PIT-FIGHTER (1990, Arcade)

O pessoal mais jovem não vai lembrar disso, mas já existiu um mundo pré-STREET FIGHTER II. Ao ser lançado em 1991, o clássico da Capcom consolidou o gênero “games de luta” e se tornou o referencial absoluto no estilo. Daí em diante, jogos de luta passaram a ser algo popular e corriqueiro.

Mas nem sempre foi assim. Antes da febre sem precedentes de Street Fighter II, os jogos de “dar porrada” costumavam ser do estilo beat’em up, ou seja, de andar pelas fases derrotando gangues de inimigos (Final Fight, Renegade, Double Dragon, etc). Games de luta “um contra um” já existiam há muito tempo (vide o famoso The Way of Exploding Fist, de 1985), mas ainda eram raros e esparsos, e não costumavam surpreender em termos técnicos.

E eis que, em 1990, aparece nos arcades um game de luta como nunca antes se havia visto: luta-livre de rua, violento, com gráficos excepcionais e personagens elaborados através da digitalização da imagem de atores reais (uma técnica que seria usada de forma mais refinada, três anos depois, em Mortal Kombat). Era Pit-Fighter, e vinha ao mundo pelas mãos da Atari, empresa célebre no ramo mas que já tinha vivido dias melhores.

Na infância e adolescência, nunca cheguei a jogar Pit-Fighter no arcade. Conheci o jogo no final de 1991, através de uma matéria da revista Supergame que anunciava o lançamento do jogo para o Mega Drive. Lembro de ter ficado babando! Alguns anos depois, vim a jogar bastante a versão do Mega.

Não quero iludir ninguém: Pit Fighter foi um sucesso na sua época, mas estava longe de ser perfeito. A jogabilidade era meio tacanha e limitada mesmo no original. Os brutamontes que se degladiavam na tela tinham a agilidade de dublês do Monstro de Frankenstein. A animação era meio tosca, os golpes eram limitados e os grandalhões ficavam parecendo meio “mongos” em ação. Não era nada parecido com aquela jogabilidade maravilhosa, fluída e cheia de golpes variados que Street Fighter II posteriormente traria ao mundo.

Mesmo com esses defeitos, era quase impossível não gostar de Pit-Fighter. Os gráficos eram impressionantes e a estética do jogo era muito legal, com adversários que pareciam saídos do filme Mad Max II. Os protagonistas eram três brutamontes – Buzz, Ty e Kato – que se atiravam no submundo da luta-livre para faturar uns trocados, enfrentando adversários fascínoras em competições marginais, diante de uma platéia ensandecida de pessoas da pior espécie. Os espectadores eram uma bandidada tão nojenta que, se você fosse jogado perto da platéia, volta e meia levava uma facada nas costas de algum marginal ou era arremessado de volta ao ringue. É mole?

Apesar dos golpes meio limitados e toscos, a violência gráfica de Pit-Fighter era impressionante para a época, e dava gosto animalizar o adversário, que invariavelmente era um maníaco com um nome de psicopata, como Executioner ou Chainman Eddie. Pode parecer pouca coisa para os padrões atuais, mas naqueles tempos era próximo do máximo de selvageria imaginável num videogame.

Para que vocês possam ter uma boa idéia de como o game era visto na época, aproveito para transcrever uma parte da matéria da revista Supergame nº4, de novembro de 1991, que ostentava Pit Fighter na capa:

Ele já saiu no Japão. Está saindo no States e deverá ser lançado no Brasil. Você o conhece dos arcades como o melhor jogo de luta feito até hoje (com a exceção possível de Full Contact para PC Engine). Pit Fighter finalmente chegou para Mega Drive. E chegou bem, muito bem, obrigado.

Os incríveis gráficos digitalizados perderam um pouco na adaptação para Mega, é verdade. E, como se poderia imaginar, não dá pra jogar em três, como no arcade, mas sim em dois (nada mal). Mas o resto todo está aí. E é muito quente. Os pulos, chutes e socos são tão bons quanto no arcade. A dificuldade é maior ainda. Você vai apanhar bastante até chegar na oitava – e última fase.

