TERRA CRESTA (ZX Spectrum, 1986)

Há alguns dias, li num site de retrogaming que um famoso programador de games para o velho micro britânico ZX Spectrum havia falecido no final do último mês de junho. Seu nome era Jonathan “Joffa” Smith e, ao ler sobre alguns dos games feitos por ele, fiquei chocado ao descobrir que ele era ninguém menos do que um dos criadores da versão de Terra Cresta do Spectrum, que desde sempre é, disparado, o meu shot’em up favorito do velho micrinho. Então, em homenagem ao talentoso Joffa, vamos relembrar essa pérola do cara.

O Terra Cresta do Spectrum foi a única versão do game que conheci na infância. Desde então, sempre imaginei que se tratasse de um título exclusivo do Spectrum. Foi apenas em plena era da emulação que vim a descobrir que o game tinha versões para outros consoles e micros, e que era originário dos arcades. Depois disso, joguei o original do arcade e a versão do NES. Elas são legais, mas não me cativaram muito. A versão do jogo que eu realmente adoro é essa do Spectrum.

Naturalmente, quando eu jogava Spectrum na casa do meu tio na infância, eu era muito jovem para avaliar os games sob o aspecto técnico. O que eu gostava em Terra Cresta eram os gráficos (isso era no final dos anos 80. Lembrem-se que, em casa, eu tinha um ATARI!) e da ambientação. Hoje, consigo perceber alguns outros méritos de ordem técnica, como por exemplo o excelente scroll do game, que contribui muito para a apresentação.

O game é difícil pra caramba! Percebam: não progressivamente difícil, mas simplesmente muito difícil desde o primeiro instante de jogo! Não tem uma primeira fase mais light para “esquentar”, o desafio insano começa nas primeiras telas. Essa dificuldade não se dá tanto pela velocidade do game, pois Terra Cresta não é muito rápido para os padrões dos shot’em ups (algumas publicações, na época, chegaram a reclamar no sentido de que o jogo seria “lento”). O problema é a quantidade de inimigos e, mais do que isso, da quantidade de tiros que eles soltam em todas as direções imagináveis. Subestime seus inimigos em Terra Cresta e você perderá todas as suas naves em menos de cinco minutos.

Terra Cresta se saiu bem nas publicações especializadas em Spectrum da época. A revista Crash deu nota 8 para o game, enquanto que a revista Your Sinclair foi um pouco mais rigorosa, dando uma nota 7 para ele. O review do jogo na Crash destacou os bons gráficos, mas reclamou da velocidade do jogo. A Sinclair User foi a mais “chata” de todas, dando nota 6 para o game. A principal reclamação da revista era de que o jogo não entusiasmava muito na comparação com os games Xevious e Lightforce, que eram do mesmo estilo e haviam sido lançados algum tempo antes. Mas mesmo a Sinclair User reconheceu que os grandes fãs do Terra Cresta do arcade iriam ficar satisfeitos com a versão do Spectrum.

Entre as outras versões do game, há evidentemente o original dos arcades, de 1985, que é bem legal para os padrões da época. Em se tratando de versões domésticas, tirando a do Spectrum, temos a do NES (mais fiel ao arcade em termos de gráficos e cores, embora eu continue achando a do Spectrum muito mais legal e “climática”), do Commodore 64 (nunca joguei, mas pelo que li é bastante boa) e a do microcomputador japonês Sharp X68000, que eu igualmente não conheço.

Terra Cresta teve um antecessor similar nos arcades, chamado Moon Cresta, lançado cinco anos antes e que teve versões para Spectrum, Commodore 64, BBC Micro, Amstrad CPC, Sharp X68000 e ganhou remakes no Super Nes, no Playstation-2 e no Virtual Console do Wii. Ou seja, Moon Cresta foi devidamente reintroduzido para novos públicos, ao passo que Terra Cresta continuou restrito àquelas velhas plataformas oitentistas. Essa série de games da desenvolvedora Nichibutsu conta ainda com os games Dangar – Ufo Robo (1986, arcades), Terra Force (1987, arcades), Terra Cresta II (1992, PC Engine) e Terra Cresta 3D (1997, Sega Saturn). Vi um vídeo desse último no Youtube, e ele parece aborrecido e desinteressante, com gráficos simples e cenários repetitivos e sem imaginação.

Eu devo confessar que, embora curtisse os gráficos, efeitos sonoros e estilo do jogo, na infância a dificuldade extrema do Terra Cresta do Spectrum me impedia de jogá-lo de forma mais prolongada. Mas isso não é o pior, o pior é ter que confessar que, passados mais de vinte anos, eu CONTINUO apanhando da dificuldade de Terra Cresta. O padrão de ataques das naves é insano, você será vítima de tiros de naves que já saíram da tela e, aparentemente, atiram para trás! Como se não bastasse, as manobras das naves inimigas figuram entre as mais vigaristas já vistas em toda a longa história dos videogames. Não é incomum uma nave que já saiu da tela fazer um retorno e acertar na sua, de forma extremamente inesperada. Os inimigos em Terra Cresta são kamikazes assumidos! Mas gosto de acreditar que já estou conseguindo chegar mais longe do que naqueles idos dos anos 80. A única dúvida que me assola é … por que as vidas do jogador são representadas por PATINHOS?!? Será que era uma forma de a dificuldade insana do game tirar uma onda com a cara do jogador?

Se você gosta de shot’em ups verticais e de microcomputadores antigos, eu sinceramente não tenho dois games mais indispensáveis para indicar a você do que ZANAC (do MSX) e este Terra Cresta do Spectrum. Mas Zanac é bem mais amigável em termos de dificuldade. Terra Cresta é um inegável prazer retrogamer, mas definitivamente é um game para os corajosos! Parabéns por esse clássico e descanse em paz, Joffa!

Anúncios

3 pensamentos sobre “TERRA CRESTA (ZX Spectrum, 1986)

  1. LI SEU COMENTARIO,E AFIRMO Q TBEM SOU AFICCIONADO POR GAMES ANTIGOS, UMA VEZ Q ELES MARCARAM A MINHA GERAÇÃO,COM:TÓKIO(INCRÍVEL), GALAXY,GIRUS,RAIDEN(DEMAIS),DENTRE OUTROS QUE DEVIDO A FALTA DE CONTATO À MUITO TEMPO,NÃO OS LEMBRO.
    SAUDADES DAQUELE TEMPO.ERRAM JOGOS INCRÍVEIS.NADA COMPARADO A ESTES ATUAIS QUE PRATICAMENTE JOGAM SOZINHOS.AQUELES VÇ TINHA Q GANHAR NA RAÇA MESMO!!!!

    BEM, FICARÃO NA MEMÓRIA .

    ABRAÇOS,E BOA SEMANA.

  2. mes lembro que eu ia dormir pensando nesses jogos nao tinha grana pra jogar nas maquinas muitas x ia so pra ficar olhando alguem jogar mas tinha um amigo que me chamava pra jogar
    gostaria de saber se tem um site para esse games arcades originais dos fliperamas dos anos 80 ou onde posso baixar e ate mesmo comprar obrigado

  3. Pingback: ZANAC (1986, MSX, MSX 2, NES, Playstation) |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s