MARATONA ATARI


E lá vamos nós para mais uma etapa da nossa Maratona Atari! Depois da etapa temática de horror em comemoração ao Halloween, vamos voltar à nossa boa e velha ordem alfabética. Estamos quase chegando no final da letra “B” da biblioteca de jogos do Atari 2600! Vamos ver as surpresas que o pioneiro console nos reserva …

O primeiro game desta etapa é BARNSTORMING, lançado pela Activision em 1982. O objetivo é sobrevoar uma fazenda com um pequeno avião, desviando de cataventos e pássaros e passando com o avião por dentro de dez celeiros no menor espaço de tempo possível. É certamente uma das premissas mais estranhas da história dos videogames, mas o jogo, apesar da simplicidade extrema, é bem divertido. Como era comum nos games da Activision, os gráficos são bastante bons para os padrões do console, e a jogabilidade é ótima. Claro que, apesar disso, o valor de “replay” do jogo é muito baixo, já que a coisa logo perde a graça. Mesmo assim, merece uma conferida, até em virtude de sua bizarrice. Meu melhor tempo foi 37.37 segundos. Alguém aí quer tentar superar essa marca?


BASIC MATH, de 1977, tem a distinção de ter sido um dos nove games lançados junto com o próprio console Atari 2600, quando este videogame surgiu no mercado. Ou seja, é um jogo tão velho quanto o próprio Atari. E realmente o jogo faz jus ao nome, pois ele não poderia ser mais básico. Trata-se de um jogo educativo, que mostra pequenos e incompletos cálculos aritméticos na tela, para que o jogador os resolva. É lógico que, hoje em dia, só vale como curiosidade histórica. Apesar disso, creio que foi uma boa sacada da Atari, que desde o início tentou mostrar aos consumidores que o brinquedinho que estava lançando no mercado também podia servir para finalidades educativas. Aposto que vários fedelhos da época usaram esse cartucho como desculpa para convencer seus pais a lhes darem um Atari 2600 de presente (é claro que essas crianças, depois, jogaram Basic Math no fundo da gaveta e passaram os próximos anos jogando apenas Pitfall, Pac-Man, River Raid e Space Invaders).

BASIC PROGRAMMING, lançado em 1979, não é exatamente um jogo, mas vale à pena dar uma espiadinha rápida nele mesmo assim. Nos final dos anos 70 e ao longo dos anos 80, o Basic era uma das linguagens de programação mais populares do mundo, e versões dele geralmente vinham na memória de quase todos os microcomputadores da época. Esse cartucho nada mais é do que uma versão rudimentar do Basic, para que o jogador pudesse fazer pequenos programas por conta própria.

Olha, vou dizer uma coisa para vocês: eu cheguei a programar em Basic no meu MSX entre 1992 e 1994, mas não consigo nem imaginar como é alguém poderia programar nesse Basic rudimentar do Atari, sem um teclado  apropriado (a interface de programação era feita através do uso de dois joysticks especiais com teclado) e sem um gravador K7 ou drive de disquetes para salvar os programas. E ainda tinha outro problema: os programas eventualmente criados pelo jogador ficavam limitados pela inacreditavelmente baixa memória RAM do Atari, que era de míseros 128 bytes. Leia de novo, eu não disse KBytes, mas sim BYTES! Enfim, apesar de valer como curiosidade, eu me vejo na obrigação de ter severas dúvidas de que alguém tenha conseguido programar algo de minimamente produtivo com esse cartuchinho. Destaque para o impagável humor involuntário da ilustração da caixa do cartucho, mostrando um sujeito que parece estar num laboratório da NASA, ou criando um mundo virtual estilo Tron. Muita pretensão para um Basic empobrecido, no qual imagino que até uma lista de compras de supermercado deveria ser difícil de programar …


BACK TO SCHOOL PACK, de 1979, na realidade não era um jogo, mas sim (como o nome sugere) um pacote, reunindo o Basic Promming (já acompanhado dos dois bizarros joysticks/teclados) e um outro jogo chamado Brain Games, que havia sido lançado originalmente no ano anterior. Brain Games é uma coletânea de jogos de memorização, e também necessita daqueles dois joysticks numéricos “especiais”. Sorte a minha que, graças a isso, “infelizmente” não pude jogá-lo (graças a Deus, pois o troço parece uma bomba).

