SONIC – THE HEDGEHOG (1991, Master System)


Em 1991, a Sega lançou para o Mega Drive o jogo que se tornaria não só o símbolo do console como o mascote eterno da empresa: SONIC, o porco-espinho supersônico. O game Sonic – The Hedgehog era um primor em gráficos, estética, trilha sonora e jogabilidade, e ainda apresentava ao mundo um dos personagens mais legais da história dos videogames.

Com essa pérola em mãos, a Sega bem que poderia ter mantido o jogo como uma exclusividade do Mega Drive, que já estava no mercado há três anos. Mas a empresa optou por ser generosa com o seu console mais velho, o Master System. Embora esse videogame já estivesse virtualmente morto nos mercados americano e japonês, sua força ainda era expressiva em lugares como o Brasil e em alguns países da Europa. Talvez isso tenha motivado a Sega a encarar a audaciosa missão de, meio ano após o lançamento de Sonic para o Mega Drive, adaptar o game mais quente daquele ano para o velho console de 8-bits da empresa.

Como já era de se esperar, muito se perdeu na adaptação. Personagens menores, cenários mais pobres, paleta de cores incomparavelmente inferior, trilha sonora mais modesta, frame-skiping e slowdowns frequentes são as marcas do Sonic do Master System. Os emblemáticos “loopings” do Mega também saíram de cena. Mas, para alegria geral da galera que não tinha um Mega Drive em casa, os ganhos foram maiores que as perdas.

De cara, o jogo exibe alguns dos melhores gráficos já vistos na terceira geração de consoles. Não era Mega Drive, é óbvio, mas impressionava. O clima do jogo, a estética e a jogabilidade foram mantidos com razoável fidelidade. Tirando o número de frames menor e os slowdowns aqui e ali, o jogo mantinha a ação veloz do game original.

Conheci esse game na época em que ele era novo, ali por 1991 ou 1992, e o jogo parecia tão legal e bonito que eu sequer conseguia compará-lo com o original do Mega Drive. Para todos os efeitos, era Sonic no Master System e já era bom demais! Alguns anos depois (ali por volta de 1994) voltei a jogá-lo no meu Game Gear (usando o adaptador Master Gear Converter) e curti o jogo até chegar ao final.

Outra coisa legal que a Sega fez foi não se contentar em meramente adaptar o jogo do Mega Drive, optando por elaborar uma versão própria. Das seis fases, apenas três são adaptações do jogo original, sendo que as outras são totalmente inéditas. Além disso, o design de todas as fases é totalmente diferente do jogo do Mega. Resultado: o Sonic – The Hedgehog do Master System é um jogo único, para ser desfrutado tanto por jogadores novos quanto por aqueles já familiarizados com o original do Mega Drive.

Em termos de história, o jogo segue a mesma linha do game do Mega: Sonic é um porco-espinho ultra veloz, que vive numa ilha paradisíaca, repleta de vida selvagem. Certo dia, o malévolo cientista doido Dr. Robotnik se instala na ilha e começa a raptar os pacíficos animais da ilha e transformá-los em robôs cruéis e assassinos. Cabe a Sonic, a partir daí, atravessar a ilha, resgatar os animais sequestrados e enfrentar Robotnik e seus robôs.

O jogo se divide em seis fases (ou “zonas”), na seguinte ordem: Green Hill Zone, Bridge Zone, Jungle Zone, Labyrinth Zone, Scrap Brain Zone e Sky Base Zone. As fases Green Hill Zone, Labyrinth Zone e Scrap Brain Zone foram adaptadas do game original do Mega Drive, porém com design de fase totalmente diferente. As outras fases são exclusivas da versão Master System. Cada fase se subdivide em três “sub-levels”, sendo que o terceiro é sempre o encontro com o “chefão” da fase.

MASTER SYSTEM x GAME GEAR

São poucas as diferenças entre a versão de Sonic do Master System e sua adaptação para seu “irmão portátil”, o Game Gear. Essencialmente, é o mesmo game, apenas com um zoom diferente na versão Game Gear, adaptando o jogo do Master para as proporções da pequena tela do portátil.

