CASTLEVANIA (1987, NES) – Detonado do começo ao fim, em vídeo!

Novidade no site, caros leitores! Pela primeira vez, apresentamos o detonado de um game em vídeo. E o escolhido foi o mega-clássico CASTLEVANIA, lançado em 1987 para o NES (o famoso “Nintendo 8-bits” ou “Nintendinho”).

Como muitos de vocês devem saber, trata-se de um jogo nada fácil. Para garantir nossa vitória contra as forças do mal lideradas por Drácula, nesta empreitada o Caveira que vos fala contou com a ajuda do Daniel, do canal Stream Team do YouTube. Agradecimentos ao César, do Stream Team, por todo o trabalho de edição do vídeo, que ficou muito legal. Confiram! 🙂

FRIDAY THE 13th (NES, 1989): como matar Jason e terminar o game!

Friday_1Para comemorar esta sexta-feira 13, é claro que não poderíamos ficar sem um bom joguinho antigo de terror. E o que poderia ser mais apropriado do que um game baseado na famosa série de filmes Sexta-Feira 13? Bem, só tem um probleminha … a gente já resenhou aqui no site os dois únicos games, já lançados até hoje, que adaptaram a série de slasher movies para os games: Friday the 13th (1986, Commodore 64 e outros) e Friday the 13th (1989, NES).

É, eu sei, é impressionante: a série Sexta-Feira 13 faz 35 anos em 2015 e conta com dez filmes na bagagem (fora um remake de 2009 e o crossover “Freddy vs Jason). Apesar de tudo isso, até hoje os filmes infelizmente inspiraram apenas dois joguinhos.

O Friday the 13th do Commodore 64, cujo review você pode ler aqui, nós já destrinchamos em profundidade. Mas o melhor dos dois jogos, sem dúvida, é o game do NES. A gente deu uma breve analisada nele lá em 2009, no primeiro ano do Cemetery Games (leia aqui), mas o jogo é cheio de elementos interessantes e merece uma análise mais detalhada. Que tal largar de conversa mole e partir para matar Jason e chegar ao final do jogo? Foi o que eu fiz dessa vez. Conheço esse jogo há mais de vinte anos e, pela primeira, consegui terminá-lo.

Friday_4Conheci o Friday the 13th do NES quando eu era criança. Sempre fui fascinado pela música de suspense, pela tela de abertura assustadora, pelos zumbis que não paravam de sair do chão, pelos cenários do camping Crystal Lake e pela tensão de poder esbarrar em Jason a qualquer momento.

Mas, apesar de todas estas boas impressões e do meu fascínio pela temática de horror do game, sempre achei ele muito frustrante. As armas dos personagens eram umas porcarias, os zumbis eram intermináveis e Jason demorava para aparecer – e, quando surgia, parecia impossível matá-lo. Para piorar, não ficava nem um pouco claro o que era preciso fazer no jogo. Haviam trilhas na floresta, uma caverna, muitos caminhos a percorrer, diversas cabanas, um menu de opções que mais parecia saído de um jogo do estilo “adventure” e, enfim, uma série de elementos que tornavam o jogo pouco linear e bastante complexo. Lembre-se que tudo isso era um problema muito grande no mundo pré-internet (não é como hoje em dia, em que conseguimos tirar dúvidas em cinco minutos pelo Google).

Durante anos, compreendi muito pouco do jogo e nunca conseguir realmente tirar todo o potencial dele. Mas isso foi até ontem. Na véspera desta sexta-feira 13, pela primeira vez, matei Jason e cheguei ao final deste clássico cartuchinho de terror. Quer saber como? Sente-se ao redor da fogueira que eu vou contar tudo o que você precisa saber para escapar com vida do mais temível serial-killer da história do cinema.

