SUPER BOY II (MSX, 1989)


Olha só que legal, aposto que você não sabia que existia um game do Superman para o MSX. Muito menos um game do SuperBOY. E ainda menos que tal jogo tenha recebido uma continuação! Bom, mas e aí, como é este game misterioso do herói kryptoniano? Tem o Lex Luthor? Tem o Brainiac?

Vamos conferir uma foto do game, então! Para o alto e AVANTE!!!

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Ahn … peraí, deve ter havido algum engano! Isso aí não tá certo, não.  Isso aí é SUPER MARIO BROS, pô! Não é possível que tenham lançado esse clássico do NES para o MSX, certo? A Nintendo nunca teria permitido algo assim!

Calma, eu vou explicar o que aconteceu. Sim, SUPER BOY II não tem nada a ver com o Superman ou com o Superboy, e é de fato uma adaptação do clássico SUPER MARIO BROS do NES para o MSX, lançada em 1989 pela Zemina, uma produtora da Coréia do Sul. O jogo, é óbvio, passou longe de qualquer autorização da Nintendo. É que, na época, não existiam leis de direitos autorais de softwares na Coréia do Sul. Aproveitando-se disso, a Zemina “relançava” games estrangeiros no país, apenas adicionando a sua marca. Depois, quando a lei passou a proteger o código dos programas, a Zemina começou a produzir seus próprios “clones” de games famosos japoneses, pois essa nova legislação protegia apenas o software em si, e não a propriedade intelectual como um todo (ou seja, cenários, personagens, etc).


Entre 1987 e 1992, a Zemina lançou uma série de “clones” de games famosos para MSX e também para o Master System, incluindo até um Double Dragon “alternativo” para o MSX (até com o mesmo nome do clássico da Taito). A mais famosa “obra” da Zemina, no entanto, é a quadrilogia Super Boy, uma série de clones da série Super Mario Bros do NES.


Peraí, peraí … “quadrilogia”?!? Então quer dizer que a Zemina lançou QUATRO dessas abominações? Sim, quatro, sendo que os três primeiros foram lançados para o MSX (com Super Boy II ganhando uma conversão para o Master) e o último game da série, Super Boy 4, sendo lançado exclusivamente para o Master System.

A minha escolha de Super Boy II para esta resenha, no entanto, tem seus motivos: 1) é o único com o qual tive contato na época em que tive um MSX, no começo dos anos 90; 2) se não foi o único Super Boy que chegou aqui no Brasil, pelo menos era de longe o mais popular, pois era amplamente anunciado e vendido sob o nome de “SUPER MARIO BROS” entre os “fornecedores alternativos de software” (tá, tá, piratas) na época; 3) provavelmente foi mesmo o jogo mais popular da quadrilogia da Zemina, pois eu tenho um romset imenso no meu HD, com praticamente tudo o que foi lançado para o MSX, e o único Super Boy ali incluso é este.


Mas, agora que tudo foi esclarecido, vamos para a pergunta que interessa: apesar de ser um game não licenciado, Super Boy II presta? É uma boa adaptação de Super Mario Bros para o MSX? A resposta é simples: NÃO, não é!

Não me entenda mal, o trabalho da Zemina tem seus méritos. As cores ficaram prejudicadas em relação ao clássico do NES, mas os gráficos ficaram bem decentes, e não devem muito ao game original da Nintendo. A música, apesar da sonoridade inferior e da execução mais lenta, também foi adaptada de forma aceitável. Claro que a roupa do Mario mais parece um pijama desbotado e que as tartarugas sofrem de palidez cadavérica, mas o visual é bom no geral.


O que realmente ferra esse game por completo são duas coisas. Primeiro defeito mortal: a jogabilidade. Após cinco minutos de Super Boy II, o jogador claramente percebe que não está diante de uma adaptação decente do clássico game do NES. O scrolling da tela deixa a desejar, a movimentação do Mario (ou do “Super Boy”, como queira) é mais lenta, o sensor de colisões é defeituoso e causa frequentes mortes injustas, não há botão para correr e o pulo possui uma mecânica meio estranha. A rigor, se você aperta a barra de espaços de leve, o pulo é curto (e inútil, diga-se de passagem). Pressionando um pouco mais, o pulo é maior e, apertando como se o objetivo fosse estragar o teclado do computador, o pulo é ainda mais alto. Parece relativamente simples, mas infelizmente é algo do tipo “funciona quando quer”. Para piorar, o cogumelo que faz Mario crescer não ajuda muito em Super Boy II, pois a movimentação do personagem fica ainda mais desajeitada e menos ágil.


