ATIC ATAC (ZX Spectrum, 1983)

Quando eu era criança, lá nos idos dos anos 80, eventualmente eu dormia na casa de um tio que tinha um microcomputador ZX Spectrum (na verdade, um clone nacional chamado TK-95). Nessas ocasiões, era comum adentrarmos a madrugada jogando games no computador, e havia um que me arrepiava os cabelos. Era um jogo que mostrava um sujeitinho andando desesperado dentro de um imenso castelo assombrado, cheio de salas com velharias sinistras e repleto de monstros e fantasmas. Esse game era Atic Atac, e na época, naturalmente, eu não tinha como saber que estava diante de um dos maiores clássicos da história do Spectrum.


Atic Atac foi lançado em 1983 pela mítica Ultimate Play the Game, uma das softhouses da época que mais deixaram saudades entre os fãs de micros oitentistas. A empresa foi responsável por vários clássicos, que fizeram sucesso principalmente no Spectrum, dentre os quais se destacam principalmente Jetpac, Sabre Wulf, Knight Lore, Alien 8, Nightshade, Gunfright, Underwurlde e, é claro, o próprio Atic Atac.


Nesse game, o jogador encarna um herói aprisionado dentro de um sinistríssimo castelo mal-assombrado. A boa notícia é que você já começa do lado do grande portão de saída. A má notícia é que, para abrí-lo, você precisará da misteriosa Chave Dourada de ACG. Como pão de pobre sempre cai com a margarina virada para o chão, a enigmática chave encontra-se dividida em três pedaços, espalhados por diferentes recintos do castelo.


Mas o drama continua: além do grande portão de saída trancado e de várias portas que podem ser abertas sem maiores problemas, o castelo conta com quatro outros tipos diferentes de portas trancadas: verdes, amarelas, vermelhas e azuis. Para encontrar os pedaços da Chave ACG, primeiro você precisará encontrar as chaves dessas cores, para acessar os aposentos trancados pelas portas das referidas cores. E tudo isso enquanto se perde entre uma enorme quantidade de salas diferentes, sendo permanentemente atacado por fantasmas, bruxas e monstros variados. Parece difícil? Bem, é porque é difícil mesmo!


O jogador pode escolher entre três diferentes tipos de heróis: Wizard (mago), Knight (cavaleiro) e Serf (não faço ideia que diabos seja isso). Além das diferenças estéticas entre eles, a grande diferença reside no fato de que cada um possui uma habilidade específica de acessar passagens secretas. O Knight atravessa relógios, o Wizard atravessa as estantes de livros e o Serf atravessa símbolos nas paredes. O castelo possui cinco andares diferentes: andar térreo (onde o jogo começa), acima dele o segundo andar e, no ponto mais alto do castelo, o sótão. Abaixo do térreo, temos o porão e, no nível mais baixo, as cavernas. No total, são mais de 130 aposentos (telas) diferentes. Pode acreditar: você se perderá muitas e muitas vezes até dominar a geografia desse simpático local.


Atic Atac é, sem dúvida, um dos melhores games de horror dos microcomputadores oitentistas, e foi aclamado pela mídia e pelo público na época. A popular revista CRASH (especializada em Spectrum) deu nota 9.2 para o jogo, resumindo suas impressões sobre ele da seguinte forma: “é uma coisa – FANTÁSTICO!“. A revista Computer and Video Games escreveu que Atic Atac era “o melhor jogo da Ultimate até agora“. Em 1991, o jogo ficou na 79ª posição na lista dos melhores games de Spectrum de todos os tempos, feita pela revista Your Sinclair. Em 2007, o site Eurogamer definiu o jogo como sendo “um perfeito exemplo do que a paixão pode fazer quando apropriadamente digitalizada“. Atic Atac foi, ainda, uma grande inspiração para um show da televisão britânica chamado Knightmare, que foi ao ar entre 1987 e 1994 e que fez muito sucesso.

