UNCLE FESTER’S QUEST – THE ADDAMS FAMILY (1990, NES)

Aqui no Cemetery Games, a gente gosta de games antigos de qualidade. Mas é ilusão achar que todos os games da 3ª e 4ª geração eram legais. Assim como hoje, as prateleiras eram entupidas também com muito lixo. Hoje nós vamos falar de um desses exemplares deploráveis de jogos antigos.

No que você pensa quando ouve falar na Família Addams? Piadas de humor negro? Fantasmas? Cemitérios à luz do luar? Mansões decrépitas em estilo gótico? Uma mão sem corpo saindo de uma caixinha e correndo por aí? Um mordomo com as feições do monstro de Frankenstein? Bruxaria, artefatos macabros, plantas carnívoras?

E que tal em … ALIENÍGENAS?!? Não, né? Alienígenas certamente não combinam com o tema “Família Addams”. Ainda assim, sabe-se lá por qual motivo incompreensível, a produtora Sunsoft resolveu fazer  Uncle Fester’s Quest – The Addams Family (o primeiro videogame da Família Addams de todos os tempos!) baseado numa … invasão alienígena.

Ai, meu saco!

Tudo bem, dá pra compreender que o jogo não fosse baseado no filme The Addams Family, de 1991, que revitalizou os personagens da antiga série de TV dos anos 60. Afinal de contas, esse game do NES foi lançado um ano antes do filme, na onda do hype gerado pela produção da película. Mas, porca miséria, será que não podiam aparecer com uma historinha melhor? Tio Fester atirando em ETs?!? Caramba, é um conceito tão retardado e arbitrário que ficamos a imaginar o que mais a Sunsoft pode ter pensado na época. Será que cogitaram um game de culinária com a Mortícia? Ou quem sabe Gomes Addams num labirinto, fugindo de fantasmas e tendo que comer todas as pastilhas pra passar de fase?

Mas o pior de tudo é que a história ridícula é o menor dos problemas do game. Após assistir a uma das mais bonitas e bem feitas introduções de um jogo para console de 8-bits, o jogador é atirado num game de tiro com gráficos horríveis, chatíssimo, com design de fases abominável e jogabilidade tosca. Tio Fester sai andando pelas ruas da cidade, atirando em alienígenas que parecem sapos e em outros que parecem poças de sagú, andando também pelos esgotos. Sim, um Addams com uma arma laser matando ETs nos esgotos da cidade! Isso é que eu chamo de aproveitar “bem” os personagens.

Esse game é uma decepção MUITO grande pra mim por dois motivos. Primeiro, porque eu sou um fã de longa data dos Addams (desde antes da época em que o filme estava pra sair). Segundo, porque eu tinha uns nove ou dez anos de idade quando comprei uma saudosa revista AÇÃO GAMES (alguém lembra?) nas bancas e vi o anúncio desse jogo. A pequena matéria que falava sobre o game, sabiamente, mostrou apenas imagens da tela de abertura, o que fazia o jogo parecer lindo. Na época, só faltou eu ter um ataque cardíaco! Minha reação foi algo como “oh meu Deus, oh meu Deus, um game da FAMÍLIA ADDAMS pro Nintendo!!! Deve ser a coisa mais legal do mundo, com certeza!!!“.

Foi apenas depois de muitos anos que eu fui ter a oportunidade de conhecer esse jogo e … rapidamente dei graças a Deus por ter sido poupado de semelhante flagelo na infância.

Para provar que não estou de sacanagem, vejam o review do game que a revista britânica Computer and Video Games fez na época do lançamento:

Uncle Fester – que personagem maluco. Uncle Fester – que droga de jogo. Depois da fabulosa sequencia de abertura com o banho de lua de Fester e a a música funkadelic na tela título, a jogabilidade sem recompensas de andar e atirar foi uma decepção. Você apenas anda e anda e atira em monstros que parecem bolhas e que reaparecem no momento em que a tela se move, e o potencial humorístico do Tio Fester nunca é de fato usado durante o jogo. Mesmo os gráficos são falhados e pouco impressionantes, então não há sequer muito estímulo para jogar e chegar até a próxima porção do jogo. É de se reconhecer que, quanto ao preço, este é um dos cartuchos mais baratos do catálogo da Nintendo, mas é melhor você salvar seu dinheiro para perto do Natal, quando haverá alguns lançamentos realmente bons da Sunsoft saindo. NOTA: 56%“.