Segundo defeito mortal: o péssimo design de fases e a progressão irracional da dificuldade do jogo. Até a fase 2-2, Super Boy II chega a ser fácil demais. A partir dessa fase, do nada, o jogo fica quase que intransponivelmente difícil, de um segundo para o outro. A coisa é tão grotesca que nem com o recurso de save-state do emulador BlueMSX eu consegui passar do mundo 2-4. Aparentemente, o objetivo da Zemina era que o jogador visse o game, ficasse encantado pelas primeiras fases (que são visualmente agradáveis e possuem um design decente) e então comprasse o jogo, para depois descobrir, já em sua casa, que o game era uma porcaria completa depois das primeiras cinco ou seis fases.

Confesso que, na época, Super Boy II causava uma boa impressão. Por alguns minutos, o jogo era capaz de empolgar o feliz proprietário de um MSX e de fazê-lo acreditar que estava diante de uma conversão de Super Mario Bros para o seu querido microcomputador. A ilusão durava pouco, e era logo substituída pela frustração, pela desistência e então o disquete contendo esse game era sepultado no fundo de uma gaveta pelo resto dos seus dias. E os outros três clones de Super Mario lançados pela Zemina? Bem, digamos que, se cheguei a este ponto da minha vida sem ter tido “a oportunidade” (leia-se “o azar”) de conhecê-los, não faço nenhuma questão de desfazer tal “prejuízo” (leia-se “benção”)!

Reviews de games modernos: PLANTS vs ZOMBIES (PC, 2010)

Caros retrogamers, por favor não se assustem: esta nova seção “Reviews de Games Modernos” aqui do Cemetery Games não significa que estamos virando as costas para os nossos amados jogos antigos. Trata-se apenas de uma maneira de trazer a este blog algumas das coisas que estou jogando no momento em sistemas como Xbox 360, PC, Playstation 2, Nintendo DS e PSP. Como muitos desses games serão resenhados de forma comparativa com games antigos (e como existem hoje em dia games que “cruzam a linha” entre o moderno e o retrô), pensei que seria uma boa ideia introduzir mais esta seção aqui no Cemetery Games.

E, para inaugurar nosso pequeno espaço dedicado a games atuais, nada melhor do que um grande sucesso contemporâneo que tem cara de jogo antigo e que, para melhorar, é protagonizado por ZUMBIS! O nome da brincadeira? PLANTS vs ZOMBIES!

Eu já tinha ouvido falar que esse joguinho estava bombando, mas ainda não tinha experimentado jogá-lo até algumas semanas atrás. Por recomendação de um amigo, baixei o demo do game. Só o que tenho a dizer é: CUIDADO! Esse é um dos jogos mais viciantes que eu tive contato em longo tempo, e conhecê-lo pode ser o fim das suas horas livres.


O game foi lançado em 2010 pela PopCap Games, e sua versão completa custa 19,99 dólares no site oficial – mas o jogo está em promoção no Steam, na versão Game of the Year, por apenas U$ 9,90. O demo é bem legal, o suficiente para deixar o jogador ocupado por duas ou três horas, mas depois de ter viciado nessa coisa (e de ter chegado ao fim da versão demo em apenas duas noites) pra mim foi impossível não comprá-lo.

A premissa de Plants vs Zombies é tão absurda quanto divertida. Zumbis estão saindo de um cemitério próximo e tentando invadir a sua casa pelo quintal. A sua única linha de defesa é transformar o pátio numa plantação de bizarras plantas atiradoras, que atacam os mortos-vivos e impedem o avanço deles. Para dispor das plantas, é necessário coletar raios de sol. O conceito todo é um pouco complicado de explicar em palavras, mas a curva de aprendizado é bastante rápida e bastam uns poucos minutos para que o jogador consiga dominar a excêntrica mecânica do jogo.

