SUPER MONACO GP (1990, Mega Drive, Master System, Game Gear)


Super Monaco GP é um game que não me desperta nenhum tipo de sentimentalismo, pois eu nunca joguei o game original do arcade, não me recordo de ter jogado as versões do Mega Drive e do Game Gear na infância ou adolescência e sempre achei uma porcaria a versão do Master System, a única que joguei bastante.


Vocês devem estar se perguntando “ué, mas então por que resenhar esse jogo?”. Simples: no finalzinho dos anos 80 e começo dos 90, Super Monaco GP era sinônimo de game de corrida de Fórmula-1 “de ponta”. O jogo representava o que havia de mais moderno nesse estilo no universo videogâmico (claro que estou falando da versão do Mega Drive, e não das pobres versões 8-bits). Portanto, para fins de arqueologia retrogamer, é um jogo que vale à pena desenterrar.

Super Monaco GP foi lançado pela Sega originalmente nos arcades, em 1989, como uma espécie de “super sequência tardia” de um arcade ancestral da empresa, chamado Monaco GP, lançado em 1979 (e que ainda teve uma sequência chamada Pro Monaco GP, em 1980).  Nunca joguei o Super Monaco GP dos arcades (acho que nunca sequer o vi, na verdade), mas isso não era importante naqueles tempos. Na virada dos anos 80 para 90, boa parte dessas adaptações de arcades da Sega para o Mega Drive (como Altered Beast, Golden Axe e Super Monaco GP) eram simplesmente consideradas como games próprios do Mega Drive. De regra, ninguém via Altered Beast, Golden Axe ou Super Monaco GP como “adaptações de arcades”, nem ficava fazendo comparações entre as versões do Mega com os originais. Frequentemente, sequer tínhamos conhecimento de que tais games haviam surgido nos arcades, e simplesmente víamos tais jogos como “games do Mega Drive”, adaptados de vez em quando para  o Master System.


Por isso, a plataforma na qual Super Monaco GP se consagrou foi realmente no Mega Drive. E, tecnicamente, é forçoso reconhecer que o game matava a pau para a época do seu lançamento. A então tradicional revista norte-americana Electronic Gaming Monthly, por exemplo, soltou a franga ao analisar o game, e deu para ele nota 10-10-9-9, o que era uma coisa sem precedentes até então. O jogo, no geral, foi bastante aclamado por crítica e público. Não é por nada que, como eu referi antes, Super Monaco GP se converteu em sinônimo de “simulação de Fórmula-1” nos primeiros anos dos consoles de 16-bits.


Mas, antes de sair correndo para conferir essa “maravilha”, fique atento para algumas considerações importantes: o Super Monaco GP do Mega Drive simplesmente não envelheceu bem. Os gráficos são ótimos para a época, e a variedade de pistas é surpreendente (são 16 circuitos diferentes, se bem me recordo), mas a mecânica do jogo é simplesmente irreal demais para os padrões atuais. Por exemplo: o jogo adota aquele típico critério de “qualify” dos jogos de arcade da Sega, ou seja, o jogador não tem como terminar a corrida a menos que se qualifique numa posição mínima definida pelo jogo. Caso contrário, é game over na cara, no meio da corrida, de uma hora para outra. É realmente frustrante a forma como esse game não respeita qualquer regra da Fórmula-1 de verdade, mostrando-se na prática mais parecido com a mecânica de qualquer outro arcade de corrida da Sega.

A reprodução do traçado da pista é duvidosa, e o mapa que aparece na tela é virtualmente inútil, pois a impressão que dá é que ele não mostra as curvas menores, induzindo o jogador a pensar que está passando por tranquilas e longas retas quando, de repente, aparece uma curvinha (ou sequência de curvinhas) que frequentemente ferram completamente com o desempenho do jogador. As limitações gráficas literalmente dão a impressão de que as curvas aparecem do nada. Os cenários de fundo são bem feitos e mudam de um circuito para outro, mas os detalhes próximos à pista são pobres e superficiais demais, e não cumprem a contento a tarefa de situar e ambientar o jogador.

Enfim, embora tenha sido um marco em sua época, o Super Monaco GP do Mega Drive (ao contrário de tantos outros bons games do console) perdeu muito de seu apelo nesses vinte anos que se passaram, e hoje simplesmente não representa mais uma diversão recomendável.