Em 2006, um remake de Atic Atac foi feito para Windows, com visual renovado e bastante caprichado. Você pode conferí-lo em http://retrospec.sgn.net/game-overview.php?link=atic


Quem quiser jogar o Atic Atac original do Spectrum terá que enfrentar dois problemas. O primeiro deles é que, ao contrário do que ocorre com a maioria dos games desse saudoso micro, Atic Atac teve a sua distribuição gratuita proibida, e portanto não encontra-se disponível para download no popular site World of Spectrum. Mas é claro que uma breve busca pelo Google pode ajudar a resolver esse problema (ouvi dizer que, se você pedir uma cópia do arquivo aqui pro Cemetery Games e informar o seu e-mail, também pode ser que consiga o jogo).


O outro problema é um pouco mais chato: a configuração padrão de controles de Atic Atac é simplesmente horrível, e eu não tive sucesso em conseguir configurar o jogo com comandos mais racionais (as opções que o jogo oferece nesse sentido não funcionaram a contento para mim). Acredite se quiser, o jogador tem que usar as teclas Q, W (esquerda/direita), E, R (baixo, cima), T (para atirar) e Z (para pegar objetos). Ou seja, todos os comandos do jogo ficam localizados no mesmo 1/4 do teclado, exigindo um bocado de paciência e treino para que se consiga dominar minimamente esse infeliz esquema de controles.


Uma dúvida: alguém aí saberia me explicar que diabos significa “Atic Atac“?!? Será que é uma corruptela de “Attic Attack“, que seria “Ataque do Sótão” ou algo parecido? Até hoje, nunca entendi o que esse título signfica! Só o que sei é que as imagens de horror desse ótimo joguinho povoaram a minha imaginação na infância (sempre achei arrepiante quando o herói morre e uma cruz surge no chão, em meio a um ruído sinistro), e eu ainda acho extremamente climático correr pelos aposentos sinistros desse castelo, ainda que sem sucesso em escapar com vida. Mas pelo menos hoje eu entendo bem qual é a moral do game, e gosto de pensar que estou jogando ele bem melhor do que há vinte e poucos anos atrás!

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DEMONIA I (1986, MSX)

Imagine um jogo no qual você encarna um barbudo só de cuecas, que adentra um cemitério repleto de demônios e mortos-vivos que saem das sepulturas. “Peraí“, você provavelmente dirá. “Eu sei que jogo é esse, é Ghosts ‘n Goblins, o velho clássico da Capcom“. Errado: é DEMONIA I, um game francês lançado em 1986 para o MSX pela softhouse Microids, que imita o famoso game de terror da Capcom na cara dura, sem a menor vergonha.

No entanto, antes de atirar tomates em Demonia I, leve uma coisa em consideração: apesar de o MSX ter sido um microcomputador sensacional nos anos 80 e de ter contado com uma biblioteca de games invejável, a plataforma foi uma das únicas que jamais recebeu uma versão de Ghosts ‘n Goblins (e nem da continuação, Ghouls ‘n Ghosts). Lançado originalmente nos arcades em 1985, Ghosts ‘n Goblins fez a alegria de proprietários de Commodore 64, Amiga, ZX Spectrum, Amstrad CPC, Atari ST, IBM PC e Sharp X86000 (sem falar da versão do NES, o então super-popular videogame da Nintendo). No meio dessa infinidade de micros, quem tinha MSX ficou chupando o dedão.


É nessas condições que Demonia I ganhou espaço entre o público do MSX. Aqui no Brasil, era muito comum que os fornecedores de software pirata (a indústria de software oficial para MSX era bastante reduzida) vendessem Demonia I como sendo “a versão de Ghosts ‘n Goblins do MSX“. Eu mesmo, ali por volta de 1993, fui comprar uns jogos com um “pirateiro” de Porto Alegre e, perguntando por Ghosts ‘n Goblins, ele me respondeu que “o nome do jogo no MSX era Demonia“.