Não sei de vocês, mas pra mim fica bastante óbvio o que aconteceu aqui: após lançar Basic Programming e Brain Games em 1978, ambos dependentes de um acessório adicional, a Atari evidentemente percebeu a porcaria que tinha colocado no mercado. Para agregar valor a grotescos joysticks com teclados e a dois cartuchos que ninguém em sã consciência iria querer ter por perto, a empresa resolveu enfiar tudo numa enorme embalagem laranja na forma de um pacotão “educativo”, com aquele apelo de “compre isso para seus filhos voltarem inteligentes para as aulas“. Pobres das crianças que ganharam essa PORCARIA de presente!


Depois de tanta coisa esquisita, vamos terminar essa etapa da nossa maratona com um clássico: BATTLEZONE, lançado em 1983, é uma conversão para o Atari 2600 do grande sucesso de mesmo nome lançado originalmente pela Atari (a empresa, não o aparelho!) em 1980 nos arcades. Apesar de ser um belo jogo para os padrões do videogame – principalmente em relação aos gráficos, excelentes para a média do console – essa versão caseira de Battlezone deixava muito a desejar em relação ao original dos arcades, que usava gráficos vetoriais que proporcionavam um visual extremamente futurista para os padrões da época.

Outro detalhe é que o Battlezone dos arcades tinha visão em primeira pessoa, enquanto que a versão do Atari mostrava o tanque de trás. Apesar disso, o visual ficou legal. Como no clássico arcade, o objetivo é – controlando um tanque de guerra – destruir uma série de veículos inimigos em um campo de batalha, incluindo até mesmo naves alienígenas. Vale como curiosidade, mas nem se compara à experiência retrogamer de encarar o original dos arcades, com aqueles gráficos vetoriais monocromáticos que pareciam tão “high-tech” nos anos 80.

Bem, por enquanto é isso, pessoal. Até a próxima etapa da nossa intrépida maratona!

MARATONA ATARI – Especial HALLOWEEN: Games de Terror!


E olha o Halloween chegando de novo! Continuando a tradição RETROWEEN iniciada no ano passado por uma série de retroblogs, o Cemetery Games, ao longo de toda esta semana, irá destrinchar única e exclusivamente GAMES DE TERROR! E o nosso Retroween de 2010 começa agora com uma etapa horrorífica da nossa Maratona Atari. Dessa vez, falaremos sobre os quatros games de terror mais emblemáticos do clássico console. Preparem seus corações para esta forte dose de terror, pois está na hora de caminharmos rumo à escuridão.

O primeiro game dessa etapa “monster freak” da Maratona Atari é HAUNTED HOUSE, um clássico absoluto do Atari. Lançado em 1981 pelas mãos da própria Atari (a empresa, não o videogame), Haunted House foi um dos primeiros jogos de videogame com temática de horror de todos os tempos, e hoje é geralmente aceito como o provável primeiro exemplar do gênero Survival Horror, hoje muito popular graças a séries como Resident Evil, Alone in the Dark e Silent Hill.


Em Haunted House, o jogador assume o papel de um aventureiro que adentra na sinistra mansão assombrada do falecido Zachary Graves, a fim de encontrar um tesouro escondido. Apesar de audacioso para a época em que foi feito, tecnicamente o jogo é precário ao extremo, com gráficos que são muito pobres até para os padrões do Atari 2600. Visualmente, tudo se resume a paredes coloridas e um par de olhos andando no meio da escuridão. Apertando o botão do joystick, o jogador pode acender um fósforo para enxergar ao seu redor (estranhamente, fazendo isso, o corpo do herói não aparece, o que é no mínimo curioso). Basicamente, os problemas a serem evitados são morcegos, aranhas e o próprio fantasma do Sr. Graves.