No entanto, há um ponto importante em que a versão do Master se sai melhor: no desenho do “sprite” do Sonic. O protagonista é visivelmente mais bonitinho na versão Master System. Na versão Game Gear, o pobre-coitado parece ter passado por uma cirurgia no nariz ou algo do tipo. Ficou meio estranho. Só Deus sabe por que a Sega mudou o visual do personagem na adaptação para o portátil, mas a verdade é que não foi uma boa idéia. Tirando este aspecto, as duas versões do game se equivalem.

Caraca, mas que fim levou o focinho preto do Sonic no Game Gear?!? O herói ficou parecendo … ahn … sei lá, um anfíbio!

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Bem, feitas as análises, é hora de debulharmos mais essa velharia!

A tela de apresentação já indicava que o game era mais simples do que o exuberante original do Mega Drive.


No começo de cada fase, um mapinha mostra o caminho a ser percorrido.


Não era Mega Drive, mas os gráficos eram caprichados! E o visual do Sonic era excelente.

Diferentemente da versão Mega Drive, neste Sonic as esmeraldas ficavam escondidas no meio das fases, e não nos estágios especiais de bônus. Aqui você confere a localização da esmeralda da fase 1-2.

Primeiro chefão: o trouxa do Robotnik voando na sua navezinha redonda. Barbada!

Segunda fase: a ponte.

Cara, sempre adorei essa fase, que era exclusiva da versão Master System. A musiquinha era um barato e a fase era cheia de rios e pontes.

Olha outra esmeralda escondida ali embaixo!

Esse bicho é um … ahn … uma lesma-caranguejo robô? Uma lagosta porco-espinho andróide?

Vilão é vilão até debaixo da água! Robotnik ataca num submarino, aparecendo nos dois lados da tela e atirando porcarias no herói. É bem mais difícil derrotá-lo aqui do que na primeira fase, mas basta pegar a manha para fritar o bandido de novo.

As fases de bônus são ótimas para conseguir vidas e “continues”, e funcionam basicamente como um “pinball” tendo Sonic como a bolinha.


Terceira fase: a floresta.

Se você ainda tinha dúvidas de que esse game apresenta alguns dos melhores gráficos que um console de 8-bits já exibiu, confira o visual dessa fase!

Sonic – The Hedgehog apresentava, também, alguns dos melhores efeitos de água já vistos no Master System.

O lance aqui é divertido: Sonic tem que correr em cima dessa tora de madeira para empurrá-la na água e conseguir avançar na fase.

Robotnik enchendo o saco de novo. Essa encarnação do vilão é bem sacana, e eu morri pra caramba neste combate. O negócio é golpear o miserável enquanto ele aterrisa nas laterais da tela, mas sempre rapidamente fugindo das bombas que o inimigo joga. Não é fácil se equilibrar nesse cipó torto, fugir das bombas e ainda conseguir avariar a nave do inimigo!

Quarta fase: labirinto. Na verdade, nessa versão Master System, a fase não faz jus ao nome, pois ela é bem “linear” e pouco confusa. Outra coisa que não fica bem clara é a forma como esse mapa “urbano” se relaciona com o mapa anterior da ilha. Aparentemente, esse mapa aí é um “close” na parte superior do mapa completo da ilha que se via nas primeiras fases. Mas só Deus sabe por que a ilha inteira seria desabitada e idílica, possuindo uma concentração industrial e urbana somente na pontinha do topo de uma montanha …

Essa fase submarina apresenta mais alguns gráficos caprichados. O problema é a jogabilidade, que fica propositalmente lenta pra caramba quando Sonic está debaixo da água, assim como ocorria no Mega Drive. E fique ligado nas bolhas de ar grandes como aquela da direita: Sonic precisa engolir elas, de quando em quando, para não ficar sem ar.

Sonic curtindo a vida adoidado no tobogã aquático! Ahhhhhhhhhhhhhhh …..

A melhor coisa nessa fase são os momentos em que se consegue sair da água, para o jogo voltar à velocidade normal.

