PAC-MAN (1980, Arcade/ 1982, Atari 2600)


Finalmente chegou o dia! Aproveitando o aniversário de 30 anos deste ícone dos games, irei finalmente falar aqui no Cemetery Games sobre o game fundamental da minha infância e o meu ídolo supremo dos videogames. O pioneiro, o único, o inimitável: PAC-MAN!

TRINTA anos? É, macacada, o tempo voa! Criado pelo honorável senhor Toru Iwatani, da Namco, Pac-Man surgiu nos arcades no Japão em 22 de maio de 1980. O resto é história: o jogo tornou-se um dos maiores sucessos da “Era de Ouro dos Arcades” e virou sinônimo de videogame nos anos 80. O personagem protagonizou trocentos outros games ao longo das décadas seguintes, e deu origem até a um desenho animado.

Mas se você achou que eu iria falar aqui sobre o Pac-Man original dos arcades, se enganou. Não o farei por duas razões. Primeiro, porque Pac-Man é um ícone estabelecido da cultura pop mundial e se alguém AINDA não sabe quem é o personagem e nem sobre o que o game se trata, então essa pessoa já está irremediavelmente perdida para além de qualquer possibilidade de salvação. Segundo, porque eu sequer era nascido quando o game estourou nos arcades. É verdade que o jogo fez sucesso nos fliperamas ao longo de toda a década de 80, mas naqueles tempos a maior parte dos fliperamas não ficava em shoppings e eram frequentados basicamente por adolescentes e adultos jovens. Não eram lugares para crianças de oito ou nove anos de idade. Em outras palavras: quando eu comecei a frequentar fliperamas com habitualidade, Pac-Man já era uma velharia até difícil de encontrar. Por isso, vou tratar do game que joguei à exaustão na infância: o Pac-Man do Atari 2600 (conhecido na época como Atari VCS, de Video Computer System).

Como já seria de se esperar, o sucesso de Pac-Man nos arcades levou o game a ser convertido para tudo o que é máquina de rodar jogo que você possa imaginar. Só não lançaram versões de Pac-Man para ábacos, mimeógrafos, rádio-relógios e fornos de microondas!

A mais famosa dessas versões, naturalmente, foi aquela lançada para o videogame mais popular e comercialmente bem sucedido daquela época, o Atari 2600. Com a respeitabilíssima marca de 7 milhões de cópias vendidas, o game se tornou (de longe) o maior sucesso comercial da história do console. O “detalhe” é que essa versão de Pac-Man para o Atari entrou para a história como um dos piores games de todos os tempos, foi extremamente criticada na época e hoje é considerada até como uma das causas do “crash” do mercado de videogames em 1983/1984.

Será que isso é verdade? Pac-Man do Atari é mesmo ruim assim? A resposta é … sim e não.

Explico: o Pac-Man do Atari é mesmo uma péssima conversão do original dos arcades. É fato público e notório que o jogo foi encomendado às pressas para o programador Tod Frye, que recebeu a missão de fazer uma versão que coubesse num cartucho com memória de 4 Kbytes. Já haviam cartuchos de 8 Kbytes no mercado, mas a Atari queria que o jogo fosse feito num cartucho de memória menor por causa do custo mais baixo de produção. A empresa ambicionava produzir 12 milhões de cópias do cartucho, pois a lógica era de que todo e qualquer proprietário do console Atari iria comprar uma cópia do Pac-Man. Tod Frye cumpriu a missão e desenvolveu todo o game em apenas seis semanas.

Tecnicamente, a ROM do game original dos arcades tinha 16Kbytes (quatro vezes mais do que a versão Atari). Além disso, o arcade de Pac-Man tinha 2 Kbytes de RAM para uso geral e de vídeo, enquanto que o Atari 2600 tinha apenas 128 bytes (16 vezes menos). Em outras palavras, embora o jogo de Frye tenha deixado muito a desejar em relação às expectativas da época, uma coisa é certa: o Atari 2600 não teria condições de rodar o Pac-Man original dos arcades nem que a vaca tussisse e pedisse desculpas depois.

