PAC-MANIA (1988, MSX)

O ano era 1992. Eu tinha dez anos de idade e, nos últimos cinco anos, havia sido o feliz proprietário de um Supergame CCE, um clone nacional do clássico Atari 2600. O Atari foi meu primeiro console e o videogame definitivo da minha infância, e tinha me proporcionado uma infinidade de horas de diversão.

Mas, nos meus últimos dias com ele, a coisa já não era mais tão lúdica. Nas revistas de videogames, consoles maravilhosos como Mega Drive e Super Nes brilhavam. A quarta geração de videogames já estava bem estabelecida e eu, o último dos moicanos, ainda estava atolado na jurássica segunda geração. Nessa altura do campeonato, meus amigos todos já estavam pelo menos no NES ou no Master System, e o velho Atari nessa época parecia mais um constrangimento do que aquela máquina “radical” que ele era quando eu botei minhas mãos nele pela primeira vez.

E então, num belo domingo, no meu aniversário de doze anos, meu pai me aparece com um MSX Expert da Gradiente. Uau, aquilo foi o MÁXIMO! Numa tacada só, eu estava ganhando meu primeiro microcomputador e uma máquina que rodava games mais ou menos equivalentes aos do NES e do Master System. Finalmente, era hora de aposentar o velho Atari.


E qual foi o primeiro game que rodei no meu MSX, tão logo ele foi instalado e ligado? PAC-MANIA! E, cara, que perfeita analogia visual para aquele momento! Durante anos, Pac-Man havia sido o jogo símbolo da minha vida de jogador de videogames e da minha “Era Atari”. E, do dia para noite, a minha evolução para o MSX era graficamente representada por um Pac-Man com gráficos arrasadoramente superiores, andando por um labirinto pseudo-tridimensional, com trilha sonora caprichada e fantasmas bem desenhados. E mais: agora o Pac-Man podia PULAR! Era tudo como o Pac-Man do Atari, só que na enésima potência – e com esteróides! Só faltei babar …


Desde aquele momento, Pac-Mania se tornou um dos meus games prediletos do MSX e um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Evidentemente, na época eu achava que se tratava de um game exclusivo do MSX, e só depois de muito tempo fui descobrir que o jogo tinha sido lançado nos arcades e depois adaptado uma para uma infinidade de sistemas domésticos.

Tecnicamente, a versão do arcade (e algumas das outras conversões) são bem superiores ao Pac-Mania do MSX, até porque o jogo não chega a explorar todo o potencial do micro, na medida em que era uma adaptação da versão do Zx Spectrum, cujo hardware era sensivelmente inferior ao do MSX. Mesmo assim, até hoje o Pac-Mania do MSX é a minha versão favorita do jogo. Prefiro o visual semi-monocromático àquelas cores “lavadas” do original do arcade, e a sonoridade das músicas é muito mais empolgante e “nervosa” no MSX do que no arcade, onde as músicas soam meio pasteurizadas e sem inspiração. As músicas do Pac-Mania do MSX sempre foram uma das melhores coisas do game, e soavam como uma sinfonia de sintetizadores oitentistas.


A mecânica básica do jogo é a mesma do clássico Pac-Man original, mas a novidade fica por conta do labirinto com perspectiva “tridimensional”, que dava um visual renovado para o icônico comedor de pastilhas. O visual de cartoon também era excelente, com um Pac-Man bem definido e fantasminhas cujos olhos se moviam quando Pac-Man pulava por cima deles. O lance do pulo também foi uma adição interessante, criando um novo mecanismo de fuga para o nosso enrascado herói.

Outros momentos engraçados ocorriam nas “cut-scenes” entre uma fase e outra, que mostravam pequenas cenas cômicas (do tipo: Pac-Man correndo atrás de um fantasma e depois fugindo apavorado, sendo perseguido por uma centena de fantasmas amigos daquele que ele estava caçando).


As fases transcorrem por quatro cenários diferentes: Block Town, Pac-Man Park, Sandbox Land e Jungly Steps. O desafio não parece significativo no começo, mas avançando pelas fases o jogador começa a encarar sérios problemas com os fantasmas, que começam até a pular a partir de determinado momento.


Para quem gosta de Pac-Man, esse é um grande jogo, uma variação criativa e inteligente da fórmula original. Além do original dos arcades, há versões bonitinhas do jogo para Master System, Mega Drive, Game Boy Advance e outros sistemas. Mas, para mim, não há competição: o Pac-Mania definitivo é o do MSX, com suas músicas de sonoridade ensandecida e gráficos com poucas cores. Simples, divertido e viciante, ele é um tipo de game que não perde a graça mesmo com o passar das décadas.

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5 pensamentos sobre “PAC-MANIA (1988, MSX)

  1. Além do original dos arcades, há versões bonitinhas do jogo para Master System, Mega Drive, Game Boy Advance e outros sistemas.

    Vale destacar a versão de Zeebo : D

    • Ótima lembrança, Fernando! “Oh Shit” vai ter que dar as caras aqui no Cemetery Games uma hora dessas hehehe.

  2. O verdadeiro Pacmania do MSX foi lançado para MSX2 pela própria Namco no Japão. Além de ser 10mil vezes melhor que essa, arrisca ser até melhor que as versões Atari ST e Amiga.

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