Apesar disso, pelo menos o game era ótimo para os padrões da época em que foi lançado. O mesmo não se pode dizer da terrível versão para Master System, que infelizmente foi a única que eu joguei bastante nos anos 90 (por teimosia, creio eu). Muitos dos games lançados para o Master System eram adaptações simplificadas de jogos do Mega Drive, e isso era muito natural, sendo que na maioria das vezes essas conversões eram extremamente competentes (isso quando não eram absolutamente únicas e diferenciadas, como Castle of Illusion, por exemplo). Mas Super Monaco GP é um raro caso de jogo de Mega Drive cuja versão para o Master não tem absolutamente nada a ver com o game do console de 16-bits, sendo que basicamente a única coisa que as versões tinham em comum era o título do jogo.

A versão do Master abria mão da visão em primeira pessoa do game do Mega Drive, exibindo o veículo do jogador através de uma perspectiva traseira. O visual ficou horrível, mais parecendo um game de Atari levemente melhorado. Para piorar, uma bizarrice: mesmo jogando sozinho, o jogador era obrigado a dividir a tela com um adversário chamado “computer. Deixa eu explicar melhor: era o jogador contra uns quinze adversários controlados pelo videogame, todos com nomes humanos, exceto por um adversário especial – também controlado pelo videogame – chamado “computer“, cuja visão ficava aparecendo em tempo integral durante a corrida, ocupando metade da tela do jogador.

Sério, eu jogo videogame há quase vinte e cinco anos, e não me recordo de já ter visto uma coisa assim tão idiota em um game de corrida. Se estou jogando sozinho, por que dividir a tela como se estivesse jogando em modo two-players?!? Por que, entre quinze adversários controlados pelo computador, escolher um deles para ser chamado de “computer”, enquanto todos os outros têm nome de gente?!? O que essa equipe da Sega estava fumando quando elaborou essa conversão horrorosa para o Master?

Como se tudo isso já não fosse ruim o bastante, a jogabilidade do Super Monaco GP do Master ainda é abominável. Nas retas, o jogador pode acelerar tanto quanto quiser e quase não precisa jogar, pois virtualmente não há como errar ou perder alguma ultrapassagem. Já nas curvas, o jogador precisa lutar não para fazê-las com a menor perda de velocidade possível, mas sim de modo que o motor não exploda. Sim, o motor fica EXPLODINDO nas curvas o tempo todo, obrigando o jogador a reduzir a velocidade, mas não para manter o controle do carro e/ou se manter na pista, e sim para que o carro pare de fazer aquele barulho chato de motor quase explodindo, e para que o veículo não chegue a colapsar de vez. É tudo tão ridículo e frustrante que mal dá para acreditar!


Felizmente, a Sega aparentemente teve consciência das diversas falhas da horrível versão do Master System, e fez um trabalho bem melhor posteriormente, quando lançou o jogo para o Game Gear. Na versão do Game Gear, toda a tela é ocupada com a visão do jogador, sendo que o famigerado corredor “computer” desapareceu (obrigado, Senhor!). Aquela coisa irritante de o motor ficar estourando nas curvas também acabou, e nessa versão o desafio consiste basicamente em fazer as curvas sem dar de cara com as muitas placas que surgem a todo momento. Além disso, essa versão portátil é bem mais rápida que a do Master, proporcionando uma sensação de velocidade e ação mais convincente. Não vou chegar a dizer que o Super Monaco GP do Game Gear é um jogo “bom”, mas é indiscutivelmente muito melhor do que a versão do Master System e, para um jogo de videogame portátil lançado em 1990, o jogo é bastante decente e aceitável.


Além de ter dado as caras em todos os consoles da Sega da época, Super Monaco GP ainda ganhou adaptações para os microcomputadores Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64 e ZX Spectrum. Não tive paciência para experimentá-las, mas vi alguns reviews e vídeos da versão do ZX Spectrum e (tirando a paleta de cores pobre) essa versão é claramente muito, mas MUITO superior às versões do Master System e do Game Gear. E isso, meus amigos, é uma VERGONHA! Não me entendam mal, eu sou um fã ardoroso do célebre micrinho britânico, mas o hardware do Master System era incomparavelmente mais poderoso do que o do Spectrum, e portanto é realmente contrangedor ver que esse micro recebeu uma versão de Super Monaco GP muito mais eficiente e decente do que a que foi lançada para o Master.