Na prática, o que ficou diferente na versão do Atari? A lista vai longe: os efeitos sonoros e as breves musiquinhas que caracterizavam o game original sumiram nessa adaptação doméstica, e deram lugar a dois ou três barulhinhos. Os fantasmas, que no original tinham nomes e cores distintas, se tornaram genéricos e indiscerníveis um do outro. Pior: no Atari, eles ficam piscando o tempo inteiro. A explicação para esse “fenômeno” é simples: na verdade, os quatro fantasmas nunca aparecem na tela ao mesmo tempo. Por economia de memória, cada fantasma só aparece um de cada vez, de forma intermitente. Como isso ocorre rapidamente, a ilusão visual que se cria é de que todos aparecem ao mesmo tempo piscando.


Outra “heresia” do Pac-Man do Atari é que a geografia do labirinto foi profundamente alterada. As pílulas viraram cubinhos e as frutinhas no meio do labirinto viraram um cubo marrom com um detalhe amarelo no meio. Por fim, as “cut scenes” que apareciam depois de cada duas ou três fases tomaram chá de sumiço na versão caseira.

Enfim, dá pra ver que a reclamação da crítica e do público na época não foi sem motivos. Enquanto conversão do viciante jogo do arcade, a versão de Pac-Man para o Atari era mesmo pavorosa, matada e chinelona até dizer chega. E ainda tem um fator que ajudou a piorar a situação do Atari: na época, em alguns países como Estados Unidos, já estava ocorrendo a popularização dos microcomputadores domésticos, muitos dos quais iriam contar com versões bem superiores de Pac-Man (a versão do game para o Commodore 64, por exemplo, era muito superior a do Atari e saiu apenas um ano depois, em 1983). Resultado: a crítica caindo de pau em cima do jogo do Atari e consumidores revoltados devolvendo o jogo nas lojas em massa.

Pac-Man no Commodore 64: bem mais próximo do visual do game original dos arcades.

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Bem, mas então o Pac-Man do Atari é um game RUIM? Não, nem de longe. Na verdade, o game é um dos títulos mais legais de toda a biblioteca de jogos do console. Ele frustrou os consumidores dos países desenvolvidos, que já conheciam o game original dos arcades há dois anos e que tinham a expectativa de uma adaptação fidedigna. Aqui no Brasil, por exemplo, a coisa não foi bem assim. Por aqui, na primeira metade dos anos 80, não havia uma profusão de microcomputadores popularizados para competir com o Atari. As crianças dos anos 80 como eu não julgaram o Pac-Man do Atari por sua fidelidade ao original do arcade, mas sim por seus próprios méritos e qualidades. E a verdade é que o game era divertidíssimo e muito viciante. Toda a ação que tornou o game lendário para sua época estava lá: o carismático protagonista, os fantasmas, a correria pelo labirinto, as pílulas que faziam Pac-Man virar um comedor de fantasmas, os “túneis de escape” que faziam o personagem sair pelo outro lado da tela, a luta por um high score melhor e por aí vai.

Para quem morava nos EUA, tinha um microcomputador em casa e/ou frequentava casas de fliperama, a versão de Pac-Man do Atari pode ter sido vista como uma porcaria precária e inaceitável. Para quem era criança no Brasil, jovem demais para ir em fliperamas e sem qualquer outra opção de entretenimento eletrônico além do videogame mais popular da época, a versão de Pac-Man (ou Come-Come, como carinhosamente era chamado por todo mundo) para o Atari é uma memória lendária da infância e um ícone tão importante quanto o próprio personagem. Nós tínhamos em casa o jogo de videogame definitivo daqueles tempos. Éramos felizes – e sabíamos!
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Essa era uma das versões nacionais do cartucho do Pac-Man do Atari, fabricado pela CCE para a sua linha Supergame (que era um dos clones nacionais do Atari). Apesar do visual mongolóide e da completa descaracterização do personagem, eu adoro essa ilustração por questões afetivas, pois era esse o cartucho que eu tinha quando criança.