Friday_10A coisa funciona assim: você está no camping Crystal Lake e pode controlar seis diferentes “monitores” (adolescentes que cuidam das crianças). O camping abrange um lago, duas pequenas florestas, uma caverna, dez cabanas pequenas de monitores, dez cabanas grandes (não há ninguém nelas) e três cabanas interligadas, de frente para o lago, reservadas exclusivamente para as 15 crianças que estão acampando no Crystal Lake. Tudo seria paz e tranquilidade, se não fosse pelo fato de que este lugar maldito é a moradia do implacável assassino serial Jason Voorhees, que planeja matar não apenas os monitores mas também as crianças. Ou seja, no game do NES ele é ainda pior do que nos filmes, já que no cinema ele não mata crianças, direcionando a sua violência homicida apenas contra adolescentes libidinosos.

Friday_2Para matar Jason de vez, você deverá derrotá-lo três vezes. Embora os gráficos mostrem a passagem do tempo independentemente do seu progresso nas lutas contra Jason, na prática é como se o jogo se passasse ao longo de três dias, sendo que cada dia termina quando você derrota Jason uma vez (esgotando toda a barra de energia dele). Ao fim de cada dia, a barra de energia de todos os monitores que ainda estão vivos será reabastecida. Como o jogo foi lançado depois do quarto filme (“Friday the 13th – The Final Chapter“, de 1984) e usa a mesma imagem do pôster do filme na capa do jogo (e na tela de abertura), imagino que a ideia do game seja reproduzir os passos de Jason desde sua primeira aparição (no segundo filme da série) até a sua “morte final” (pelo menos é assim que foi anunciada na época) no quarto filme. Como as tramas do segundo, terceiro e quarto filme se passam ao longo de três dias consecutivos, me parece que a ideia deste game foi, de certa forma, transportar as ideias destes três filmes para um único game.

Fridaythe13thpart4Mas é claro que não convém forçar demais a barra neste sentido, pois as liberdades criativas do jogo são muitas e variadas. É só ver a quantidade absurda de zumbis saindo do chão o tempo todo. Neste game do NES, o camping Crystal Lake mais parece um cemitério maldito saído do universo de Ghouls and Ghosts do que o acampamento mostrado nos filmes.

Ok, mas chega de falar de filmes e vamos voltar ao jogo. Jason fica andando pelo camping e invadindo cabanas, para matar monitores e crianças. Existem dois jeitos de enfrentá-lo: na rua ou dentro de uma casa. Via de regra, o custo/benefício de lutar com Jason na rua é muito maior, pois você consegue aplicar muito mais dano no inimigo e ainda, quando ele sai correndo da tela, às vezes pode persegui-lo e forçar a luta a continuar. Se você estiver controlando um monitor mais rápido e ágil (como Crissy, Mark ou Laura) e estiver com uma boa arma em mãos, esta é sem dúvida a melhor maneira de derrotar Jason em qualquer ocasião.

Friday_6Todos os monitores começam o jogo armados com pedras. A pedra é a pior arma do jogo e chega a ser difícil explicar em palavras o quanto ela é ruim. Você precisa de três golpes de pedra para matar cada um dos zumbis, que são os inimigos mais repetitivos do jogo e que enchem a tela o tempo inteiro. Para piorar, você precisa estar abaixado para arremessar a pedra, senão ela passa voando por cima dos inimigos. Enfim, acredite em mim: você NÃO QUER a pedra! A primeira coisa a fazer, com qualquer monitor, é providenciar uma faca. Basta sair pelas estradinhas matando zumbis que uma faca logo irá aparecer.

Até onde eu descobri, existem cinco armas no jogo: pedra, faca, machete, machado e tocha. A pedra é a única arma absolutamente inaceitável. Com a faca, já dá pra se virar numa boa. Exceto por um detalhe: na hora de enfrentar Jason. Você até pode travar alguns conflitos com ele usando apenas a faca, mas se você quiser realmente terminar o jogo, é fundamental encontrar o item mais importante da aventura toda: a tocha.

Não sei dizer com certeza, mas aparentemente existem diferentes formas de conseguir a tocha. Eu só aprendi a dominar uma, que acredito ser a mais fácil e que passarei a explicar agora.