Mas o melhor mesmo de Pit Fighter é a velha e boa violência. Em nenhum outro jogo você dá porradas com tanto gosto e as recebe com tanta dor. Quando você levanta um daqueles grandalhões fedorentos e os joga pelo ar, dá pra sentir o chão tremer. E, quando um desses nojentos acerta uma paulada em você, a experiência é igualmente aguda“.


AS VERSÕES

Pit-Fighter “virou a cabeça” dos jogadores na época, e recebeu uma enxurrada de conversões para consoles caseiros e microcomputadores. A primeira versão caseira a fazer barulho foi a do Mega Drive, que sempre foi e continua sendo minha versão favorita. Outra boa versão foi a do Super Nes, embora rapidamente ofuscada pelo fenômeno Street Fighter II, que dominaria as telas de todos os Super Nes do planeta pouco tempo depois. A versão para Amiga, por sua vez, não foi considerada grande coisa nem na época de seu lançamento.

Pit-Fighter no Mega Drive: inferior, mas convincente. Uma boa adaptação do sucesso do arcade.


Apesar da boa qualidade das versões Mega Drive e Super Nes, a verdade é que nem mesmo estas conversões melhores faziam jus ao original do arcade no que diz respeito à qualidade dos gráficos e tamanho dos lutadores na tela. Nos arcades, o game apresentava um interessante efeito de “mudança de câmera”, que às vezes aumentava ou diminuia o zoom nos personagens, mudando a sensação de aproximação do jogador. As versões domésticas de Pit Fighter deram chá de sumiço nesse efeito e tiveram que se contentar com personagens menores e mais atarracados. Mesmo assim, a jogabilidade se manteve.

Apesar das inovações tecnológicas de Pit-Fighter, isso não impediu que fossem lançadas várias versões do jogo também para sistemas de 8-bits, o que naturalmente era “forçar a barra”. A versão para Spectrum era visualmente horrenda, mas dividiu opiniões na mídia especializada na época: a revista CRASH deu ao game nota 2.7 (uma das mais baixas que eu já vi na publicação), enquanto que a revista YOUR SINCLAIR foi bem mais generosa e deu ao jogo nota 8.0. Vai entender! O jogo também não se saiu bem no Commodore 64.

O Pit-Fighter do Spectrum era mais feio do que um acidente de trem!


As boas cores do Commodore 64 não salvaram essa versão da mediocridade.

Uma versão de Pit Fighter foi lançada para o Master System. Nunca cheguei a experimentá-la mas, em janeiro de 1993, a própria revista da Sega, Sega Power Magazine, deu nota 4.7 para o jogo. Portanto, recomendo distância.


O jogo foi lançado em 1992 também para o Game Boy e, pra ser sincero, era uma versão aceitável para os padrões do velho portátil. Nem seria justo esperar uma versão melhor do hardware econômico e da tela monocromática do aparelho.

Por fim, em 2004 a versão arcade de Pit-Fighter foi incluída na coletânea Midway Arcade Treasures 2, lançada para Playstation 2, Game Cube e Xbox.  No entanto, a opinião corrente é de que a emulação do game presente nessa coletânea não foi totalmente fiel ao original, apresentando algumas diferenças em termos de sons e velocidade do jogo. Em 2006, Pit-Fighter também foi incluído na coletânea Midway Arcade Treasures Deluxe Edition para PC.

Pit-Fighter deu as caras até em minigame (os gráficos e jogabilidade, mesmo assim, provavelmente eram superiores aos da versão do Spectrum!


E aí, vai encarar?!?

Anúncios

RETROSPECTIVA “DE VOLTA PARA O FUTURO” – PARTE I


De Volta Para o Futuro (Back to the Future no original) foi um dos filmes definitivos dos anos 80, e marcou toda uma geração com suas doses maravilhosamente bem equilibradas de humor, ficção científica, ação e aventura. O filme deu início a uma trilogia muito bem sucedida e reintroduziu a viagem no tempo no imaginário popular. Um DeLorean que viaja no tempo, skates flutuantes, Michael J.Fox tocando Johnny B.Good na guitarra, carros voadores … são tantos os ícones consagrados por essa série de filmes que chega a ser difícil listá-los.

