AS TARTARUGAS NINJA – A “QUADRILOGIA”

No final dos anos 80 e começo dos 90, as Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles no original) tomaram o mundo de assalto com um divertido desenho animado, uma trilogia de filmes live-action, uma fabulosa linha de brinquedos e, como não poderia deixar de ser, com uma enxurrada de videogames. No auge do sucesso dos personagens, foram lançados em sequência três games para o NES e um para o Super NES, um melhor do que o outro.

O Cemetery Games aproveita agora para fazer uma retrospectiva da quadrilogia de jogos do quarteto predileto da criançada dos anos 80.


TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES (1989, NES)

O primeiro jogo das tartarugas foi lançado em 1989 e se chamava simplesmente Teenage Mutant Ninja Turtles, lançado pela Konami (responsável por todos os games das Tartarugas Ninja daquela época, o que explica a qualidade destes títulos). Era um jogo de ação/aventura, que alternava momentos de side-scrolling com outros de visão aérea. A missão era percorrer esgotos, casas e bases para cumprir missões diversas (resgatar a jornalista April, impedir a destruição de uma represa, etc). O jogador podia jogar com qualquer um dos quatro heróis e trocá-lo por outro a qualquer momento do jogo.


Embora tenha feito grande sucesso, esse primeiro game pecava pela relativa falta de ação (em virtude da mecânica “adventure” em várias partes do jogo), pelos gráficos meia-boca e pela ambientação insatisfatória. Além disso, as fases eram cheias de inimigos bizarros que em nada lembravam os vilões do desenho animado.

De longe, a melhor, mais popular e mais lembrada versão do jogo é a do Nintendo 8-bits (NES), que aliás é a versão original. O jogo vendeu em torno de 4 milhões de unidades e se tornou um dos maiores sucessos do NES entre os títulos não lançados pela própria Nintendo. O game também teve conversões para os microcomputadores Amiga, Amstrad CPC, PC, Atari ST, Commodore 64, Spectrum e MSX (essa última foi, de longe, a que eu mais joguei naquela época). No entanto, nenhuma dessas chegou perto do original em termos de qualidade técnica, sucesso comercial ou boa recepção da crítica.

Turtles no MSX.

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TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES II – THE ARCADE GAME (1990, NES)

Ainda em 1989, a Konami lançou nos arcades (fliperamas) outro jogo das tartarugas. Embora tivesse o mesmo nome do jogo do NES (Teenage Mutant Ninja Turtles), esse novo game era totalmente diferente – pura ação side-scrolling, com gráficos maravilhosos e traduzindo com perfeição a estética e o clima do desenho animado que estreou em 1987. Efeitos sonoros, jogabilidade, visual, tudo era perfeito. Não é por nada que esse jogo até hoje é lembrado com saudades por todo mundo que o conheceu na época.

No ano seguinte, a Konami resolveu fazer uma adaptação do jogo de arcade para o NES, dando sequência ao jogo anterior do console. O game foi rebatizado como Teenage Mutant Ninja Turtles II – The Arcade Game e foi lançado em 1990, sendo que logo se tornou a preferência de 10 entre 10 proprietários de NES na época (e uma das principais razões para a criançada da época ranger os dentes de vontade de ter um).

Como já seria de se esperar, em termos de gráficos e som a versão do NES é sensivelmente inferior ao original do arcade. Mas não só a jogabilidade excelente foi mantida como, ainda, a versão do NES tinha suas próprias vantagens: duas fases inéditas, que não existiam no game original. Além disso, a maioria das fases foi ampliada na versão NES. Some-se a isso gráficos e músicas excelentes para os padrões do console e pronto: um clássico instantâneo e inesquecível, cultuado por todo mundo que curte ou já curtiu games da “geração 8-bits”.

