SUPER MARIO LAND (Game Boy, 1989)


É preciso reconhecer que a Nintendo trata o seu ícone máximo com muito carinho e atenção. Duvida? Veja só: nesses mais de 25 anos que já se passaram desde o  lançamento do icônico e pioneiro game SUPER MARIO BROS do Nintendo 8-bits, apenas 14 games da série foram lançados. São eles: a clássica trilogia do NES (incluindo as duas diferentes versões, japonesa e americana, do segundo jogo da série), Super Mario World e Yoshi’s Island do Super Nes, Super Mario 64 do Nintendo 64, Super Mario Sunshine do Game Cube, os dois Super Mario Galaxy do Wii e os dois New Super Mario Bros (um para o DS, outro para o Wii).


Todos esse games são ou megaclássicos que vivem sendo relembrados, festejados e relançados, ou jogos ainda relativamente recentes que continuam vendendo muito e sendo aclamados. Mas, se você está com a matemática em dia, deve ter reparado que faltaram dois títulos na nossa conta ali em cima. Tratam-se daqueles que são, provavelmente, os dois games da série Super Mario menos lembrados entre todos: os dois games da série Super Mario Land, lançados para o Game Boy, o pioneiro console portátil da Nintendo.


Trata-se de uma grave injustiça retrogamer. Lançado em 1989, Super Mario Land logo se converteu num dos maiores sucessos comerciais do Game Boy, tendo vendido até hoje a invejável quantia de 18 milhões de cópias (é o 7º game da série Super Mario mais vendido até hoje, e o 4º game mais vendido do Game Boy). Além disso, só quem jogou Super Mario Land naquela época é capaz de compreender o fascínio, a magia e a empolgação que era sentida diante da experiência de jogar um Super Mario num videogame portátil! Tudo isso pode parecer corriqueiro e banal para os dias atuais, nos quais todo mundo anda por aí com aparelhos portáteis que rodam games. Mas, entre o final dos anos 80 e começo dos 90, a ideia de um Super Mario que podia ser jogado em tudo o que era lugar era simplesmente de acelerar os batimentos cardíacos.


Isso não significa que a portabilidade tenha sido o único mérito de Super Mario Land. O jogo tem aquele DNA característico da série Super Mario, e não faz feio enquanto integrante dessa série que é notória por sua qualidade. É claro que, tecnicamente, o jogo é bastante simples se comparado com a grande vedete daquela época, o magnífico Super Mario Bros 3 do NES. Mas, se você comparar Super Mario Land com o primeiro Super Mario Bros do NES, até que a diferença não é assim tão grande.


Além dos gráficos monocromáticos (vale lembrar que a tela do Game Boy exibia apenas gráficos em “preto e branco”, o que na prática mais parecia tons de cinza sobre um fundo verde-amarelado), os gráficos em Super Mario Land são bastante econômicos. Até o protagonista é representado com uma quantidade mínima de pixels. Logo que o jogo começa, antes de Mario conseguir um cogumelo para ganhar um tamanho respeitável, o herói mais parece uma formiga saltitante. Essas limitações são compreensíveis, pois Super Mario Land foi um dos primeiros games lançados para o Game Boy, numa leva de títulos que ainda estavam longe de fazer uso de todas as capacidades do hardware do portátil da Nintendo (basta ver a imensa superioridade visual da continuação Super Mario Land 2, lançada em 1992).

Apesar disso, o visual econômico não impediu o game de apresentar uma variedade satisfatória, com Mario se aventurando ao ar livre, dentro de um templo egípcio, debaixo da água em um submarino e até voando em meio às nuvens, dentro da melhor tradição de fases diversificadas e bem projetadas que tão bem caracteriza os games da série.


Outra observação necessária é que o jogo, para os padrões da série, não apenas é bem curto como é FÁCIL pra caramba! São apenas 12 fases, divididas entre 4 “mundos” diferentes. Depois que você pega um pouquinho de experiência, Super Mario Land se transforma num daqueles jogos que você termina automaticamente em quarenta minutos, sempre que tira um tempinho para jogá-lo de novo. Na época em que eu cheguei ao fim dele pela primeira vez (lá pelos idos de 1992, jogando em um Game Boy que um amigo me emprestava), confesso que senti um pouquinho de dificuldade para terminá-lo. Mas o fato é que eu era um jogador muito bola murcha mesmo, e ainda assim consegui terminar o game jogando no próprio console, sem os recursos de “save state” dos emuladores atuais.


A trama de Super Mario Land, embora superficial como de praxe, chama a atenção por não ter muito a ver com os roteiros anteriores das aventuras de Mario. Para começar, nosso encanador predileto foi parar num reino chamado Sarasaland, dividido em quatro regiões chamadas Birabuto (uma espécie de Antigo Egito estilizado), Muda, Easton (um cover da Ilha da Páscoa) e Chai (um reino oriental). Certo dia, o lugar é invadido por um alienígena (?!?) chamado Tatanga, que rapta Daysy, a princesa do lugar.