Joguei Haunted House na pré-adolescência no meu Atari, e o jogo frustrou minhas expectativas, pois era confuso e visualmente aborrecido. Não me entenda mal, é um jogo clássico e pioneiro, mas eu só fui conhecê-lo dez anos depois de lançado, e sem ter um manual (ou poder contar com a ajuda da internet) a experiência era simplesmente tediosa demais. Enfim, o game vale mais pela originalidade e pelos jogos que veio a inspirar do que por outros méritos, e está muito longe daquela qualidade dos jogos que realmente aproveitaram o máximo ao potencial do Atari, como River Raid, Pitfall e Enduro, por exemplo. Uma curiosidade: a Atari acabou de lançar um remake de Haunted House, com gráficos modernos, para Windows, Wii e Xbox 360. Ainda não sei se essa nova versão ficou legal ou não, mas pelo menos serve como homenagem a este pioneiro dos games de horror.


O segundo game da nossa “hora Atari do horror” não poderia ser mais apropriado para comemorar o halloween, já que estamos falando do jogo HALLOWEEN, game lançado em 1983 pela Wizard Video e baseado no clássico filme de mesmo nome. O jogo já foi resenhado aqui no Cemetery Games em março de 2009, mas vale à pena voltar a ele. Embora não seja nenhuma maravilha absoluta, Halloween é, no geral, o melhor game com temática de horror lançado para o Atari. Os gráficos são bastante bons para os padrões do console, a trilha sonora é muito acima da média dos jogos da plataforma (e reproduz com razoável fidelidade a memorável música tema do filme), a violência gráfica impressiona para a época e este talvez seja o único game de terror do Atari que realmente consegue colocar o jogador num leve clima de suspense e tensão.


Em Halloween, o jogador assume o comando de uma desesperada mulher (presumivelmente, a personagem Laurie Strode do filme), que deve procurar as crianças que estão perdidas dentro de uma enorme casa e levá-las em segurança para fora. A razão de tanto desespero é que o psicopata assassino Michael Myers está rondando o lugar, carregando uma bela faca na mão.


Em algum aposento randômico da casa aparece uma espada, e você pode usa-lá para “matar” o psicopata. Claro que essa morte é tão “eficiente” quanto nos filmes de terror, ou seja, em poucos segundos o desgraçado volta, ainda mais rápido do que antes.

O grande barato do jogo é o fato de que ele capturou muito bem aquele “elemento surpresa” dos slasher movies dos anos 80, nos quais o assassino aparecia do nada a qualquer momento. É exatamente o que ocorre nesse jogo. Você está levando uma criança em direção a um dos “quartos seguros” da casa e, de um instante para outro, Michael Myers aparece na sua frente (ou atrás de você), com a arrepiante musiquinha do jogo quebrando o silêncio. Provavelmente nunca houve no Atari outro game tão eficiente em dar cagaços no jogador quanto este!

Além da trilha sonora bem feitinha e do apelo visual das vidas do jogador serem representadas por abóboras de halloween, certamente o que mais chama a atenção é a violência explícita do game. Este é provavelmente o jogo mais sanguinolento feito para o Atari. Quando Myers alcança uma criança, só o que sobra é um pequeno cadáver sobre uma poça de sangue. Quando Myers pega a heroína, ele a decapita, e a vítima SAI CORRENDO SEM CABEÇA, com o sangue jorrando pelo pescoço !! Que trash, hein? E você que achava que o Atari era um “videogame família”!


Uma curiosidade: no Brasil, Halloween não era chamado de Halloween! Por aqui, o nome deste game aparecia nos cartuchos sempre como sendo “Sexta-Feira 13 (assim mesmo, escrito em português), apesar das carinhas de abóboras e da música-tema do filme tocando na abertura. Será que os fabricantes locais eram assim tão ignorantes mesmo? Ou será que intencionalmente mudaram o nome do game, já que os filmes da série Sexta-Feira 13 sempre foram bem mais conhecidos e populares no Brasil do que os filmes da série Halloween ? Fica o Mistério!

Outra curiosidade: pouco depois de lançar Halloween, a produtora Wizard Video foi à falência, em virtude do grande crash do mercado de videogames de 1983/1984. Com cartuchos em estoque e precisando cortar gastos, muitos cartuchos originais do jogo foram lançados no mercado contendo apenas uma etiqueta branca frontal com o nome “HALLOWEEN” escrito em laranja, à mão, com letras maiúsculas. Portanto, se algum dia cair nas suas mãos uma cópia deste jogo num cartucho sem “label“, apenas com uma etiqueta com o nome do jogo escrito manualmente em laranja, não pense que se trata de uma “cópia pirata”: é bem possível que você tenha em mãos uma cópia do jogo da exata maneira como ele foi colocado à venda nas lojas pela Wizard Video!