O jogo também teve versões para os microcomputadores Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, PC e Spectrum. Nunca joguei as quatro primeiras, mas pelo que sei a versão do Commodore 64 é uma droga. A versão para PC era razoavelmente semelhante a do NES em termos de visual (mas sem as fases adicionais), mas inferior em termos de jogabilidade. A versão para Spectrum padecia das naturais limitações do micro, e os gráficos eram tão pobres que sequer lembravam o jogo original. De qualquer forma, era um bom lançamento para os padrões do Spectrum, e na época foi um jogo bastante festejado pela mídia especializada neste micro.

Além de dar de dez a zero no primeiro jogo em termos de gráficos, música, jogabilidade e ambientação, TMNT II ainda tinha a vantagem de introduzir na série um aspecto maravilhoso: a ótima jogabilidade cooperativa em two-players. Poucos games da época eram tão divertidos de jogar em dupla com um amigo quanto esses das Tartarugas Ninja!

TMNT II do NES é ação videogâmica de 8-bits na sua melhor forma. Me desculpem pela pagação de pau, mas eu AMO esse game!

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TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES III – THE MANHATTAN PROJECT (1992, NES)

Assumindo de uma vez por todas que o Nes era O videogame das Tartarugas Ninja, a Konami lançou em 1992 a continuação do “Arcade Game exclusivamente para o console da Nintendo. Em termos de visual e jogabilidade, o game era extremamente semelhante ao TMNT II, porém com gráficos levemente superiores. Para compensar a repetição da estética do jogo anterior, TMNT III introduziu cenários diferentes e bem legais. Só a título de exemplo, a primeira fase é numa PRAIA e na sequência tem até as Tartarugas Ninja fazendo surf e enfrentando inimigos no mar!

O roteiro, dessa vez, vai além da tradicional pendenga genérica entre o Destruidor e as tartarugas. Os heróis, no começo do jogo, são mostrados tirando férias numa praia. Se tartarugas pegando bronzeado já é uma coisa que parece estranha, imaginem ainda vendo televisão na beira da praia. Pois é, mais é isso aí mesmo. Tudo vai as mil maravilhas quando subitamente uma reportagem de April (a repórter amiga dos heróis) é interrompida pela notícia de que o Destruidor raptou … a ilha de Manhattan! Sim, a ilha INTEIRA foi elevada à altura dos céus (o jogo não explica como). Bom, ninguém iria querer muita lógica num jogo estrelado por tartarugas adolescentes que são ninja, não é mesmo? O importante é ter uma boa premissa para o pau comer solto!

TMNT III é um dos melhores beat’em ups da terceira geração de consoles (talvez o melhor) e foi um dos últimos grandes jogos do Nintendo 8-bits antes do final de sua vida útil (seu sucessor, o Super Nes, já estava no mercado há dois anos).  Na época a revista americana Electronic Gaming Monthly o elegeu como o melhor game de NES do ano de 1992 (aliás, eu lembro de ter lido essa notícia fresquinha, no verão de 1993, num exemplar da extinta revista Videogame).

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TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES IV – TURTLES IN TIME (1992, SUPER NES)

TMNT – Turtles in Time foi o segundo jogo das tartarugas nos arcades. Adaptado para o Super Nintendo, o jogo foi rebatizado de TMNT IV – Turtles in Time, a fim de mostrá-lo como a continuação natural da trilogia de games das Turtles no NES.

Assim como TMNT III, Turtles in Time apresentava um roteiro rebuscado: as Turtles estavam assistindo a uma reportagem da amiga April quando subitamente Krang aparece em cena e leva a Estátua da Liberdade embora. Nossos heróis vão atrás do alienígena e dos capangas do Foot Clan, mas o Destruidor abre um portal temporal e despacha as tartarugas para o passado. Agora, o quarteto precisa abrir caminho na base da porrada em diferentes épocas para retornar ao presente e derrotar o Destruidor e Krang.

Se os últimos dois jogos das Tartarugas Ninja no NES já eram fenomenais, esse aqui era simplesmente como ter uma máquina de arcade em casa. A versão para o Super Nes não ficou devendo absolutamente nada ao original, ou seja: gráficos, música, efeitos sonoros, jogabilidade dinâmica … tudo simplesmente PERFEITO. Preferências pessoais à parte, tecnicamente não há dúvida: Turtles in Time é o melhor game das tartarugas de todos os tempos.

