HALLOWEEN HARRY (1993, PC-DOS)

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Ok, o Halloween já passou, mas hoje é sexta-feira 13 e a data pede uma boa velharia com temática de horror. Se for de graça, melhor ainda, certo? Então aqui vai uma ótima sugestão: Alien Carnage!

Ué, mas o nome do jogo não era Halloween Harry? Bem, era … mas mudou!

Lançado pela Apogee para PCs (sistema operacional DOS) em 1993 originalmente como Halloween Harry, o game saiu em outubro daquele ano – portanto, às vésperas do Halloween. No entanto, posteriormente a Apogee ficou preocupada com a possibilidade de que o jogo perdesse seu apelo após a data e que fosse visto apenas como um joguinho “temático” de Halloween, o que potencialmente poderia reduzir o apelo comercial do game durante todo o resto do ano. Por isso, já no ano seguinte, Halloween Harry foi relançado como Alien Carnage.

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Halloween Harry/Alien Carnage é um jogo de plataforma side-scrolling no qual o protagonista, Halloween Harry, combate alienígenas que invadiram a Terra e que estão transformando as pessoas em zumbis. O principal objetivo é resgatar as pessoas que os aliens capturaram. Para ajudar na missão, Harry conta com diversas armas diferentes (incluindo um lança-chamas) e um jetpack que permite que o herói alcance plataformas mais altas.

Você lembra do clássico H.E.R.O do Atari? Imagine um H.E.R.O com gráficos bem melhores, armas mais legais e inimigos mais terroríficos e você estará chegando perto de Halloween Harry/Alien Carnage.

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Em relação aos comandos, o jogador usa a tecla “Control” (ou o direcional para cima) para voar com o “jetpack”, a tecla “Alt” esquerda para atirar e a barra de espaços para selecionar armas. O botão de tiro também é usado para ativar alavancas que são encontradas pelo caminho.

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No início, o jogador começa com um lança-chamas e com um lança-mísseis. Convém ser econômico: o combustível do jetpack e do lança-chamas não é infinito e demanda reabastecimentos periódicos (nas máquinas de autoatendimento). O mesmo vale para os mísseis.

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O game é dividido em quatro missões, cada uma situada em um local diferente: esgotos, fábrica, quarteirão de escritórios e nave espacial dos alienígenas. Você pode jogar cada missão na ordem que preferir.

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Conheci este jogo ali por 1994 ou 1995, na versão que ainda era chamada de Halloween Harry, e gostei muito dele. Desconfio que o que eu tinha naquela época era uma versão “shareware” que só continha a primeira das quatros missões. Ainda assim, a experiência era bem legal. Claro, o jogo está longe de ser perfeito: a mecânica do jogo acaba sendo um pouco repetitiva depois de um tempo, a jogabilidade é um pouco “dura” e o perfil progressivamente mais “labiríntico” das fases é um desafio para a paciência do jogador. Mas o visual cartunesco, a ambientação divertida e a boa trilha sonora falam mais alto.

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O melhor de tudo é que o jogo foi adaptado para rodar em Windows nos PC contemporâneos, sendo que essa versão encontra-se oficialmente disponível DE GRAÇA no site da produtora 3D Realms, sucessora da Apogee. Esta versão roda por meio do emulador DosBox, mas não se preocupe: tudo já vem previamente configurado e pronto para jogar, não sendo necessária nenhuma intimidade com o emulador.

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Você pode obter sua cópia gratuita de Halloween Harry/Alien Carnage no seguinte link:
https://3drealms.com/catalog/alien-carnage_48/

Feliz sexta-feira 13! 😀

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ESCOLHA O SEU “MINI GAME”!

Konami: Gradius - Nemesis

Você lembra dos populares “mini games” dos anos 80 e 90? Contei um pouco sobre a história deles aqui no Cemetery Games, anos atrás, quando falei do meu “mini game” favorito da infância: o Golden Axe da linha de “handhelds” da Tiger, lançado aqui no Brasil pela Tec Toy. Você pode conferir aquele velho post clicando aqui.

