Revirando revistas antigas

Visitei um sebo em São Leopoldo na semana passada e encontrei algumas preciosidades dignas de nota: um monte de revistas americanas Electronic Gaming Monthly, GamePro e EGM2, todas datadas de 1992 a 1994, pela inacreditável bagatela de R$ 2,50 cada uma. Sim, revistas importadas, com 150 páginas cada, antiguíssimas e em excelente estado de conservação por DOIS REAIS E CINQUENTA!

Dei a sorte, ainda, de que uma delas fosse nada menos do que a edição NÚMERO 1 da EGM2, datada de julho de 1994. A EGM2 foi um “filhote” da Electronic Gaming Monthly original, e era mais voltada para dicas, estratégias, detonados e coisas do tipo. Confiram aí a capa da edição, que apresentava um comparativo entre MORTAL KOMBAT II e SUPER STREET FIGHTER II. Sim, eu sei, é coisa pra infartar qualquer retrogamer.

Dei sorte também com as GAMEPRO. A mais velha que consegui é de outubro de 1992(!), e a mais nova é de julho de 1994. Mas entre as que comprei, estão quase todas as do ano de 1993 (faltaram apenas as edições de janeiro, outubro, novembro e dezembro).

Quase choraminguei com a edição da GamePro de setembro de 1993, apresentando o lançamento mais quente da época: as versões domésticas do primeiríssimo MORTAL KOMBAT. O jogo foi matéria de capa da revista, que fez um review de duas páginas para cada versão de Mortal Kombat que estava sendo lançada, ou seja, para Super Nes, Mega Drive, Game Gear e Game Boy.

Várias coisas chamam a atenção lendo essas velharias. A primeira edição da EGM2, por exemplo, endeusava o recém-lançado 32X da Sega, que “transformaria o Mega Drive em um Arcade”! A revista ressaltava a grande quantidade de empresas que já estavam comprometidas com a nova plataforma, e sintetizava seu otimismo dizendo que “o futuro parece bom para o 32X“.

Pobrezinhos, COMO eles poderiam saber que esse apetrecho entraria para a história dos videogames como um dos maiores fracassos de todos os tempos, e que terminaria seus dias com míseros 39 jogos lançados?

Outra coisa divertida é conferir a quantidade de anúncios arrogantes do fracassado JAGUAR da Atari que aparecem nessas revistas. As propagandas do Jaguar chegavam a ocupar duas páginas nas publicações, e terminavam sempre com o bordão “DO THE MATH” (faça as contas) no final, alardeando os supostos 64-bits do console. O tempo veio a mostrar que a propaganda da Atari era enganosa, e que o Jaguar na verdade era muito menos poderoso do que os consoles de 32-bits que saíram depois (Playstation e Saturn).

Por outro lado, é legal conferir como a crítica na época babava em cima dos games do SEGA CD, que realmente eram impressionantes naquele tempo. O Sega CD acabou entrando para a história como um relativo fracasso, e foi rapidamente esquecido e atropelado pela “geração Playstation”. Mas, ao contrário de plataformas estéreis como o 32X e o Jaguar, o Sega CD chegou a ocupar seu lugar na história e teve seus dias de glória.

Enfim, fica a dica, caros retrogamers: vale à pena ficar de olho em certos sebos. Vocês podem conseguir verdadeiros tesouros ancestrais da mídia gamer por preços inacreditavelmente baixos.

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2 pensamentos sobre “Revirando revistas antigas

  1. Ótima dica.

    Faz horas que não visito uns sebos (e quando vou, geralmente estou em busca de algum livro ou gibi).

    Vou começar a “observar” os sebos em busca de revistas antigas de games, quem sabe não descolo umas raridades também?

    Enfim, valeu pela dica.

    Ótima matéria.

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