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PARA ALÉM DA QUADRILOGIA

Outros bons games estrelados pelas Tartarugas Ninja foram lançados para outros sistemas na mesma época. O Game Boy clássico da Nintendo teve a trilogia composta por TMNT – Fall of The Foot Clan de 1989 (que já foi detonado do começo ao fim aqui no Cemetery Games), TMNT II – Back From the Sewers (1990) e pelo não tão interessante TMNT III – Radical Rescue (1992).

Quebrando a tradicional hegemonia dos consoles da Nintendo em relação a games das Turtles, o Mega Drive da Sega recebeu em 1991 o ótimo TMNT – The Hyperstone Heist (que era uma espécie de conversão de Turtles in Time, mas com várias fases novas e um roteiro diferente).

Além desses, foi lançado em 1991 o pouquíssimo lembrado TMNT – The Manhattan Missions para PC. O jogo era mais baseado nas histórias em quadrinhos originais dos personagens e nem tanto no desenho animado, e era bem diferente dos games do NES.

Pegando carona na nascente febre dos games de luta, a Konami lançou em 1993 TMNT – Tournament Fighters, com versões para NES, Super Nes e Mega Drive. Era um joguinho de luta razoável, mas sem cacife para competir com os ótimos Mortal Kombat e Street Fighter II que dominavam a cena.

Depois disso, as Tartarugas Ninja caíram em ostracismo no mundo dos games e só voltaram à cena em 2002, com um novo jogo para o Game Boy Advance (Teenage Mutant Ninja Turtles – não confundir com o TMNT lançado em 2007!), uma nova trilogia para Playstation-2 e outros consoles e alguns outros jogos esparsos. No entanto, todos são baseados no novo desenho dos personagens, com estética bem diferente do desenho oitentista e dos filmes do começo dos anos 90. E, sem sombra de dúvida, o único desses games mais recentes que faz jus ao nível de qualidade dos antigos games da Konami é o TMNT de 2007, lançado para o Game Boy Advance (e que, curiosamente, não foi feito pela Konami e sim pela Ubisoft).

Turtles no Game Boy Advance, em TMNT (2007). A versão dos outros consoles é medíocre, mas a do GBA é simplesmente o melhor game das Tartarugas Ninja dos últimos 18 anos!

“Hey, desliguem essa porcaria desse programa, quero jogar Super Nintendo na TV!!!”

ELEVATOR ACTION (1983, Arcades)


Eu tinha algo em torno de seis anos de idade e o ano era entre 1987 e 1989 – vamos ficar com 1988. Lembro de entrar num fliperama (o nome que se dava para as máquinas de arcade aqui no Brasil) e me deparar com um game bastante peculiar. Naquela época, a maioria dos jogos consistia em controlar um carrinho numa pista, ou um canhão atirando em naves alienígenas, ou um personagem que se movia horizontalmente na tela. Mas esse jogo era diferente: aparentemente, o jogador controlava um carinha que invadia um prédio pelo telhado e o atravessa verticalmente por elevadores e escadas rolantes, fugindo de inimigos armados e entrando em algumas salas para roubar documentos. Uau, aquilo era o máximo! Era realmente diferente do que eu estava acostumado a ver no meu Atari em casa, e parecia que alguém tinha traduzido para os videogames aquele espírito das tirinhas SPY Vs SPY da revista MAD.

Essa minha breve memória de infância traduz meu contato com o arcade original de Elevator Action, lançado em 1983 pela Taito, e que foi um dos maiores sucessos daquele ano, permanecendo relativamente popular ao longo dos anos 80. O jogo ganhou versões para diversos videogames e microcomputadores da época. A versão que eu mais joguei foi a do MSX, por volta de 1993.

