MEMÓRIAS RETROGAMERS DE NATAL: GOLDEN AXE … ou quase!

Estamos no Natal. No Natal do ano de 1991. Estou com dez anos de idade e prestes a ganhar do Papai Noel aquilo que eu mais quero de presente: GOLDEN AXE!

Golden Axe, uma das mais sensacionais máquinas de arcade do final dos anos 80? Ora, claro que não, só multimilionários poderiam ter uma máquina de arcade em casa naquela época. Golden Axe, o cartucho do Mega Drive, a mais célebre versão doméstica do game do arcade? Claro que não, eu não tinha um Mega Drive (o videogame que eu ainda tinha em casa, pasmem, era um ATARI!).

O que eu estava babando para ganhar era Golden Axe, o minigame da Série Master da Tec Toy!


Pode parecer incrível pensar que um dia alguém possa ter se empolgado com limitados minigames desse tipo, mas lembre-se: era um mundo no qual o conceito de “videogame portátil” existia há apenas dois anos (com o lançamento do primeiro Game Boy, em 1989), e simplesmente não se encontrava esse tipo de aparelho por aqui (só quem viajava para o exterior conseguia comprar um Game Boy, e o Game Gear da Sega mal havia sido lançado no mercado nacional e custava uma fortuna). Os minigames, portanto, empolgavam a criançada de forma semelhante ao que hoje fazem o PSP da Sony e o Nintendo DS. Era um game de bolso, e isso era o suficiente na época.

Os minigames da Série Master, então, eram o suprassumo! Ao contrário daqueles joguinhos genéricos que eram vendidos em camelôs e pequenas lojas de eletrônicos, essa série da Tec Toy apresentava versões de games do Master System. A lista era de babar: Golden Axe, Shinobi, Altered Beast, Paperboy, Double Dragon II, Mega Man 3, The Addams Family e por aí vai. O problema é que eram caros! Na época, creio que cada um custava o equivalente atual de uns R$ 100,00 ou R$ 150,00.


Como você já deve ter percebido, paradoxalmente a Série Master incluía uma série de games que não existiam no Master System. A explicação é simples: esses minigames não eram criados pela Sega, mas sim pela Tiger Electronics, que lançou várias dezenas de títulos desses ao longo dos anos no exterior. A Tec Toy, ao lançar esses joguinhos de bolso aqui no Brasil, optou por chamá-los de Série Master (provavelmente para aproveitar a extrema popularidade que o Master System tinha por aqui), independentemente de serem jogos que efetivamente existiam ou não no Master. Com o passar dos anos, vários outros títulos foram aparecendo, incluindo Pit Fighter, Jurassic Park, Sonic, Sonic 2 e até mesmo alguns exageros pretensiosos como Street Fighter II e Mortal Kombat.


O funcionamento desses minigames não poderia ser mais precário. O cenário era colorido e desenhado no fundo da pequena telinha de LCD (ou seja, toda a ação do jogo se desenrolava diante daquele único pano de fundo). Os personagens, itens e dados na tela eram “pré-desenhados” em preto (que nem as informações dos antigos relógios de pulso digitais), e apareciam ou desapareciam da tela de acordo com os comandos dados pelo jogador. Por incrível que pareça, o resultado final era bastante “bonitinho”, gerando gráficos bem detalhados (embora evidentemente a movimentação dos mesmos fosse limitadíssima).


Mesmo assim, o resultado era absolutamente funcional. No Golden Axe, por exemplo, você podia caminhar (embora sem o personagem sair do lugar, com a ilusão de movimento criada pela movimentação das pernas e de algumas pedrinhas atrás do herói), atacar com a espada para frente, para trás, pular e atacar (para frente e para trás) e ainda soltar magias. E enfrentava soldados inimigos, esqueletos e dois tipos de chefão de fase diferentes (quatro, tecnicamente, emboras dois deles fossem apenas variações dos outros dois). Dava até para montar em dragões que cuspiam fogo! Enfim, é preciso reconhecer que esses minigames eram engenhosos, e tiravam leite de pedra dos recursos miseravelmente limitados do hardware, que era basicamente equivalente a um relógio digital de pulso (aliás, vários minigames da Tiger foram lançados em versões de relógio de pulso)!

Um ou dois anos depois, novamente no Natal, ganhei outro desses minigames da Série Master. Dessa vez, era The Addams Family. Era bem legal, mas é claro que não me empolgou tanto quanto o Golden Axe havia feito anteriormente. O curioso é que esse minigame da Família Addams não consta na detalhada lista de minigames lançados pela Tiger feita pelo site handheldmuseum.com, e não consegui encontrar qualquer informação sobre ele na internet. É uma pena que eu não tenha guardado o minigame ao longo dos anos, pois pelo jeito ele acabou virando um produto bastante raro.

