AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE JANEIRO DE 1994

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Bem-vindos a mais um verão retrogamer, leitores fieis do Cemetery Games! Para comemorarmos a estação mais quente do ano com muito saudosismo gamístico, aqui vai uma reportagem da revista Retro Gamer que nos informa o que estava acontecendo de mais excitante no mundo dos videogames há exatos vinte anos atrás, neste mês de janeiro … de 1994!

Muito sol, mar, piscinas, praias e videogames antigos para todos vocês!

Feliz Ano Novo!

Os microcomputadores Commodore 64 e o Amiga eram ambos ótimos, mas o que teria acontecido se um elo perdido entre os dois tivesse sido lançado? Notícias do mítico Commodore 65 – ou C64DX, para dar seu outro nome – têm pipocado por anos, e este mês algumas revistas inglesas revelaram novidades interessantes sobre o aparelho.

A Commodore vinha desenvolvendo o C65 desde 1989, sendo que o projeto foi reportado como cancelado em 1991, presumivelmente em virtude do sucesso do Amiga. Vislumbres ocasionais da máquina apareceram aqui e ali, geralmente não passando de protótipos, mas foi só quando a Commodore veio a falir que um lote de 500 máquinas veio a ser comprado por uma empresa chamada Grapevine, durante o leilão para esvaziamento de um depósito da Commodore, sendo que essas máquinas depois vieram a ser vendidas em outros leilões em mercado aberto. Pelo que se constatou, o C65 entrou em produção poucas semanas antes da falência da Commodore …

C65

O computador em si parecia similar ao Amiga em estilo, tendo um disk drive de 3.5 polegadas e um processador 6502 customizado como CPU, bem como dois chips SID e 128K de memória RAM, mas continuava sendo um verdadeiro microcomputador de 8-bits. Apesar de ser uma versão muito aprimorada do C64, ele teria mais em comum com o Amiga, porém mantendo a compatibilidade com o C64. Tristemente, os micros de 8-bits naquela época já haviam vivido seus dias de glória e a Commodore perdeu o navio, o que é uma pena porque o C65 parecia ótimo.

Os jogadores de Super Nes nos EUA e no Japão já haviam recebido o game há alguns meses, mas a Europa ainda aguardava que a Squaresoft lançasse Secret of Mana, o aclamado RPG. Com seus gráficos bonitos e visão “de cima” no estilo Zelda, Secret of Mana ainda tinha a incomum opção do modo para três jogadores simultâneos, apesar de precisar, para isso, de um acessório adicional.

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Quando finalmente atingiu o mercado inglês (em novembro de 1994), Secret of Mana já era tido em alta conta, com status de clássico. As resenhas das revistas inglesas apenas confirmaram o que todo mundo já sabia: não deixe de comprar!

Boas notícias vieram da Midway quando a empresa anunciou que o seu arcade Mortal Kombat II, lançado em novembro de 1993, seria adaptado para os consoles da época. Com o primeiro jogo da série circulando já há algum tempo e ainda vendendo extremamente bem, a decisão de lançar uma continuação certamente não foi uma decisão difícil para a Midway.

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Mortal Kombat II viria a introduzir vários novos personagens, com uma significativa presença feminina – Kitana e o seu “clone” Mileena. Os proprietários de Mega Drive, Super Nes, Game Boy e Amiga podiam esperar pela chegada do novo game no final do verão. O jogo foi considerado como superior ao primeiro título da série, com a versão para Super Nes sendo considerada a conversão doméstica definitiva do arcade.

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Argonaut e Nintendo estavam prontas para nos trazer, novamente em conjunto, a continuação para Super Nes do mundo poligonal de Star Fox. As aventuras de Fox McCloud e a sua equipe mais uma vez consistiam em derrotar Andross, proteger o planeta Corneria e o sistema solar Lylat e lutar contra vilões secundários na equipe Star Wolf. O game prometia ser muito maior que o original e deixar de lado as missões lineares, oferecendo um estilo de vôo livre, com mais exploração. Tudo parecia realmente muito bom, e com a versão japonesa de Star Fox 2 já estando finalizada, o lançamento parecia próximo. Pelo menos foi isso o que todo mundo pensou na época …

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Ao invés de lançar o jogo para o Super Nes, a Nintendo decidiu segurá-lo para não afastar os olhares dos consumidores do seu novo videogame já em desenvolvimento, que viria a ser o Nintendo 64. Assim, apesar da programação do jogo estar praticamente terminada – e apesar de o Nintendo 64 só ter sido finalmente lançado mais de dois anos e meio depois -, o que acabou acontecendo é que Star Fox 2 foi arquivado, jamais tendo sido lançado.