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Pois bem, a novidade é que agora o site Internet Archive está disponibilizando vários destes antigos “mini games” para emulação online e gratuita. A lista de títulos disponíveis até o momento inclui principalmente aparelhos da Tiger e da Konami, incluindo versões “mini game” de GRADIUS, CONTRA, DOUBLE DRIBBLE, HOOK, BLADES OF STEEL, BUCK O’HARE, THE ADVENTURES OF BAYOU BILLY, KARNOV, SPACE HARRIER II, BATMAN FOREVER, GAUNTLET, BACK TO THE FUTURE, ROBOCOP 2, ROBOCOP 3, BATMAN, PAC-MAN, MS. PAC-MAN, FROGGER, TRON, MORTAL KOMBAT, DOUBLE DRAGON, SONIC THE HEDGEHOG, ALTERED BEAST e … sim, GOLDEN AXE!!! 😀

Golden Axe

O endereço é: https://archive.org/details/handheldhistory. Não é preciso baixar nenhum tipo de emulador ou jogos: a emulação roda direto no browser no seu computador. Divirta-se!

Se você quiser aprofundar seu mergulho no charme simplório e criativo destas maquininhas jurássicas, outra ótima opção é o site www.pica-pic.com. Nele, você pode se divertir com mais algumas dezenas de “mini games” dos anos 80 e 90, incluindo algumas pérolas da célebre coleção Game and Watch da Nintendo (cujos títulos eram considerados um artigo de luxo aqui no Brasil naquela época) como DONKEY KONG, ZELDA (com duas telas, antecipando em muitos anos o futuro visual do console Nintendo DS – um arraso! 😀 ) e DONKEY KONG JR.

Zelda

Para mim, o maior tesouro deste site é a surpreendente e inesperada inclusão de um jogo absolutamente obscuro e desconhecido, que foi o primeiro “mini game” que ganhei na infância: o PIRATE (também conhecido como “Pirate 777“), fabricado em Taiwan por alguma empresa qualquer. Passei muitas horas na infância brincando com este joguinho do “piratinha”, e é simplesmente mágico poder jogar ele de novo, agora, com uma emulação absolutamente perfeita e fiel (ainda tenho o aparelho original, mas ele não funciona mais).

Pirate

Se tudo isso ainda não for o suficiente para aplacar a sua sede por estes antigos joguinhos de tela LCD, ainda existem mais alguns títulos que podem ser emulados através da mais recente versão do popular emulador de arcades M.A.M.E. Entre os “mini games” suportados pelo M.A.M.E, está um dos meus favoritos da infância: THE ADDAMS FAMILY, da série de aparelhos da Tiger Electronics, também lançado por aqui na clássica “Série Master” da Tec Toy. O único problema é que a emulação dos “mini games” no M.A.M.E requer não apenas as “roms” de cada aparelho (o que é fácil de conseguir) como ainda as telas de fundo de cada jogo. Caso contrário, a emulação se dá sem o fundo colorido de cada game. Ainda não consegui fazer este procedimento funcionar a contento, então atualizarei vocês assim que eu tiver sucesso em configurar adequadamente o M.A.M.E para emular estas velhas maquininhas.

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NINTENDO WII: UMA MARAVILHOSA CENTRAL DE RETROGAMING

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Hoje em dia existem diversas formas diferentes de curtir games antigos sem precisar recorrer ao hardware original de cada console. Afinal, nem sempre é prático ou conveniente manter funcionando aparelhos e acessórios fabricados há vinte ou trinta anos atrás. Existem inúmeros bons emuladores para Windows e para Android, mas uma boa alternativa também são os emuladores para consoles mais modernos (ou “menos antigos”, como se queira…).