Três anos depois, a Sega lançaria uma continuação de Super Monaco GP, que novamente saiu para Mega Drive/Master System/Game Gear e foi estrelada por um famoso piloto brasileiro de Fórmula-1. Mas isso já é uma história para outra hora …

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17 pensamentos sobre “SUPER MONACO GP (1990, Mega Drive, Master System, Game Gear)

  1. hahahaha, caveira, morri de rir com seu post: “que essa equipe da Sega estava fumando quando elaborou essa conversão horrorosa para o Master”
    Infelizmente tenho que concordar contigo, e olha que dói falar mal de um jogo do Master, mas tenho que concordar.

    • Hehehe, com certeza Leo! A Sega era uma mãezona muito dedicada com o Master System, mas com Super Monaco GP a empresa sacaneou o pobre console. Até o vovô ZX Spectrum tinha uma versão bem mais legal do jogo, uma lástima!

  2. A versão do Megadrive não era tão ruim assim.
    Acho que o autor do post pegou pesado demais.
    Não que a jogabilidade fosse perfeita (aquelas batidas que destruiam o carro existem nos jogos até hoje “grid”), mas o SMGP do Mega é o ÚNICO jogo em que consegui fechar com o câmbio manual.
    O qualify é uma característica de jogo “arcade” e não de um simulador de jogo real, considere que esta é uma conversão de “arcade”
    O fim é emocionante, o jogo também – como são duas longas temporadas para fechar tudo, vale acabar este jogo pelo menos uma vez na vida

    Diversão? o Grid é lindo e tem 10gigas, e é muito pior que o SMGP com 1mega

  3. Fernando, concordo com você. A versão do Mega Drive não apenas “não era ruim” como era FANTÁSTICA para os padrões de 1990. Veja que fiz questão de destacar não apenas que as revistas da época glorificaram o jogo como também que nós, naqueles tempos, víamos Super Monaco GP como o suprassumo da simulação de Fórmula-1 em videogame. Minha ressalva é exclusivamente no sentido de que penso que o jogo não envelheceu tão bem quanto Sonic, Golden Axe, Phantasy Star IV, Streets of Rage II e outros clássicos do Mega. Mas isso é natural em jogos que envolvem algum grau de simulação, pois a evolução tecnológica dos computadores/videogames acaba pesando muito. O World Circuit (1993) do PC parecia ficção científica na época, e também é um game que não convence mais para os padrões atuais.

    Também concordo com a crítica ao GRID. Joguei a versão do Xbox 360 e detestei o jogo.

    • Era sim, Leandro. Pra ser sincero, isso é a única coisa que eu realmente nunca gostei muito no Top Gear. Só que dava pra tolerar esse inconveniente porque todo o resto do jogo (música, jogabilidade, diversão) era excelente. Já o Super Monaco GP do Master é um desastre do começo ao fim hehehe. Abraço!

  4. Eu já vi o arcade SUPER MONACO GP, em BH por volta de 89/90 tinha. E era muito massa, era uma simulação de um cockpit e tinha movimentos conforme voce virava o volante. Naquela época era fantastico, era como um daytona usa da epoca.

  5. Tem alguns erros nesse seu post. A versão do Master não estourava os motores, isso acontecia no Mega e no Arcade, o problema do Master era a jogabilidade e a dificuldade de não deixar o carro rodar nas curvas. Outra coisa, Ayrton Senna’s Super Monaco GP 2 não foi lançado para Arcade, mas apenas nos consoles (Mega, Master e Gear). E o pior erro é criticar esse jogo que é praticamente perfeito 😀

    Ah e faltou citar algumas funcionalidades inéditas, como o desgaste de equipamento, pit stop e o setup dos carros nas versões do Master e Gear.

    • E aí, Thiago!

      É, você tem razão, o Super Monaco GP II não saiu nos arcades, tenho que arrumar isso! Valeu pela observação.

      Mas fala sério, o primeiro Super Monaco GP do Master System é HORRÍVEL hehehe. Sei lá se o que acontece é que o carro estoura o motor ou se rodopia nas curvas, a pobreza visual do jogo não nos permite entender direito o que acontece, mas o fato é que é irritante, frustrante e uma tentativa muito mal executada de tentar reproduzir a física real de uma corrida em alta velocidade.

      Abraço!

    • Perdão, mas não entendi a pergunta. Até onde sei, Super Monaco GP nunca foi lançado para PC. Se você quer jogar a versão do Mega Drive no PC, precisa apenas de um emulador (recomendo o Kega Fusion) e da rom do jogo em questão.