Como seria natural, o sucesso nas telonas levou ao lançamento de uma série de games baseados no filme. Apesar da conhecida regra de que os games baseados em filmes tendem à mediocridade, o caso de Back to the Future é um dos mais tristes de que se tem notícia: de todos os games baseados no primeiro filme, simplesmente não existe NENHUM que presta!

Duvida? Então acompanhe nossa retrospectiva …

.

.

BACK TO THE FUTURE (Spectrum, 1985)

Lançado pela Software Images em 1985 (mesmo ano de lançamento do filme), o primeiro game baseado em De Volta Para o Futuro saiu para alguns microcomputadores da época, como Spectrum e Commodore 64, sem grandes diferenças entre as versões. Mais do que pelos gráficos pobres, o jogo era marcado pela jogabilidade abominável.

Basicamente, o cenário se resume a uma rua com cinco prédios um do lado do outro: a casa do cientista Doc Brown, a escola, o city hall, o salão de baile e o café.

Você encarna Marty McFly e precisa passear por estes lugares em busca de cinco objetos (um poema, uma xícara de café, uma guitarra, um traje anti-radiação e um caixote de madeira que serve pra fazer um skate). Aleatoriamente, ficam passeando pela rua quatro pessoas: os jovens pais de Marty, o vilão Biff Tannen e Doc Brown.

O objetivo é fazer com que os pais de Marty se cruzem e passem a maior parte do tempo juntos. Quanto mais eles ficam juntos, mais pedaços da sua foto aparecem (quando a foto ficar completa, Marty pode pegar a máquina do tempo e voltar para 1985). O contrário acontece se a mãe de Marty esbarra nele, portanto é preciso evitá-la tanto quanto possível. Por fim, se Biff cruza com Marty pelo caminho, aproveita para socar o herói (isso pode ser evitado caso Marty esteja com o skate).

O game é virtualmente injogável. Os gráficos são horríveis, a jogabilidade limitadíssima e elementos essenciais para o sucesso do objetivo são absolutamente aleatórios e independem da vontade do jogador. Tanto a versão para Spectrum quanto a do C64 foram devidamente massacradas pela mídia especializada já na época de seu lançamento. Quer dizer: esse game era uma MERDA para os padrões vigentes no ano de 1985! E aí, vai querer encará-lo hoje?

“Estou fazendo o que posso, mas a jogabilidade é ruim demais! Esse é o pior jogo de Spectrum que eu já vi!!!”

.

.

BACK TO THE FUTURE (MSX, 1985)

O MSX era um microcomputador sensivelmente superior ao Commodore 64 e ao Spectrum, então poderia ter recebido um jogo melhorzinho baseado no filme. De certa forma isso aconteceu. O jogo do MSX é completamente diferente da versão do Spectrum e é superior àquele. Mas isso se deve mais ao fato de que o jogo do Spectrum é horrível demais, enquanto que o do MSX é “só” ruim.

O maior problema do Back to the Future do MSX é a infantilidade dos gráficos e da jogabilidade. O jogador assume um Marty McFly que parece um smile com um cabelo no estilo Chitãozinho & Chororó. Todos os personagens e cenários parecem ter sido desenhados por uma criança de seis anos, e o objetivo é ficar pulando por cima de inimigos que parecem guardinhas de trânsito, andar pelas ruas e saltar na frente das janelas das casas para abrí-las e encontrar os pais de Marty. Encontrados e reunidos, eles devem ser conduzidos por Marty até a danceteria, para se apaixonarem. Dá pra acreditar numa coisa dessas?

Apesar do visual retardado e da jogabilidade repetitiva e desinteressante, o Back to The Future do MSX pelo menos tem o mérito de funcionar dentro do que se propõe e de ser jogável – o que já é muito mais do que se pode dizer do game do Spectrum.

Muitos usuários de MSX tentaram se matar na época por causa desse game!