Atualmente, o já ultrapassado Nintendo Wii é uma das minhas plataformas favoritas para retrogaming. Uso ele para jogar, além obviamente dos games do próprio Wii, também jogos de Game Cube, Super Nintendo, Mega Drive, Nintendo 8-bits, Master System, Game Gear e Sega CD. Nada mau, hein?

Um console Wii desbloqueado (o procedimento é extremamente fácil e não requer mudanças no hardware do aparelho) e um HD externo é tudo o que você precisa para montar uma biblioteca com dezenas de games de Wii. O console tem muitos jogos bons, como Super Mario Galaxy 1 e 2, Mario Kart Wii, New Super Mario Bros Wii, Xenoblade Chronicles, The Legend of Zelda – Skyward Sword, Super Smash Bros Brawl, Metroid Prime Trilogy, Donkey Kong Country Returns, Red Steel 2, Sin & Punishment: Star Successor, Zack & Wiki: Quest for Barbaros’ Treasure, Madworld e muitos outros.

De quebra, o Wii (exceto em seus últimos modelos fabricados) é nativamente retrocompatível com o console anterior da Nintendo, o Game Cube. A lateral esquerda do console conta até mesmo com entradas para joysticks e memory cards originais do Game Cube. É só inserir o disco original com o jogo da sua preferência e sair jogando.

Mas fica melhor do que isso: com um pequeno programa chamado NINTENDON’T, você pode rodar ISOS de jogos do Game Cube direto via SD Card no Wii. É só baixar a ISO do game desejado na internet, copiar ela no cartão de memória e usufruir da melhor e mais fidedigna plataforma possível para jogos de Game Cube possível (exceto, é claro, pela hipótese de jogar em um velho Game Cube original!).

Duas gerações de games da Nintendo rodando em um único console já é muito bom, mas que tal expandir para QUATRO plataformas da empresa? Adicionando dois emuladores à brincadeira, você poderá curtir todos os games lançados para consoles da empresa entre 1985 e 2011 (ficam de fora apenas o Nintendo 64 e, é claro, as plataformas portáteis).

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Para jogar Nintendo 8-bits e Super Nintendo no Wii, os dois emuladores recomendáveis são respectivamente o FCEUGX e o SNES9XGX. Os dois são uma maravilha: altíssima compatibilidade, emulação de alta qualidade e interface amigável com o usuário. Depois de instalados, a navegação é fácil e tranquila.

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Mas nenhuma plataforma abrangente de emulação estará jamais suficientemente adequada sem a presença dos clássicos Mega Drive e Master System, e o emulador que quebra esse galho pra gente no Wii é o fantástico GENPLUS. Ele tem todas as qualidades dos emuladores anteriores: alta compatibilidade, emulação excelente de imagem, som e frame-rate e navegação fácil e amigável. Mas, como se não bastasse emular Mega Drive, Master System e até o velho portátil Game Gear, o GENPLUS ainda emula com perfeição o antigo Sega CD.

CG_09O emulador Genesis Plus GX emula até o SG-1000, o primeiro console da Sega e “pai” do Master System.

 

O resultado é realmente muito bom e, atualmente, graças a este emulador, o Wii é a minha plataforma favorita para emular Sega CD. No entanto, vale lembrar que as ISOS de jogos do SEGA CD são relativamente grandes (frequentemente possuem algo em torno de 500 megabytes cada), então recomendo utilizar no Wii um SD Card de 16 GB para estocar uma quantidade generosa de games.

CG_10O bom e velho SEGA CD: no começo dos anos 90, era um videogame de sonho!
CG_11Muita porcaria foi lançada para o Sega CD no decorrer dos anos, mas a plataforma conta com algumas pérolas imperdíveis. É só por meio dele, por exemplo, que você pode jogar, em inglês, aquela que é disparada a melhor versão do clássico adventure cyberpunk SNATCHER. A adaptação para SEGA CD é universalmente considerada como a versão definitiva do game!