Comece o jogo. Escolha um dos personagens mais ágeis (serve qualquer um que não seja os idiotas lentos Paul e George). Saia passeando e matando zumbis. Possivelmente, o primeiro item que você irá ganhar será o isqueiro. Pegue ele, mas ignore. Continue matando zumbis até conseguir os dois itens fundamentais para seguir adiante: uma faca e uma chave. Não fique parado: até onde percebi, a chave aparece quando você passa por certos lugares. Outro detalhe importante: use o botão START do joystick com frequência para saber em qual direção você está indo. Às vezes, a direita do mapa é a direita que aparece na tela. Em outros pontos do mapa, é o contrário. É confuso, pode ter certeza. Frequentemente, você vai querer ir para um lado e depois vai se dar conta de que foi pra direção contrária.

Quando conseguir a faca e a chave, vá para a cabana grande na frente da floresta (a que está marcada no mapa aí embaixo). Entre nela e explore o interior da cabana. Você irá reparar que a jogabilidade nestes cenários é meio ruim, pois o interior das casas é sempre igual e não dá para saber exatamente o quanto se andou por dentro dos aposentos. De qualquer forma, dentro da casa você irá encontrar um pedaço de papel no chão. Use o botão “select” para acessar o menu e escolha a opção “take” para ler o papel. A mensagem dirá: “Vá para a floresta”.

Friday_3Siga para a trilha da floresta, à direita (no mapa) da casa em que você estava. Quando entrar na floresta, caminhe para a direita, vire para cima na primeira oportunidade e depois vá para cima de novo. Você chegará numa cabana perdida no meio da floresta. Ela está trancada, mas se você tiver a chave isso não será problema. Entre na cabana e explore o interior dela, como fez na outra casa. Você encontrará outra mensagem no chão. Use a opção “take” novamente. A mensagem diz: “O que causa mais dano em Jason é o fogo”.

Agora saia da floresta (para baixo duas vezes, direita, para baixo, direita e para baixo de novo) e você estará na estradinha próxima ao lago de novo. Volte para a cabana marcada no mapa, aquela da primeira mensagem. Explore ela de novo. O que você encontra lá agora? Yes: a TOCHA, baby! 😀

Atenção para o seguinte: jamais deixe morrer o personagem que carrega a tocha. Se o personagem em questão estiver com pouca energia, encontre outro monitor em uma das cabanas, acesse o menu e use a opção “PASS” para passar a tocha para outro monitor. Depois, use “CHANGE” para passar a controlar o monitor para o qual você passou a tocha.

Friday_7Como saber onde Jason está? Quando ele estiver atacando em uma das cabanas, um alarme irritante começará a tocar ininterruptamente e a casa em que ele está começará a piscar. Você pode caminhar até lá com o seu personagem ou entrar numa cabana pequena, apertar “START” e selecionar o monitor que está na cabana atacada, para que ele mesmo encare Jason na porrada. No entanto, quando Jason está na rua, você só irá encontrá-lo por acaso (embora seja possível “arrastar” ele para fora da casa, conforme veremos).

Lutar contra Jason é difícil? Depende! No primeiro dia, basta um pouco de prática para dominar o jeito de vencê-lo nas lutas dentro das casas. Aperte para baixo no joystick junto com a diagonal direita ou esquerda para desviar dos golpes dele. Depois de pegar o timing, fica fácil. No primeiro dia, dá pra matar Jason só nas lutas dentro das casas (de preferência, usando a tocha sempre que possível).

Friday_5A partir do segundo dia, Jason fica mais rápido e a minha sugestão é enfrentá-lo dentro das casas apenas quando absolutamente necessário (por exemplo, quando o cretino atacar as cabanas das crianças, lá na beira do lago). Sempre que possível, arraste Jason para a rua. É fácil: cuide para que cada cabana pequena não tenha mais do que um monitor nela. Quando Jason atacar naquela cabana, selecione o monitor da respectiva cabana. Mas, ao invés de sair procurando Jason dentro da casa, dê a volta, saia pela porta e dê no pé! Jason estará esperando você na rua. Se você estiver armado pelo menos com uma faca e o seu personagem for rápido, é possível prolongar o combate perseguindo Jason, causando muito mais dano ao inimigo do que seria possível na luta dentro das casas.