Um título calorosamente aguardado que veio a ser lançado este mês foi Sensible Soccer, para Super Nes e Mega Drive. Com o rei dos games de futebol fazendo história no Amiga, era hora de uma transição para os consoles … mas como ela iria se sair?

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Afortunadamente para todos os jogadores preocupados da época, a conversão era ótima. A jogabilidade e as qualidades viciantes da versão do Amiga foram mantidas, e apesar de games de futebol com gráficos melhores terem sido lançados no decorrer dos anos, Sensible Soccer permanece firme como um favorito no estilo e candidato a melhor jogo de futebol de todos os tempos.

Os rappers alienígenas estavam de volta ao Mega Drive com o lançamento de ToeJam & Earl in Panic on Funktron. O culto ao redor do primeiro game da série implicou em grandes expectativas quanto a esta continuação, que mostrava os dois heróis extra-terrestres de volta ao seu planeta natal, Funktron, depois de escaparem da Terra no primeiro game. No entanto, dejetos de fabricação humana foram acidentalmente trazidos na viagem, e a tarefa dos heróis é coletar todos eles e mandá-los de volta para a Terra.

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ToeJam 2 foi muito bem recebido apesar de fugir da fórmula bem-sucedida do jogo original. A continuação era um típico jogo de plataforma side-scroller ao invés de uma caça-ao-tesouro de exploração livre. ToeJam 2 era bem executado e a jogabilidade era boa, mas não tinha a magia do primeiro game. Apesar de as revistas da época terem rasgado seda para o jogo e para seu visual e trilha sonora, os verdadeiros críticos foram os fãs do primeiro ToeJam & Earl, que ficaram desapontados com a mudança de estilo do jogo.

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Naquele mês, a revista britânica Super Play (dedicada exclusivamente ao Super Nes) anunciava os últimos lançamentos e gentilmente nos informava que Alladim (Capcom), Macross (Zamuse), Flashback (Sony/Delphine), Alfred Chicken (Mindscape), Secret of Mana (Squaresoft), Sensible Soccer (Sony), Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters (Konami), F1 Pole Position (Ubisoft), The Legend of the Mystical Ninja (Konami) e Super Bomberman (Sony) eram, todos eles, peças douradas e reluzentes de brilhantismo videogâmico. Para ser justo, a maioria era …

(Matéria originalmente publicada na edição nº 90 da revista Retro Gamer, em maio de 2011. Tradução para o português: blog Cemetery Games).

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COSMIC CARNAGE (1994, Sega 32X)

Todo jogador das antigas lembra do Sega 32X, mas caso você tenha passado os anos 90 na escola primária ou aprendendo a caminhar, aqui vai uma explicação resumida do que vinha a ser esse bicho: em 1994, o Mega Drive já contava com seis anos de vida. Era o videogame mais bem sucedido da história da Sega e disputava o mercado de consoles de 16-bits, taco a taco, com o Super Nintendo (jamais existiu, antes ou depois, outra geração de videogames em que o mercado foi tão disputado). No entanto, apesar dos seus muitos méritos, o console já dava sinais de cansaço. Sabendo que a próxima geração ainda precisaria de um pouco mais de tempo para dar as caras, a Sega teve a “genial” ideia de lançar um periférico para o Mega Drive. Um aparelho que, acoplado ao console, tornaria ele sensivelmente mais poderoso do que o Super Nintendo – uma espécie de geração “4.5”. Nascia o Sega 32X.


E como essa história acabou? Quem é das antigas, sabe bem: o 32X se tornou um dos maiores fiascos da história dos videogames, teve morte prematura antes do final do ano de 1995 e saiu de cena com a risível quantidade de apenas 40 games lançados para a plataforma. Foi o começo da derrocada da Sega como fabricante de consoles.

