TOP 20 DO GAME BOY ADVANCE – Parte 2

TMNT (2007)

Um dos últimos grandes títulos lançados para o Game Boy Advance, TMNT é seguramente o melhor game das Tartarugas Ninja desde o clássico Turtles in Time de 1991. O jogo é puro beat’em up 2D no melhor estilo terceira/quarta geração, e é muito melhor do que os games de mesmo nome lançados para outras plataformas (Xbox 360, Playstation 3, Wii, PC, PSP e Nintendo DS). Sim, a versão GBA foi de longe a mais aclamada dentre todas essas, e merecidamente. Uma dica: não confunda esse game (chamado simplesmente de TMNT) com o jogo Teenage Mutant Ninja Turtles, lançado em 2002 para o GBA. Embora aquele também seja interessante e mereça uma conferida, TMNT é incomparavelmente mais legal.

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METROID – ZERO MISSION (2004)

Imagine um remake do clássico Metroid original, lançado em 1986 para o Nintendo 8-bits. Imagine esse remake com gráficos incomparavelmente superiores, jogabilidade mais amigável, uma história melhor contada e com ambientes novos. Agora imagine isso num portátil! Gosto da série Metroid, mas nunca tive paciência pra encarar o envelhecido game do NES. Mas o trabalho que fizeram com esse remake foi tão genial que, quando ele me caiu em mãos, só consegui parar de jogar quando terminei o game. Metroid – Zero Mission é, por si só, motivo suficiente para se comprar um Game Boy Advance.

O combate com Mother Brain no NES (esquerda) e no remake do GBA (direita). Melhora “razoável”, hein?

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SUPER STREET FIGHTER II TURBO REVIVAL (2001)

O Game Boy Advance tinha a fama ser uma espécie de “Super Nes turbinado de bolso”. Mas às vezes o console se superava. Esse remake de Super Street Fighter II era tecnicamente equivalente ao original dos arcades, algo impressionante para um portátil em 2001. O visual do game é impressionante, bem como o framerate. Além disso, todo o conteúdo original está lá – lutadores, cenários, etc. O esquema do controle foi adaptado para os quatro botões do GBA, mas a jogabilidade saiu intacta. Possivelmente, apesar dos emuladores que existem para PSP e Dingoo, este game ainda hoje representa a melhor e mais fiel forma de se jogar Street Fighter II num portátil.

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SUPER MARIO ADVANCE 2 – SUPER MARIO WORLD (2002)

Um dos títulos disponíveis para o GBA já no lançamento do portátil era Super Mario Advance, um sensacional remake do clássico Super Mario Bros 2 do NES. O game agradou geral, mas a Nintendo tinha reservado o melhor para depois. A continuação das aventuras do bigodudo italiano no GBA era nada mais nada menos do que um maravilhoso remake portátil de Super Mario World, lançado originalmente em 1990 para o Super Nes. Super Mario World num portátil, o que pode ser melhor?!?!?

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ADVANCE WARS 2 – BLACK HOLE RISING (2003)

O primeiro game já era legal, mas esse aqui leva adiante essa fórmula absolutamente viciante de combate estratégico por turnos. Por trás do visual “bonitinho” e dos personagens cartunizados, Advance Wars 2 é um excelente game de estratégia, perfeito para um portátil e que se torna impossível de deixar de lado depois de algum tempo. Alguns podem reclamar que ele se parece demais com o primeiro game, mas eu ainda acho que, se é pra escolher entre um dos dois, é melhor ficar com este.

TOP 20 DO GAME BOY ADVANCE – Parte 1

Entre 2004 e 2008, fui o feliz proprietário de um Game Boy Advance. Não que eu tenha vendido-o depois disso, mas na prática aposentei o bichinho depois que comprei o PSP e o Nintendo DS, os dois videogames portáteis que atualmente dominam a cena. Mas até hoje considero o GBA o mais divertido e impressionante portátil que já tive, e então resolvi fazer uma pequena homenagem àqueles que considero os melhores games da biblioteca do console, apesar de a plataforma ser relativamente recente (o GBA foi lançado em 2001) na comparação com as velharias que normalmente relembramos aqui no Cemetery Games.