Bobagem, é claro. Embora copie desavergonhadamente muitos elementos do clássico da Capcom, Demonia I não é uma conversão de Ghosts ‘n Goblins para MSX. Aliás, o jogo só é extremamente parecido com Ghosts ‘n Goblins no visual da primeira fase. Nas duas fases seguintes (sim, Demonia I só tem três fases), as diferenças se tornam mais evidentes.


Aliás, é até um sacrilégio dizer que Demonia I “se parece com Ghosts ‘n Goblins“. Vamos ser sinceros: os únicos méritos de Demonia I são a ambientação legal e os gráficos caprichadinhos. A jogabilidade é tão tosca que não dá nem para explicar em palavras, só jogando mesmo para sentir. Os efeitos sonoros são péssimos, a música é inexistente e os ataques do “herói” se limitam a uma seta gigante que sai do peito dele. A jogabilidade vacilante acaba tornando o jogo mais difícil do que deveria ser (embora o design miserável de fases seja feito para ralar o jogador mesmo), e é por isso que pouca gente chegava no fim de Demonia I, apesar de o jogo se limitar a três fases relativamente curtas (o jogo inteiro não tem mais do que umas 30 telas diferentes).


O que Demonia I roubou de Ghosts ‘n Goblins: um herói barbudo seminu; a primeira fase ambientada em um cemitério; um demônio vermelho que aparece sentado no meio das fases; o fato de o protagonista virar um esqueleto quando morre e … acho que é isso.

O que Demonia I tem de original: uma jogabilidade horrorosa; apenas três fases curtas; um monte de frutas espalhadas ao longo de todas as fases; uns pinheiros cretinos que são difíceis de derrotar; algumas demoníacas mulheres seminuas que tentam agarrar o herói e tirar energia dele (fica a dúvida sobre o quê exatamente isso significa); morcegos azuis com cabeças desproporcionalmente grandes e mortos-vivos cujos rostos lembram o Super Mario sem o boné. Para não falar, é claro, do último chefão: um bizarro lagartão bípede (!!).

Enfim, Demonia I simplesmente não era grande coisa. Mas os gráficos eram legais, e tinha um cara caminhando à noite num CEMITÉRIO com zumbis SAINDO DAS COVAS!!! Entendeu o apelo da coisa, né? A frustração vinha rápido, mas por alguns segundos a gente quase acreditava que tinha tropeçado num bom clone de Ghosts’n Goblins.

Uma curiosidade: embora esse game se chame Demonia I (e tenha o subtítulo L’Intrusion numa das telas de abertura), até hoje não consta que alguém já tenha ouvido falar de um Demonia II. Pelo título, ficamos com a impressão de que os produtores do jogo tinham a intenção de lançar continuações. Porém, a julgar pelo completo esquecimento e anonimato no qual caiu essa pobre imitação de Ghosts ‘n Goblins, não me parece provável que um Demonia II venha a surgir algum dia, a menos que algum fã doentio e psicopata resolva investir algumas horas de programação para nos submeter a tal desprazer.


Curiosidade adicional: em 2008, a injustiça contra os MSXzeiros foi corrigida, e o MSX finalmente ganhou uma versão de Ghosts ‘n Goblins (na verdade, a versão do ZX Spectrum foi convertida para o MSX por fãs). Confira em http://www.caetano.eng.br/MSXPage/gngoblins/

MARATONA ATARI – Especial HALLOWEEN: Games de Terror!


E olha o Halloween chegando de novo! Continuando a tradição RETROWEEN iniciada no ano passado por uma série de retroblogs, o Cemetery Games, ao longo de toda esta semana, irá destrinchar única e exclusivamente GAMES DE TERROR! E o nosso Retroween de 2010 começa agora com uma etapa horrorífica da nossa Maratona Atari. Dessa vez, falaremos sobre os quatros games de terror mais emblemáticos do clássico console. Preparem seus corações para esta forte dose de terror, pois está na hora de caminharmos rumo à escuridão.