Mais uma investida do Robotnik submarino! É mais ou menos o mesmo esquema da segunda fase, só que agora ele surge nas laterais da tela pelo alto, e não por baixo. E rolam ainda uns mísseis teleguiados. Mas não se apavore, é fácil pegar o padrão de ataque do inimigo e detoná-lo sem maiores problemas.

Sonic aciona o compartimento que prende os bichos e liberta eles … debaixo da água?!? Mas esses pobres coitados saberão o caminho certo pra sair daí antes de morrerem afogados?

Quinta fase: a Scrap Brain Zone.

As paisagens naturais e idílicas da “parte baixa” da ilha dão lugar a um cenário industrial.

Essa fase sim é que merecia ser chamada de “labirinto”. Na fase 5-2, você irá querer arrancar os cabelos depois de entrar pelas passagens e tele-transportadores errados, perdendo minutos e minutos enquanto luta pra achar o caminho certo para o fim da fase.

Ao chegar aqui, Robotnik foge correndo e sobe por esse elevador, com Sonic em seu encalço.

Sexta e última fase: a base de Robotnik, encrustada nos céus da ilha.

Bem-vindos ao inferno, amiguinhos! A Sky Base é aquela típica fase final de joguinhos safados, feita para trucidar os inocentes já cansados e desatentos. Dispositivos elétricos e canhões incansáveis dão à tônica da fase, e farão tudo para transformar Sonic num assado espinhento.

Raios, canhões que não param de atirar, buracos para cair de mil metros de altura … pura diversão, enfim!

Ao final da fase, é preciso subir ainda mais, pois o Dr. Robotnik está escondido num zepelin mais acima!

Esta primeira parte da última fase termina com Sonic chegando no zepelin do inimigo.

Está chegando a hora de detonar o Dr. Robotnik!

É, eu sei: esse “zepelin” aí está muito gozado. Mais parece um BARCO VOADOR, não é mesmo? Puxa, de onde teriam tirado essa idéia ORIGINALÍSSIMA de um “barco voador” como esconderijo para o chefão? Hmmmm …. ah, lembrei! Deve ter sido copiado de um joguinho pouco conhecido do qual ninguém lembra, chamado SUPER MARIO BROS 3!!!!!!!

Finalmente, Sonic fica cara à cara com o insano Dr. Robotnik. Essas duas esferas azuis ficam varrendo a tela com raios, enquanto que aquela merda amarela na parte superior da tela fica disparando bolas de energia contra o herói. No começo é fácil entender o padrão de ataque e ir atacando o vidro que protege o inimigo entre um ataque de raios e outro. No entanto, esse padrão muda no meio da luta, e daí a coisa complica um pouco e exige alguma prática.

Quebrado o vidro que o protegia, o cagão Robotnik sai correndo em disparada …

… o desprezível vilão entra numa máquina de tele-transporte, jurando que vai conseguir escapar ileso …

… mas Sonic vai atrás dele e é teletransportado bem em cima da nave-ovo do vilão, destruindo-a e garantindo que o inimigo se exploda no chão.

Depois de toda essa aventura, o jogador é recompensado com … um karaokê do Sonic! É, quem disse que a vida era fácil naqueles tempos? Bom, pelo menos na época as músicas dos jogos  se resumiam a simples “mids” sem vozes, então fomos poupados de termos que aturar Sonic cantando de verdade! Era isso, caros retrogamers: chegamos ao final de mais uma pérola das antigas! Até a próxima!

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Confira outros sites e blogs que estão participando do RETROWEEN 2009

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* Retrobitshttp://www.retrobits.com.br/especiais/retroween-jogos-divertidamente-assustadores-para-esse-dia-das-bruxas
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* Retro Fantasyhttp://www.retrofantasy.com.br/retroween-addams-family-values/
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* Ziro Video Game Nerdhttp://emulaziro.blogspot.com/2009/10/retroween-2009.html
* Game Retrôhttp://gameretrobrasil.blogspot.com/2009/10/42-e-halloween-pessoalquer-dizer-e.html

SUPER CASTLEVANIA IV (1991, Super Nes)

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Ainda em clima de Halloween, o CEMETERY GAMES hoje destaca um dos games de terror mais legais de uma das séries de videogames de horror mais legais de todos os tempos: SUPER CASTLEVANIA IV, lançado pela Konami em 1991 para o Super Nintendo.