Friday_11No terceiro dia, só enfrente Jason dentro das cabanas se realmente não houver outra opção. Se várias crianças ainda estiverem vivas, é preferível deixar Jason matar algumas do que sacrificar o seu jogo inteiro lutando contra ele entre quatro paredes (lembre-se: você só precisa de um monitor e de uma criança sobrevivente para matar Jason e vencer o jogo). Os ataques do inimigo dentro das casas, no terceiro dia, se tornam extremamente rápidos e imprevisíveis, tornando as vitórias quase impossíveis. Em compensação, na rua, Jason continua sendo tão babaca quanto nos dois primeiros dias. Se você estiver armado com a tocha, cruzar com ele na rua e conseguir persegui-lo, é possível matá-lo desse jeito em um minuto.

Friday_9Tá certo que eu matei o assassino mascarado, mas isso não quer dizer que eu tenha dominado todas as manhas do jogo. Ainda não entendi para que servem as casas grandes (sem monitores). Também não entendi qual é o padrão de movimentação de Jason (algumas fontes na internet dizem que ele sempre anda pelo mapa inteiro em sentido anti-horário, mas eu não consegui comprovar isso). Da mesma forma, também não entendi ainda qual é a moral de usar os isqueiros para acender as lareiras. Presumo que, se você acender todas as lareiras em todas as cabanas, você ganhará uma tocha (vai ver que é pra isso que servem as cabanas grandes). Mas, como eu já expliquei, existe um jeito muito mais simples e rápido de conseguir a tocha.

E quanto à caverna? Bem, explorar o lugar é opcional. Mas tem uma coisa muito legal lá: a cabeça decepada da mãe de Jason, que volta à vida e ataca o seu personagem! Além de dar um toque muito sinistro ao jogo, derrotar esta inimiga opcional rende ao jogador um item bônus: o velho suéter da mãe de Jason, que diminui o dano dos ataques sofridos pelo seu personagem. Mas, como eu disse, trata-se de uma verdadeira side quest. Eu, por exemplo, terminei o jogo sem entrar nas cavernas.

Friday_8Agora que conheço o Sexta-Feira 13 do Nintendo 8-bits melhor do que nunca, posso dizer com certeza: é um jogo muito legal e muito interessante. Ele foi injustiçado por muito tempo, em virtude do seu elevado teor de frustração. Mas o jogo era frustrante por pura falta de informação dos jogadores, e não em virtude de jogabilidade ruim. Minha opinião pessoal é de que este jogo é excessivamente criticado por gente que nunca tentou realmente entender como ele funciona. De forma alguma ele merece as muitas críticas recebidas na época e que eventualmente permanecem até hoje. Não me entendam mal, o game tem seus defeitos, sendo que o principal deles é a sua completa incapacidade de conseguir explicar para o jogador como é que o game funciona. Faltou acabamento. Mas, no geral, os méritos são muito maiores. O game conseguiu a proeza de traduzir perfeitamente o clima e a atmosfera dos filmes para um cartucho de 8-bits. A trilha sonora do jogo e os momentos de susto com as aparições de Jason representam alguns dos melhores momentos de horror da era 8-bits.

Era realmente difícil criar games assustadores com a tecnologia daquela época, mas o Friday the 13th do NES faz um excelente trabalho neste sentido. Tudo isso, somado ao fato de que o único concorrente é o jogo de mesmo nome lançado para o Commodore 64, faz com que este seja indiscutivelmente o melhor game baseado em Sexta-Feira 13 já lançado até hoje. Não é à toa que aqui estamos, 26 anos depois, ainda jogando este mesmo game para comemorar a sexta-feira 13. E agora você também já sabe o que precisa fazer para chegar ao final!

NECAContestUma curiosidade: em 2013, uma empresa chamada NECA lançou um boneco colecionável de Jason com o visual que ele tinha no game do NES! Sim, roxo e azul! A caixa ainda vem com uma imagem do jogo mostrando a clássica tela que era exibida quando o jogador era derrotado: “você e seus amigos estão mortos”. Fala sério, um sonho de consumo para qualquer colecionador! 😀

10960066_1605703949664023_1514679406209891651_o(Um pequeno registro da minha televisão no momento da glória. Olha o Jason de bunda no chão ali!)

