Total Recall (Nes, 1990)

Joguinho lançado em 1990 pela Acclaim e Interplay, baseado no filme de mesmo nome, que chegou aqui no Brasil “traduzido” como O Vingador do Futuro (uma das “traduções” mais aproveitadoras e safadas de que se tem notícia, buscando associar o filme a outro sucesso também estrelado por Arnold “Governador” Schwarzennegger.)

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O game tem um visual legal e algumas fases interessantes, retiradas de momentos do filme, mas no geral é um jogo ruim, MUITO ruim.

Primeiro ponto fraco: a jogabilidade tacanha. Seu personagem soca os inimigos com soquinhos curtos e fracotes, lutando como se fosse um deficiente físico ou mental (ou os dois). É pequena a chance de não apanhar muito até derrubar os MARGINAIS que assediam o jogador.

Segundo ponto fraco: uma série de coisas babacas e sem qualquer relação com o filme acontecem ao longo do jogo . Exemplo: andando pelas ruas na primeira fase, cada vez que você passa por um beco sem pular por ele, inexplicavelmente aparece um MENDIGO BATEDOR DE CARTEIRAS safado que te leva pro beco para brigar! Em pouquíssimo tempo o jogador pega um genuíno NOJO dessa coisa de ser arrastado para os becos de novo e de novo. Pior: você só pode sair de lá depois de detonar dois ou três mendigos. Um verdadeiro pé no saco!

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Mais para frente, o game reserva outros momentos de desafio bizarro, como por exemplo um inimigo que ataca … atirando um chapéu no jogador. Ahnn … O QUE? Você lembra disso no filme? Eu, com certeza, não. Esse cara é pra ser quem, o Michael Jackson?!?

De regra, games baseados em filmes não são grande coisa, e Total Recall não é exceção à regra. Lembro que lá por 1993 eu tinha um amigo que tinha um Nes (mais precisamente, um clone nacional chamado Dynavision III) e ele tinha também este cartucho. Nós jogávamos o game e notávamos que tinha alguma coisa de errado. Na época, a gente pensava que o problema era a dificuldade. Mas não é isso, o jogo é RUIM mesmo.

Passe longe.

Friday the 13th (Nes, 1989)

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Game baseado nos primeiros quatro filmes da clássica série de terror Sexta-Feira 13, mais diretamente em Sexta-Feira 13 Parte 4 – Capítulo Final, pelo que sugere a rápida animação com a faca e a máscara que se vê antes da tela de abertura.

O jogador escolhe, como seu personagem, um membro de um grupo de adolescentes que vai para o camping Crystal Lake tirar férias. Mas, como todo mundo sabe (menos eles), o lugar é vigiado por Jason, o psicopata assassino morto-vivo.

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Apesar de alguns pontos negativos, Friday the 13th é um excelente game de 8-bits, misturando ação-plataforma com adventure em primeira pessoa. É um jogo original, instigante e desafiador, que consegue a façanha de prender o jogador num leve clima de suspense e tensão, mesmo tendo míseros 512 Kbits de memória ( 64 Kbytes ! ). Contribui bastante para este resultado a música de mistério que toca quando se entra nas casas do camping.

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Pontos positivos: as liberdades criativas (o camping é povoado por zumbis e até lobos, a cabeça da mãe de Jason é um dos inimigos do jogo – numa evidente homenagem ao segundo filme da série, etc); o clima de mistério; os cenários; a passagem do dia pra noite no decorrer do jogo.

Pontos negativos: o ataque sem fim dos zumbis; o mapa incrivelmente confuso; a péssima jogabilidade em primeira pessoa dentro das cabanas; a quase inutilidade das pedras como arma.

Com seus prós e contras, dificilmente se poderia fazer, num console de 8-bits, um game sobre Sexta-Feira 13 tão afinado com o clima dos filmes quanto este. Imperdível para fãs de horror e/ou jogos antigos.

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