O jogo foi muito elogiado em todas as suas versões (PC, Mac, Iphone e Xbox Live Arcade), e vem fazendo um sucesso absurdo na versão Iphone, tendo vendido mais de 300.000 cópias apenas nos primeiros nove dias à venda na App Store da Apple. Até o Nintendo DS acaba de ganhar uma versão do jogo, que foi bem avaliada pela crítica.

Enfim, Plants vs Zombies é divertidíssimo, viciante, tem gráficos e sons muito legais, é barato e nada exigente em termos de hardware. Estou rodando perfeitamente o jogo no meu netbook ASUS 1201T (que, embora seja considerado um “super netbook”, tem mais ou menos o poder de processamento de um notebook ou desktop dos mais baratos). Realmente, um joguinho imperdível – que mostra que, em tempos de realismo fotográfico e games ultrarealistas de Xbox 360 e Playstation 3, ainda há espaço para games baseados mais na originalidade e na diversão e menos em gráficos 3D sofisticados.

Reviews de games modernos: RED DEAD REDEMPTION (Xbox 360)

Se você tem um Xbox 360 ou Playstation 3, não há na atualidade um game mais imperdível, recomendável e necessário do que Red Dead Redemption! Eu sei que alguns apressados vão pensar algo como “ah, é só mais um GTA, só que agora no Velho Oeste”, mas pode acreditar que esse game é bem mais do que isso. Eu, particularmente, não me divertia (e viciava) tanto num jogo da Rockstar desde o lendário GTA – Vice City de 2002.

Red Dead Redemption se passa no ano de 1911, e o jogador encarna o pistoleiro John Marston. Outrora um assaltante e membro de um bando criminoso, agora Marston foi cooptado pelo governo para caçar um perigoso bandido chamado Bill Williamson, antigo amigo de Marston. Sem muita escolha (agentes do governo sequestram a esposa e o filho dele), nosso herói viaja para o território de New Austin e confronta Williamson, mas é baleado e deixado para morrer em frente ao forte onde o bandido está encastelado com sua gangue. Marston então é salvo por uma fazendeira chamada Bonnie MacFarlane, e é aí que o jogo começa.

Chamar Red Dead Redemption de “cinematográfico” é quase desmerecê-lo, pois já faz tempo que não vejo um filmão hollywoodiano de ação/aventura com tanta atmosfera, ambientação e trama como se vê nesse jogo. Os gráficos, então, são de babar! É de aquecer o coração de uma criança velha que cresceu jogando Atari, como o autor dessas linhas. A qualidade visual beira o realismo fotográfico, é de sair cavalgando só pra admirar o cenário mesmo. Que me desculpem os fãs de GTA IV, mas Red Dead Redemption dá de relho! E isso pra não falar da enormidade inacreditável do cenário de jogo. Simplesmente não dá pra entender como é que você anda e anda e anda por imensidões territoriais aparentemente infindáveis sem que o videogame pare sequer por um segundo para fazer um “loading”, ainda que mínimo. Se o jogo fosse um pouco mais imersivo, eu já teria me mudado pra dentro dele de mala e cuia!

O único “problema” – comum dos jogos atuais – é a enormidade do jogo. Se você não tem mais nada pra fazer da vida e pode jogar oito horas diárias, isso não chega a ser um problema. Mas, para um jogador de fim de semana como eu, a extensa campanha single player é um bocado intimidadora. Para você ter uma ideia, já joguei quase dez horas e completei pouco mais de 20% do jogo. Portanto, como eu pretendo chegar ao final dele, posso ter certeza de que muitas horas de cavalgadas e tiroteios ainda me aguardam.

Ah, no momento estou morando num quarto alugado em cima do saloon da cidade de Armadillo, a poucos metros dos bêbados e prostitutas do lugar. Quer coisa mais legal do que isso?