ROBOCOP 3 (1993, NES)

Em poucos dias, vai estrear no Brasil o novo Robocop de José Padilha, remake do clássico filme de 1987 dirigido por Paul Verhoeven. Para celebrar a ocasião, é claro que não poderíamos deixar de relembrar alguns velhos games legais do Robocop, certo?

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Bem, o problema é encontrar algum bom jogo antigo com o personagem que já não tenha sido resenhado aqui no Cemetery Games …   🙂

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Com o sucesso do filme original de 1987, Robocop ganhou um bom jogo de arcade pelas mãos da Data East. Era um game competente, mas pouco memorável. O grande jogo do Robocop dos anos 1980, sem dúvida, é a sensacional versão lançada pela Ocean para o microcomputador ZX Spectrum, já analisada aqui no blog. O Robocop do Spectrum marcou época e ainda hoje é lembrado como um dos grandes games da história dos microcomputadores de 8-bits.

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No entanto, o ZX Spectrum era um microcomputador particularmente popular no Reino Unido, com relativa pouca penetração fora dali (embora tenha feito sucesso em vários outros mercados, incluindo o Brasil). Provavelmente, o game do Robocop mais lembrado daqueles tempos seja a versão do Nintendo 8-bits (NES). Nada mais natural, considerando que o NES era o videogame mais popular de sua época praticamente em todos os lugares do mundo. O Robocop do NES também já foi analisado aqui no Cemetery Games.

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O problema é que, depois dos bons games baseados no primeiro filme, as aparições posteriores de Robocop nos videogames decaíram bastante em termos de qualidade. A Ocean bem que tentou fazer um game à altura do festejado game original, mas o Robocop 2 do Spectrum não tinha nada de especial. Apesar de festejado pela mídia especializada da época (a revista Crash, especializada em Spectrum, deu nota 9.3 para o jogo!), o tempo acabou demonstrando que o game não era nada memorável.

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O Robocop 2 do NES também não teve melhor sorte. Com uma jogabilidade vacilante, design de fases pobre e absolutamente nenhuma atmosfera do filme no qual se baseava, o jogo ficava léguas de distância atrás do primeiro Robocop do NES, um ótimo jogo de ação/aventura que capturava com sucesso a dinâmica do filme original.

O segundo filme era bem inferior ao primeiro, mas o terceiro filme, lançado em 1993, era simplesmente ruim demais e arruinou a cinessérie para todo o sempre. Isso não impediu, é claro, que diversos games baseados no filme fossem lançados para as mais diversas plataformas.

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O Super Nes teve, pela primeira vez, um game baseado em um filme do Robocop. O Robocop 3 do Super Nes foi lançado pela Ocean. Apesar da boa apresentação audiovisual, era um jogo medíocre, monótono e excessivamente difícil, rapidamente esquecido pela crítica e pelo público. Algum tempo depois, a Flying Edge adaptou essa versão de Robocop 3 para os consoles da Sega da época – Mega Drive, Master System e Game Gear. Assim como o Super Nes, todos eles estavam recebedo um game baseado em filme do Robocop pela primeira vez.

Robocop 3_Super Nes
A versão de Robocop 3 do Mega Drive é um pouco inferior a do Super Nes em termos de gráficos e sons, mas a jogabilidade melhorou um pouco e o jogo no geral é mais legal e decentemente aproveitável do que o do Super Nes, embora igualmente pouco memorável. As versões para Master System e Game Gear, por sua vez, são fac-símiles tecnicamente simplificados do game do Mega Drive.

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O Robocop 3 do Spectrum conseguia ser ainda mais sem graça do que o Robocop 2 do mesmo sistema, além de ser de longe o mais curto de todos os três games lançados para o Spectrum, denunciando se tratar de um produto feito de forma apressada para capitalizar em cima do lançamento do filme. Apesar disso, ele apresentava animação e gráficos muito bons para o padrão do Spectrum, e novamente a mídia especializada (as revistas Crash e Your Sinclair, entre outras) deu notas altas para o jogo. O fato é que, hoje em dia, os entuasistas do velho Spectrum só lembram do primeiro Robocop (que também foi convertido para o MSX), enquanto que as duas continuações não ganharam nenhum lugar na história e, ao contrário do primeiro game, não costumam aparecer nas listas de melhores games de Spectrum.