 

Entre outras funcionalidades muito legais, o GENPLUS permite utilizar o controle de sensor de movimento do Wii para emular a Menacer, a “bazuca” do Mega Drive. Isso significa que você não precisa mais sofrer tentando jogar TERMINATOR 2 – THE ARCADE GAME com o joystick normal, e nem gastar todas as suas economias atrás de um exemplar ainda em funcionamento da velha Menacer em algum site de usados na internet.

02Matéria na revista “Videogame”, em 1993, falando da Menacer. “Uma bazuca muito louca”(?), segundo a revista. Vai entender o que essa gente tinha na cabeça …

 

O emulador oferece ainda este mesmo recurso para simular o uso da pistola Light Phaser do Master System. Graças a esta facilidade, jogar os games de tiro do Master System, Mega Drive e Sega CD se torna uma experiência melhor, mais precisa e mais confortável do que nunca.

CG_07Quando você pensou que um dia poderia usar a Wii Zapper para emular a pistola do Master System e a bazuca do Mega Drive? Depois de experimentar essa combinação, você nunca mais irá querer jogar os velhos games de tiro da Sega de outro jeito.
CG_14É muito mais divertido fuzilar terminators com a Wii Zapper! 😀

 

Para jogar Mega Drive ou Super Nintendo no Wii, minha recomendação básica é utilizar o joystick do Game Cube (que, vale lembrar, é pré-requisito do sistema para jogar os títulos do próprio Game Cube no Wii). No caso dos games de Master System, Game Gear e Nintendo 8-bits (cujos controles só tinham dois botões), o joystick padrão do Wii, utilizado na horizontal, é a opção mais fácil e confortável, com ótima resposta e sensibilidade. Um aviso: não use o Wii Classic Controller. Ele é muito bom para jogar velharias que ficavam disponíveis no sistema Virtual Console do Wii, mas não possui boa compatibilidade com os emuladores.

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Apesar de todas estas plataformas representarem uma infinidade de ótimos games, fica de fora o Nintendo 64, console de quinta geração da empresa. Até existem emuladores de N64 para o Wii, mas eu não os recomendo. Minha sugestão é utilizar emuladores melhores para Windows ou Android, em máquinas mais recentes e com maior poder de processamento, para garantir uma emulação mais adequada (e mesmo assim, até hoje, jamais vi um emulador de Nintendo 64 que possa ser considerado “perfeito” para todos os fins práticos, pois o desempenho varia muito dependendo do game emulado).

Isso não quer dizer, no entanto, que os fãs de N64 ficam na mão tendo um Wii: vale lembrar que a plataforma Virtual Console da Nintendo disponibilizou diversos games do N64 para Wii ao longo dos anos, incluindo clássicos como Super Mario 64, Mario Kart 64, Cruis’n USA, Wave Race 64, Ocarina of Time, Majora’s Mask, F-Zero X e vários outros.

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O uso destas “roms” do Virtual Console no Wii é outro aspecto que torna o aparelho uma máquina sedutora para retrogamers. Tenho dezenas de games do Virtual Console instalados no meu Wii, incluindo vários games de PC-Engine, Nintendo 64, Mega Drive, Super Nes, Master System, Nintendo 8-bits e até alguns do Commodore 64, velho microcomputador dos anos 80. Rolam até alguns clássicos dos arcades em suas versões originais, como Golden Axe e Ghosts ‘n Goblins. E, se você é fã de Neo Geo, vale lembrar que nada menos do que 54 games do clássico console da SNK estão disponíveis para Wii pelo Virtual Console. Também vale lembrar que tudo isso pode ser instalado no console meramente baixando os arquivos necessários na internet e instalando posteriormente via SD Card.