O fascínio que Elevator Action exerceu sobre mim já à primeira vista, na minha infância, foi justamente em virtude da principal razão de seu sucesso: a sua mecânica original. A idéia de explorar uma fase (o prédio) verticalmente, de cima para baixo, era absolutamente inovadora para a época. Aliado a outros elementos (os gráficos caprichados para os padrões da época, a divertida e inesquecível música-tema, a troca de tiros com espiões inimigos, os elevadores e escadas rolantes), o sucesso de Elevator Action acabou sendo natural e mais do que merecido.

A história do game é simples: o jogador encarna um espião – o Agente 17, codinome “Otto” – que se infiltra num prédio pela cobertura. O objetivo é roubar uma série de documentos confidenciais escondidos em diferentes salas e sair vivo do prédio pelo andar térreo, fugindo de carro. O problema é que, naturalmente, o lugar está minado de espiões inimigos, todos bem armados.

Embora fosse inovador para seu tempo, Elevator Action possui uma dinâmica característica dos jogos da segunda geração de videogames (tecnicamente, eu o situaria como um representante do final da segunda geração e começo da terceira). O jogo não tem fim, tampouco uma história progressiva. Ao completar uma missão saindo vivo de um prédio, o jogador é automaticamente colocado no topo de um prédio semelhante, onde terá que executar as mesmas tarefas, porém enfrentando um nível de dificuldade maior, e assim sucessivamente até que sejam perdidas todas as vidas. Como era de praxe na “Era de Ouro dos Arcades“, o objetivo nos games não era avançar de fase nem “virar” o jogo, mas sim batalhar pelo melhor score possível em número de pontos.

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AS VERSÕES

A melhor e mais fiel versão caseira de Elevator Action era a do NES, o console mais popular de seu tempo (embora essa popularidade só tenha se consolidado na segunda metade dos anos 80). Elevator Action foi um título dos primeiros anos do NES, e o hardware do aparelho dava conta de uma boa adaptação do arcade com tranquilidade. Curiosamente, o espião herói do game virou ruivo nessa versão (seu cabelo era cinza no original).

Versão NES

Versão SPECTRUM

Várias versões foram lançadas para microcomputadores da época. O Commodore 64 era o micro mais popular nos EUA nos anos 80, mas a sua versão de Elevator Action é mais feia do que um desastre de trem! A versão do Spectrum era competente para os padrões do micro, mas ficou muito diferente do visual original dos arcades. A versão do Amstrad CPC era bonitinha, e curiosamente era a única que exibia o protagonista da forma como ele era ilustrado no flyer original do arcade, ou seja, com cabelos loiros cacheados (embora no próprio arcade o protagonista tenha um cabelo diferente).

Versão COMMODORE 64

Versão AMSTRAD CPC


De todas as versões para microcomputadores, a melhor indiscutivelmente é a do MSX. A versão é muito parecida com a do NES, exceto por um pequeno defeito: no arcade e no NES, os espiões inimigos têm pele clara e roupas pretas, e são bem definidos. No MSX, as roupas dos inimigos são azuis, assim com os olhos deles, mas os inimigos não possuem outros traços de corpo ou pele visíveis. Com isso, ficam parecendo o Homem Invisível com roupa! É um detalhe que deixa o jogo levemente menos agradável, em termos de visual, do que a versão do NES. De resto, a versão MSX é muito fiel ao arcade. Tive sorte de essa ser justamente a versão que mais joguei na vida, e era uma satisfação ver uma adaptação tão legal desta minha antiga paixão dos arcades rodando no meu adorado micrinho de 8-bits.


Versão MSX


Em 2001, foi revelada ao mundo uma versão para o clássico Atari 2600, que chegou a ser 75% finalizada na época, porém foi engavetada em virtude do “crash” do mercado de videogames ocorrido entre 1983 e 1984. A análise do protótipo mostrou que a versão teria gráficos bem inferiores ao original (o que já seria de se esperar), mas mantendo uma surpreendente fidelidade em termos de jogabilidade. Poderia ter sido um dos grandes games da biblioteca do Atari.


Versão ATARI 2600


REMAKES E CONTINUAÇÕES

Em 1991, um remake de Elevator Action foi lançado para o Game Boy. Com gráficos redesenhados e inclusão de novos elementos (como armas novas e bombas), esta versão portátil se mostrou bastante interessante, apesar da jogabilidade diferente e mais lenta.

