Good Old Games: o paraíso dos retrogamers de PC!

Provavelmente você já conferiu as boas dicas que o Gagá Games deu sobre o GOOD OLD GAMES (www.gog.com), um excelente serviço online de venda de games antigos (confira o post detalhado do Gagá em http://www.gagagames.com.br/?p=23067). Neste fim de semana, fiz minhas primeiras experiências com o serviço e é preciso reconhecer: para quem é retrogamer, o GOG é irresistível!

Você começa fazendo um cadastro no site, coisa de poucos segundos. De cara, você ganha três games gratuitos: Lure of the Temptress (1992), Beneath a Steel Sky (1994) e Teen Agent (1995). Ok, não chega a ser a maior caridade de todos os tempos, até porque tratam-se de jogos verdadeiramente jurássicos. Mas Beneath a Steel Sky é um clássico e recebeu notas altíssimas na época em que foi lançado, então é um belo presente. Até porque retrogamer não liga para a idade dos games, mas sim para a sua qualidade.

No GOG, todos os games custam U$ 5.99 ou U$ 9.99. Em reais, isso significa que os games custam R$ 10,24 ou R$ 17,08 (na cotação de hoje do dólar). Ou seja, é barato MESMO! Mas o melhor de tudo são as promoções! Deixa eu exemplificar …

Nesta semana, a famosa trilogia Broken Sword está sendo vendida por U$ 7,17 (R$ 12,26). Sim, doze reais por três games de qualidade: o célebre Broken Sword, de 1996, na versão “Director’s Cut” de 2009, Broken Sword 2 – The Smoking Mirror (1997) e Broken Sword 3 – The Sleeping Dragon (2003). É barato demais mesmo, de babar.

Na lista de jogos mais baratos (ou seja, a dez reais cada) tem velharias famosas e excelentes como Ceasar III, Alone in the Dark – The New Nightmare, Descent 1 e 2 (sim, os dois juntos por dez reais!), o megaclássico Duke Nukem 3D (com o pacote de expansão “Atomic Edition“), Empire Earth, Enclave, Fallout, Megarace 1 e 2 (os dois juntos por dez reais, não dá nem para acreditar!), Moto Racer, Myst, Phantasmagoria 2, Screamer, Serious Sam, The Temple of Elemental Evil e muitos outros.

Já entre os games “mais caros” (ou seja, que custam a “fortuna” de dezessete reais cada), estão pérolas como Baldur’s Gate 2, Chessmaster 9000, Empire Earth II, Empire Earth III, Gothic, Gothic 2, Far Cry, Icewind Dale, Icewind Dale II, Neverwinter Nights, Might and Magic 6-pack (contendo todos os seis primeiros games da série, que são justamente os mais clássicos e melhores), Phantasmagoria, Postal 2, Planescape – Torment, Prince of Persia – The Sands of Time, Under a Killing Moon (que era considerado uma lenda nos anos 90, graças aos seus requisitos de hardware extremamente exigentes para a época), Unreal, Unreal 2, Unreal Tournament e vários outros.


Alguém pode perguntar “ah, mas pra quê pagar por essas velharias se existem tantos sites com links para baixar games antigos de graça na internet”? Deixando de lado o argumento moral elementar sobre a questão da pirataria, o motivo determinante é a qualidade dos games e a facilidade para rodá-los. Explico: a maioria desses games é para DOS ou Windows 95, e portanto geralmente causam grandes dores de cabeça quando tentamos rodá-los no Windows Vista ou Windows 7. No entanto, os games vendidos no GOG já vêm perfeitamente configurados para serem imediatamente executados nesses sistemas operacionais modernos (inclusive com o emulador DosBox embutido e pré-configurado, quando necessário). Se você é um retrogamer desprovido de tempo livre como eu, vai valorizar muito essa praticidade.

Sobre a qualidade dos games, lembro o seguinte:  nos anos 90 e até o começo dos anos 2000, frequentemente os games que eu jogava eram copiados em disquetes de algum amigo (ou comprados de algum “pirateiro”), e essas versões que se popularizavam de maneira informal frequentemente eram “ripadas”, ou seja, tinham conteúdo eliminado ou reduzido para diminuir o tamanho total do jogo (geralmente eram sacrificadas as “cut scenes”, ou a trilha sonora do jogo). No GOG, você tem a certeza de que vai jogar o game completão, no idioma inglês (já baixei games antigos de graça que vinham em francês ou coisa do tipo) e ainda por cima frequentemente com alguns extras, como wallpapers, manuais (em PDF) e trilha sonora do jogo. Vale à pena.

Mais uma vantagem: em qualquer computador com acesso à internet, você terá acesso à sua estante de joguinhos velhos. Não tem limite de downloads nem nada assim. Comprei os games no meu notebook, e já baixei e instalei Descent 1 e 2. Mas, se eu quiser jogá-los no PC da minha sala, é só entrar no site, entrar no meu cadastro e então posso baixar e instalar os games naquele micro, ou em qualquer outro posteriormente. Então, você não precisa ficar carregando sua coleção de games por aí, é só baixar novamente e instalar em qualquer PC com internet que estiver na sua frente.

