ELEVATOR ACTION (1983, Arcades)


Eu tinha algo em torno de seis anos de idade e o ano era entre 1987 e 1989 – vamos ficar com 1988. Lembro de entrar num fliperama (o nome que se dava para as máquinas de arcade aqui no Brasil) e me deparar com um game bastante peculiar. Naquela época, a maioria dos jogos consistia em controlar um carrinho numa pista, ou um canhão atirando em naves alienígenas, ou um personagem que se movia horizontalmente na tela. Mas esse jogo era diferente: aparentemente, o jogador controlava um carinha que invadia um prédio pelo telhado e o atravessa verticalmente por elevadores e escadas rolantes, fugindo de inimigos armados e entrando em algumas salas para roubar documentos. Uau, aquilo era o máximo! Era realmente diferente do que eu estava acostumado a ver no meu Atari em casa, e parecia que alguém tinha traduzido para os videogames aquele espírito das tirinhas SPY Vs SPY da revista MAD.

Essa minha breve memória de infância traduz meu contato com o arcade original de Elevator Action, lançado em 1983 pela Taito, e que foi um dos maiores sucessos daquele ano, permanecendo relativamente popular ao longo dos anos 80. O jogo ganhou versões para diversos videogames e microcomputadores da época. A versão que eu mais joguei foi a do MSX, por volta de 1993.

O fascínio que Elevator Action exerceu sobre mim já à primeira vista, na minha infância, foi justamente em virtude da principal razão de seu sucesso: a sua mecânica original. A idéia de explorar uma fase (o prédio) verticalmente, de cima para baixo, era absolutamente inovadora para a época. Aliado a outros elementos (os gráficos caprichados para os padrões da época, a divertida e inesquecível música-tema, a troca de tiros com espiões inimigos, os elevadores e escadas rolantes), o sucesso de Elevator Action acabou sendo natural e mais do que merecido.

A história do game é simples: o jogador encarna um espião – o Agente 17, codinome “Otto” – que se infiltra num prédio pela cobertura. O objetivo é roubar uma série de documentos confidenciais escondidos em diferentes salas e sair vivo do prédio pelo andar térreo, fugindo de carro. O problema é que, naturalmente, o lugar está minado de espiões inimigos, todos bem armados.

Embora fosse inovador para seu tempo, Elevator Action possui uma dinâmica característica dos jogos da segunda geração de videogames (tecnicamente, eu o situaria como um representante do final da segunda geração e começo da terceira). O jogo não tem fim, tampouco uma história progressiva. Ao completar uma missão saindo vivo de um prédio, o jogador é automaticamente colocado no topo de um prédio semelhante, onde terá que executar as mesmas tarefas, porém enfrentando um nível de dificuldade maior, e assim sucessivamente até que sejam perdidas todas as vidas. Como era de praxe na “Era de Ouro dos Arcades“, o objetivo nos games não era avançar de fase nem “virar” o jogo, mas sim batalhar pelo melhor score possível em número de pontos.

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AS VERSÕES

A melhor e mais fiel versão caseira de Elevator Action era a do NES, o console mais popular de seu tempo (embora essa popularidade só tenha se consolidado na segunda metade dos anos 80). Elevator Action foi um título dos primeiros anos do NES, e o hardware do aparelho dava conta de uma boa adaptação do arcade com tranquilidade. Curiosamente, o espião herói do game virou ruivo nessa versão (seu cabelo era cinza no original).

Versão NES

Versão SPECTRUM

Várias versões foram lançadas para microcomputadores da época. O Commodore 64 era o micro mais popular nos EUA nos anos 80, mas a sua versão de Elevator Action é mais feia do que um desastre de trem! A versão do Spectrum era competente para os padrões do micro, mas ficou muito diferente do visual original dos arcades. A versão do Amstrad CPC era bonitinha, e curiosamente era a única que exibia o protagonista da forma como ele era ilustrado no flyer original do arcade, ou seja, com cabelos loiros cacheados (embora no próprio arcade o protagonista tenha um cabelo diferente).