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Mas, no meio desse monte de games dispensáveis e esquecíveis do Robocop, existe um que fez menos sucesso do que deveria, que é simplesmente excelente e que precisa ser conhecido por qualquer saudosista dos velhos games de 8-bits: o Robocop 3 do NES!

Curiosamente, o Robocop 3 do NES foi desenvolvido pela Digital Image e pela Probe, as mesmas criadoras da sofrível versão do Spectrum. Mas, embora algumas fases guardem alguma semelhança com o jogo do micro britânico, a versão do NES é bem diferente e incomparavelmente superior. Igualmente feliz é o fato de que a versão do NES não tem nada a ver com aquele jogo aborrecido e monótono da Flying Edge. O Robocop 3 do NES é ação/aventura de 8-bits no seu melhor, com ótimos gráficos e excelente jogabilidade, trazendo de volta aquele feeling legal do primeiro Robocop do NES e do Spectrum.

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De cara, a primeira coisa que chama a atenção é que o design de fases voltou a se preocupar com a criação de um ambiente urbano violento e intimidador, capaz de reproduzir no game a atmosfera dos filmes do Robocop. É uma coisa que havia se perdido por completo nas adaptações para videogame de Robocop 2, que apostaram em ambientes fechados e cenários genéricos e sem graça. De imediato, também, chama a atenção o visual do personagem (muito melhor desenhado do que no Robocop 2 do NES) e a movimentação precisa do personagem. É um grande avanço em relação ao Robocop 2 do NES, no qual o personagem derrapava e escorregava mais do que caminhava. Naquele game, o jogador tinha a sensação de estar controlando um Robocop com cascas de banana amarradas nos pés …

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Claro, nem tudo são flores. O game é bem difícil (embora a dificuldade seja até razoável para os padrões cruéis dos jogos do velho NES). O jogador conta apenas com uma única vida e três “continues”. Embora o jogo comece razoavelmente fácil, é preciso um bocado de treino para ir além da segunda ou da terceira fase. Outra coisa chata é que, para acertar os inimigos que estão em níveis superiores, Robocop só consegue atirar na diagonal, e não reto para cima. Apesar de a jogabilidade ser ótima no geral, esse é um detalhe que poderia ter sido melhorado. De resto, o Robocop 3 do NES é uma combinação de ótimos gráficos, boa trilha e efeitos sonoros, fases legais, jogabilidade fluída e muita ação.

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Com tantas qualidades, é de se perguntar: por que esse Robocop 3 do NES não fez mais sucesso e não é lembrado com mais frequência pelos retrogamers? É fácil de entender os motivos. Robocop 3 é um game que surge muito tarde na vida útil do NES. Em 1993, o Super Nes já estava bem estabelecido comercialmente e o NES era um console ultrapassado, que não despertava mais interesse da mídia especializada e cujos lançamentos já se tornavam cada vez mais escassos. Além disso, não ajudou o game o fato de ele ser associado com um filme universalmente espinafrado pela crítica e pelo público. Desde os primórdios da história dos videogames, é comum vermos grandes filmes que são adaptados para videogame por meio de jogos medíocres, lançados apenas para gerar dinheiro em cima da popularidade do filme. O Robocop 3 do NES é uma honrosa e raríssima inversão da regra: um excelente game baseado em um filme péssimo.

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De qualquer forma, o Cemetery Games está aqui para reparar esta injustiça! Retrogamers fãs do bom e velho Robocop não precisam procurar mais: o Robocop 3 do NES é uma divertida e excelente forma de entrar no clima para a chegada do novo remake dirigido por José Padilha. “Vivo ou morto, você vem comigo“, caro retrogamer! 🙂

Ah, e não deixe de conferir nossas análises de Robocop (Spectrum e MSX) e do primeiro Robocop do NES!