Até o momento, comprei no GOG: Descent 1 e 2, Broken Sword 1, 2 e 3 e Megarace 1 e 2. Os sete jogos me custaram um total de R$ 32,74 (mais ou menos o preço de uma pizza entregue em casa). Na média, cada jogo saiu por R$ 4,67. E olha que não estou nem considerando os três games que o GOG me deu de graça.

Enfim, o serviço funciona e vale muito à pena. Recomendo!

PAC-MANIA (1988, MSX)

O ano era 1992. Eu tinha dez anos de idade e, nos últimos cinco anos, havia sido o feliz proprietário de um Supergame CCE, um clone nacional do clássico Atari 2600. O Atari foi meu primeiro console e o videogame definitivo da minha infância, e tinha me proporcionado uma infinidade de horas de diversão.

Mas, nos meus últimos dias com ele, a coisa já não era mais tão lúdica. Nas revistas de videogames, consoles maravilhosos como Mega Drive e Super Nes brilhavam. A quarta geração de videogames já estava bem estabelecida e eu, o último dos moicanos, ainda estava atolado na jurássica segunda geração. Nessa altura do campeonato, meus amigos todos já estavam pelo menos no NES ou no Master System, e o velho Atari nessa época parecia mais um constrangimento do que aquela máquina “radical” que ele era quando eu botei minhas mãos nele pela primeira vez.

E então, num belo domingo, no meu aniversário de doze anos, meu pai me aparece com um MSX Expert da Gradiente. Uau, aquilo foi o MÁXIMO! Numa tacada só, eu estava ganhando meu primeiro microcomputador e uma máquina que rodava games mais ou menos equivalentes aos do NES e do Master System. Finalmente, era hora de aposentar o velho Atari.


E qual foi o primeiro game que rodei no meu MSX, tão logo ele foi instalado e ligado? PAC-MANIA! E, cara, que perfeita analogia visual para aquele momento! Durante anos, Pac-Man havia sido o jogo símbolo da minha vida de jogador de videogames e da minha “Era Atari”. E, do dia para noite, a minha evolução para o MSX era graficamente representada por um Pac-Man com gráficos arrasadoramente superiores, andando por um labirinto pseudo-tridimensional, com trilha sonora caprichada e fantasmas bem desenhados. E mais: agora o Pac-Man podia PULAR! Era tudo como o Pac-Man do Atari, só que na enésima potência – e com esteróides! Só faltei babar …


Desde aquele momento, Pac-Mania se tornou um dos meus games prediletos do MSX e um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Evidentemente, na época eu achava que se tratava de um game exclusivo do MSX, e só depois de muito tempo fui descobrir que o jogo tinha sido lançado nos arcades e depois adaptado uma para uma infinidade de sistemas domésticos.

Tecnicamente, a versão do arcade (e algumas das outras conversões) são bem superiores ao Pac-Mania do MSX, até porque o jogo não chega a explorar todo o potencial do micro, na medida em que era uma adaptação da versão do Zx Spectrum, cujo hardware era sensivelmente inferior ao do MSX. Mesmo assim, até hoje o Pac-Mania do MSX é a minha versão favorita do jogo. Prefiro o visual semi-monocromático àquelas cores “lavadas” do original do arcade, e a sonoridade das músicas é muito mais empolgante e “nervosa” no MSX do que no arcade, onde as músicas soam meio pasteurizadas e sem inspiração. As músicas do Pac-Mania do MSX sempre foram uma das melhores coisas do game, e soavam como uma sinfonia de sintetizadores oitentistas.


A mecânica básica do jogo é a mesma do clássico Pac-Man original, mas a novidade fica por conta do labirinto com perspectiva “tridimensional”, que dava um visual renovado para o icônico comedor de pastilhas. O visual de cartoon também era excelente, com um Pac-Man bem definido e fantasminhas cujos olhos se moviam quando Pac-Man pulava por cima deles. O lance do pulo também foi uma adição interessante, criando um novo mecanismo de fuga para o nosso enrascado herói.

Outros momentos engraçados ocorriam nas “cut-scenes” entre uma fase e outra, que mostravam pequenas cenas cômicas (do tipo: Pac-Man correndo atrás de um fantasma e depois fugindo apavorado, sendo perseguido por uma centena de fantasmas amigos daquele que ele estava caçando).


As fases transcorrem por quatro cenários diferentes: Block Town, Pac-Man Park, Sandbox Land e Jungly Steps. O desafio não parece significativo no começo, mas avançando pelas fases o jogador começa a encarar sérios problemas com os fantasmas, que começam até a pular a partir de determinado momento.


Para quem gosta de Pac-Man, esse é um grande jogo, uma variação criativa e inteligente da fórmula original. Além do original dos arcades, há versões bonitinhas do jogo para Master System, Mega Drive, Game Boy Advance e outros sistemas. Mas, para mim, não há competição: o Pac-Mania definitivo é o do MSX, com suas músicas de sonoridade ensandecida e gráficos com poucas cores. Simples, divertido e viciante, ele é um tipo de game que não perde a graça mesmo com o passar das décadas.