Remake para o GAME BOY (1991)


Falando em remakes diferenciados, existem mais dois dignos de nota: Elevator Action EX (lançado em 2000 para o Game Boy Color no Japão e na Europa, mas readaptado como Dexter’s Laboratory – Robot Rampage nos Estados Unidos) e Elevator Action – Old & New (lançado em 2002 para o Game Boy Advance, apenas no Japão). Não dá pra esquecer, ainda, da única verdadeira sequência que o game teve: Elevator Action Returns (ou Elevator Action II), lançado em 1994 nos arcades e adaptado para o Sega Saturn alguns anos depois. Elevator Action Returns apareceu, posteriormente, na coletânea Taito Legends 2, lançada em 2006 para Playstation-2, PC e Xbox.

Elevator Action – Old & New, do GAME BOY ADVANCE.


Elevator Action Returns (1994)


COLETÂNEAS

No ocidente, Elevator Action reapareceu nas seguintes coletâneas de games antigos: Taito Legends (lançada em 2005 para Playstation 2, PC e Xbox) e Taito Legends Power-Up (lançada em 2006 para o portátil PSP da Sony). Essas coletâneas são uma boa pedida para matar a saudade deste clássico (ou conhecê-lo tardiamente) em videogames mais modernos.

Consegui sair vivo! Até o próximo review, pessoal!

KNIGHTMARE (MSX, 1986)

Como é de conhecimento geral dos fãs do antigo microcomputador MSX, nenhuma desenvolvedora produziu tantos games célebres para esta plataforma como a japonesa KONAMI. Nemesis, The Goonies, Metal Gear, Contra, Vampire Killer, Antarctic Adventure, Road Fighter, Yie Ar Kung Fu, Magical Tree, King’s Valley e TwinBee são alguns exemplos dessa rica biblioteca de títulos, que no entanto não estaria de forma alguma completa sem a inclusão de KNIGHTMARE, provavelmente o shot’em up mais amado pelos saudosistas do MSX.

Lançado em 1986, o game coloca o jogador na pele do cavaleiro Popolon, que teve sua amada Aphrodite raptada por demônios e precisa encarar oito fases repletas de inimigos para salvá-la.

Os gráficos de Knightmare eram bastante sofisticados para a época, e a mecânica também era inovadora. O jogo se aproveitava de um estilo já existente na época, os shooters verticais, mas substituía os cenários espaciais por uma temática que misturava mitologia grega, fantasmas e demônios, trocando as naves e alienígenas por cavaleiros e monstros. Dois anos depois, a Namco faria algo parecido com o game Phelios (lançado nos arcades e depois convertido para o Mega Drive). Será que rolou alguma inspiração em Knightmare?

Apesar dos bons gráficos e da diversão, é a música que rouba a cena em Knightmare. Todas as fases contam com boas trilhas, e mesmo alguns efeitos sonoros são caprichados (como o bater de asas dos morcegos). Talvez o único aspecto negativo do jogo seja a sua mecânica repetitiva e “econômica”. Das oito fases, apenas algumas possuem cenários dignos de nota, sendo que outras simplesmente “clonam” cenários das anteriores. Esse tipo de coisa era comum na época, para economizar memória, já que os programadores naqueles tempos precisavam se virar com quantidades relativamente limitadas de recursos por parte do hardware dos microcomputadores.

Knightmare foi relançado como parte da compilação Konami Antiques MSX Collection, lançada em 1997 para o Playstation. O jogo também foi incluído no Konami Antiques MSX Collection Ultra Pack, lançado em 1998 para o Sega Saturn. Em 2003, Knightmare ganhou uma versão para celulares, exclusivamente no Japão.