Essa lista não leva em consideração sucesso comercial ou respaldo da crítica, nem se preocupa em divisões por gêneros e estilos, e tampouco está estruturada em qualquer tipo de ordem “do pior para o melhor” ou vice-versa. São simplesmente os 20 jogos do Game Boy Advance que foram mais marcantes, divertidos e impressionantes na minha experiência pessoal – e que, para mim, justificaram plenamente a compra do console. Vamos à lista:

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TONY HAWK’S PRO SKATER 2 (2001)

Foi provavelmente o primeiro título do GBA que joguei, e o primeiro que me conquistou. Claro, era bem mais simples do que a famosa versão do Playstation, mas era uma adaptação sensacional que capturava o espírito do game original com fidelidade.  A transposição dos gráficos 3D para o visual isométrico funcionou muito bem. No começo, eu era um “pereba”, mas joguei tanto esse game que, quando comecei a deixá-lo de lado, eu já era um mestre na arte de fazer manobras radicais comparável ao próprio Tony Hawk. Claro que Hawk é bom nisso na vida real, enquanto que eu só consegui andar de skate na tela do GBA, mas isso é mero detalhe.

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STAR WARS EPISODE III – REVENGE OF THE SITH (2005)

Vários games legais foram lançados com base neste último filme da “trilogia prequel” de Star Wars. Lembro que a versão do Playstation 2 era bem divertida. Mas essa adaptação para o GBA se destacava pelos gráficos bonitos e pelo visual “desenho animado”, que lhe dava uma personalidade única. Além do visual caprichado, o game era divertido, tinha boa jogabilidade e seguia o roteiro do filme de maneira fidedigna. É ação/aventura plataforma 2D no seu melhor.

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CASTLEVANIA – ARIA OF SORROW (2003)

Durante os anos de ouro do Game Boy Advance, não houve nenhum console em que a franquia Castlevania tenha rendido frutos tão bons quanto no portátil da Nintendo. Enquanto que a série padecia nos consoles “grandes” com games de qualidade questionável, no GBA a série já chegou arrebentando com o aclamado Circle of the Moon, agradou geral com o ótimo Harmony of Dissonance e então atingiu o seu ápice absoluto com o terceiro e último Castlevania do GBA, este excepcional Aria of Sorrow. Dificuldade descabelante, gráficos excelentes, muita atmosfera, chefões monstruosos e épicos, um bom roteiro … mal dá pra acreditar que isso tudo se apresentava na forma de um joguinho portátil. Todos os três jogos da série lançados pro GBA são muito bons, mas esse aqui é claramente o melhor. Imperdível.

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GUNSTAR SUPER HEROES (2005)

Gunstar Heroes (1993) é lembrado até hoje como um dos melhores jogos de ação do saudoso Mega Drive, e durante anos os fãs do game choraram e rezaram por uma continuação. Bom, em 2005 finalmente as preces foram atendidas e a continuação do clássico foi lançada para o GBA. O resultado é um dos melhores games de ação 2D da década e um dos melhores games entre todos lançados para o console. Pra quem gosta de ação “old school” e tiroteio insano, esse jogo é uma verdadeira festa!

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DOUBLE DRAGON ADVANCE (2003)

Lembrado eternamente como o game que consolidou o sucesso dos games do estilo beat’em up nos anos 80, Double Dragon teve versões para tudo o que é máquina de rodar jogo: NES, Master System, Game Boy clássico, Mega Drive, etc. Bem, esqueça todas elas. Nem o original dos arcades é comparável com esse Double Dragon Advance, que é simplesmente a melhor versão de Double Dragon já feita até hoje – sim, melhor até que no arcade! Os gráficos e a jogabilidade estão mais caprichados do que nunca, e ainda tem o divertidíssimo modo de jogo 2 players, conectando dois GBAs. Como se não bastasse, ainda tem golpes novos e quatro fases inéditas. Esse game é uma aula sobre como fazer um remake de forma competente, e uma diversão imperdível para os fãs de velhos beat’em ups.