.

.
BACK TO THE FUTURE (NES, 1989)

Lançado quatro anos depois do filme, era de se esperar que Back to the Future para o Nintendo 8-bits fosse a redenção do filme, que finalmente poderia se orgulhar de ter originado um game que presta. Mas não foi dessa vez. O jogo não chega a ser tão abissalmente ruim quanto as versões Spectrum e MSX, mas não fica muito longe em termos de frustração.


Tudo, absolutamente TUDO está errado nesse jogo. Marty McFly sequer se parece com o personagem visto no filme; a música se resume a um riff de três segundos que fica sendo repetido em loop infinitamente; a jogabilidade é absurdamente repetitiva e o jogo é completamente descontextualizado do filme.

O jogador controla Marty numa visão aérea, conduzindo o herói pelas ruas da cidade. O objetivo é … catar relógios espalhados pelas ruas!!! Sim, não me pergunte que diabos isso tem a ver com o filme. Enquanto vai recolhendo os relógios que aparecem, Marty precisa desviar de abelhas, obreiros carregando vidros, dançarinas de Ula-Ula, valentões de camiseta rosa, latas de lixo, bancos de praça e poças de óleo!

“Ahhhhhhh, que jogo mais HORRÍVEL!!!!”

Em termos de mecânica, o Back to the Future do NES é a versão  que menos tem qualquer coisa a ver com o filme. Aparentemente, os programadores não tinham nenhuma idéia de como fazer um game relacionado com a história do filme, e colocaram Marty para sair recolhendo relógios pelas ruas que nem um catador de lixo, já que relógio tem a ver com o tempo e tempo tem a ver com viagem no tempo. Entendeu a relação? Eu também não.

Depois de uma sequência de fases idênticas de andar pelas ruas, que parece durar uma eternidade, o jogador é recompensado com uma rápida fase bônus na cafeteria, na qual Marty precisa jogar porcarias nos capangas de Biff por trás do balcão.

Quando um dos inimigos chega até o balcão, pega Marty pelo colarinho e o atira contra a parede. E sabe o que acontece daí? Mais fases de andar pela rua recolhendo relógios!

Abominável. Inacreditável. De chorar. Passe longe!

Marty McFly no filme: cabelo castanho, jaquetas jeans e colete vermelho. No NES, o personagem exibe um cabelo preto e uma camisetinha “mamãe quero ser forte” preta, com os braços de fora. Será que os programadores do game se deram ao trabalho de pelo menos VER o filme?!?

Aguardem a PARTE II da Retrospectiva De Volta Para o Futuro, que trará reviews dos games Back to the Future II (Master System), Back to the Future II & III (NES) e Back to the Future III (Mega Drive).

AS TARTARUGAS NINJA – A “QUADRILOGIA”

No final dos anos 80 e começo dos 90, as Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles no original) tomaram o mundo de assalto com um divertido desenho animado, uma trilogia de filmes live-action, uma fabulosa linha de brinquedos e, como não poderia deixar de ser, com uma enxurrada de videogames. No auge do sucesso dos personagens, foram lançados em sequência três games para o NES e um para o Super NES, um melhor do que o outro.

O Cemetery Games aproveita agora para fazer uma retrospectiva da quadrilogia de jogos do quarteto predileto da criançada dos anos 80.


TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES (1989, NES)

O primeiro jogo das tartarugas foi lançado em 1989 e se chamava simplesmente Teenage Mutant Ninja Turtles, lançado pela Konami (responsável por todos os games das Tartarugas Ninja daquela época, o que explica a qualidade destes títulos). Era um jogo de ação/aventura, que alternava momentos de side-scrolling com outros de visão aérea. A missão era percorrer esgotos, casas e bases para cumprir missões diversas (resgatar a jornalista April, impedir a destruição de uma represa, etc). O jogador podia jogar com qualquer um dos quatro heróis e trocá-lo por outro a qualquer momento do jogo.