AS CONTINUAÇÕES

Knightmare ganhou duas continuações no MSX. A primeira delas foi KNIGHTMARE II – THE MAZE OF GALIOUS, lançado em 1987. No entanto, essa continuação é completamente diferente do jogo original. O estilo shot’em up deu lugar a um jogo de plataforma com visão lateral. A trama apresenta Popolon e Aphrodite entrando no castelo do maligno Galious para resgatar Pampas, o filho do casal. O jogo ganhou versões para Famicom e PC Engine, mas ambas só foram lançadas no Japão.

Ainda em 1987, foi lançado o terceiro e último capítulo da saga: KNIGHTMARE III – SHALOM. O curioso é que esse jogo é um RPG, e em termos de mecânica não lembra nem um pouco os dois jogos anteriores. Shalom teve seu lançamento restrito ao Japão, não tendo chegado neste lado do mundo até hoje.

E agora é hora de destrinchar Knightmare, do começo ao fim …

Tela de abertura.

A primeira fase não oferece maiores desafios. Fique de olho nas caixas com pontos de interrogação. Elas escondem itens que valem pontos e até mesmo itens especiais que detonam todos os inimigos na tela.

Esses cavaleiros de armadura aí enchem o saco ao longo de todo o jogo!

A Medusa é a primeira “chefona” do game, mas não é difícil derrotá-la. Uma curiosidade: na época do MSX no Brasil, alguns anúncios do jogo por aqui colocavam a Medusa como sendo a “grande inimiga” do jogo, aparentemente ignorando o fato de que ainda haviam mais sete fases pela frente. Por outro lado, o equívoco é compreensível: dada a dificuldade desse jogo, muita gente realmente jamais deve ter visto outro chefe de fase em Knightmare além da Medusa!

A segunda fase já é bem mais difícil do que a primeira, dando uma idéia do que vem pela frente. Nesta fase, surge mais um novo inimigo: as caveirinhas.

Falando em “caveiras”, a chefe da fase, aparentemente, é a Morte em pessoa! Pelo jeito ela ganhou umas férias do castelo do Drácula em Castlevania, outra série famosa que também é da Konami …

Na terceira fase, o vermelho dá o tom dos cenários …

O terceiro chefão é esse demônio negro.

Esta é a quarta fase. É, eu sei, parece a primeira. A única diferença é que as colunas brancas aqui são vermelhas. “Memória” não era uma coisa em abundância nos microcomputadores nos anos 80 …

Não me pergunte o que é esse bicho! Parece um velho barbudo de pijamas e sem cabeça, com um olho saindo do meio da barba. O engraçado é que o padrão de ataque do monstro não parece tão ameaçador, mas confesso que eu morri umas quantas vezes tentando derrotá-lo.

A quinta fase é num castelo. Aqui o pau já está comendo solto e as telas repletas de inimigos já passam a ser frequentes, com flechas e disparos voando para todos os lados.

Olha que “meigo” o chefão dessa fase: um grandalhão de armadura que fica atirando chuvas de machados em Popolon. Mas o cara não é tão difícil de matar quanto parece.

A sexta fase parece a segunda, exceto pela dificuldade, que já está bem mais elevada.

O chefão da sexta fase parece um enorme Orc, e o cara – além de atirar bolas de fogo – fica criando rachaduras na terra para o chão engolir nosso herói.

A sétima fase é uma espécie de píer infestado de fantasmas e outros inimigos que não dão sossego ao jogador.

O chefão dessa fase é … esse baixinho babaca?!? Depois de uma série de chefões de fase gigantescos e ameaçadores, o jogo surpreende com esse chefinho de fase atarracado. Mas o pior de tudo é que ele é um dos chefes mais ralados do jogo. Ele surge na porta de cima, ataca o herói e depois de um tempo some pela parte de baixo, para reaparecer em cima de novo. Enquanto isso, vários inimigos semelhantes, de armadura azul, ficam azucrinando o jogador.

A fase 8 é num castelo e … sim, sim, você já viu esse cenário antes.

Olha a quantidade de cretinos que infestam a tela! É mole?  Esse jogo era ralado até dizer chega. Não consigo nem imaginar como é que alguém chegava tão longe nesse jogo sem recorrer aos maravilhos recursos de “save state” dos emuladores de hoje em dia!