CONTINUA …

Diário de Bordo – FINAL FANTASY I (Parte 4)

Como vocês irão lembrar, o último Diário de Bordo terminou com o meu grupo de heróis chegando numa nova cidade chamada Pravoka. Lembram que eu mal tinha chegado lá e um cidadão tinha me pedido para salvá-los de alguma coisa? Pois bem, o problema que assola a cidade são PIRATAS! Uma rápida excursão pelo lugar me leva a encontrar o grupo de meliantes num canto da cidade, e logo a tchurma parte pro pau!

“Beat it, beat it … no one wants to be defeaaaaated ….”

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No começo, fiquei intimado com a grande quantidade de piratas (na tela de conversação, são apenas três, que viram NOVE na hora da luta). Mas transformei todos eles em carne moída com facilidade. Todo borrado, o líder dos piratas pede aos heróis para poupá-lo, e oferece em troca de nossa “piedade” um belo presente: o seu navio.

YEAH, agora eu tenho um NAVIO PIRATA!!! Urrú! CERTO que vou fazer o maior sucesso com a mulherada! Tipo, quem é que resiste a uma cantada do tipo “quer dar uma volta no meu navio pirata“?

Aproveito a ocasião para ter o meu saco puxado por alguns aldeões, para comprar umas armas, poções e armaduras novas e para puxar um ronco na pousada. Como a grana estava curta, dei umas voltas pelas redondezas da cidade e briguei com alguns goblins e outros peixes-pequenos das redondezas. E então entrei no meu novo barco, zarpando pelos mares.

“Sem ar-condicionado, sem TV a cabo, sem frigobar, sem internet wireless e sem quartos individuais. Caramba, mas que ESPELUNCA!”

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Bem … para onde ir? Um sujeito na cidade me falou que para o norte não havia nenhum porto. Um velho maluco me falou que tinha vindo de uma cidade sei lá aonde, e outro murrinha me disse que havia uma cidade de elfos do outro lado do oceano. Na dúvida, toquei pro sul. Em alto-mar, briguei com uns bucaneiros e com um tubarão (!?) até que localizei um porto. Logo ao sul, uma cidade. E vejam só: o lugar se chama Elfheim, provavelmente a tal cidade dos elfos do qual tinham me falado em Pravoka!

E o que vai me aparecer pela frente agora? Aguardem a quinta parte do Diário de Bordo pra saber!

“Ahhhhhh, Meu Deus, olha lá, é o LINK!!!! Ahhhhhh Link eu sou seu fã, me dá um autógrafo!!!”

BATMAN – THE MOVIE (1989, Spectrum e MSX)

Fui o feliz proprietário de um microcomputador Expert da Gradiente (compatível com o padrão MSX) entre os anos de 1992 e 1995, e durante esse período um dos meus games favoritos era uma conversão de um clássico absoluto de outro micro, o ZX Spectrum. Esse game era BATMAN – THE MOVIE.

O pessoal mais novo (que conhece Batman nos cinemas por meio de BATMAN BEGINS e THE DARK NIGHT) não faz ideia de como o filme BATMAN de 1989 foi impactante e arrasa-quarteirão. Dirigido pelo genial Tim Burton, esse foi o filme que deu ao célebre herói a roupagem dark, gótica e séria que nenhum filme ou série de TV havia lhe dado antes, trazendo para o cinema a revolução estética que os quadrinhos de Batman sofreram nos anos 80. O filme deixou de lado as roupas coloridas, o Robin e o tom humorístico e pastelão da famosa série de TV dos anos 60, e trouxe à tona um Batman sombrio como nunca antes visto, aliado a um Coringa psicopata e insano, magistralmente interpretado por Jack Nicholson. E eu vi essa maravilha no cinema, lá com meus oito anos de idade. Doce memória da infância!