Embora tenha feito grande sucesso, esse primeiro game pecava pela relativa falta de ação (em virtude da mecânica “adventure” em várias partes do jogo), pelos gráficos meia-boca e pela ambientação insatisfatória. Além disso, as fases eram cheias de inimigos bizarros que em nada lembravam os vilões do desenho animado.

De longe, a melhor, mais popular e mais lembrada versão do jogo é a do Nintendo 8-bits (NES), que aliás é a versão original. O jogo vendeu em torno de 4 milhões de unidades e se tornou um dos maiores sucessos do NES entre os títulos não lançados pela própria Nintendo. O game também teve conversões para os microcomputadores Amiga, Amstrad CPC, PC, Atari ST, Commodore 64, Spectrum e MSX (essa última foi, de longe, a que eu mais joguei naquela época). No entanto, nenhuma dessas chegou perto do original em termos de qualidade técnica, sucesso comercial ou boa recepção da crítica.

Turtles no MSX.

.

.

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES II – THE ARCADE GAME (1990, NES)

Ainda em 1989, a Konami lançou nos arcades (fliperamas) outro jogo das tartarugas. Embora tivesse o mesmo nome do jogo do NES (Teenage Mutant Ninja Turtles), esse novo game era totalmente diferente – pura ação side-scrolling, com gráficos maravilhosos e traduzindo com perfeição a estética e o clima do desenho animado que estreou em 1987. Efeitos sonoros, jogabilidade, visual, tudo era perfeito. Não é por nada que esse jogo até hoje é lembrado com saudades por todo mundo que o conheceu na época.

No ano seguinte, a Konami resolveu fazer uma adaptação do jogo de arcade para o NES, dando sequência ao jogo anterior do console. O game foi rebatizado como Teenage Mutant Ninja Turtles II – The Arcade Game e foi lançado em 1990, sendo que logo se tornou a preferência de 10 entre 10 proprietários de NES na época (e uma das principais razões para a criançada da época ranger os dentes de vontade de ter um).

Como já seria de se esperar, em termos de gráficos e som a versão do NES é sensivelmente inferior ao original do arcade. Mas não só a jogabilidade excelente foi mantida como, ainda, a versão do NES tinha suas próprias vantagens: duas fases inéditas, que não existiam no game original. Além disso, a maioria das fases foi ampliada na versão NES. Some-se a isso gráficos e músicas excelentes para os padrões do console e pronto: um clássico instantâneo e inesquecível, cultuado por todo mundo que curte ou já curtiu games da “geração 8-bits”.

O jogo também teve versões para os microcomputadores Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, PC e Spectrum. Nunca joguei as quatro primeiras, mas pelo que sei a versão do Commodore 64 é uma droga. A versão para PC era razoavelmente semelhante a do NES em termos de visual (mas sem as fases adicionais), mas inferior em termos de jogabilidade. A versão para Spectrum padecia das naturais limitações do micro, e os gráficos eram tão pobres que sequer lembravam o jogo original. De qualquer forma, era um bom lançamento para os padrões do Spectrum, e na época foi um jogo bastante festejado pela mídia especializada neste micro.

Além de dar de dez a zero no primeiro jogo em termos de gráficos, música, jogabilidade e ambientação, TMNT II ainda tinha a vantagem de introduzir na série um aspecto maravilhoso: a ótima jogabilidade cooperativa em two-players. Poucos games da época eram tão divertidos de jogar em dupla com um amigo quanto esses das Tartarugas Ninja!

TMNT II do NES é ação videogâmica de 8-bits na sua melhor forma. Me desculpem pela pagação de pau, mas eu AMO esse game!

.

.

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES III – THE MANHATTAN PROJECT (1992, NES)

Assumindo de uma vez por todas que o Nes era O videogame das Tartarugas Ninja, a Konami lançou em 1992 a continuação do “Arcade Game exclusivamente para o console da Nintendo. Em termos de visual e jogabilidade, o game era extremamente semelhante ao TMNT II, porém com gráficos levemente superiores. Para compensar a repetição da estética do jogo anterior, TMNT III introduziu cenários diferentes e bem legais. Só a título de exemplo, a primeira fase é numa PRAIA e na sequência tem até as Tartarugas Ninja fazendo surf e enfrentando inimigos no mar!