Tirando a sequencia de abertura e a arte da caixinha, simplesmente não há nada de positivo a dizer sobre esse lamentável game. Em 1992, a Ocean lançou um game bem melhor, baseado no filme, chamado simplesmente The Addams Family. O jogo saiu pra tudo o que era máquina de rodar jogo na época (Game Boy, Game Gear, NES, Master System, ZX Spectrum, Commodore 64, Mega Drive e Super Nes), e não era perfeito – mas dava de dez a zero em Uncle Fester’s Quest. Sorte da Família Addams!

A sequencia de abertura mostra a mansão Addams e, ali perto, o Tio Fester tomando um banho de lua e curtindo uma birita. De repente, um disco voador surge ao fundo e lança um raio sobre a cidade. É uma das aberturas mais divertidas e bem-feitas já vistas num jogo da terceira geração de videogames.  O problema é que, depois disso, o jogo vira uma porcaria!


Uma das várias coisas chatas desse game: a arma laser com “efeito bumerangue”. Os tiros saem em “ziguezague” e frequentemente não acertam os inimigos, obrigando Fester a recuar ou mesmo causando a morte do personagem.

Uma das várias coisas chatas desse game: os “paus de sprite” (quando partes dos personagens somem por falta de memória ou conflito de vídeo). Era um defeito relativamente comum nos jogos da era 8-bits, mas aqui os programadores não se esforçaram nem um pouquinho. Repare que partes do corpo do Tio Fester ficam sumindo o tempo todo.

Uma das várias coisas chatas desse game: a maioria dos inimigos requer um zilhão de tiros para morrer, dando a sensação de que você está sempre armado com uma funda. E tem mais: a barra de energia de Fester tem apenas dois risquinhos! Se for encostado duas vezes por um inimigo – ainda que seja um mero ratinho de esgoto – é GAME OVER! Acha que é só isso? Não, é claro que tem mais: a opção “CONTINUE” preserva apenas sua arma, mas o coloca de volta no começo da fase, seja lá onde você estava quando morreu. Que noção peculiar de “continue”, não?


O menu do jogo mostra a potência da arma de Fester no momento e a quantidade de itens que o jogador possui.

Uma das várias coisas chatas desse game: alguns inimigos, como essa bolha verde mal feita, se MULTIPLICAM conforme você atira neles. Ou seja, quanto mais você luta, mais precisa recuar para fugir dos inimigos – e ainda tem que sofrer para acertá-los com os tiros em ziguezague. Claro, dá pra usar a dinamite (TNT) pra detoná-los com mais facilidade … mas não custa lembrar que a dinamite é limitada!

Em alguns lugares, Fester encontra membros da família, que lhe presenteiam com itens úteis para a aventura.

Repare na mansão de filme de terror no fundo, nos raios de tempestade e na aranha. Evidentemente, nenhum desses elementos de horror foram aproveitados no game, que preferiu investir em armas laser, ratos de esgoto, bolhas verdes, sapos e outras monstruosidades alienígenas esdrúxulas.  Eu sempre achei muito legal essa caixinha do game, mas pela primeira vez estou reparando que Fester parece estar de batom e usando um casaco de peles! Pô, Sunsoft, não precisavam sacanear o Tio Fester com esse visual de travesti da terceira idade, né?!?

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3 pensamentos sobre “UNCLE FESTER’S QUEST – THE ADDAMS FAMILY (1990, NES)

  1. Pingback: THE ADDAMS FAMILY (1991, GAME BOY) «

    • Uncle Fester’s Quest é um caso para o PROCOM mesmo hehehe. Aquela capa bacana e imaginativa capturava a atenção de qualquer fã da Família Addams, e daí depois a pessoa dava de cara com aquele game HORRÍVEL e chatíssimo. Era (e ainda é) realmente de doer …

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