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Um aspecto “chato” do Wii é que, por se tratar de um console já relativamente velhinho (foi lançado em 2006), ele não tem saída HDMI, o que compromete a qualidade da imagem nas TVs contemporâneas. Mas este é um probleminha que pode ser contornado com o uso de um adaptador HDMI específico para o console, que pode ser facilmente obtido por aí e que não é muito caro. Eu uso e acho uma belezinha. É óbvio que nenhum milagre é capaz de tornar a imagem do console tão cristalina quanto a dos consoles mais novos, cujo sinal é de alta resolução. Mesmo assim, o adaptador quebra o galho de forma muito adequada e, na minha percepção, a resolução do Wii nas TVs modernas é simplesmente perfeita para emulação de games antigos, deixando-os com uma qualidade melhorada de imagem (por meio de filtros gráficos) mas ao mesmo tempo com um aspecto fiel ao visual que esses jogos tinham em TVs antigas.

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Por último, cabe uma pequena nota pessoal: como sempre, o objetivo do CEMETERY GAMES não é incentivar a pirataria. Vale lembrar que estamos falando de jogos antigos que estão fora do mercado há vários anos. É preciso sempre ter em mente que, tecnicamente, o uso de emuladores não fere direitos autorais, mas o mesmo não pode ser dito do download de roms e ISOS dos jogos. Juridicamente, a legalidade do uso destas roms antigas é uma questão bastante discutível, embora constitua prática disseminada e popularizada ao longo dos anos.

De qualquer forma, a lógica da emulação deve ser a de preservação dos antigos clássicos enquanto patrimônio cultural, e não de exploração comercial destes títulos que, mesmo sendo antigos, não caíram em domínio público.

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Minha filosofia pessoal nesta questão em particular, para os consoles atuais que tenho (Playstation 4 e Xbox One) e para os “semi-novos” (Playstation 3), é utilizar única e exclusivamente games originais, comprados em mídia física ou digital. Mas é claro que, quando se trata de plataformas muito antigas, esse tipo de coisa se torna virtualmente impraticável, dada a dificuldade de conseguir aparelhos velhos em bom estado de funcionamento, peças para manutenção, acessórios adequados e de garantir a compatibilidade com televisões modernas. A coisa acaba se tornando um desafio exclusivo para colecionadores obstinados e com muito tempo livre.

Eu próprio colecionei aparelhos antigos por muitos anos, incluindo Super Nintendo, Nintendo 8-bits, Mega Drive, Sega CD, Sega 32X, Master System, Game Boy e Game Gear, mas atualmente minha tendência é de reduzir o número de velharias e recorrer mais a emuladores, em virtude da crescente dificuldade de manutenção adequada destas máquinas (que ficam cada vez mais velhas e sensíveis).

Bem, seria esse o relatório da minha experiência com o Nintendo Wii como plataforma de emulação. Em breve, compartilharei com vocês alguns outros aparelhos que atualmente estão entre os meus prediletos na hora de jogar alguns bons e velhos clássicos do passado.

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CHRISTMAS LEMMINGS (1993 – Amiga, PC DOS)

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A “publisher” Psygnosis se tornou muito conhecida na segunda metade dos anos 90 com a série Wipeout do Playstation. A fama da empresa já havia sido consolidada em 1989, com o sucesso de Shadow of the Beast. Mas foi em 1991 que a Psygnosis gerou um terremoto no mundo dos games, com o lançamento daquele que foi provavelmente o jogo de quebra-cabeças mais viciante e popular nos computadores da primeira metade dos anos 90: Lemmings.

No game, o jogador controlava inúmeros lemmings – criaturinhas simpáticas de cabelo verde, com uma preocupante propensão ao suicídio involuntário decorrente da mais pura estupidez. Ao conduzir os lemmings por diversos cenários, rumo à segurança da toca, o jogador precisava explorar diferentes atividades dos bichinhos (como cavar, quebrar paredes, construir escadas, etc) para impedir que os pobres bichinhos terminassem a jornada caindo de desfiladeiros ou morrendo afogados.