Bem, hoje estamos no Natal de 2010, e posso a qualquer momento pegar meu PSP e emular o Golden Axe do Mega Drive com perfeição. Mas, no Natal de 1991, aquele minigame Golden Axe da Tec Toy apavorava.  Para quem não tinha um Mega Drive ou um Master System, era a chance de jogar um dos games mais animais daquela época, ainda que numa versão “um pouquinho” mais pobre. Pode parecer pouca coisa, mas eu era feliz – e sabia.

Um Feliz Natal para todos vocês, caros retrogamers!

TYRIAN (PC, 1995)

O ano era 1996 ou 1997 quando, certo dia, algum amigo me passou um joguinho despretensioso de naves. O estilo shot’em up estava longe de estar na moda naqueles dias, era um gênero associado com gráficos bidimensionais, e todo mundo só queria saber de first person shooters (Duke Nukem 3D, Quake, etc), Need for Speed, Tombraider e games repletos de vídeos que vinham em vários CDs e coisas “high tech” do tipo.

Na época, meu computador era um PC 486 DX/4 100Mhz. Era uma maquininha ainda razoável, mas que já deixava a desejar para games (o suprassumo naquela época era um Pentium 166Mhz). Lembro que Quake rodava muito mal naquela minha máquina, Diablo também, e alguns games como Duke Nukem 3D e Tombraider só rodavam bem em 320×200 (resolução na qual ficavam horríveis, pois eram feitos para serem jogados em 640×480 – os chamados gráficos “Super VGA”, que eram o máximo para a época). Mas mesmo assim eu joguei muitos games legais naquele velho computador, e um dos mais inesquecíveis foi justamente aquele despretensioso shot’em up com gráficos legais e que rodava muito bem na minha máquina: TYRIAN.


Apesar de gostar do estilo, nunca fui propriamente “fissurado” por shot’em ups, mas certamente um dos motivos do sucesso de Tyrian é que o jogo é  simplesmente irresistível. Seja por causa da trilha sonora incrível, por causa dos gráficos coloridos e detalhados ou por causa da ação frenética, dificilmente alguém consegue jogar cinco minutos desse jogo sem ser conquistado por ele.


A trilha sonora de Tyrian é um espetáculo à parte, e na época fazia o jogador ter orgulho das capacidades de seu kit multimídia (se você não faz ideia do que isso seja, outra hora eu explico). As composições casam perfeitamente com a ação do jogo, e despertam no jogador aquele ânimo de passar fogo em tudo o que se mexe na tela. São várias faixas memoráveis, uma melhor do que a outra.

Outra coisa que sempre gostei em Tyrian é o fato de que o jogo é difícil, mas não em excesso. Shot’em ups, muitas vezes, são verdadeiras sessões de tortura masoquista, onde o jogador é colocado no meio de um irritante e frustrante bullet hell e precisa aceitar o fato de que irá morrer dez vezes por minuto até perder a paciência e ir jogar alguma outra coisa menos cruel. Tyrian investe numa linha “desafiante, mas possível”, com um nível de dificuldade aceitável e fases que podem ser vencidas com o empenho e a prática do jogador.

Além disso, durante as fases, o jogador coleta pedras preciosas que lhe dão créditos para fazer upgrades na sua nave, no intervalo entre uma fase e outra. Esses upgrades logo tornam a sua modesta nave numa verdadeira trombeta galáctica do apocalipse, pronta para transformar em sucata as naves inimigas.


Apesar de ter sido lançado sem maiores pretensões, marketing ou festejos por parte da mídia especializada, Tyrian ganhou o coração dos donos de PC na época. A tradicional revista PC Gamer deu um score de 87% para o jogo, e a Computer Gaming World o elegeu como “Game de Ação do Ano”. Além do grande reconhecimento inicial, com o passar dos anos Tyrian ganhou status de cult. Duas coisas contribuíram para isso: primeiro, o lançamento, em 1999, de Tyrian 2000 – uma nova versão do jogo, contendo um episódio extra. Em segundo lugar, a liberação do game, em 2004, como um freeware. Até hoje não consigo acreditar que um dos melhores shot’em ups de PC de todos os tempos (O melhor, na minha opinião) foi tornado gratuito!


Com o passar dos anos, jogar Tyrian foi se tornando algo, por vezes, complicado. No começo dos anos 2000, o emulador DosBox ainda não era popular, e Tyrian apresentava graves problemas de compatibilidade com o sistema operacional que eu usava na época (não lembro agora se era o Windows 98 ou Windows 2000). Tyrian 2000 era um pouco mais amigável nesse sentido, mas mesmo assim incomodava eventualmente. Mesmo com o DosBox, jogar Tyrian oferecia algumas complicações, pois o jogo exigia algumas mudanças nas configurações até que tudo (qualidade do som, velocidade do jogo, etc) ficasse certinho.