TOP 5 – RETROVLOGGERS DA INTERNET

Embora o negócio do Cemetery Games sejam os bons e velhos reviews textuais, a verdade é que muita gente está fazendo um ótimo trabalho na retroesfera através de vídeos. Confira abaixo a relação dos cinco melhores videoretrogamers da rede na atualidade, na abalizada opinião do nosso humilde blog (ah, e lembre-se que todos eles são em inglês):

5 – HAPPY CONSOLE GAMER
http://www.youtube.com/user/HappyConsoleGamer


O Happy Console Gamer não é um grande mestre na arte de fazer vídeos divertidos, e as análises dele são mais emotivas do que técnicas. Mesmo assim, o cara é um colecionador de respeito (e rico, aparentemente), pois está sempre apresentando novos e sensacionais itens da sua coleção de games. Não espere por análises detalhadas de jogos nem nada do tipo. Um episódio típico do Happy Console Gamer mostra ele desembrulhando alguma coisa que acabou de comprar, contando como virou fã do troço e o quanto estava louco para adicionar aquilo na sua coleção. Com tantas condições de tocar adiante uma coleção tão legal de badulaques retrogamers, não é a toa que o cara é assumidamente um jogador feliz …

4 – THE SPOONY EXPERIMENT
http://spoonyexperiment.com/


O engraçado e divertido Noah Antwiler, o sarcástico “The Spoony One“, já goza da distinção de ser um dos vloggers mais famosos do mundo. Ele resenha filmes também, mas para nós o que interessa são as análises de games. Noah já resenhou velhos games de PC como Ripper e Phantasmagoria e alguns não tão velhos, como SWAT 4. Mas a jóia da coroa do site dele, no que diz respeito às análises de games, é a sua maravilhosa Ultima Retrospective – na qual, até o momento, Noah já fez extensos reviews em vídeo de todos os sete primeiros games da série Ultima.

3 – TURBOVIEWS
http://www.turboviews.com/


O ótimo Turboviews tem uma meta ambiciosa: pretende chegar a resenhar, em vídeos, TODOS os games lançados para o console Turbografx-16 nos Estados Unidos. Não chegou lá ainda, mas já conta com a impressionante quantidade de cinquenta vídeo-reviews, bastante detalhados e focados essencialmente nos quesitos técnicos dos jogos. Se você é fã do PC-Engine/Turbografx-16, esse é um site para entrar nos seus Favoritos e nunca mais sair de lá.

2 – C64 LONGPLAYS
http://www.youtube.com/user/DerSchmu


Esse cara é fera! O C64 Longplays é um canal só com vídeos de games do microcomputador oitentista Commodore 64 sendo jogados do começo ao fim. Se você sempre quis ver o final de Bruce Lee, The Last Ninja ou Karateka, mas nunca teve habilidade para tanto, agora é hora da desforra: é só sentar na frente do computador, pegar a cerveja e assistir o game sendo debulhado do começo ao fim! Não achou bom o suficiente? E se eu contar que o cara agora faz essas “vídeo-debulhações” também de vários games do NES, do Mega Drive, do Super Nes e de Arcades clássicos? Interessou?

1 – THE ANGRY VIDEOGAME NERD
http://www.cinemassacre.com/category/avgn/


Essa é uma escolha meio óbvia, mas inescapável. James Rolfe, o já célebre Angry Videogame Nerd, não só é hoje o retrogamer mais famoso do mundo como, além disso, é um expert em criação e edição de vídeo, com grande know-how cinematográfico. Ou seja, além de pioneiro, o cara é imbatível no que faz. Seus vídeos são os mais “cri-cri”, os mais técnicos, os mais criativos e os mais divertidos e engraçados que existem em termos de retrovloggs. Infelizmente, para a tristeza geral dos fãs do cara (eu incluso), em 2010 ele parou de fazer vídeos a cada quinze dias e atualmente só libera um novo vídeo a cada mês, o que deixa sempre todo mundo numa espera infernal. Todos os episódios são dignos de nota, mas os dos Ghostbusters, do Bugs Bunny, do Sega CD e do Sega 32X (apenas para citar alguns de cabeça) são sensacionais. Obrigatório!