O roteiro, dessa vez, vai além da tradicional pendenga genérica entre o Destruidor e as tartarugas. Os heróis, no começo do jogo, são mostrados tirando férias numa praia. Se tartarugas pegando bronzeado já é uma coisa que parece estranha, imaginem ainda vendo televisão na beira da praia. Pois é, mais é isso aí mesmo. Tudo vai as mil maravilhas quando subitamente uma reportagem de April (a repórter amiga dos heróis) é interrompida pela notícia de que o Destruidor raptou … a ilha de Manhattan! Sim, a ilha INTEIRA foi elevada à altura dos céus (o jogo não explica como). Bom, ninguém iria querer muita lógica num jogo estrelado por tartarugas adolescentes que são ninja, não é mesmo? O importante é ter uma boa premissa para o pau comer solto!

TMNT III é um dos melhores beat’em ups da terceira geração de consoles (talvez o melhor) e foi um dos últimos grandes jogos do Nintendo 8-bits antes do final de sua vida útil (seu sucessor, o Super Nes, já estava no mercado há dois anos).  Na época a revista americana Electronic Gaming Monthly o elegeu como o melhor game de NES do ano de 1992 (aliás, eu lembro de ter lido essa notícia fresquinha, no verão de 1993, num exemplar da extinta revista Videogame).

.

.

TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES IV – TURTLES IN TIME (1992, SUPER NES)

TMNT – Turtles in Time foi o segundo jogo das tartarugas nos arcades. Adaptado para o Super Nintendo, o jogo foi rebatizado de TMNT IV – Turtles in Time, a fim de mostrá-lo como a continuação natural da trilogia de games das Turtles no NES.

Assim como TMNT III, Turtles in Time apresentava um roteiro rebuscado: as Turtles estavam assistindo a uma reportagem da amiga April quando subitamente Krang aparece em cena e leva a Estátua da Liberdade embora. Nossos heróis vão atrás do alienígena e dos capangas do Foot Clan, mas o Destruidor abre um portal temporal e despacha as tartarugas para o passado. Agora, o quarteto precisa abrir caminho na base da porrada em diferentes épocas para retornar ao presente e derrotar o Destruidor e Krang.

Se os últimos dois jogos das Tartarugas Ninja no NES já eram fenomenais, esse aqui era simplesmente como ter uma máquina de arcade em casa. A versão para o Super Nes não ficou devendo absolutamente nada ao original, ou seja: gráficos, música, efeitos sonoros, jogabilidade dinâmica … tudo simplesmente PERFEITO. Preferências pessoais à parte, tecnicamente não há dúvida: Turtles in Time é o melhor game das tartarugas de todos os tempos.

.

.

PARA ALÉM DA QUADRILOGIA

Outros bons games estrelados pelas Tartarugas Ninja foram lançados para outros sistemas na mesma época. O Game Boy clássico da Nintendo teve a trilogia composta por TMNT – Fall of The Foot Clan de 1989 (que já foi detonado do começo ao fim aqui no Cemetery Games), TMNT II – Back From the Sewers (1990) e pelo não tão interessante TMNT III – Radical Rescue (1992).

Quebrando a tradicional hegemonia dos consoles da Nintendo em relação a games das Turtles, o Mega Drive da Sega recebeu em 1991 o ótimo TMNT – The Hyperstone Heist (que era uma espécie de conversão de Turtles in Time, mas com várias fases novas e um roteiro diferente).

Além desses, foi lançado em 1991 o pouquíssimo lembrado TMNT – The Manhattan Missions para PC. O jogo era mais baseado nas histórias em quadrinhos originais dos personagens e nem tanto no desenho animado, e era bem diferente dos games do NES.

Pegando carona na nascente febre dos games de luta, a Konami lançou em 1993 TMNT – Tournament Fighters, com versões para NES, Super Nes e Mega Drive. Era um joguinho de luta razoável, mas sem cacife para competir com os ótimos Mortal Kombat e Street Fighter II que dominavam a cena.

