GAME SÊNIOR

Grande parte do pessoal antenado com a cena retrogamer brasileira já conhece, mas é sempre bom divulgar: a revista eletrônica Game Sênior já chegou em sua sétima edição, e a matéria de capa é sobre a saudosa série Ninja Gaiden, que viveu seus dias de glória nos tempos do Nintendo 8-bits.

A Game Sênior é distribuída gratuitamente, em formato digital, e você pode conferir todas as edições no blog http://revistagamesenior.wordpress.com, na seção “Edições“.

Estive lendo a mais nova edição, e a revista espanta pela qualidade absurdamente profissional. É um material de primeira qualidade, que deveria estar nas bancas de todo o país em versão impressa. Trata-se de mais uma prova da força e da qualidade da cena retrogamer brasileira. Parabéns para o pessoal da Game Sênior! E se você ainda não foi lá baixar todas as edições, não seja ratão e faça-o imeditamente!

GO GAME BRASIL – CONFIRA O QUE ROLOU NA FEIRA!

Bem-vindos de volta, amigos retrogamers! Aproveitei o último sábado (24/07) para visitar a Go Game Brasil, no Barra Shopping, em Porto Alegre. Para quem não sabe, trata-se uma feira inteirativa de videogames, com exposição de jogos antigos e atuais (você pode conhecer mais sobre as propostas da feira em www.gogamebrasil.com.br). É claro que o Caveira que vos fala não poderia deixar passar essa oportunidade, até porque não é todo dia que uma coisa legal dessas, relacionada a games antigos, aparece aqui há apenas 40km de onde eu moro. O ingresso é meio salgado, R$ 40,00 por pessoa, mas isso não me desestimulou.

Mas e aí, a Go Game Brasil é tudo o que promete? Bem, a feira tem seus aspectos positivos e negativos. Vou começar pelos positivos.

De cara, a feira tem o mérito de reservar um amplo espaço (mais ou menos metade do tamanho total da feira) para os games antigos. Telejogo Philco, Atari, Odyssey 2, Nes, Master System, Mega Drive, Super Nes, Saturn, Nintendo 64, Dreamcast, Playstation-2, Game Cube e Xbox, estão todos lá para apresentar aos visitantes a história dos videogames de 1977 até aqui. A escolha dos consoles, a meu ver, foi bastante competente, pois privilegiou os principais representantes de cada geração de consoles em detrimento de sistemas obscuros ou de menor impacto.

Cada um dos consoles tinha um game à disposição para ser experimentado pelos visitantes, e a escolha desses games, no geral, foi acertada: o Atari estava representado pela sua icônica (embora criticadíssima na época) versão do clássico Pac-Man, o Odyssey rodava Pick Axe Pete (que ficou famoso aqui no Brasil por ter sido rebatizado de “Didi na Montanha Encantada“), dois NES apresentavam Elevator Action e Ninja Gaiden II, o Super Nes estava rodando Super Street Fighter II, o Nintendo 64 exibia Waverace 64 e o Playstation rodava Tony Hawk Pro Skater 2, que foi uma febre na sua época. Algumas escolhas, no entanto, foram menos sábias: não consigo entender por que escolher California Games para o Master System, em detrimento do jogo-símbolo do console, Alex Kidd in Miracle World. Mas nenhum desses casos chegou a ser uma falta grave. Essa seção, é óbvio, foi a que eu mais curti. Foi a primeira vez que joguei Waverace 64 (game que adoro) num N64 de verdade, e não num emulador. Além disso, acho que faziam quase 25 anos que eu não jogava num Odyssey de verdade.


Uma segunda seção da feira era dedicada à evolução dos games. O personagem escolhido para essa demonstração, como não poderia deixar de ser, foi o Mario da Nintendo. Estavam lá à disposição dos jogadores: Super Mario Bros 2, rodando num saudoso Dynavision III (clone nacional de NES) com seu característico joystick tipo manche; Super Mario World, Super Mario All-Stars e Super Mario Kart (todos do Super Nintendo); Super Mario 64 e Super Smash Bros (ambos do Nintendo 64) e dois games contemporâneos do personagem, ambos do Nintendo Wii: Super Mario Galaxy (não cheguei a ver se era o 1 ou o 2) e New Super Mario Bros. Ou seja, o visitante da feira podia ter uma overdose de Mario, podendo conferir a evolução do personagem desde os anos 80, no NES, até os dias de hoje no Wii.

Uma outra seção da exposição era voltada para games de guerra. Haviam quatro televisores rodando Halo 3 em multiplayer. Joguei uma partida com uma gurizada mais nova e fiquei em segundo lugar, com 6 frags (contra 10 do vencedor). Nada mau para um cara velho, não acham? Mas admito que o fato de eu ter um Xbox 360 com Halo 3 em casa ajudou para que eu não fizesse fiasco nessa hora.

Nessa mesma seção de jogos de guerra, havia gente jogando Resistance e Uncharted, ambos do Playstation 3. Mas desde quando Uncharted é um game de guerra?!? Confesso que não entendi.