O título parece sugerir que o game é uma continuação direta de CASTLEVANIA III – DRACULA’S CURSE do Nintendo 8-bits, correto? Bem, a resposta é … NÃO! Na verdade, o game só tem esse nome acompanhado do “IV” no Ocidente. O título japonês original é Akumajō Dracula, o mesmo nome do primeiro game da série, lançado em 1987 para o NES. E isso se deve ao fato de que, quanto à narrativa, o game é um remake do primeiro jogo, contando a mesma história do primeiro CASTLEVANIA, ou seja, a primeira batalha entre o herói Simon Belmont e o terrível Conde Drácula. Mas, ao mesmo tempo em que é um “remake”, o jogo também é uma espécie de “expansão” da história do primeiro game, já que as seis fases do original viraram onze fases em Super Castlevania IV. Estas novas ambientações mostram o percurso de Belmont até o castelo de Dracula (no game original, o herói já começava no castelo).

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Mas as semelhanças entre o primeiro Castlevania e este Super Castlevania IV terminam por aí. Os quatro anos de distância entre um jogo e outro e a imensa superioridade técnica do Super NES em relação ao Nintendo 8-bits permitiram que a Konami apresentasse ao mundo um game incomparavelmente superior, com gráficos, música e jogabilidade elevados a um patamar de qualidade nunca antes visto na série.

No quesito gráficos, chamava a atenção o tamanho dos personagens, a riqueza da paleta de cores, o nível de detalhe nos cenários e a beleza da ambientação gótica das fases. No quesito jogabilidade, o game surpreendia por possibilitar o uso do chicote em oito direções diferentes, o que contribuía para que Simon Belmont se apresentasse mais ágil e eficiente do que nunca na hora de encarar as hordas do mal. No quesito música, o jogo era uma verdadeira destruição, contando com uma trilha sonora hipnotizante, dark e inspiradíssima, digna de merecer um lançamento próprio em CD.

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Super Castlevania IV ficou na 66ª posição na lista dos 200 melhores games já lançados para qualquer videogame da Nintendo, em uma lista feita pela revista norte-americana Nintendo Power. É, o game é assim bom mesmo!

E vamos acompanhar Simon Belmont em sua incursão pelo castelo bem-assombrado do vampiro mais famoso dos videogames …

th_image12Tela de abertura.

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Simon Belmont encarando o longo caminho que leva ao castelo de Dracula.

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Primeira tela do jogo. Lugar agradável para um passeio noturno, não?

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Entrando na propriedade do Senhor do Mal!

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As plantas que sobem pelas grades são um exemplo do nível inédito de detalhes na série.

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O chicote pode ser utilizado para ataque em todas as direções, o que representou uma grande melhoria em relação aos títulos anteriores.

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Simon bancando o Indiana Jones.

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O Quintal de Drácula …

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O primeiro chefão é um esqueleto de cavaleiro montado num esqueleto de cavalo. Mas não se assuste, o cara é coxinha de derrotar!

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Derrotado o chefão, Belmont recebe uma orbe mística, o que já era tradição na série.

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Ao final de cada fase, um pequeno mapa mostra o avanço de Simon Belmont.

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Drácula tem um cemitério particular em sua propriedade. Gótico, hein? As redondezas do castelo do vilão mais parecem uma Disneylândia dos Horrores.

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Um pequeno declive.

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Um pântano básico.

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Mais um chefão, ou melhor, chefona: uma Medusa.

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Um pequeno riacho aponta o caminho de Belmont nessa fase.

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O caminho das águas acaba levando Simon para um complexo de cavernas subterrâneas.

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Saindo das cavernas, Simon passa por salas repletas de pequenas cachoeiras.

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As argolas-morceguinhos indicam o momento em que Simon precisa usar o chicote para dar uma de Tarzan …

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Aqui, Belmont segue por pequenas pontes de pedra, e é atacado pelos homens-anfíbios, figurinhas tradicionais da série Castlevania. A aventura ainda vai longe, mas o nosso review fica por aqui! Boa sorte com esse clássico dos games de horror, amigos retrogamers!