O primeiro game dessa etapa “monster freak” da Maratona Atari é HAUNTED HOUSE, um clássico absoluto do Atari. Lançado em 1981 pelas mãos da própria Atari (a empresa, não o videogame), Haunted House foi um dos primeiros jogos de videogame com temática de horror de todos os tempos, e hoje é geralmente aceito como o provável primeiro exemplar do gênero Survival Horror, hoje muito popular graças a séries como Resident Evil, Alone in the Dark e Silent Hill.


Em Haunted House, o jogador assume o papel de um aventureiro que adentra na sinistra mansão assombrada do falecido Zachary Graves, a fim de encontrar um tesouro escondido. Apesar de audacioso para a época em que foi feito, tecnicamente o jogo é precário ao extremo, com gráficos que são muito pobres até para os padrões do Atari 2600. Visualmente, tudo se resume a paredes coloridas e um par de olhos andando no meio da escuridão. Apertando o botão do joystick, o jogador pode acender um fósforo para enxergar ao seu redor (estranhamente, fazendo isso, o corpo do herói não aparece, o que é no mínimo curioso). Basicamente, os problemas a serem evitados são morcegos, aranhas e o próprio fantasma do Sr. Graves.


Joguei Haunted House na pré-adolescência no meu Atari, e o jogo frustrou minhas expectativas, pois era confuso e visualmente aborrecido. Não me entenda mal, é um jogo clássico e pioneiro, mas eu só fui conhecê-lo dez anos depois de lançado, e sem ter um manual (ou poder contar com a ajuda da internet) a experiência era simplesmente tediosa demais. Enfim, o game vale mais pela originalidade e pelos jogos que veio a inspirar do que por outros méritos, e está muito longe daquela qualidade dos jogos que realmente aproveitaram o máximo ao potencial do Atari, como River Raid, Pitfall e Enduro, por exemplo. Uma curiosidade: a Atari acabou de lançar um remake de Haunted House, com gráficos modernos, para Windows, Wii e Xbox 360. Ainda não sei se essa nova versão ficou legal ou não, mas pelo menos serve como homenagem a este pioneiro dos games de horror.


O segundo game da nossa “hora Atari do horror” não poderia ser mais apropriado para comemorar o halloween, já que estamos falando do jogo HALLOWEEN, game lançado em 1983 pela Wizard Video e baseado no clássico filme de mesmo nome. O jogo já foi resenhado aqui no Cemetery Games em março de 2009, mas vale à pena voltar a ele. Embora não seja nenhuma maravilha absoluta, Halloween é, no geral, o melhor game com temática de horror lançado para o Atari. Os gráficos são bastante bons para os padrões do console, a trilha sonora é muito acima da média dos jogos da plataforma (e reproduz com razoável fidelidade a memorável música tema do filme), a violência gráfica impressiona para a época e este talvez seja o único game de terror do Atari que realmente consegue colocar o jogador num leve clima de suspense e tensão.


Em Halloween, o jogador assume o comando de uma desesperada mulher (presumivelmente, a personagem Laurie Strode do filme), que deve procurar as crianças que estão perdidas dentro de uma enorme casa e levá-las em segurança para fora. A razão de tanto desespero é que o psicopata assassino Michael Myers está rondando o lugar, carregando uma bela faca na mão.


Em algum aposento randômico da casa aparece uma espada, e você pode usa-lá para “matar” o psicopata. Claro que essa morte é tão “eficiente” quanto nos filmes de terror, ou seja, em poucos segundos o desgraçado volta, ainda mais rápido do que antes.

O grande barato do jogo é o fato de que ele capturou muito bem aquele “elemento surpresa” dos slasher movies dos anos 80, nos quais o assassino aparecia do nada a qualquer momento. É exatamente o que ocorre nesse jogo. Você está levando uma criança em direção a um dos “quartos seguros” da casa e, de um instante para outro, Michael Myers aparece na sua frente (ou atrás de você), com a arrepiante musiquinha do jogo quebrando o silêncio. Provavelmente nunca houve no Atari outro game tão eficiente em dar cagaços no jogador quanto este!