O último chefão do game é esse monstrengo que parece um trevo de quatro folhas coberto de olhos. Esse combate final é osso duríssimo de roer. O padrão de ataque do inimigo não é dos piores, mas ele simplesmente requer uma infinidade de tiros até morrer.

Depois de toda essa ralação, Popolon finalmente reecontra a sua amada Aphrodite. Agora eles viverão felizes para sempre e o jogador terá um merecido descanso, certo?

Errado! Depois do fim, o jogo simplesmente recomeça, tendo a primeira fase como “estágio 9”. E aí, vai encarar? Eu não, pelo amor de Deus, chegaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Revirando revistas antigas

Visitei um sebo em São Leopoldo na semana passada e encontrei algumas preciosidades dignas de nota: um monte de revistas americanas Electronic Gaming Monthly, GamePro e EGM2, todas datadas de 1992 a 1994, pela inacreditável bagatela de R$ 2,50 cada uma. Sim, revistas importadas, com 150 páginas cada, antiguíssimas e em excelente estado de conservação por DOIS REAIS E CINQUENTA!

Dei a sorte, ainda, de que uma delas fosse nada menos do que a edição NÚMERO 1 da EGM2, datada de julho de 1994. A EGM2 foi um “filhote” da Electronic Gaming Monthly original, e era mais voltada para dicas, estratégias, detonados e coisas do tipo. Confiram aí a capa da edição, que apresentava um comparativo entre MORTAL KOMBAT II e SUPER STREET FIGHTER II. Sim, eu sei, é coisa pra infartar qualquer retrogamer.

Dei sorte também com as GAMEPRO. A mais velha que consegui é de outubro de 1992(!), e a mais nova é de julho de 1994. Mas entre as que comprei, estão quase todas as do ano de 1993 (faltaram apenas as edições de janeiro, outubro, novembro e dezembro).

Quase choraminguei com a edição da GamePro de setembro de 1993, apresentando o lançamento mais quente da época: as versões domésticas do primeiríssimo MORTAL KOMBAT. O jogo foi matéria de capa da revista, que fez um review de duas páginas para cada versão de Mortal Kombat que estava sendo lançada, ou seja, para Super Nes, Mega Drive, Game Gear e Game Boy.

Várias coisas chamam a atenção lendo essas velharias. A primeira edição da EGM2, por exemplo, endeusava o recém-lançado 32X da Sega, que “transformaria o Mega Drive em um Arcade”! A revista ressaltava a grande quantidade de empresas que já estavam comprometidas com a nova plataforma, e sintetizava seu otimismo dizendo que “o futuro parece bom para o 32X“.

Pobrezinhos, COMO eles poderiam saber que esse apetrecho entraria para a história dos videogames como um dos maiores fracassos de todos os tempos, e que terminaria seus dias com míseros 39 jogos lançados?

Outra coisa divertida é conferir a quantidade de anúncios arrogantes do fracassado JAGUAR da Atari que aparecem nessas revistas. As propagandas do Jaguar chegavam a ocupar duas páginas nas publicações, e terminavam sempre com o bordão “DO THE MATH” (faça as contas) no final, alardeando os supostos 64-bits do console. O tempo veio a mostrar que a propaganda da Atari era enganosa, e que o Jaguar na verdade era muito menos poderoso do que os consoles de 32-bits que saíram depois (Playstation e Saturn).

Por outro lado, é legal conferir como a crítica na época babava em cima dos games do SEGA CD, que realmente eram impressionantes naquele tempo. O Sega CD acabou entrando para a história como um relativo fracasso, e foi rapidamente esquecido e atropelado pela “geração Playstation”. Mas, ao contrário de plataformas estéreis como o 32X e o Jaguar, o Sega CD chegou a ocupar seu lugar na história e teve seus dias de glória.

Enfim, fica a dica, caros retrogamers: vale à pena ficar de olho em certos sebos. Vocês podem conseguir verdadeiros tesouros ancestrais da mídia gamer por preços inacreditavelmente baixos.