DIE HARD (1991, NES)

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Fala sério, pessoal: dessa vez, vocês acharam que o Cemetery Games tinha ido para a cova de vez, não é mesmo? Ficamos nada menos do que nove meses (!) sem nenhuma atualização. Complicado, né? Vida de adulto não é fácil!

Mas, mesmo com os muitos compromissos da vida prática cotidiana, o Caveira que vos fala segue firme no Cemetery Games, que é osso duro de roer e … DURO DE MATAR! E, falando em Duro de Matar, é quase Natal! E de que maneira melhor poderíamos comemorar o Natal por aqui senão analisando a adaptação para videogame de um dos filmes natalinos mais divertidos dos anos 80?

Para quem eventualmente passou as últimas três décadas congelado ou vivendo numa caverna em Marte, vale lembrar que Duro de Matar (Die Hard, no original) é um filme de 1988 estrelado por Bruce Willis. Na trama, ele interpreta o policial John McClane, que vai para Los Angeles para passar o Natal com a esposa e com os filhos. Tudo corre com certa tranquilidade enquanto ambos estão numa festa de Natal no luxuoso prédio Nakatomi Plaza, quando subitamente a festa é interrompida por uma dúzia de terroristas armados até os dentes … e só McClane poderá frustrar os terríveis planos do grupo criminoso.

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Peraí … eu disse “uma dúzia” de terroristas? Hmmmm, receio ter más notícias para você, caro amigo retrogamer. É o seguinte: a dúzia de bandidos do filme foi magicamente transformada em nada menos do que 40 (é, eu disse QUARENTA!) terroristas no game. Sabe Ali-Babá e os quarenta …? Ok, ok, você entendeu. É, QUARENTA terroristas! Com metralhadoras. Sim, o jogo é difícil sim.

Nunca vou me esquecer da primeira vez em que ouvi falar do Die Hard do NES! Foi em 1991, quando eu tinha uns dez anos de idade, lendo a edição nº 6 da saudosa revista Ação Games. De repente, uma matéria dentro da revista anuncia o seguinte:

Quem se amarrou no filme Duro de Matar, com Bruce Willis, vai gostar de saber que esta superaventura terá em breve uma versão para videogame. Título para Nintendo 8 bits, Die Hard está sendo desenvolvido pela Activision com o uso de recursos de inteligência artificial – uma sofisticada linguagem de programação que faz os personagens do game ficarem mais espertos. Com ela, os inimigos reagem conforme as atitudes do jogador e complicam muito a sua vida. Vamos esperar seu lançamento nos States para conferir se este game é duro de matar mesmo.

E eu pensei “Uau, inteligência artificial, esse jogo vai ser o máximo!”.

Não se empolgue demais, fiel leitor. O Die Hard do NES está longe de ser um game excepcional. Na verdade, muita gente acha o game uma tremenda de uma porcaria. O jogo tem lá os seus defeitos, mas acho que ele é interessante e merece ser conferido – especialmente por retrogamers que sejam fãs do clássico filme oitentista!

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A velha Ação Games pode ter exagerado um pouco no alarde, mas a história da “inteligência artificial” tem lá um fundo de verdade. Os inimigos no game são bem ágeis e dão bastante trabalho, e realmente se mostram mais “espertos” do que o normal em jogos da época. Frequentemente, os terroristas aparecem do nada atirando e ficam em movimento, fugindo de seus tiros e se escondendo pela fase. Para os padrões atuais, sem dúvida é muito pouco para alguém pensar em chamar isso de “inteligência artificial”. Mas, para os padrões dos “bad guys” de jogos do velho Nintendo 8-bits, os terroristas de Die Hard realmente davam bastante trabalho.

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O visual do jogo é mediano. Por um lado, o game tentou capturar diversos elementos visuais do filme, inclusive alguns detalhes de decoração em alguns andares e algumas sutilezes incomuns em games da época (se você atirar nas janelas internas, por exemplo, o chão ficará coberto de cacos de vidro e machucará o herói se você caminhar por cima dos cacos). Por outro lado, os gráficos são bem medíocres para um game de NES lançado em 1991. A animação do protagonista é particularmente horrenda, sendo que McClane mais parece um pirata com uma única perna de pau, mancando desajeitadamente enquanto caminha. As telas com textos, que vão aparecendo ao longo do jogo, reproduzem com razoável competência a feição dos atores do filme. Mas não chega a ser nada capaz de salvar o visual sem graça do game.