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Existe um certo consenso entre os cientistas de que a ilustração de Pac-Man mais RETARDADA de todos os tempos é esta da versão do jogo para o microcomputador Atari 800. Repare: 1 – nos inexplicáveis braços e pernas do personagem; 2 – nas paredes de castelo; 3 – na ridícula camiseta; 4 – na expressão acéfala do herói; 5 – na bermudinha e nos tênis; 6 – nas pastilhas que VOAM. Por último, mas não menos importante: 7 – quem diabos teve a ideia de colocar esse DENTINHO de abobado no Pac-Man, meu Deus do céu?!?!?

KUNG-FU MASTER (1984 – Arcade, Nes, MSX)

Um dos gêneros de games mais característicos e populares dos anos 80 era o BEAT’ EM UP (algo como “andar e dar porrada”, numa tradução livre e nada literal). O mais renomado representante do estilo naqueles tempos, Double Dragon, era ao mesmo tempo o representante máximo do gênero e o perfeito estereótipo dele: um herói valentão, andando por cenários urbanos, saindo na porrada com gangues de marginais clichê (punks, negões musculosos sem camisa, gente com cabelo colorido, etc) para salvar a namorada raptada pelos bandidos. Na cola de Double Dragon, surgiram alguns dos mais renomados títulos da terceira e quarta geração de videogames, como Streets of Rage, Final Fight, Dragon Ninja, River City Ransom, os vários games das Tartarugas Ninja no estilo e o clássico Golden Axe, que inovou levando o beat’em up dos tradicionais cenários urbanos para um mundo de fantasia medieval.

Apesar disso, pouca gente lembra que o gênero beat’em up, embora popularizado por Double Dragon, não nasceu com ele. Atualmente, existe um certo consenso de que o primeiro beat’em up legítimo foi KUNG-FU MASTER (Spartan X, no original japonês), lançado no final de 1984 nos arcades pela Irem e Data East. Nele, o jogador assumia o papel de Thomas, um habilidoso lutador de artes marciais que invade o esconderijo de um vilão chamado Mr.X, que raptou Sylvia, a namorada do herói.

Arcade

Nunca cheguei a jogar o original dos arcades, mas em 1992 conheci a versão do NES, chamada apenas de KUNG-FU. Um amigo meu tinha acabado de ganhar um Dynavision III e este cartucho tinha vindo com o console. Lembro de ter gostado muito do game, pois a jogabilidade era fluída, haviam vários golpes legais e alguns surpreendentes efeitos de voz digitalizada, o que naturalmente era um luxo para a época. Era o típico game dos “primeiros anos” do NES, longe de figurar entre o que de mais sofisticado o console chegou a apresentar em sua vida útil, mas era um jogo muito bom em sua simplicidade. A versão NES tinha um visual mais econômico do que o game original do arcade, com personagens menores e menos detalhes, mas no geral era uma excelente adaptação.

Nes

Mais ou menos um ano depois, obtive a versão de KUNG-FU MASTER para MSX. O visual desta versão é bem diferente, com personagens mais sérios e menos cartunescos. Ficou bem diferente do arcade e do NES, mas os gráficos são bons no geral. A jogabilidade, no entanto, é mais lenta e os controles não respondem tão bem quanto na versão do NES. Os efeitos de voz digitalizada também estão ausentes no MSX, e o fundo preto não ajudou muito no quesito visual. No geral, é uma versão interessante do clássico, mas a do NES era bem mais legal.

MSX

Na época em que tive um Atari, nunca tomei conhecimento do fato de que o console tinha uma versão de Kung-Fu Master, o que é uma pena. Lançada em 1987, a adaptação do jogo para o clássico (e já velho naquela época) console de segunda geração é surpreendentemente boa, com música fiel ao original e jogabilidade rápida e eficiente. É um dos jogos da 2ª geração mais impressionantes que já vi, do ponto de vista técnico. A ambientação ficou meio prejudicada (os personagens parecem estar usando chapéus ou coisa parecida), mas a ação do original ficou mais ou menos intacta. Realmente, uma conversão milagrosa! Como não poderia deixar de ser, o mérito da obra é da Activision – a softhouse que melhor soube aproveitar os recursos do Atari 2600, muitas vezes tirando leite de pedra e criando vários dos maiores clássicos daquela geração de consoles.

Atari 2600

Kung-Fu Master também teve versões para Atari 7800, Apple II, Commodore 64, Spectrum, DOS e Amstrad CPC, mas nunca cheguei a conhecer nenhuma delas.