Além da trilha sonora bem feitinha e do apelo visual das vidas do jogador serem representadas por abóboras de halloween, certamente o que mais chama a atenção é a violência explícita do game. Este é provavelmente o jogo mais sanguinolento feito para o Atari. Quando Myers alcança uma criança, só o que sobra é um pequeno cadáver sobre uma poça de sangue. Quando Myers pega a heroína, ele a decapita, e a vítima SAI CORRENDO SEM CABEÇA, com o sangue jorrando pelo pescoço !! Que trash, hein? E você que achava que o Atari era um “videogame família”!


Uma curiosidade: no Brasil, Halloween não era chamado de Halloween! Por aqui, o nome deste game aparecia nos cartuchos sempre como sendo “Sexta-Feira 13 (assim mesmo, escrito em português), apesar das carinhas de abóboras e da música-tema do filme tocando na abertura. Será que os fabricantes locais eram assim tão ignorantes mesmo? Ou será que intencionalmente mudaram o nome do game, já que os filmes da série Sexta-Feira 13 sempre foram bem mais conhecidos e populares no Brasil do que os filmes da série Halloween ? Fica o Mistério!

Outra curiosidade: pouco depois de lançar Halloween, a produtora Wizard Video foi à falência, em virtude do grande crash do mercado de videogames de 1983/1984. Com cartuchos em estoque e precisando cortar gastos, muitos cartuchos originais do jogo foram lançados no mercado contendo apenas uma etiqueta branca frontal com o nome “HALLOWEEN” escrito em laranja, à mão, com letras maiúsculas. Portanto, se algum dia cair nas suas mãos uma cópia deste jogo num cartucho sem “label“, apenas com uma etiqueta com o nome do jogo escrito manualmente em laranja, não pense que se trata de uma “cópia pirata”: é bem possível que você tenha em mãos uma cópia do jogo da exata maneira como ele foi colocado à venda nas lojas pela Wizard Video!


Também de 1983 é o game FRANKENSTEIN’S MONSTER, da Data Age, outro ótimo game de horror do Atari 2600. Aqui, o jogador encarna o Dr. Frankenstein, dentro de um castelo de três andares. O terrível monstro criado pelo cientista está exposto a raios e prestes a ganhar vida, e para impedir que o monstro sai destruindo tudo e todos, nosso intrépido doutor precisa “emparedar” o monstro com cubos encontrados no andar mais baixo do castelo. Nessa corrida contra o tempo, o Dr. Frankenstein precisa passar por aranhas gigantes, fantasmas e morcegos, além de atravessar um lago subterrâneo sem cair nele. Se o arrependido cientista não for rápido o suficiente, o monstro sairá andando descontroladamente em direção à tela (num efeito de primeira pessoa extremamente tosco, mas muito interessante para a época), e tudo estará perdido.


Conheci Frankenstein’s Monster por volta de 1991 (no cartucho que eu tinha, o nome do jogo aparecia apenas como “Frankenstein“), e desde logo adorei o jogo. É basicamente um game de ação/aventura com temática de terror, extremamente bem feito para os padrões do Atari. Os gráficos são eficientes, a ambientação é legal e aquela coisa do monstro vir na direção do jogador após o “game over” era algo sem igual no Atari. A mecânica do jogo é bem repetitiva e a parte dos morcegos (na qual o Dr. Frankenstein precisa passar em meio a centenas de morcegos para chegar até o monstro com a peça que buscou) é um verdadeiro pé-no-saco. Mas, tirando esses aspectos negativos pontuais, o game é muito bom, indispensável para qualquer fã do velho Atari.


Assim como Halloween, o game que fecha essa etapa horrorífica da Maratona Atari também foi lançado em 1983, e também por obra e graça da Wizard Video. Estamos falando de THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE, baseado no filme de mesmo nome, conhecido por aqui como O Massacre da Serra Elétrica, um clássico dos filmes de terror.