Mas isso, meus amigos, não é o pior de tudo. Se pelo menos o aparelho tivesse sido contemplado com bons games na sua curta vida útil, isso bastaria para dar a ele um lugarzinho tardio de honra na história. Mas não foi o que aconteceu. Como se não bastasse o fato de ter recebido apenas 40 games, o pior de tudo é que a imensa maioria desses títulos vai do medíocre ao realmente ruim, tornando a biblioteca de jogos do 32X uma das mais vergonhosas de todos os tempos, não apenas no critério quantitativo como também no critério qualitativo. E Cosmic Carnage é, com certeza, um belo exemplo dessa triste verdade.

Lançado pela Sega em 1994, Cosmic Carnage é um dos poucos games do 32X lançados exclusivamente para esta plataforma. E sim, ele é ruim – ruim de doer!

Na trama de Cosmic Carnage, um bando de perigosos criminosos alienígenas está sendo movido para uma colônia penal, mas os bandidos acabam criando uma rebelião e tomando o controle da nave. O problema é que, na batalha, a nave fica seriamente avariada. Então, os malignos criminosos intergaláticos lançam um sinal de socorro que acaba atraindo uma nave militar. Os aliens marginais atacam a nave e, no combate, ambas ficam destruídas, sobrando apenas um módulo de fuga para um indivíduo. Agora, os quatro soldados sobreviventes da nave militar e os quatro criminosos alienígenas sobreviventes terão que se degladiar, num combate mano-a-mano, para decidir na porrada quem ficará com o desejado escape pod.

Não é a história mais imbecil que você já viu na vida? Mas acredite: a trama está longe de ser a pior coisa do jogo!

Cosmic Carnage é basicamente um fighting game que tentava pegar carona no grande sucesso que as séries Mortal Kombat e Street Fighter faziam na época, mas ele peca em todos os aspectos que fizeram a fama de seus concorrentes. A pior coisa em Cosmic Carnage, sem dúvida, é a jogabilidade tosca, truncada e ineficiente. Não importa o personagem que você escolha, todas as lutas mais parecem uma briga de velhos aleijados num asilo.


A animação dos lutadores é igualmente precária. Para ser sincero, mal dá para acreditar que esse é um fighting game lançado anos depois do clássico Street Fighter II. Sua jogabilidade tacanha fica devendo até na comparação com alguns games do estilo lançados nos anos 80 para sistemas de 8-bits. É, a coisa é assim grave mesmo.


Os gráficos de Cosmic Carnage não chegam a ser horríveis, mas são muito fracos para um sistema que tinha a ambição de ser “uma evolução” dos sistemas de 16-bits. Visualmente, Cosmic Carnage lembra um jogo mediano normal de Mega Drive ou Super Nes – exceto pelo uso excessivo do efeito de zoom, scaling e da ampla paleta de cores, o que evidentemente foi feito pela Sega apenas para servir como “demonstração de poder” do 32X, exibindo à exaustão efeitos que o Mega Drive, sozinho, não era capaz de produzir. A verdade, no entanto, é que tudo isso acrescenta muito pouco (“nada” talvez fosse um termo mais apropriado) ao jogo.


Para que tudo em Cosmic Carnage fosse uniformemente ruim, a Sega parece não ter dado muita importância para o design dos cenários também. Todas as locações são desinteressantes e burocráticas, falhando por completo em repetir uma das grandes qualidades de Street Fighter II ou Mortal Kombat, que era a rica diversidade de cenários interessantes. A equipe de desenvolvimento de Cosmic Carnage parece ter se preocupado só em mostrar as capacidades de scaling e cores do 32X, pois claramente não houve maiores esforços no desing dos lutadores, nem dos cenários, nem no aprimoramento da jogabilidade, nem em … bom, em nada, enfim.

Eu diria que a coisa “menos ruim” em Cosmic Carnage é a trilha sonora. As músicas não chegam a ser memoráveis, mas são razoáveis e soam bem. Pena que o estímulo auditivo não seja suficiente para aliviar o jogador da angústia de assistir duas múmias paralíticas se degladiando de forma desajeitada na tela, com um cenário burocrático qualquer no fundo.


