mas não custa lembrar que essa versão – assim como a do PC-Engine – só saiu em 1991, quatro anos depois da versão do Master System, numa época em que o interesse dos jogadores por Out Run já não era mais o mesmo.

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Out Run (MSX 1)