Embora graficamente menos violento do que Halloween, na prática esse The Texas Chainsaw Massacre acabou sendo considerado muito mais violento, e suscitou muitos protestos e indignação na época em que foi lançado. A razão disso é muito simples de entender: ao contrário de Halloween, nesse game o jogador não assume o papel do mocinho ou mocinha que precisa fugir do psicopata assassino, mas sim o papel do próprio psicopata, que precisa matar tantas vítimas inocentes quanto for possível. Sim, é sério! O jogador assume o papel do homicida açougueiro Leatherface, e o objetivo é correr atrás de garotas adolescentes e retalhá-las com sua serra elétrica!

Uma premissa desse tipo geraria muita polêmica até nos dias atuais, imagine então em 1983! Muitas lojas simplesmente se recusaram a colocar esse jogo à venda, ou deixavam ele num local menos visível, longe dos olhos das crianças. Talvez tudo isso tenha contribuído para que o jogo se tornasse muito raro, sendo hoje extremamente difícil para um colecionar conseguir uma cópia do cartucho (com caixinha e manual, é ainda mais difícil). Talvez não seja coincidência, portanto, o fato de que este é o único dos quatro games aqui analisados com o qual jamais tive contato na infância ou adolescência (nem jamais tive em mãos uma cópia do jogo em cartucho), bem como o único desses games que só vim a conhecer depois de adulto, em plena era da emulação. Fico até me perguntando se esse jogo chegou a ser lançado aqui no Brasil …


The Texas Chainsaw Massacre não tem tanta violência visual quanto Halloween, e no geral é um game muito inferior: os gráficos são meio toscos, com elementos de cenário em tamanhos desproporcionais uns em relação aos outros. Ao contrário das mortes graficamente bem feitas de Halloween, nesse jogo as vítimas mortas são transformadas numa sopa disforme de pixels quadradões, incompreensível demais para gerar impacto visual. Sem falar que a mecânica do jogo é repetitiva demais, o que torna o jogo chato depois de cinco ou dez minutos. Vale mais como curiosidade histórica (principalmente para fãs de games de terror) do que como uma experiência realmente satisfativa em termos de jogos de Atari.

Bem, pessoal, nossa etapa-halloween da Maratona Atari vai ficando por aqui. Mas a semana ainda é longa até o Dia das Bruxas, e mais games antigos de terror irão dar as caras nos próximos dias. Fiquem de olho, corpos e almas!

ALIENS (1990, Arcades)

A cinessérie Alien é uma das franquias mais famosas do cinema de ficção-científica em todos os tempos, e isso se deve especialmente em virtude dos dois primeiros filmes da série: o revolucionário Alien (1979), dirigido por Ridley Scott, e Aliens (1986), dirigido por James Cameron e amplamente considerado como uma das melhores sequências já feitas.

Vários games baseados nos dois primeiros filmes foram lançados ao longo dos anos 80. Alien (1982), lançado para o Atari 2600, foi o primeiro de todos e era uma porcaria (o game já foi resenhado numa das etapas da Maratona Atari aqui do Cemetery Games). Depois, em 1984, veio Alien para Zx Spectrum, Commodore 64 e Amstrad CPC. Era um bom jogo de suspense, no qual era preciso procurar o alienígena assassino dentro da imensa nave Nostromo. Foi bem elogiado pela mídia especializada da época, mas acredito que não fez muito barulho aqui no Brasil (cujo mercado de microcomputadores ainda se arrastava naquele tempo).


Relacionados ao segundo filme da série (conhecido por aqui como Aliens – O Resgate), em 1986 foi lançado Aliens – The Computer Game para Zx Spectrum, C64, Apple IIe e Amstrad CPC. O game foi feito pela Activision, e dividiu opiniões na época. A revista Your Sinclair deu nota 9.0 para a versão do Spectrum, enquanto que as revistas Crash e Your Sinclair deram respectivamente notas 4,0 e 5,0 para a mesma versão. O jogo viria a ser conhecido também como Aliens US Edition, já que quase na mesma época foi lançado outro jogo com o mesmíssimo nome – Aliens: The Computer Game – dessa vez pelas mãos da Software Studios.