Conclusão: nenhuma paixão por games antigos ou gosto pelo retrogaming justifica gastar nenhum tempo de sua vida conhecendo Cosmic Carnage. O jogo é realmente um símbolo da má-qualidade do 32X enquanto plataforma, e ajuda bastante a compreender as razões pelas quais o aparelho foi pro saco tão rapidamente. O jogo é sério candidato a um dos piores fighting games dos anos 90, e realmente sou obrigado a reconhecer que não me orgulha nem um pouco o fato de ter esse jogo entre minha coleção de cartuchos do 32X. Fique longe!

O CEMETERY GAMES COMEMORA A MARCA DE 200.000 VISITANTES!

Em 07 de março de 2009, o Cemetery Games abriu as portas aqui nesse endereço. Três anos e meio depois, o blog agora comemora a marca de DUZENTOS MIL VISITANTES nesse período – um número realmente impressionante para um blog tão despretensioso, underground e desprovido de qualquer tipo de divulgação profissional.

Como eu já escrevi em outras oportunidades, o mérito pelos visitantes habituais não é meu, mas sim dos esforços conjuntos da apaixonada cena retrogamer brasileira, que de uns dois ou três anos para cá já se afirmou como um verdadeiro movimento com vida própria. O surgimento e sucesso de tantos sites e blogs caprichados e competentíssimos sobre o tema é um sinal inequívoco da força com a qual esta cena vem se estabelecendo no Brasil. E, se você ainda tem alguma dúvida, lembre-se que o movimento retrogaming por aqui já se materializou até mesmo nas bancas de todo o país, na forma da excelente revista Old!Gamer (da Editora Europa), que já se encontra em sua décima edição.

Quero começar, portanto, agradecendo a todos os retroblogs parceiros do Cemetery Games: GAGA GAMES, COSMIC EFFECT, SHUGAMES, RETROPLAYERS, GAME SÊNIOR, GAMEBLOGS, GERIATRIC GAMES, 64GAMERS, GLSTOQUE, QG MASTER, RETROBITS, DATA CASSETE e NES ARCHIVE (me xingue se eu estiver esquecendo algum). O trabalho de vocês é maravilhoso, pessoal, e essa nova e poderosa cena retrogamer nacional são VOCÊS!

Por ser um blog tocado por uma única pessoa, em alguns períodos a coisa no Cemetery Games anda num passo bem mais lento do que eu gostaria. Mas, aqui, a coisa tarda mas não falha. As épocas de postagens mais escassas logo dão espaço a períodos de material farto. E os projetos em andamento – Maratona Atari, Detonado Final Fantasy I, etc – serão desenvolvidos até o final, mesmo andando em passo de morto-vivo!

Para encerrar, quero fazer um agradecimento especial a você, leitor fiel e habitual do Cemetery Games. Este blog é feito para compartilhar memórias e informações com você, e se algum dia você já riu, se espantou ou se emocionou com alguma lembrança ou novidade a respeito daquele game velho que marcou a sua infância ou adolescência, então o Cemetery Games cumpriu a sua missão!

Aviso de segurança

Caros retrogamers: como vocês já devem saber, o WordPress (servidor que hospeda o Cemetery Games) sofreu um sério ataque de hackers no começo deste mês, o que resultou em cerca de 30.000 (é, trinta mil!) blogs infectados ou avariados.

Até o presente momento, não há indícios concretos de que o Cemetery Games tenha sido atingido por algum tipo de malware ou software malicioso. Tampouco houve qualquer indicação de que o blog estaria sendo foco de ataques. No entanto, o WordPress vem se apresentando instável em algumas horas do dia, o que sugere cautela.

Recomendo que vocês mantenham um bom antivírus atualizado em permanente funcionamento no computador (sugiro o Avira, que é muito melhor do que o AVG e o Avast para esse tipo de contaminação). Nenhuma anomalia no Cemetery Games foi relatada até agora, mas se você notar qualquer problema, favor entrar em contato pelo endereço de e-mail habel@sinos.net para relatar o que constatou.

Os problemas com o WordPress têm prejudicado a atualização do blog, mas esse problema deve ser resolvido nos próximos dias.

Agora chega de alarmismo e vamos voltar para os nossos games antigos! 🙂