Também de 1983 é o game FRANKENSTEIN’S MONSTER, da Data Age, outro ótimo game de horror do Atari 2600. Aqui, o jogador encarna o Dr. Frankenstein, dentro de um castelo de três andares. O terrível monstro criado pelo cientista está exposto a raios e prestes a ganhar vida, e para impedir que o monstro sai destruindo tudo e todos, nosso intrépido doutor precisa “emparedar” o monstro com cubos encontrados no andar mais baixo do castelo. Nessa corrida contra o tempo, o Dr. Frankenstein precisa passar por aranhas gigantes, fantasmas e morcegos, além de atravessar um lago subterrâneo sem cair nele. Se o arrependido cientista não for rápido o suficiente, o monstro sairá andando descontroladamente em direção à tela (num efeito de primeira pessoa extremamente tosco, mas muito interessante para a época), e tudo estará perdido.


Conheci Frankenstein’s Monster por volta de 1991 (no cartucho que eu tinha, o nome do jogo aparecia apenas como “Frankenstein“), e desde logo adorei o jogo. É basicamente um game de ação/aventura com temática de terror, extremamente bem feito para os padrões do Atari. Os gráficos são eficientes, a ambientação é legal e aquela coisa do monstro vir na direção do jogador após o “game over” era algo sem igual no Atari. A mecânica do jogo é bem repetitiva e a parte dos morcegos (na qual o Dr. Frankenstein precisa passar em meio a centenas de morcegos para chegar até o monstro com a peça que buscou) é um verdadeiro pé-no-saco. Mas, tirando esses aspectos negativos pontuais, o game é muito bom, indispensável para qualquer fã do velho Atari.


Assim como Halloween, o game que fecha essa etapa horrorífica da Maratona Atari também foi lançado em 1983, e também por obra e graça da Wizard Video. Estamos falando de THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE, baseado no filme de mesmo nome, conhecido por aqui como O Massacre da Serra Elétrica, um clássico dos filmes de terror.


Embora graficamente menos violento do que Halloween, na prática esse The Texas Chainsaw Massacre acabou sendo considerado muito mais violento, e suscitou muitos protestos e indignação na época em que foi lançado. A razão disso é muito simples de entender: ao contrário de Halloween, nesse game o jogador não assume o papel do mocinho ou mocinha que precisa fugir do psicopata assassino, mas sim o papel do próprio psicopata, que precisa matar tantas vítimas inocentes quanto for possível. Sim, é sério! O jogador assume o papel do homicida açougueiro Leatherface, e o objetivo é correr atrás de garotas adolescentes e retalhá-las com sua serra elétrica!

Uma premissa desse tipo geraria muita polêmica até nos dias atuais, imagine então em 1983! Muitas lojas simplesmente se recusaram a colocar esse jogo à venda, ou deixavam ele num local menos visível, longe dos olhos das crianças. Talvez tudo isso tenha contribuído para que o jogo se tornasse muito raro, sendo hoje extremamente difícil para um colecionar conseguir uma cópia do cartucho (com caixinha e manual, é ainda mais difícil). Talvez não seja coincidência, portanto, o fato de que este é o único dos quatro games aqui analisados com o qual jamais tive contato na infância ou adolescência (nem jamais tive em mãos uma cópia do jogo em cartucho), bem como o único desses games que só vim a conhecer depois de adulto, em plena era da emulação. Fico até me perguntando se esse jogo chegou a ser lançado aqui no Brasil …


The Texas Chainsaw Massacre não tem tanta violência visual quanto Halloween, e no geral é um game muito inferior: os gráficos são meio toscos, com elementos de cenário em tamanhos desproporcionais uns em relação aos outros. Ao contrário das mortes graficamente bem feitas de Halloween, nesse jogo as vítimas mortas são transformadas numa sopa disforme de pixels quadradões, incompreensível demais para gerar impacto visual. Sem falar que a mecânica do jogo é repetitiva demais, o que torna o jogo chato depois de cinco ou dez minutos. Vale mais como curiosidade histórica (principalmente para fãs de games de terror) do que como uma experiência realmente satisfativa em termos de jogos de Atari.