Uma curiosidade: o jogo foi baseado no filme Game of Death (1978), estrelado por Bruce Lee. Quem já viu o filme imediatamente reconhecerá, no game original do arcade, o visual do ator e o cenário inspirado na principal locação do filme. Curiosamente, nas adaptações para plataformas domésticas (NES, MSX, etc.) o visual do protagonista foi alterado e as semelhanças óbvias com Bruce Lee, presentes no arcade, desapareceram. Será que rolou medo de processo por uso não autorizado da imagem do autor? Mistério …

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No entanto, no Japão, o game foi batizado de Spartan X para pegar carona no filme chinês de mesmo nome (que não tem nada a ver com o jogo) estrelado pelo popular Jackie Chan. O filme é conhecido no ocidente como Wheels on Meals. Que confusão, né?

KUNG-FU MASTER 2?

Nunca houve um game chamado “Kung-Fu Master 2”, mas isso não significa que esse beat’em up pioneiro nunca tenha recebido continuações. A primeira delas é uma “continuação espiritual” – VIGILANTE, lançado pela Irem em 1988, que possuía jogabilidade semelhante. No entanto, o roteiro e os personagens são diferentes, embora novamente envolvendo um lutador de artes marciais que enfrenta uma gangue para salvar sua namorada.

Em 1990, foi lançado para o Game Boy clássico um game também chamado Kung-Fu Master, que não deixa claro se é um remake ou uma continuação propriamente dita. Apesar da jogabilidade semelhante a do original, essa versão do Game Boy inovava em cenários, roteiro, personagens e golpes.

Por fim, em 1991, sai a verdadeira continuação de Kung-Fu Master: SPARTAN X 2, para o Super Famicom (que era o Super Nes japonês). Infelizmente, como já deu pra notar, o game teve lançamento restrito ao mercado nipônico.

Kung-Fu Master (Game Boy)

PIT-FIGHTER (1990, Arcade)

O pessoal mais jovem não vai lembrar disso, mas já existiu um mundo pré-STREET FIGHTER II. Ao ser lançado em 1991, o clássico da Capcom consolidou o gênero “games de luta” e se tornou o referencial absoluto no estilo. Daí em diante, jogos de luta passaram a ser algo popular e corriqueiro.

Mas nem sempre foi assim. Antes da febre sem precedentes de Street Fighter II, os jogos de “dar porrada” costumavam ser do estilo beat’em up, ou seja, de andar pelas fases derrotando gangues de inimigos (Final Fight, Renegade, Double Dragon, etc). Games de luta “um contra um” já existiam há muito tempo (vide o famoso The Way of Exploding Fist, de 1985), mas ainda eram raros e esparsos, e não costumavam surpreender em termos técnicos.

E eis que, em 1990, aparece nos arcades um game de luta como nunca antes se havia visto: luta-livre de rua, violento, com gráficos excepcionais e personagens elaborados através da digitalização da imagem de atores reais (uma técnica que seria usada de forma mais refinada, três anos depois, em Mortal Kombat). Era Pit-Fighter, e vinha ao mundo pelas mãos da Atari, empresa célebre no ramo mas que já tinha vivido dias melhores.

Na infância e adolescência, nunca cheguei a jogar Pit-Fighter no arcade. Conheci o jogo no final de 1991, através de uma matéria da revista Supergame que anunciava o lançamento do jogo para o Mega Drive. Lembro de ter ficado babando! Alguns anos depois, vim a jogar bastante a versão do Mega.

Não quero iludir ninguém: Pit Fighter foi um sucesso na sua época, mas estava longe de ser perfeito. A jogabilidade era meio tacanha e limitada mesmo no original. Os brutamontes que se degladiavam na tela tinham a agilidade de dublês do Monstro de Frankenstein. A animação era meio tosca, os golpes eram limitados e os grandalhões ficavam parecendo meio “mongos” em ação. Não era nada parecido com aquela jogabilidade maravilhosa, fluída e cheia de golpes variados que Street Fighter II posteriormente traria ao mundo.