  6. sinceramente estou decepcionado com os comentários sobre o jogo,,,,galera 3d só quer saber de jogos atuais, mas não analizam que o master system era demasiadamente limitado para ter uma conversão do mega e que o jogo pelo menos aqui onde moro joguei muito a versão arcade,,,,não existe uma opinião padrão mas já visitei alguns sites e a maioria sempre fala bem dos jogos antigos da sega,,,,aqui só tem geração pitchula(3d) mesmo,,,,fazer o que? monaco gp do master era ruin, mas com o tempo passei a gostar dele, vi que muitos não conseguiam terminar o jogo,,,,acho que a maioria que falava mal do monaco gp em geral são os que não dão conta de jogar!!!!!o pessoal só analiza gráficos e realidade,,,,mas não analizam que tudo ai foi a evolução dos jogos atuais,,,,que na minha opinião prefiro ficar com os antigos,,,,,,

    • Entendo sua decepção, helisonbsb. Nunca é legal ver um game que a gente gosta espinafrado. Acredito que tem pessoas que gostavam do Super Monaco GP do Master System, mas a verdade é que essa versão nunca foi considerada grande coisa pela crítica e ficou MUITO longe da versão do Mega Drive (o que não acontecia nas diversas boas conversões que o Master recebia do seu “irmão mais poderoso”). Veja que até o microcomputador ZX Spectrum (um hardware de 1982!) ganhou uma versão de Super Monaco GP mais próxima do arcade do que o Master System. Então, realmente é uma leitura baseada no que se poderia esperar de um game do Master naquela época, e não uma comparação injusta com “jogos 3D atuais”, até porque tanto eu quanto os leitores habituais do Cemetery Games somos todos uns velhos que gostam mesmo é das antiguidades hehehe. Um abraço e continue antenado com as velharias aqui no blog!

  7. Post polêmico, he he ^_^

    Na época eu era um grande fã de SMGP. Leia-se: eu era um bostão que não conseguia concluir uma corrida, mas era fã mesmo assim, rs…

    Entendo o que você quer dizer quando diz que o jogo não envelheceu bem. E de fato o lance do game over por causa do qualify é meio decepcionante, mas acho que tem a ver com aquele lance bem arcade da Sega. Eu prefiro encarar o jogo como um arcade com o “bônus” das equipes e do, digamos, “story mode”, mas pode ser meio frustrante para quem espera uma coisa mais console, menos “time attack”.

    O port de Master eu hoje acho simpático, mas na época eu achava uma meleca também…

  8. Parabéns pelo blog!

    É a minha primeira visita aqui e estou gostando muito!

    Será devidamente “favoritado” no browser!!! Ehehehehe

    Quanto ao envelhecimento do jogo…

    Penso que ele envelheceu bem, sim.

    O legal do games antigos de corrida (na minha opinião) reside justamente no fato de eles não serem “simuladores” da realidade (ou não chegarem tão próximos disso, como nos jogos atuais).

    Desde o Psone que eu não tenho saco para jogar F1 em videogame (acho muito difícil controlar o carro).

    A jogabilidade dele me lembra as corridas de F1 de antigamente:

    Controlava-se o carro “no braço”! Ehehehehehehe

    Sinto MUITA falta de jogos com um gameplay como o dele.

    Pelo menos temos o NFS para “aliviar a saudade”! rs

  9. Super Mônaco GP foi uns dos primeiros jogos que tive no meu Master(Junto com Sonic Spinball e o Alex Kidd na memória.)
    Eu atá que gostava dele(apesar de ser péssimo)
    no começo eu também achava estranho a tela dividida,depois me acostumei.
    Por curiosidade:um dia meu pai perguntou se o jogo estava ruim,por causa da tela divida,kkkk.

  10. Lendo seu post confesso que viajei uns 20 anos atrás, relembrandominha infancia. Tecnicamente compreendo seu comentario a respeito do Super Mônaco GP do Master, mas como esse jogo foi o que eu mais joguei na época me nego a critica-lo. Master era o primo pobre do Mega, a, quem nao tem cão caça com gato, era de acordo com a condicao financeira de cada um na época. Voltando ao jogo, eu era imbatível, minha diversao era bater meus próprios recordes. Gostava de usar 3 marchas apenas. SAUDADES!

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