Depois disso, as Tartarugas Ninja caíram em ostracismo no mundo dos games e só voltaram à cena em 2002, com um novo jogo para o Game Boy Advance (Teenage Mutant Ninja Turtles – não confundir com o TMNT lançado em 2007!), uma nova trilogia para Playstation-2 e outros consoles e alguns outros jogos esparsos. No entanto, todos são baseados no novo desenho dos personagens, com estética bem diferente do desenho oitentista e dos filmes do começo dos anos 90. E, sem sombra de dúvida, o único desses games mais recentes que faz jus ao nível de qualidade dos antigos games da Konami é o TMNT de 2007, lançado para o Game Boy Advance (e que, curiosamente, não foi feito pela Konami e sim pela Ubisoft).

Turtles no Game Boy Advance, em TMNT (2007). A versão dos outros consoles é medíocre, mas a do GBA é simplesmente o melhor game das Tartarugas Ninja dos últimos 18 anos!

“Hey, desliguem essa porcaria desse programa, quero jogar Super Nintendo na TV!!!”

ELEVATOR ACTION (1983, Arcades)


Eu tinha algo em torno de seis anos de idade e o ano era entre 1987 e 1989 – vamos ficar com 1988. Lembro de entrar num fliperama (o nome que se dava para as máquinas de arcade aqui no Brasil) e me deparar com um game bastante peculiar. Naquela época, a maioria dos jogos consistia em controlar um carrinho numa pista, ou um canhão atirando em naves alienígenas, ou um personagem que se movia horizontalmente na tela. Mas esse jogo era diferente: aparentemente, o jogador controlava um carinha que invadia um prédio pelo telhado e o atravessa verticalmente por elevadores e escadas rolantes, fugindo de inimigos armados e entrando em algumas salas para roubar documentos. Uau, aquilo era o máximo! Era realmente diferente do que eu estava acostumado a ver no meu Atari em casa, e parecia que alguém tinha traduzido para os videogames aquele espírito das tirinhas SPY Vs SPY da revista MAD.

Essa minha breve memória de infância traduz meu contato com o arcade original de Elevator Action, lançado em 1983 pela Taito, e que foi um dos maiores sucessos daquele ano, permanecendo relativamente popular ao longo dos anos 80. O jogo ganhou versões para diversos videogames e microcomputadores da época. A versão que eu mais joguei foi a do MSX, por volta de 1993.

O fascínio que Elevator Action exerceu sobre mim já à primeira vista, na minha infância, foi justamente em virtude da principal razão de seu sucesso: a sua mecânica original. A idéia de explorar uma fase (o prédio) verticalmente, de cima para baixo, era absolutamente inovadora para a época. Aliado a outros elementos (os gráficos caprichados para os padrões da época, a divertida e inesquecível música-tema, a troca de tiros com espiões inimigos, os elevadores e escadas rolantes), o sucesso de Elevator Action acabou sendo natural e mais do que merecido.

A história do game é simples: o jogador encarna um espião – o Agente 17, codinome “Otto” – que se infiltra num prédio pela cobertura. O objetivo é roubar uma série de documentos confidenciais escondidos em diferentes salas e sair vivo do prédio pelo andar térreo, fugindo de carro. O problema é que, naturalmente, o lugar está minado de espiões inimigos, todos bem armados.

Embora fosse inovador para seu tempo, Elevator Action possui uma dinâmica característica dos jogos da segunda geração de videogames (tecnicamente, eu o situaria como um representante do final da segunda geração e começo da terceira). O jogo não tem fim, tampouco uma história progressiva. Ao completar uma missão saindo vivo de um prédio, o jogador é automaticamente colocado no topo de um prédio semelhante, onde terá que executar as mesmas tarefas, porém enfrentando um nível de dificuldade maior, e assim sucessivamente até que sejam perdidas todas as vidas. Como era de praxe na “Era de Ouro dos Arcades“, o objetivo nos games não era avançar de fase nem “virar” o jogo, mas sim batalhar pelo melhor score possível em número de pontos.

.

.