Mesmo com esses defeitos, era quase impossível não gostar de Pit-Fighter. Os gráficos eram impressionantes e a estética do jogo era muito legal, com adversários que pareciam saídos do filme Mad Max II. Os protagonistas eram três brutamontes – Buzz, Ty e Kato – que se atiravam no submundo da luta-livre para faturar uns trocados, enfrentando adversários fascínoras em competições marginais, diante de uma platéia ensandecida de pessoas da pior espécie. Os espectadores eram uma bandidada tão nojenta que, se você fosse jogado perto da platéia, volta e meia levava uma facada nas costas de algum marginal ou era arremessado de volta ao ringue. É mole?

Apesar dos golpes meio limitados e toscos, a violência gráfica de Pit-Fighter era impressionante para a época, e dava gosto animalizar o adversário, que invariavelmente era um maníaco com um nome de psicopata, como Executioner ou Chainman Eddie. Pode parecer pouca coisa para os padrões atuais, mas naqueles tempos era próximo do máximo de selvageria imaginável num videogame.

Para que vocês possam ter uma boa idéia de como o game era visto na época, aproveito para transcrever uma parte da matéria da revista Supergame nº4, de novembro de 1991, que ostentava Pit Fighter na capa:

Ele já saiu no Japão. Está saindo no States e deverá ser lançado no Brasil. Você o conhece dos arcades como o melhor jogo de luta feito até hoje (com a exceção possível de Full Contact para PC Engine). Pit Fighter finalmente chegou para Mega Drive. E chegou bem, muito bem, obrigado.

Os incríveis gráficos digitalizados perderam um pouco na adaptação para Mega, é verdade. E, como se poderia imaginar, não dá pra jogar em três, como no arcade, mas sim em dois (nada mal). Mas o resto todo está aí. E é muito quente. Os pulos, chutes e socos são tão bons quanto no arcade. A dificuldade é maior ainda. Você vai apanhar bastante até chegar na oitava – e última fase.

Mas o melhor mesmo de Pit Fighter é a velha e boa violência. Em nenhum outro jogo você dá porradas com tanto gosto e as recebe com tanta dor. Quando você levanta um daqueles grandalhões fedorentos e os joga pelo ar, dá pra sentir o chão tremer. E, quando um desses nojentos acerta uma paulada em você, a experiência é igualmente aguda“.


AS VERSÕES

Pit-Fighter “virou a cabeça” dos jogadores na época, e recebeu uma enxurrada de conversões para consoles caseiros e microcomputadores. A primeira versão caseira a fazer barulho foi a do Mega Drive, que sempre foi e continua sendo minha versão favorita. Outra boa versão foi a do Super Nes, embora rapidamente ofuscada pelo fenômeno Street Fighter II, que dominaria as telas de todos os Super Nes do planeta pouco tempo depois. A versão para Amiga, por sua vez, não foi considerada grande coisa nem na época de seu lançamento.

Pit-Fighter no Mega Drive: inferior, mas convincente. Uma boa adaptação do sucesso do arcade.


Apesar da boa qualidade das versões Mega Drive e Super Nes, a verdade é que nem mesmo estas conversões melhores faziam jus ao original do arcade no que diz respeito à qualidade dos gráficos e tamanho dos lutadores na tela. Nos arcades, o game apresentava um interessante efeito de “mudança de câmera”, que às vezes aumentava ou diminuia o zoom nos personagens, mudando a sensação de aproximação do jogador. As versões domésticas de Pit Fighter deram chá de sumiço nesse efeito e tiveram que se contentar com personagens menores e mais atarracados. Mesmo assim, a jogabilidade se manteve.

Apesar das inovações tecnológicas de Pit-Fighter, isso não impediu que fossem lançadas várias versões do jogo também para sistemas de 8-bits, o que naturalmente era “forçar a barra”. A versão para Spectrum era visualmente horrenda, mas dividiu opiniões na mídia especializada na época: a revista CRASH deu ao game nota 2.7 (uma das mais baixas que eu já vi na publicação), enquanto que a revista YOUR SINCLAIR foi bem mais generosa e deu ao jogo nota 8.0. Vai entender! O jogo também não se saiu bem no Commodore 64.

O Pit-Fighter do Spectrum era mais feio do que um acidente de trem!


