MARATONA ATARI

Vou começar esta etapa da maratona com um game que eu cheguei a ter naquela época. BOWLING, de 1978, é – como o nome não esconde – um game de boliche. Não dá pra fazer nada muito surpreendente ou incrementado a partir dessa premissa, mas esse Bowling do Atari 2600 é realmente tão simples quanto se pode conceber. Você ajusta a “altura” (direção vertical) em que o personagem irá ficar e então arremessa a bola apertando o botão, sendo que o tempo de pressionamento regula a força do arremesso. E … bem, é isso.

A mecânica do jogo é simplória, e provavelmente você já estará derrubando quase todos os pinos já nas primeiras partidas, o que deixa pouco espaço para qualquer tipo de evolução. No geral, é um joguinho bem executado e que diverte por alguns minutos, mas a ausência de uma curva de aprendizado real e de variedade torna o jogo absolutamente desinteressante num curtíssimo espaço de tempo. A opção para dois jogadores dá uma pequena sobrevida ao jogo, mas não é o suficiente para salvá-lo depois de duas ou três partidas. De qualquer forma, para um game das “primeiras levas” do Atari, é um título de qualidade.

 


BUCK ROGERS – PLANET OF ZOOM foi lançado em 1983 por ninguém menos do que a boa e velha Sega. Como não poderia deixar de ser, ele é uma adaptação de um arcade da empresa, que foi convertido também para outras plataformas da época, como Commodore 64, Apple II, ZX Spectrum, MSX, etc. Pense numa espécie de “avô conceitual” do clássico Space Harrier, e você terá uma noção razoável da mecânica e da jogabilidade deste Buck Rogers. Apesar dos gráficos decentes, a ação do jogo é um pouco chata e as fases no espaço sideral são irritantes, mais parecendo uma galeria de tiro no escuro.

A movimentação e jogabilidade limitadas tornam o game dispensável, provando que ainda faltava um bocado de melhorias e boas ideias até que a Sega chegasse na agradável fórmula de Space Harrier.

 


BREAKOUT, lançado em 1978, é uma adaptação para o Atari 2600 do clássico game de arcade de mesmo nome, lançado dois anos antes pela Atari (a empresa, não o console). A moral do game é tão simples quanto funcional: no comando de uma barrinha na parte inferior da tela (um bastão que lembra aqueles “jogadores” do clássico Pong), você deverá rebater uma bolinha para que ela colida com os blocos coloridos na parte superior da tela, destruindo-os progressivamente.

O original dos arcades é certamente um dos games mais famosos e influentes de todos os tempos, e já foi adaptado e imitado milhões de vezes para tudo o que é máquina de rodar jogo, incluindo nove em cada dez minigames fabricados na China e vendidos por dez reais em camelôs. Meu primeiro contato com um clone de Breakout foi na infância, através de um game de ZX Spectrum chamado “Demolidor” (que nem sei se consta na relação oficial de games da plataforma ou se era só um joguinho feito nas coxas que a Microdigital dava de brinde junto com o TK-95, seu clone nacional do Spectrum). De qualquer forma, o Breakout do Atari (o console, não a empresa) não faz feio, e é uma conversão eficiente do original.

 


BOXING, lançado em 1980 pela Activision, é uma combinação bem-humorada de criatividade com sérias restrições tecnológicas. Dois lutadores de boxe vistos de cima (que mais parecem duas aranhas gigantes alienígenas) estão lutando num ringue, e seu objetivo, no controle de um deles, é basicamente socar o adversário mais do que ele consiga socar você. O jogo não é muito mais do que isso: dois minutos de troca de socos para um lado e para o outro, com cada lutador levando impressionantes vinte ou trinta socos por minuto e continuando de pé.

Não há variedades de golpes, não há espaço para muita estratégia (embora existam pequenas sutilezas que permitem sequências de socos, como prensar o adversário nas cordas) e os gráficos são de um primarismo comovente. Ainda assim, se você conseguir um amigo para jogá-lo com você, Boxing certamente garante umas boas risadas.

 


Para finalizar com chave de ouro esta etapa da nossa maratona, mais um game que eu tinha naquela época e do qual eu gostava muito: BOBBY IS GOING HOME, lançado em 1983. Podem dizer o que quiserem do jogo, que é infantilóide, que é afrescalhado, que é repetitivo, que é bobo, etc. Ainda assm, a meu ver, é um grande título da biblioteca de games do Atari 2600, e a meu ver ele nunca teve o reconhecimento merecido, nem nos anos em que o console esteve no mercado e nem aos olhos das análises posteriores dos retrogamers de plantão.


Conheci este game ali por volta de 1991, quando eu era criança e já tinha um Atari há cerca de quatro anos, e podem acreditar: era um jogo que se destacava bastante da média dos games do console. Bobby is Going Home é o mais próximo que o Atari chegou de ter um clone do icônico Super Mario Bros do NES. É claro que o melhor (e pioneiro) game de plataforma do Atari é indiscutivelmente o inigualável Pitfall, e que esse jogo não chega nem perto do clássico da Activision, mas a verdade é que o Atari oferecia poucas opções de jogos nesse estilo aventura-plataforma-com-progressão-lateral. Além de Pitfall, havia basicamente o game dos Smurfs (que também era muito bom), Jungle Hunt (um game adorado por quase todos os fãs do Atari) e Bobby is Going Home, e talvez fosse este o motivo que tornava impossível não ver estes games com bons olhos na época –  o que justifica algum saudosismo e admiração nos dias atuais.

Bem, pessoal, finalizamos mais uma etapa da nossa Maratona Atari. Fiquem ligados: na próxima etapa, analisaremos nada menos do que NOVE games, finalizaremos a letra “B” da vasta biblioteca de jogos do Atari 2600 e faremos uma lista de todos os games do console já resenhados até agora. Até mais, amigos retrogamers!

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Um pensamento sobre “MARATONA ATARI

  1. Eu sempre gostei do Bobby is Going Home pelo fato de oferecer um desafio diferenciado dos outros. A música também que entrava na cabeça e nunca mais saía contribuía muito para continuar jogando por horas. Acho que cheguei na casinha umas vinte vezes seguidas, a coisa só vai piorando, piorando, etc…

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