Ou seja: cansado de ver a Princesa Peach sendo sequestrada por Bowser Koopa, Mario resolve tirar umas férias em Sarasaland e então sua amiga Princesa Daysy é sequestrada por um alienígena! Uau, mas que maravilha! Até parece roteiro de filme do Michael Bay! De qualquer forma, é interessante ver que Mario já tinha se indisposto com visitantes do espaço sideral muitos anos antes do lançamento dos dois Super Mario Galaxy do Wii.


No mais, Super Mario Land é bastante fiel ao espírito da trilogia original do Nintendo 8-bits, mas adiciona algumas novidades. Os tradicionais “goombas” estão presentes, assim como as tartaruguinhas. Só que, ao contrário dos jogos anteriores, em Mario Land as tartarugas se transformam em perigosas bombas quando são pisoteadas por Mario. Outro lance interessante é que, no final de cada fase, Mario encontra duas portas. A superior é sempre mais difícil de ser atingida, mas no entanto leva o herói para um pequeno minigame (que funciona como se fosse uma rápida roleta da sorte), no qual Mario pode ganhar vidas adicionais e fireflowers (que permitem que ele dispare bolas de fogo).

Além de ter se tornado um dos games de maior sucesso comercial da série Super Mario em todos os tempos e de ter impulsionado as vendas do Game Boy, Super Mario Land ainda gerou a continuação Super Mario Land 2 – 6 Golden Coins, de 1992, um dos games mais tecnicamente impressionantes do portátil. Foi o primeiro cartucho do Game Boy a ter “impressionantes” 4 megabits de memória, nada menos do que oito vezes o tamanho do primeiro Super Mario Land.


A sequência também é notória por ter sido a primeira aparição do personagem Wario, hoje uma figurinha sempre presente no universo de Mario. Aliás, Super Mario Land 2 continua a história do primeiro jogo imediatamente de onde ela parou, revelando que o alienígena Tatanga estava trabalhando sob as ordens de Wario. Piração total? É, meu amigo, não é à toa que chamam esse lugar onde Mario vive de “Reino dos Cogumelos” …


Wario era o vilão de Super Mario Land 2, mas acabou roubando a cena. Tanto isso é verdade que o próximo jogo da série, lançado em 1994, se chamava Wario Land – Super Mario Land 3, e já não é mais sequer considerado um game da série Mario Bros, na medida em que Wario se tornou o protagonista. Depois disso, a série Wario Land ganhou vida própria com Wario Land II (1998, Game Boy Color), Wario Land 3 (2000, Game Boy Color), Wario Land 4 (2001, Game Boy Advance), Wario World (2003, Game Cube) e outros mais recentes.


Enfim, Super Mario Land é um jogo absolutamente obrigatório para todo e qualquer retrogamer. É um pedaço importante da história dos videogames portáteis, é um título excelente dentro da mais famosa série de games que existe, é um ótimo jogo de plataforma e, mais do que qualquer outra coisa, é SUPER MARIO no melhor estilo clássico! O que mais um retrogamer pode querer da vida?

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5 pensamentos sobre “SUPER MARIO LAND (Game Boy, 1989)

  1. Leu meu pensamento!!! Neste carnaval Levei o GBA pra praia junto com a fitinha do Mario Land e me divertir horrores, principalmente pq o meu GBA é o primeiro modelo, sem iluminação, sendo assim é excelente pra jogar na sombra ou sol, não reflete..hihihi.
    Mas falando de Super Mario Land não me lembrava como ele é diferente
    Acredito q por economina a Nintendo fez várias modificações, mas o que me chamou mais a atenção (além do já citado) foi a segunda fase ser aquatica, mas Mario passa pela fase dentro de um submarino!
    Excelente matéria, ainda não joguei o 2 então depois comento …

    OBS: a geração atual não sabe a importancia e a eficiencia do game boy classic. Olha isso: http://ritalinando.wordpress.com/2011/03/05/em-defesa-do-game-boy-classic/

  2. Muito bom esse review! Assim como você eu também jogava nos Game Boys dos amigos e também tinha orgasmos múltiplos com Mario Land haha! Outro game que me deixava doido era o Mega Man para Game Boy, portabilidade naquela época era SONHO!

  3. Eu encomendei o mario land 2 de um cara bem gente boa e honesto do mercado livre, ele tambem tinha mario land 1 mas eu não tenho muito dinheiro então comprei kirby dream land 1 e mario land 2, minha mãe vai me pagar um outro jogo depois mas provavelmente vai ser kirby tilt n’ tumble ou perfect dark, mas o mario land 1 parece ser um bom jogo

  4. Parabéns pela resenha. Adoro game boy (não é a toa que tenho um blog sobre ele, ^^). Super Mario Land é excelente. Vale muito a pena conhecer os primeiros passos de Mario no portátil.

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