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Lançado originalmente para o microcomputador Amiga da Commodore, Lemmings rapidamente se converteu em uma febre e em um fenômeno. Foi logo parar nos micros compatíveis com o padrão IBM PC (no velho sistema operacional DOS) e, nos anos seguintes, foi convertido para tudo o que é máquina de rodar jogo: Atari ST, Mega Drive, Super Nes, Sharp X68000, Philips CD-i e 3DO, apenas para citar algumas. Apesar de se tratar tecnicamente de um jogo de plataformas de 16-bits, isso não impediu que Lemmings fosse adaptado para aparelhos mais antigos de 8-bits, o que levou os pequenos suicidas de cabelo verdinho a brilharem também no Master System, NES, Game Gear, ZX Spectrum, Commodore 64 e Apple II. Só não lançaram versões de Lemmings para forno de microondas e rádio relógio! Quinze anos depois do lançamento original, o jogo ganhou versões para Sony PSP, Playstation 2 e Playstation 3, demonstrando a longevidade do antigo clássico.

A febre de Lemmings levou ao lançamento rápido da primeira expansão do jogo. Ainda em 1991, foi lançado para o Amiga o pacote Oh No! More Lemmings, com diversas novas fases, novos níveis de dificuldade, efeitos sonoros inéditos e gráficos melhorados. Algumas versões posteriores de “Lemmings” (como aquelas lançadas para Mega Drive, Playstation e Game Boy Color) já incluíam os acréscimos do pack “Oh No! More Lemmings”.

A paixão do público pelos lemmings era tanta que, ainda em 1991, o Amiga recebeu uma pequena brincadeira natalina oficial chamada Xmas Lemmings. Não era uma nova expansão propriamente dita, mas sim um pequeno “demo” com apenas quatro fases, com cenários natalinos e lemmings desfilando pela tela com touquinhas de Papai Noel. Todo mundo adorou, é claro. O resultado foi um segundo demo natalino de quatro fases lançado no ano seguinte, o que levou ao lançamento de Christmas Lemmings (ou “Holiday Lemmings”) como um pacote completo de expansão em 1993, com 32 novos níveis.

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O “Christmas Lemmings” de 1993 não inovava muito em termos de mecânica de jogo. A fórmula, os recursos e a jogabilidade eram essencialmente os mesmos do jogo original de 1991. Mas os cenários natalinos, a caracterização dos bichinhos e as músicas de Natal tornavam o novo jogo simplesmente irresistível e faziam com que, do ponto de vista gráfico, o resultado final fosse visualmente mais interessante e estimulante do que aquilo que se via no original de 1991.

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A ótima receptividade de “Christmas Lemmings” levou ao lançamento de um segundo pacote completo com 32 níveis adicionais no ano seguinte, em 1994. Foi o último título das aventuras natalinas dos lemmings, fechando o ciclo de expansões do game original. A sequência Lemmings II – The Tribes, lançada em 1993, não foi tão popular nem tão aclamada. All New World of Lemmings (1994) também não fez tanto barulho. Os lemmings arriscaram até uma transição para gráficos 3D em 1995, com 3D Lemmings (lançado para Playstation, Sega Saturn e PC), com bons resultados mas evidentemente sem a originalidade e o brilhantismo do original.

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Os quatro títulos natalinos de Lemmings (os dois demos de 1991 e 1992 e os pacotes completos de 1993 e 1994) foram todos lançados diretamente para o Amiga. Pelo menos um destes foi lançado para PC na época, pois me recordo que se tratava de um título popular entre os usuários do sistema operacional DOS. Não sei dizer, no entanto, se ambos os demos e pacotes natalinos completos foram lançados para PC. Até onde eu sei, o conteúdo natalino destes títulos não foi adaptado para nenhuma outra plataforma (exceto, possivelmente, para o micro Atari ST).

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Passados quase 25 anos, “Christmas Lemmings” ainda é lembrado como um dos melhores e mais divertidos jogos natalinos da história dos videogames. Minha recomendação é saboreá-lo no original, em um bom emulador de Amiga. O jogo continua divertidíssimo e é uma alegria de Natal perfeita para aquecer o coração de qualquer retrogamer.

Feliz Natal! 🙂

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