As boas cores do Commodore 64 não salvaram essa versão da mediocridade.

Uma versão de Pit Fighter foi lançada para o Master System. Nunca cheguei a experimentá-la mas, em janeiro de 1993, a própria revista da Sega, Sega Power Magazine, deu nota 4.7 para o jogo. Portanto, recomendo distância.


O jogo foi lançado em 1992 também para o Game Boy e, pra ser sincero, era uma versão aceitável para os padrões do velho portátil. Nem seria justo esperar uma versão melhor do hardware econômico e da tela monocromática do aparelho.

Por fim, em 2004 a versão arcade de Pit-Fighter foi incluída na coletânea Midway Arcade Treasures 2, lançada para Playstation 2, Game Cube e Xbox.  No entanto, a opinião corrente é de que a emulação do game presente nessa coletânea não foi totalmente fiel ao original, apresentando algumas diferenças em termos de sons e velocidade do jogo. Em 2006, Pit-Fighter também foi incluído na coletânea Midway Arcade Treasures Deluxe Edition para PC.

Pit-Fighter deu as caras até em minigame (os gráficos e jogabilidade, mesmo assim, provavelmente eram superiores aos da versão do Spectrum!


E aí, vai encarar?!?

ELEVATOR ACTION (1983, Arcades)


Eu tinha algo em torno de seis anos de idade e o ano era entre 1987 e 1989 – vamos ficar com 1988. Lembro de entrar num fliperama (o nome que se dava para as máquinas de arcade aqui no Brasil) e me deparar com um game bastante peculiar. Naquela época, a maioria dos jogos consistia em controlar um carrinho numa pista, ou um canhão atirando em naves alienígenas, ou um personagem que se movia horizontalmente na tela. Mas esse jogo era diferente: aparentemente, o jogador controlava um carinha que invadia um prédio pelo telhado e o atravessa verticalmente por elevadores e escadas rolantes, fugindo de inimigos armados e entrando em algumas salas para roubar documentos. Uau, aquilo era o máximo! Era realmente diferente do que eu estava acostumado a ver no meu Atari em casa, e parecia que alguém tinha traduzido para os videogames aquele espírito das tirinhas SPY Vs SPY da revista MAD.

Essa minha breve memória de infância traduz meu contato com o arcade original de Elevator Action, lançado em 1983 pela Taito, e que foi um dos maiores sucessos daquele ano, permanecendo relativamente popular ao longo dos anos 80. O jogo ganhou versões para diversos videogames e microcomputadores da época. A versão que eu mais joguei foi a do MSX, por volta de 1993.

O fascínio que Elevator Action exerceu sobre mim já à primeira vista, na minha infância, foi justamente em virtude da principal razão de seu sucesso: a sua mecânica original. A idéia de explorar uma fase (o prédio) verticalmente, de cima para baixo, era absolutamente inovadora para a época. Aliado a outros elementos (os gráficos caprichados para os padrões da época, a divertida e inesquecível música-tema, a troca de tiros com espiões inimigos, os elevadores e escadas rolantes), o sucesso de Elevator Action acabou sendo natural e mais do que merecido.

A história do game é simples: o jogador encarna um espião – o Agente 17, codinome “Otto” – que se infiltra num prédio pela cobertura. O objetivo é roubar uma série de documentos confidenciais escondidos em diferentes salas e sair vivo do prédio pelo andar térreo, fugindo de carro. O problema é que, naturalmente, o lugar está minado de espiões inimigos, todos bem armados.

Embora fosse inovador para seu tempo, Elevator Action possui uma dinâmica característica dos jogos da segunda geração de videogames (tecnicamente, eu o situaria como um representante do final da segunda geração e começo da terceira). O jogo não tem fim, tampouco uma história progressiva. Ao completar uma missão saindo vivo de um prédio, o jogador é automaticamente colocado no topo de um prédio semelhante, onde terá que executar as mesmas tarefas, porém enfrentando um nível de dificuldade maior, e assim sucessivamente até que sejam perdidas todas as vidas. Como era de praxe na “Era de Ouro dos Arcades“, o objetivo nos games não era avançar de fase nem “virar” o jogo, mas sim batalhar pelo melhor score possível em número de pontos.