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Um dos motivos pelos quais boa parte dos jogadores das antigas não gosta desse game é porque ele é um daqueles jogos do tipo “e agora, que diabos que devo fazer e para onde raios devo ir?”. O jogo não é linear e dá poucas pistas sobre o que você deve fazer. É quase como ele se fosse uma mistura de jogo de ação com adventure. O problema é que o lance de explorar os andares do prédio e descobrir o que fazer se torna particularmente estressante quando, a qualquer momento, hordas de terroristas maníacos podem aparecer do nada descarregando suas metralhadores na direção da sua fuça!

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Basicamente, o objetivo é matar todas as quatro dezenas de bandidos e impedir que eles consigam abrir as trancas do cofre que guarda uma fortuna de milhões de dólares dentro do prédio (para quem não lembra do filme, este é o motivo pelo qual os malfeitores estão ali). Uma das coisas que eu aprendi me aventurando pelo game é que, no topo do prédio, você pode encontrar um mapa do 5º andar – onde há um computador que, se destruído, atrapalha os planos dos terroristas de abrir as trancas automáticas do tal cofre. Lá no telhado, dá pra encontrar também um míssil.

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O jogador conta com apenas uma vida. Felizmente, a barra de energia não é tão pequena assim, e pode ser reabastecida com o consumo de … latinhas de Coca-Cola! Se você achou isso uma excentricidade, espere até saber que, na verdade, neste jogo McClane tem DUAS barras de energia: uma para sua saúde “em geral”, e outra para … seus pés! Sim, se a energia dos seus pés (!!!) ficar muito baixa, o herói começará a andar bem devagar. Felizmente, assim como a energia “geral” pode ser aumentada com as latinhas de Coca, a energia dos pés de McClane pode ser recuperada com os kits de primeiros-socorros encontrados pelos diferentes andares. Quem viu o filme vai entender que os produtores do jogo tentaram ser fieis ao filme com essa história dos “pés machucados” … mas que ficou meio bizarro, ficou.

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Um game de ação/aventura que se passa dentro de um arranha-céu com 35 andares enormes pode dar a falsa ideia de que o game é imenso e muito longo, mas não se engane. No modo de jogo normal, apenas os andares de 31 a 35 são acessíveis (exceto por incursões em andares específicos, como é o caso do quinto andar). Na verdade, se você sabe direito o que fazer, Die Hard é um jogo que pode ser terminado em vinte ou trinta minutos.

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Conclusão: Die Hard está longe de ser um dos games de ação mais memoráveis do NES. O visual é pouco estimulante e o jogo no geral é frustrante. Apesar disso, é louvável a intenção da Activision de criar um game que traduzisse tantos elementos do filme quanto fosse possível. Ao invés de produzir um tiroteio genérico e colocar o nome do filme, os caras da Activision fizeram o melhor possível para converter a aventura de McClane do cinema para um game de 8-bits – e, nesse aspecto, o Die Hard do Nes ficou muito interessante para os fãs do filme, que acabam se divertindo com as diversas referências: tem McClane com os pés descalços pisando em cacos de vidro, se arrastando por dutos de ventilação, ouvindo as conversas dos terroristas pelo rádio, subindo e descendo pelos andares pelo elevador e pelas escadas, trocando chumbo com uma infinidade de terroristas, etc.

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Die Hard não é ação videogâmica de 8-bits da melhor qualidade, como o clássico Contra, mas é uma bela opção para um Natal retrogamer. Se você é fã do filme, precisa conhecer – isto é, se você tiver coragem de encarar quarenta terroristas dotados de uma “inteligência artificial” meio duvidosa (estou fazendo piada aqui, mas o pior é que os desgraçados dão um trabalho danado mesmo!).

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Um Feliz Natal, amigos retrogamers … e “Yippee-ki-yay, motherfucker“!!!

Die_Hard_09Carnificina videogâmica de 8-bits … nada mau para um cara velho, hein?