AS VERSÕES

A melhor e mais fiel versão caseira de Elevator Action era a do NES, o console mais popular de seu tempo (embora essa popularidade só tenha se consolidado na segunda metade dos anos 80). Elevator Action foi um título dos primeiros anos do NES, e o hardware do aparelho dava conta de uma boa adaptação do arcade com tranquilidade. Curiosamente, o espião herói do game virou ruivo nessa versão (seu cabelo era cinza no original).

Versão NES

Versão SPECTRUM

Várias versões foram lançadas para microcomputadores da época. O Commodore 64 era o micro mais popular nos EUA nos anos 80, mas a sua versão de Elevator Action é mais feia do que um desastre de trem! A versão do Spectrum era competente para os padrões do micro, mas ficou muito diferente do visual original dos arcades. A versão do Amstrad CPC era bonitinha, e curiosamente era a única que exibia o protagonista da forma como ele era ilustrado no flyer original do arcade, ou seja, com cabelos loiros cacheados (embora no próprio arcade o protagonista tenha um cabelo diferente).

Versão COMMODORE 64

Versão AMSTRAD CPC


De todas as versões para microcomputadores, a melhor indiscutivelmente é a do MSX. A versão é muito parecida com a do NES, exceto por um pequeno defeito: no arcade e no NES, os espiões inimigos têm pele clara e roupas pretas, e são bem definidos. No MSX, as roupas dos inimigos são azuis, assim com os olhos deles, mas os inimigos não possuem outros traços de corpo ou pele visíveis. Com isso, ficam parecendo o Homem Invisível com roupa! É um detalhe que deixa o jogo levemente menos agradável, em termos de visual, do que a versão do NES. De resto, a versão MSX é muito fiel ao arcade. Tive sorte de essa ser justamente a versão que mais joguei na vida, e era uma satisfação ver uma adaptação tão legal desta minha antiga paixão dos arcades rodando no meu adorado micrinho de 8-bits.


Versão MSX


Em 2001, foi revelada ao mundo uma versão para o clássico Atari 2600, que chegou a ser 75% finalizada na época, porém foi engavetada em virtude do “crash” do mercado de videogames ocorrido entre 1983 e 1984. A análise do protótipo mostrou que a versão teria gráficos bem inferiores ao original (o que já seria de se esperar), mas mantendo uma surpreendente fidelidade em termos de jogabilidade. Poderia ter sido um dos grandes games da biblioteca do Atari.


Versão ATARI 2600


REMAKES E CONTINUAÇÕES

Em 1991, um remake de Elevator Action foi lançado para o Game Boy. Com gráficos redesenhados e inclusão de novos elementos (como armas novas e bombas), esta versão portátil se mostrou bastante interessante, apesar da jogabilidade diferente e mais lenta.

Remake para o GAME BOY (1991)


Falando em remakes diferenciados, existem mais dois dignos de nota: Elevator Action EX (lançado em 2000 para o Game Boy Color no Japão e na Europa, mas readaptado como Dexter’s Laboratory – Robot Rampage nos Estados Unidos) e Elevator Action – Old & New (lançado em 2002 para o Game Boy Advance, apenas no Japão). Não dá pra esquecer, ainda, da única verdadeira sequência que o game teve: Elevator Action Returns (ou Elevator Action II), lançado em 1994 nos arcades e adaptado para o Sega Saturn alguns anos depois. Elevator Action Returns apareceu, posteriormente, na coletânea Taito Legends 2, lançada em 2006 para Playstation-2, PC e Xbox.

Elevator Action – Old & New, do GAME BOY ADVANCE.


Elevator Action Returns (1994)


COLETÂNEAS

No ocidente, Elevator Action reapareceu nas seguintes coletâneas de games antigos: Taito Legends (lançada em 2005 para Playstation 2, PC e Xbox) e Taito Legends Power-Up (lançada em 2006 para o portátil PSP da Sony). Essas coletâneas são uma boa pedida para matar a saudade deste clássico (ou conhecê-lo tardiamente) em videogames mais modernos.

Consegui sair vivo! Até o próximo review, pessoal!