A ótima notícia, para os fãs de Tyrian, é que recentemente o game passou a ser dado de brinde pelo site Good Old Games. Alguém poderia pensar “ué, grande coisa, esse jogo já é freeware há seis anos”. Mas atenção para os “detalhes”: essa versão dada pelo GOG já vem perfeitamente configurada para Windows Vista e Windows 7, portanto é só baixar e curtir Tyrian em toda a sua perfeição. É o fim da dor de cabeça para emular o jogo! Como se não bastasse, o GOG ainda está dando de presente, em formato MP3, a trilha sonora completa de Tyrian! Agora você pode conferir a obra do talentoso Alexander Brandon no seu Ipod ou similar, e apreciar uma das melhores trilhas de games de PC já feitas. Não perca tempo, faça um rápido cadastro lá no site e agarre o game de “navezinhas” mais legal já feito para DOS ou Windows!

SUPER PINBALL – BEHIND THE MASK (Super Nes, 1994)

Em algum ponto de 1994, eu estava na casa de um amigo que tinha um Super Nes. Saímos para alugar uns cartuchos, e um deles era um game de pinball estrelado por uns personagens meio sinistros (o que ficou na minha memória foi o misterioso palhaço Jolly Joker). Some a isso alguns bons gráficos para a época, alguns efeitos de voz digitalizada, uma trilha sonora excelente e aí está a receita para um game daqueles que a gente nunca mais esquece.


Não me arrisco a dizer que se trata indubitavelmente do melhor pinball do Super Nes, mas com certeza Super Pinball – Behind the Mask é o meu favorito. Além dos bons gráficos, o jogo tem o atrativo de conter não apenas uma, mas três mesas temáticas diferentes de pinball, cada uma relacionada a um personagem distinto: The Jolly Joker, Blackbeard and Ironmen e Wizard.


De cara, assim que se escolhe uma das mesas, o que hipnotiza o jogador são as músicas sensacionais e atmosféricas, bem como o clima levemente sinistro de cada mesa. Tanto o palhaço quanto o pirata e o mago são personagens sinistros até dizer chega, e a trilha sonora de cada um fará você se sentir como se estivesse jogando pinball sozinho em algum local misterioso e lúgubre. A música na mesa do Jolly Joker tem um clima de parque de diversões mal-assombrado, enquanto que a música do Wizard faz o jogador se sentir num videoclipe do Enigma.


A atmosfera é sem dúvida o ponto alto de Super Pinball, mas a simulação em si não deixa a desejar. O game emula aquelas máquinas de pinball mais modernas (ou “menos antigas”), comuns na primeira metade dos anos 90, que contavam com pequenas telas monocromáticas com luzes vermelhas em baixa resolução, que exibiam rápidas animações e efeitos sonoros de vez em quando. A mecânica de jogo emula uma mesa real de pinball com suficiente competência.


Isso não quer dizer que Super Pinball não tenha lá seus defeitos. O mais grave e ridículo deles é que o jogo simplesmente não armazena high scores! Ao final de cada partida, você é imediatamente levado à tela de abertura para começar outro jogo, sem nenhuma chance de registrar suas pontuações. Isso já seria impróprio em outros estilos de jogo, mas é particularmente frustrante e incompreensível quando estamos falando de um game de pinball, no qual o esforço por uma melhor pontuação é o grande objetivo do jogador.


Para ser perfeitamente sincero, devo dizer que Super Pinball é difícil pra caramba! O jogo tem um modo “conquest“, mas pelo que entendi o jogador precisa de nada menos do que 60 MILHÕES DE PONTOS para passar para a próxima mesa (o maior score que cheguei a fazer, com muita sorte e esforço, não chegou em 15 milhões). Os intimidadores personagens do jogo realmente fazem jus aos seus perfis sinistros – você vai ter que comer muito feijão com arroz para aplicar um score respeitável em cima deles!


Não chego a ser um fã de pinballs, mas alguns acabaram me cativando ao longo dos anos, e esse Super Pinball, por suas particularidades, é um exemplar do estilo que vale à pena conhecer.

Good Old Games: o paraíso dos retrogamers de PC!

Provavelmente você já conferiu as boas dicas que o Gagá Games deu sobre o GOOD OLD GAMES (www.gog.com), um excelente serviço online de venda de games antigos (confira o post detalhado do Gagá em http://www.gagagames.com.br/?p=23067). Neste fim de semana, fiz minhas primeiras experiências com o serviço e é preciso reconhecer: para quem é retrogamer, o GOG é irresistível!

Você começa fazendo um cadastro no site, coisa de poucos segundos. De cara, você ganha três games gratuitos: Lure of the Temptress (1992), Beneath a Steel Sky (1994) e Teen Agent (1995). Ok, não chega a ser a maior caridade de todos os tempos, até porque tratam-se de jogos verdadeiramente jurássicos. Mas Beneath a Steel Sky é um clássico e recebeu notas altíssimas na época em que foi lançado, então é um belo presente. Até porque retrogamer não liga para a idade dos games, mas sim para a sua qualidade.