Esse segundo Aliens – The Computer Game chamava a atenção pela jogabilidade em primeira pessoa (embora tosca que dói), e chegou a ser lançado para o MSX, plataforma no qual conheci o jogo ali por volta de 1993. O que todo mundo lembra quando fala desse jogo é dos invariáveis cagaços que o jogador tomava, pois os aliens meio que apareciam do nada na frente do jogador, o que causava uns sustos de cair da cadeira! O jogo era meio confuso e não era muito fácil entender o que se devia fazer, e muitos (entre os quais me incluo) apenas ficavam dando voltas pelo cenário até o pelotão inteiro ser dizimado pelos aliens.


Curiosamente, depois disso MAIS UM game de computador baseado no filme Aliens foi lançado em 1987, somente no Japão e exclusivamente para o MSX. O jogo se chamava simplesmente Aliens, e foi feito por ninguém menos do que pela célebre Squaresoft. Era um jogo de ação plataforma com gráficos coloridos e caprichados para os padrões do MSX, e provavelmente é um dos mais obscuros games baseados na série Alien já feitos até hoje.


Apesar de todos esses games serem acima da média (tirando o péssimo e pioneiro jogo do Atari 2600), nenhum deles havia conseguido capturar a ação frenética do segundo filme da cinessérie. Foi isso que a Konami finalmente fez, em 1990, ao lançar o seu Aliens nos arcades.


O Aliens da Konami era um jogo de ação linear ao extremo, bastante curto, com jogabilidade simples, gráficos sem nada de espetacular em relação a outros arcades da época e uma paleta de cores bastante humilde, que dava  ao jogo um visual inferior ao que já se via em consoles domésticos de 16-bits na época. Apesar disso, a excelente ambientação, os personagens e cenários bem desenhados e o tiroteio ininterrupto fizeram deste game a mais fiel e divertida adaptação do filme de mesmo nome para o universo dos games.


Chama a atenção que a Konami é também criadora da famosa série de ação Contra, que desde a sua origem sempre “tomou emprestada” para si vários elementos dos dois primeiros filmes da série Alien. Aqui, a Konami percorreu o caminho inverso, e fez um jogo baseado no filme com nítidas inspirações nos games Contra e Super Contra, principalmente no que diz respeito ao design de criaturas. Apesar disso, é claro que Contra e Super Contra são incomparavelmente superiores a este Aliens do arcade.


Conheci o Aliens da Konami por volta de 1992/1993, quando havia uma máquina com o game no então recém inaugurado shopping aqui da cidade onde moro. Até onde me lembro, jogando no arcade nunca fui além da segunda fase, mas sempre curti o jogo, principalmente pelo tiroteio desenfreado e por sua atmosfera. Apesar de muito curto (jogando no emulador, dá pra terminá-lo em uns vinte minutos), no arcade o jogo era bem desafiante e exigia uma boa quantidade de fichinhas na mão para quem quisesse tentar virá-lo.


Para quem gosta dos filmes dos célebres alienígenas babadores de ácido, esse Aliens da Konami é uma ótima pedida, até por sua grande fidelidade ao andamento e aos elementos do filme. É um jogo de ação linear, sem cérebro e curto. Mas, para qualquer retrogamer que gosta de metralhar aliens às centenas (quem não gosta?), é uma diversão extremamente satisfativa.

Algumas fases tem visão em primeira pessoa.

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O chefão da primeira fase é esse monstrão que ataca na vertical.

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Os aliens estão por toda parte!

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Zumbis tentam atacar Ripley. Ei, isso é Aliens ou A Noite dos Mortos Vivos?!?

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Já imaginou como seria Elevator Action com aliens? Seria assim!

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A Konami não deixou de fora as nojeiras do filme: olha as pessoas lá no fundo, todas incubando fetos alienígenas! Ecaaaa!!!

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Até Newt, a garotinha que ficava gritando “Ripleeeeey” durante metado do filme, faz uma ponta no jogo.

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Se você foi criança nos anos 80, vai lembrar dessa célebre cena do filme!

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A Rainha Alien sendo arremessada no espaço.

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