Todo mundo conhece o tradicional chavão de que games baseados em filmes tendem a ser porcarias feitas às pressas para capitalizar em cima da respectiva película. Mas nos anos 80 existia uma softhouse chamada OCEAN, que se notabilizou por lançar ótimos games baseados em filmes. O ponto alto da Ocean nos microcomputadores oitentistas foi o maravilhoso ROBOCOP do Spectrum, que vocês já conhecem de cabo a rabo porque foi inteiramente destrinchado aqui no Cemetery Games, lembram? Mas a lista da Ocean vai longe, incluindo o festejado The Untouchables (Os Intocáveis), The Addams Family, Cobra, Rambo, Hook, Short Circuit, Darkman, Jurassic Park e outros. Mas, depois de Robocop, provavelmente o mais memorável “movie game” da Ocean tenha sido BATMAN – THE MOVIE.

O que Batman – The Movie tinha de especial? Bem, basicamente aquelas mesmas qualidades que transformaram Robocop num clássico do Spectrum: gráficos monocromáticos, porém muito bem desenhados; boa jogabilidade; fases diversificadas com inspiração direta no roteiro/andamento do filme; uma tela de abertura que fazia a gente ter orgulho do próprio computador; personagens grandes e  grande fidelidade ao espírito do filme.

As publicações da época “piraram na batata” com o game. A revista Crash deu nota 9.3 para o jogo, enquanto que a revista Your Sinclair deu nota 9.1.

A conversão do game para MSX ficou muito fiel ao original do Spectrum, e essencialmente nada mudou. O único detalhe é que a versão MSX, assim como a versão do Spectrum que tinha 48k de memória RAM, não tem música. Já a versão para o Spectrum 128k contava com uma trilha sonora bem feita durante todo o game. A Ocean lançou versões de Batman – The Movie também para outros microcomputadores da época, como Commodore 64 (igualmente bastante elogiada), Amiga (com fases em 3D e ótimos gráficos, talvez a melhor de todas as versões do jogo) e Atari-ST (aparentemente bem próxima da versão do Amiga). Mas como essas plataformas eram virtualmente inexistentes no Brasil, só fui tomar conhecimento destas versões nos últimos anos, já em plena era da emulação.

Batman – The Movie é curto, contando com apenas cinco fases, sendo que apenas as duas últimas são realmente difíceis (embora a primeira fase exija um bocado de prática para ser vencida com tranquilidade). A primeira fase se passa na fábrica Axis Chemical. Batman precisa enfrentar uma gang de bandidos liderados por Jack Napier. Ao enfrentar o criminoso no final da fase, um batrangue certeiro faz o sujeito cair de cabeça num galão de dejetos químicos, transformando o vilão no Coringa.

A segunda fase reproduz a fuga no Batmóvel pelas ruas de Gotham City. O negócio aqui é acelerar, desviar dos outros automóveis e rapidamente fazer as curvas à esquerda quando sinalizadas pela seta. É relativamente fácil. A fase mostra todo o trajeto do herói, do centro de Gotham até a Batcaverna.

A terceira fase se resume a um rápido puzzle. O Coringa envenenou carregamentos de diversos produtos em Gotham City, e Batman precisa descobrir quais combinações são letais (tipo, xampu com batom e gel). Selecione os itens que aparecem até formar uma trinca, e veja que número eles formam. Quanto mais perto de “3” você chegar, mais próximo estará da resposta do puzzle.


É na quarta fase que as coisas começam a ficar complicadas. Voando na Batnave, nosso herói precisa cortar os balões cheios de gás venenoso do Coringa. Até aí, tudo bem. O problema é quando aparecem os helicópteros do inimigo!

A quinta e derradeira fase é, de longe, a mais difícil do game. Com mecânica semelhante à primeira fase, Batman agora precisa subir toda a enorme catedral de Gotham City, até chegar no topo e atirar o Coringa lá de cima. A fase é bem grande e complexa, e exige um bocado de perseverança para ser vencida.

Concluindo, Batman – The Movie padecia de todas as limitações inerentes ao hardware do Spectrum. Mas era viciante, divertido e estimulante em sua fidelidade ao clima do filme. Mais do que ação rápida e frenética, o jogo demandava exploração, conhecimento das fases e prática. Uma pérola, fruto de um tempo (e de uma saudosa softhouse) que infelizmente não existem mais.