Bem, pessoal, nossa etapa-halloween da Maratona Atari vai ficando por aqui. Mas a semana ainda é longa até o Dia das Bruxas, e mais games antigos de terror irão dar as caras nos próximos dias. Fiquem de olho, corpos e almas!

MARATONA ATARI – Especial “Games Obscenos”

Tirem as crianças da sala, caros amigos retrogamers! Nesse nova etapa da nossa Maratona Atari (que irá corajosamente resenhar TODOS os jogos do clássico videogame Atari 2600), nós iremos descer ao submundo sujo, vulgar e obsceno dos games pornográficos do Atari. Games pornográficos?!? Mas a Atari admitia esse tipo de coisa no seu console? A resposta é não, não permitia. Acontece que, naquela época, algumas empresas de poucos escrúpulos lançavam jogos não autorizados para o Atari 2600, e provavelmente a mais infame dessas empresas era a Mystique, especializada em lançar “jogos adultos” (leia-se: jogos horríveis com putaria explícita) para o console.

Há uma série de jogos pornôs para o Atari, e nem todos foram lançados pela Mystique, mas a maior parte (e os mais horrendos) são obra dela.  Mas, nessa etapa da maratona, não iremos falar de todos os jogos “eróticos” do Atari, apenas daqueles que começam com a letra “B” (afinal de contas, a rigor estamos seguindo a ordem alfabética da biblioteca de jogos do Atari).

 


A primeira pérola de hoje é BACHELOR PARTY, lançado em 1982 pela Mystique. É o típico jogo vagabundo com temática sexual da empresa. Você controla uma plataforma na parte esquerda da tela e um sujeito pelado  (e de pau duro, óbvio) fica voando dentro de uma sala cheia de mulheres nuas. Aparentemente, isso é pra ser uma festa de despedida de solteiro, e o objetivo é usar a plataforma para fazer o cara ricochetear e encostar (leia-se “traçar”) todas as garotas espalhadas pela sala. É claramente uma cópia barata do antigo clássico Breakout, só que – ao invés de demolir paredes com uma bolinha que cai na vertical – aqui o jogador tem que “eliminar” as garotas com um sujeito nu que tenta sair da tela pela horizontal. É tudo ridículo, e a jogabilidade evidentemente é limitada e horrorosa.

Se você achou que esse era o fim da picada, prepare-se: a mesma empresa teve a cara de pau de lançar outro jogo virtualmente idêntico, chamado BACHELORETTE PARTY, no qual a única diferença é que agora o objetivo é fazer com que uma mulher pelada “pegue” todos os caras espalhados (e de pau duro, óbvio) pela sala. Sério, é de chorar! Eu espero que ninguém jamais tenha comprado esses jogos para satisfazer algum tipo de tara sexual ou para aplacar o tesão, porque isso seria doentiamente lamentável.

Agora é sério: tire as crianças da sala! E, se você não gosta de baixaria, por favor pare de ler AGORA e volte no Cemetery Games apenas no próximo post. Vamos falar agora de um dos games mais gratuitamente vulgares e nojentos da história da humanidade, uma coisa revoltante, deprimente e assustadora. Tá lendo ainda? Bom, depois não diga que eu não avisei …

BEAT’EM & EAT’EM também foi lançado em 1982, também por obra e graça da infame Mystique. Mas dessa vez a empresa perdeu todos os critérios de decência (supondo que um dia teve). Sinceramente, dá até vergonha de falar de uma coisa dessas aqui nesse blog limpinho e família que é o Cemetery Games. Mas vamos lá! Tá preparado?

 

Nessa DESGRAÇA videogâmica, o jogador controla duas loiras peitudas que estão peladas em frente a um prédio, ambas com as bocas bem abertas. Lá no alto do prédio, um tarado com um pênis gigante fica se masturbando e ejaculando em direção à calçada, e o objetivo é movimentar as duas vagabundas lá embaixo para que elas não deixem de beber nenhuma gota do … AHHHHHH, CHEGA!!!! Esse troço é asqueroso demais! Que ideia absurda para um jogo é essa?!? Desde quando é “sexy” mostrar duas vagabundas peladas no meio de uma cidade, tentando beber o esperma de um punheteiro antes que caia na calçada?!??