Versão COMMODORE 64

Versão AMSTRAD CPC


De todas as versões para microcomputadores, a melhor indiscutivelmente é a do MSX. A versão é muito parecida com a do NES, exceto por um pequeno defeito: no arcade e no NES, os espiões inimigos têm pele clara e roupas pretas, e são bem definidos. No MSX, as roupas dos inimigos são azuis, assim com os olhos deles, mas os inimigos não possuem outros traços de corpo ou pele visíveis. Com isso, ficam parecendo o Homem Invisível com roupa! É um detalhe que deixa o jogo levemente menos agradável, em termos de visual, do que a versão do NES. De resto, a versão MSX é muito fiel ao arcade. Tive sorte de essa ser justamente a versão que mais joguei na vida, e era uma satisfação ver uma adaptação tão legal desta minha antiga paixão dos arcades rodando no meu adorado micrinho de 8-bits.


Versão MSX


Em 2001, foi revelada ao mundo uma versão para o clássico Atari 2600, que chegou a ser 75% finalizada na época, porém foi engavetada em virtude do “crash” do mercado de videogames ocorrido entre 1983 e 1984. A análise do protótipo mostrou que a versão teria gráficos bem inferiores ao original (o que já seria de se esperar), mas mantendo uma surpreendente fidelidade em termos de jogabilidade. Poderia ter sido um dos grandes games da biblioteca do Atari.


Versão ATARI 2600


REMAKES E CONTINUAÇÕES

Em 1991, um remake de Elevator Action foi lançado para o Game Boy. Com gráficos redesenhados e inclusão de novos elementos (como armas novas e bombas), esta versão portátil se mostrou bastante interessante, apesar da jogabilidade diferente e mais lenta.

Remake para o GAME BOY (1991)


Falando em remakes diferenciados, existem mais dois dignos de nota: Elevator Action EX (lançado em 2000 para o Game Boy Color no Japão e na Europa, mas readaptado como Dexter’s Laboratory – Robot Rampage nos Estados Unidos) e Elevator Action – Old & New (lançado em 2002 para o Game Boy Advance, apenas no Japão). Não dá pra esquecer, ainda, da única verdadeira sequência que o game teve: Elevator Action Returns (ou Elevator Action II), lançado em 1994 nos arcades e adaptado para o Sega Saturn alguns anos depois. Elevator Action Returns apareceu, posteriormente, na coletânea Taito Legends 2, lançada em 2006 para Playstation-2, PC e Xbox.

Elevator Action – Old & New, do GAME BOY ADVANCE.


Elevator Action Returns (1994)


COLETÂNEAS

No ocidente, Elevator Action reapareceu nas seguintes coletâneas de games antigos: Taito Legends (lançada em 2005 para Playstation 2, PC e Xbox) e Taito Legends Power-Up (lançada em 2006 para o portátil PSP da Sony). Essas coletâneas são uma boa pedida para matar a saudade deste clássico (ou conhecê-lo tardiamente) em videogames mais modernos.

Consegui sair vivo! Até o próximo review, pessoal!

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12 pensamentos sobre “ELEVATOR ACTION (1983, Arcades)

  1. O Moonwalker do Michael Jackson para Mega e Master tinha mecânica bastante parecida com a de Elevator Action. Nos arcades era diferente, um show.

  2. ola..
    Sempre aquele jogo da motinha?? se vai fazendo uma viagem ate chegar a New York, ONde encontro??? tem adaptado pra play 2??
    Obrigado..

  3. O jogo da motinha chama-se TRAVERSE USA (ZIPPY RACE). Você encontra no mercado livre. Procure como MAME. Roda no PC.

  4. Este é um dos jogos clássicos dos fliperamas dos anos 80. Entra na lista dos grandes: Choplifter, New Rally X, Ms. Pacman, Galaga, Moon Patrol, Ghost’n Goblins, Zippy Race, e este mesmo que você pensou. Na epoca o videogame caseiro da maioria era o Atari 2600 e seus clones, com personagens quadradões e som tosco. E nos fliperamas tudo era MUITO mais colorido e definido, assim como o som, que ano após ano melhorava e distanciava ainda mais do que tinhamos em casa. Anos 80, a decada de ouro dos fliperamas, e eterna lembrança de quem foi criança jogando fliperama, num canto de bar sujo com o resto da molecada.

  5. Esse game é show….

    saudades…

    jogo muito ele no meu PS2….

    E outros clásssicos da época de ouro dos flippers..
    os anos 80

    valeu..

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