MARATONA ATARI


E lá vamos nós para mais uma etapa da nossa Maratona Atari! Depois da etapa temática de horror em comemoração ao Halloween, vamos voltar à nossa boa e velha ordem alfabética. Estamos quase chegando no final da letra “B” da biblioteca de jogos do Atari 2600! Vamos ver as surpresas que o pioneiro console nos reserva …

O primeiro game desta etapa é BARNSTORMING, lançado pela Activision em 1982. O objetivo é sobrevoar uma fazenda com um pequeno avião, desviando de cataventos e pássaros e passando com o avião por dentro de dez celeiros no menor espaço de tempo possível. É certamente uma das premissas mais estranhas da história dos videogames, mas o jogo, apesar da simplicidade extrema, é bem divertido. Como era comum nos games da Activision, os gráficos são bastante bons para os padrões do console, e a jogabilidade é ótima. Claro que, apesar disso, o valor de “replay” do jogo é muito baixo, já que a coisa logo perde a graça. Mesmo assim, merece uma conferida, até em virtude de sua bizarrice. Meu melhor tempo foi 37.37 segundos. Alguém aí quer tentar superar essa marca?


BASIC MATH, de 1977, tem a distinção de ter sido um dos nove games lançados junto com o próprio console Atari 2600, quando este videogame surgiu no mercado. Ou seja, é um jogo tão velho quanto o próprio Atari. E realmente o jogo faz jus ao nome, pois ele não poderia ser mais básico. Trata-se de um jogo educativo, que mostra pequenos e incompletos cálculos aritméticos na tela, para que o jogador os resolva. É lógico que, hoje em dia, só vale como curiosidade histórica. Apesar disso, creio que foi uma boa sacada da Atari, que desde o início tentou mostrar aos consumidores que o brinquedinho que estava lançando no mercado também podia servir para finalidades educativas. Aposto que vários fedelhos da época usaram esse cartucho como desculpa para convencer seus pais a lhes darem um Atari 2600 de presente (é claro que essas crianças, depois, jogaram Basic Math no fundo da gaveta e passaram os próximos anos jogando apenas Pitfall, Pac-Man, River Raid e Space Invaders).

BASIC PROGRAMMING, lançado em 1979, não é exatamente um jogo, mas vale à pena dar uma espiadinha rápida nele mesmo assim. Nos final dos anos 70 e ao longo dos anos 80, o Basic era uma das linguagens de programação mais populares do mundo, e versões dele geralmente vinham na memória de quase todos os microcomputadores da época. Esse cartucho nada mais é do que uma versão rudimentar do Basic, para que o jogador pudesse fazer pequenos programas por conta própria.

Olha, vou dizer uma coisa para vocês: eu cheguei a programar em Basic no meu MSX entre 1992 e 1994, mas não consigo nem imaginar como é alguém poderia programar nesse Basic rudimentar do Atari, sem um teclado  apropriado (a interface de programação era feita através do uso de dois joysticks especiais com teclado) e sem um gravador K7 ou drive de disquetes para salvar os programas. E ainda tinha outro problema: os programas eventualmente criados pelo jogador ficavam limitados pela inacreditavelmente baixa memória RAM do Atari, que era de míseros 128 bytes. Leia de novo, eu não disse KBytes, mas sim BYTES! Enfim, apesar de valer como curiosidade, eu me vejo na obrigação de ter severas dúvidas de que alguém tenha conseguido programar algo de minimamente produtivo com esse cartuchinho. Destaque para o impagável humor involuntário da ilustração da caixa do cartucho, mostrando um sujeito que parece estar num laboratório da NASA, ou criando um mundo virtual estilo Tron. Muita pretensão para um Basic empobrecido, no qual imagino que até uma lista de compras de supermercado deveria ser difícil de programar …


BACK TO SCHOOL PACK, de 1979, na realidade não era um jogo, mas sim (como o nome sugere) um pacote, reunindo o Basic Promming (já acompanhado dos dois bizarros joysticks/teclados) e um outro jogo chamado Brain Games, que havia sido lançado originalmente no ano anterior. Brain Games é uma coletânea de jogos de memorização, e também necessita daqueles dois joysticks numéricos “especiais”. Sorte a minha que, graças a isso, “infelizmente” não pude jogá-lo (graças a Deus, pois o troço parece uma bomba).

Não sei de vocês, mas pra mim fica bastante óbvio o que aconteceu aqui: após lançar Basic Programming e Brain Games em 1978, ambos dependentes de um acessório adicional, a Atari evidentemente percebeu a porcaria que tinha colocado no mercado. Para agregar valor a grotescos joysticks com teclados e a dois cartuchos que ninguém em sã consciência iria querer ter por perto, a empresa resolveu enfiar tudo numa enorme embalagem laranja na forma de um pacotão “educativo”, com aquele apelo de “compre isso para seus filhos voltarem inteligentes para as aulas“. Pobres das crianças que ganharam essa PORCARIA de presente!


Depois de tanta coisa esquisita, vamos terminar essa etapa da nossa maratona com um clássico: BATTLEZONE, lançado em 1983, é uma conversão para o Atari 2600 do grande sucesso de mesmo nome lançado originalmente pela Atari (a empresa, não o aparelho!) em 1980 nos arcades. Apesar de ser um belo jogo para os padrões do videogame – principalmente em relação aos gráficos, excelentes para a média do console – essa versão caseira de Battlezone deixava muito a desejar em relação ao original dos arcades, que usava gráficos vetoriais que proporcionavam um visual extremamente futurista para os padrões da época.

Outro detalhe é que o Battlezone dos arcades tinha visão em primeira pessoa, enquanto que a versão do Atari mostrava o tanque de trás. Apesar disso, o visual ficou legal. Como no clássico arcade, o objetivo é – controlando um tanque de guerra – destruir uma série de veículos inimigos em um campo de batalha, incluindo até mesmo naves alienígenas. Vale como curiosidade, mas nem se compara à experiência retrogamer de encarar o original dos arcades, com aqueles gráficos vetoriais monocromáticos que pareciam tão “high-tech” nos anos 80.

Bem, por enquanto é isso, pessoal. Até a próxima etapa da nossa intrépida maratona!

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