Segundo a Wikipedia, Beat’em & Eat’Em é frequentemente considerado um dos piores jogos de videogame já feitos. Eu ainda acho que é dizer pouco. Esse troço é um crime contra a história dos videogames, e seus criadores deveriam ter ido parar na cadeia por crime contra os consumidores.

 


Depois de todo esse lixo da Mystique, vamos encerrar essa etapa da maratona com um game que possui temática violenta, mas que é muito bom: em BANK HEIST, lançado em 1983, o jogador controla um assaltante que cruza diversas cidades de carro, assaltando bancos e fugindo da polícia. Cada labirinto é uma cidade, e o objetivo é passar com o carro por cima de todos os bancos que aparecem, fugir dos carros de polícia que vão aparecendo e, sempre que possível, destruir os veículos da polícia com tiros que saem da traseira do carro do criminoso. Depois de assaltar alguns bancos, o jogador pode ir para outra cidade, o que fará o tanque de combustível ser reabastecido na proporção em que ele acumulou pontos na cidade anterior.


Esse é um joguinho bem legal, e cheguei a tê-lo (num cartucho nacional da CCE) na época em que tive meu Atari. Além de ter uma mecânica relativamente original em termos de Atari 2600, o jogo também se destacava por colocar o jogador no papel do bandido, o que não era comum na época. Se você achava que a bandidagem ativa nos videogames havia começado com a série Grand Theft Auto, melhor pensar de novo!

Bem, chegamos ao final de mais uma etapa da Maratona Atari. Descemos ao infernos dos jogos asquerosos e vulgares da Mystique e passamos pelo avô da série GTA. Até a próxima parte da maratona, caros retrogamers!

MARATONA ATARI – ESPECIAL ATLANTIS

Chegamos a mais uma etapa da nossa Maratona Atari! Estamos quase no fim dos games que começam com a letra “a”, e na etapa de hoje vamos falar exclusivamente de um clássico absoluto do Atari 2600 e de um dos mais interessantes games criados originalmente para o console:  ATLANTIS.


Lançado em 1982 pela Imagic, o jogo era essencialmente uma mistura dos clássicos Space Invaders e Missile Command, e nesse sentido se parecia bastante com um game chamado Colony 7, lançado nos arcades pela Taito no ano anterior. Mas, além dos gráficos legais, o que chamava a atenção era a ambientação. No game, o objetivo era defender a mística e super avançada cidade subaquática de Atlântida do ataque das naves espaciais dos invasores Gorgon. Sinceramente, acho que depois disso nunca mais vi uma premissa tão insana num videogame de novo: canhões de defesa atlantes versus naves invasoras do espaço! Tá bom ou quer mais?


Atlantis foi um dos games que tive durantes os meus “anos Atari” (1987-1992). Era um dos meus jogos favoritos naqueles tempos e um dos quais eu guardo boas lembranças até hoje. E mais: é um game que envelheceu muito bem e que continua sendo desafiante e divertido para os padrões atuais, apesar da jogabilidade simples.

Da mesma forma como em Missile Command, o jogador conta com três canhões (um central e dois laterais) para abater as naves inimigas. Pressionando o botão de tiro, o disparo é feito pelo canhão central. Para atirar com os canhões laterais, é preciso colocar o direcional do joystick na direção do respectivo canhão e apertar o botão de tiro.

Atlantis tem gráficos legais e bem definidos para os padrões do Atari. Você consegue identificar bem a os canhões, a ponte, prédios, instalações de energia, etc. O jogo não é nada fácil. As naves inimigas atravessem a tela horizontalmente e vão chegando cada vez mais perto da cidade. Se elas chegam suficientemente perto antes de serem destruídas, as naves destroem uma das instalações submersas da cidade (ou um dos três canhões que ficam acima do nível do mar).