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AS VERSÕES

A melhor e mais fiel versão caseira de Elevator Action era a do NES, o console mais popular de seu tempo (embora essa popularidade só tenha se consolidado na segunda metade dos anos 80). Elevator Action foi um título dos primeiros anos do NES, e o hardware do aparelho dava conta de uma boa adaptação do arcade com tranquilidade. Curiosamente, o espião herói do game virou ruivo nessa versão (seu cabelo era cinza no original).

Versão NES

Versão SPECTRUM

Várias versões foram lançadas para microcomputadores da época. O Commodore 64 era o micro mais popular nos EUA nos anos 80, mas a sua versão de Elevator Action é mais feia do que um desastre de trem! A versão do Spectrum era competente para os padrões do micro, mas ficou muito diferente do visual original dos arcades. A versão do Amstrad CPC era bonitinha, e curiosamente era a única que exibia o protagonista da forma como ele era ilustrado no flyer original do arcade, ou seja, com cabelos loiros cacheados (embora no próprio arcade o protagonista tenha um cabelo diferente).

Versão COMMODORE 64

Versão AMSTRAD CPC


De todas as versões para microcomputadores, a melhor indiscutivelmente é a do MSX. A versão é muito parecida com a do NES, exceto por um pequeno defeito: no arcade e no NES, os espiões inimigos têm pele clara e roupas pretas, e são bem definidos. No MSX, as roupas dos inimigos são azuis, assim com os olhos deles, mas os inimigos não possuem outros traços de corpo ou pele visíveis. Com isso, ficam parecendo o Homem Invisível com roupa! É um detalhe que deixa o jogo levemente menos agradável, em termos de visual, do que a versão do NES. De resto, a versão MSX é muito fiel ao arcade. Tive sorte de essa ser justamente a versão que mais joguei na vida, e era uma satisfação ver uma adaptação tão legal desta minha antiga paixão dos arcades rodando no meu adorado micrinho de 8-bits.


Versão MSX


Em 2001, foi revelada ao mundo uma versão para o clássico Atari 2600, que chegou a ser 75% finalizada na época, porém foi engavetada em virtude do “crash” do mercado de videogames ocorrido entre 1983 e 1984. A análise do protótipo mostrou que a versão teria gráficos bem inferiores ao original (o que já seria de se esperar), mas mantendo uma surpreendente fidelidade em termos de jogabilidade. Poderia ter sido um dos grandes games da biblioteca do Atari.


Versão ATARI 2600


REMAKES E CONTINUAÇÕES

Em 1991, um remake de Elevator Action foi lançado para o Game Boy. Com gráficos redesenhados e inclusão de novos elementos (como armas novas e bombas), esta versão portátil se mostrou bastante interessante, apesar da jogabilidade diferente e mais lenta.

Remake para o GAME BOY (1991)


Falando em remakes diferenciados, existem mais dois dignos de nota: Elevator Action EX (lançado em 2000 para o Game Boy Color no Japão e na Europa, mas readaptado como Dexter’s Laboratory – Robot Rampage nos Estados Unidos) e Elevator Action – Old & New (lançado em 2002 para o Game Boy Advance, apenas no Japão). Não dá pra esquecer, ainda, da única verdadeira sequência que o game teve: Elevator Action Returns (ou Elevator Action II), lançado em 1994 nos arcades e adaptado para o Sega Saturn alguns anos depois. Elevator Action Returns apareceu, posteriormente, na coletânea Taito Legends 2, lançada em 2006 para Playstation-2, PC e Xbox.

Elevator Action – Old & New, do GAME BOY ADVANCE.


Elevator Action Returns (1994)


COLETÂNEAS

No ocidente, Elevator Action reapareceu nas seguintes coletâneas de games antigos: Taito Legends (lançada em 2005 para Playstation 2, PC e Xbox) e Taito Legends Power-Up (lançada em 2006 para o portátil PSP da Sony). Essas coletâneas são uma boa pedida para matar a saudade deste clássico (ou conhecê-lo tardiamente) em videogames mais modernos.

Consegui sair vivo! Até o próximo review, pessoal!