No GOG, todos os games custam U$ 5.99 ou U$ 9.99. Em reais, isso significa que os games custam R$ 10,24 ou R$ 17,08 (na cotação de hoje do dólar). Ou seja, é barato MESMO! Mas o melhor de tudo são as promoções! Deixa eu exemplificar …

Nesta semana, a famosa trilogia Broken Sword está sendo vendida por U$ 7,17 (R$ 12,26). Sim, doze reais por três games de qualidade: o célebre Broken Sword, de 1996, na versão “Director’s Cut” de 2009, Broken Sword 2 – The Smoking Mirror (1997) e Broken Sword 3 – The Sleeping Dragon (2003). É barato demais mesmo, de babar.

Na lista de jogos mais baratos (ou seja, a dez reais cada) tem velharias famosas e excelentes como Ceasar III, Alone in the Dark – The New Nightmare, Descent 1 e 2 (sim, os dois juntos por dez reais!), o megaclássico Duke Nukem 3D (com o pacote de expansão “Atomic Edition“), Empire Earth, Enclave, Fallout, Megarace 1 e 2 (os dois juntos por dez reais, não dá nem para acreditar!), Moto Racer, Myst, Phantasmagoria 2, Screamer, Serious Sam, The Temple of Elemental Evil e muitos outros.

Já entre os games “mais caros” (ou seja, que custam a “fortuna” de dezessete reais cada), estão pérolas como Baldur’s Gate 2, Chessmaster 9000, Empire Earth II, Empire Earth III, Gothic, Gothic 2, Far Cry, Icewind Dale, Icewind Dale II, Neverwinter Nights, Might and Magic 6-pack (contendo todos os seis primeiros games da série, que são justamente os mais clássicos e melhores), Phantasmagoria, Postal 2, Planescape – Torment, Prince of Persia – The Sands of Time, Under a Killing Moon (que era considerado uma lenda nos anos 90, graças aos seus requisitos de hardware extremamente exigentes para a época), Unreal, Unreal 2, Unreal Tournament e vários outros.


Alguém pode perguntar “ah, mas pra quê pagar por essas velharias se existem tantos sites com links para baixar games antigos de graça na internet”? Deixando de lado o argumento moral elementar sobre a questão da pirataria, o motivo determinante é a qualidade dos games e a facilidade para rodá-los. Explico: a maioria desses games é para DOS ou Windows 95, e portanto geralmente causam grandes dores de cabeça quando tentamos rodá-los no Windows Vista ou Windows 7. No entanto, os games vendidos no GOG já vêm perfeitamente configurados para serem imediatamente executados nesses sistemas operacionais modernos (inclusive com o emulador DosBox embutido e pré-configurado, quando necessário). Se você é um retrogamer desprovido de tempo livre como eu, vai valorizar muito essa praticidade.

Sobre a qualidade dos games, lembro o seguinte:  nos anos 90 e até o começo dos anos 2000, frequentemente os games que eu jogava eram copiados em disquetes de algum amigo (ou comprados de algum “pirateiro”), e essas versões que se popularizavam de maneira informal frequentemente eram “ripadas”, ou seja, tinham conteúdo eliminado ou reduzido para diminuir o tamanho total do jogo (geralmente eram sacrificadas as “cut scenes”, ou a trilha sonora do jogo). No GOG, você tem a certeza de que vai jogar o game completão, no idioma inglês (já baixei games antigos de graça que vinham em francês ou coisa do tipo) e ainda por cima frequentemente com alguns extras, como wallpapers, manuais (em PDF) e trilha sonora do jogo. Vale à pena.

Mais uma vantagem: em qualquer computador com acesso à internet, você terá acesso à sua estante de joguinhos velhos. Não tem limite de downloads nem nada assim. Comprei os games no meu notebook, e já baixei e instalei Descent 1 e 2. Mas, se eu quiser jogá-los no PC da minha sala, é só entrar no site, entrar no meu cadastro e então posso baixar e instalar os games naquele micro, ou em qualquer outro posteriormente. Então, você não precisa ficar carregando sua coleção de games por aí, é só baixar novamente e instalar em qualquer PC com internet que estiver na sua frente.

Até o momento, comprei no GOG: Descent 1 e 2, Broken Sword 1, 2 e 3 e Megarace 1 e 2. Os sete jogos me custaram um total de R$ 32,74 (mais ou menos o preço de uma pizza entregue em casa). Na média, cada jogo saiu por R$ 4,67. E olha que não estou nem considerando os três games que o GOG me deu de graça.

Enfim, o serviço funciona e vale muito à pena. Recomendo!