Além do roteiro criativo e dos bons gráficos, um dos elementos que tornava Atlantis um shooter muito acima da média do Atari era a ação frenética que se desenvolvia na tela. As naves cruzam os céus em diferentes padrões de velocidade, e tem ainda uma pequena nave inimiga que voa em velocidade insana (que, ao ser destruída, cria uma explosão que parece fogos de artifício, criando um efeito visual muito legal na tela). O jogo já começa em ritmo desafiador e vai se tornando cada vez mais intenso numa progressão rápida. Em poucos minutos, o jogador já está com os cabelos em pé, tentando a todo custo salvar as poucas instalações de Atlântida que ainda não foram destruídas.

Após o sucesso de Atlantis no Atari 2600o 6º game mais vendido da história do console), o jogo ganhou versões para o Odyssey², para a linha de microcomputadores de 8-bits que a Atari tinha na época e para outro micro, o Commodore Vic-20. Uma imitação barata do jogo e com algumas alterações estéticas, chamada Ocean City Defender, foi lançada para o Atari 2600 no mesmo ano, pelas mãos de uma produtora picareta daquela época, chamada Zellers.

ATLANTIS II?


Uma das histórias mais curiosas sobre o Atari 2600 envolve justamente Atlantis e a sua continuação que jamais foi oficialmente lançada no mercado. Ninguém sabe ao certo quantas cópias do cartucho Atlantis II existem por aí (embora a ROM do game seja facilmente encontrada na internet), e o cartucho do jogo se tornou um raríssimo item de colecionador.

A história é a seguinte: feliz com o sucesso comercial de Atlantis, e tentando divulgar ainda mais o jogo, a Imagic decidiu promover um campeonato para premiar os melhores jogadores. Os donos dos quatro melhores scores seriam convidados para uma grande disputa final nas Bermudas. Só que aconteceu um “probleminha” que a Imagic não previu: a insanidade dos jogadores “hardcore”. Muitos participantes (pelo menos muito mais do que meras quatro pessoas) mandaram fotos provando que tinham simplesmente atingido a pontuação máxima que o jogo era capaz de computar. Diante disso, a Imagic ficou sem um critério de desempate, pois não tinha como levar toda essa galera de maníacos para a final nas Bermudas.


Então, o que fez a Imagic? Simples: enviou para esses jogadores (que tinham atingido o “score máximo” de Atlantis) um novo cartucho. Esse novo cartucho tinha a capa igual a de Atlantis, mas uma pequena etiqueta colada na frente da caixinha identificava o jogo como sendo “Atlantis II. Atlantis II era quase idêntico ao game original, mas numa versão “hardcore”, com o nível de dificuldade significativamente elevado e com a destruição das naves inimigas rendendo bem menos pontos do que no original. Visualmente, a única diferença aparente era no contador de pontos do jogo, que usava uma fonte diferente daquela vista no Atlantis original.

A ideia era a seguinte: os participantes do campeonato que tinham atingido a pontuação máxima em Atlantis receberiam em suas casas uma cópia dessa nova versão do jogo, e agora seria a pontuação deste Atlantis II que definiria a classificação de cada um. Assim, mesmo aqueles que não se classificassem para o evento nas Bermudas teriam, ao menos, recebido a distinção de serem premiados com o raríssimo cartucho Atlantis II.


COSMIC ARK


Atlantis também recebeu uma das continuações mais bizarras da história do Atari 2600: Cosmic Ark. Se você já jogou Atlantis, vai lembrar que, quando o jogo acaba e a cidade submersa é totalmente destruída, uma pequena espaçonave aparece deixando Atlântida e sumindo nos céus.

Bem, esse “gancho” é a premissa de Cosmic Ark. O jogo mostra aquela pequena espaçonave reunindo-se com uma nave-mãe muito maior, e objetivo dessa grande “arca espacial” é visitar diferentes planetas e coletar espécimes de vida de cada um deles.

É isso aí mesmo: ex-habitantes da cidade subaquática de Atlântida atravessendo o espaço e coletando formas de vida alienígenas em parceria com uma imensa nave-mãe alienígena! Vou te contar, hein: nem em um acampamento de cientologistas e raelianos, regado à maconha e cogumelos, seria possível criarem uma ideia mais maluca do que essa!

Enfim, se a dupla Atlantis/Cosmic Ark não é o ápice da ficção-científica imaginativa do Atari 2600, então não sei mais de nada!