Lá no fundo da feira, estava uma pequena “seção Sony”. Um Playstation 2 rodava Syphon Filter – Logan’s Shadow (um hit do PSP adaptado para seu irmão maior) e quatro consoles Playstation 3 rodavam Modnation Racers, Uncharted 2, Heavy Rain e God of War III. Joguei um pouco do Modnation Racers, é bem divertido, na linha Super Mario Kart. Heavy Rain tem um visual espetacular, e vê-lo me lembrou de Fahrenheit (também conhecido como Indigo Prophecy), um jogo que eu curto bastante e que joguei há alguns anos no PC e no Playstation 2.

Por fim, a feira ainda contava com uma máquina de pinball (007 Goldeneye), um game de futebol (provavelmente um Winning Eleven) rodando num telão imenso e uma seção dedicada apenas a Rock Band, com todos os instrumentos.

Tudo muito legal mas, apesar de tudo isso, várias coisas não foram bem pensadas nessa edição da Go Game Brasil. Vamos a elas:

1 – O mais grave pecado da feira, disparado, foi o fato de terem ligado TODOS os consoles da exposição em televisores modernos de alta resolução! Trata-se de uma falha vergonhosa e inaceitável pois, como qualquer colecionador de consoles antigos sabe, se você ligar um emissor de sinal de baixa resolução numa televisão moderna, a qualidade da imagem ficará muito PIOR do que se você ligá-lo numa televisão mais antiga, de baixa resolução. E, por “emissor de sinal de baixa resolução”, entenda-se todos os consoles de videogame da primeira à sexta geração! Como resultado dessa barbeiragem, todos os games antigos expostos na feira estavam com um visual pior do que tinham há vinte anos atrás, quando eram recentes e rodavam nas televisões da época.

Em outras palavras, a Go Game Brasil investiu uma grana preta em televisores modernos e o resultado foi muito pior do que se tivesse providenciado um monte de televisores convencionais baratos, que hoje custam uma ninharia no mercado. Essa falha é inacreditável, e mostra que realmente a feira, em suas próximas edições, precisa urgentemente dispor da consultoria de pessoas ligadas à cena retrogamer e que entendam dessas questões práticas. Alguns games (como Pac-Man e Pick Axe Pete) não foram tão prejudicados por conta disso, mas outros (como Ninja Gaiden II e Super Mario All-Stars) tiveram seu visual bastante prejudicado, embora  naturalmente isso fosse muito mais perceptível ao vivo do que nas fotografias que você está vendo aqui.

2 – A graça de uma feira dessas é colocar os visitantes de cara com os aparelhos clássicos que marcaram cada época. Até onde pude constatar, não havia sequer um NES original da Nintendo na feira, apenas clones nacionais. Pior do que isso foi jogar um dos Super Nintendos disponíveis na amostra e constatar que ele estava equipado com um joystick PIRATA, desses que se compra nos camelôs por menos de dez reais. Francamente, né? É o fim da picada! Eu não aceito joysticks piratas de Super Nes nem na minha coleção particular, o que dizer então de uma feira desse porte?!?

3 – A feira deveria ser melhor organizada em termos de tempo limite de jogo para os visitantes. Lá na área de games antigos, a coisa funcionava bem. No Halo 3 multiplayer, o rodízio também era organizado. Mas na seção Playstation 3, por exemplo, teve gente que ficou mais de duas horas jogando God of War III direto, progredindo na campanha como se estivessem em casa. Me parece que isso de uma gurizada ficar o dia inteiro dentro da feira, pendurados em um ou dois consoles, é algo que não combina com a ideia da Go Game Brasil. Quem quer fazer isso deve procurar uma lan-house ou uma locadora de videogames.

4 – Outra decisão lamentável foi a de escrever as informações sobre datas e evolução dos games na lateral dos gabinetes de cada aparelho, dificultando a leitura pelos visitantes. Teria sido muito mais inteligente colocar essas informações em cartazes ou de outra forma bem visível, num local à parte ou colocada ao lado de cada console, mas não ocultada na lateral do próprio gabinete.

5 – Por fim, a ideia de colocar um Rock Band completo para os visitantes foi legal, mas os organizadores precisavam ter pensado numa forma de fazer isso sem que o som do Rock Band se espalhasse por toda a feira, fazendo com que o som de todos os outros games praticamente desaparecesse. Via de regra, se você jogava qualquer outro game além do Rock Band, você não ouvia nada do seu jogo. O Rock Band deveria ter sido colocado numa área com som isolado, ou o problema poderia ter sido resolvido com um sistema de fones de ouvido no gabinete de cada console.

No mais, devo dizer que achei a Go Game Brasil um barato e uma iniciativa louvável, que deve ser apoiada, estimulada e divulgada por todo mundo que curte a cena retrogamer brasileira. Torço pelo sucesso da exposição e espero que, futuramente, ela volte para Porto Alegre ainda maior e melhor.

Parabéns pra nós (de novo!)

Em 07 de março de 2010, o Cemetery Games completou seu primeiro ano de vida. Na ocasião, agradeci a toda comunidade retrogamer pela força e comemoramos as 8.780 visitas que o blog teve nos seus primeiros doze meses.

Pois bem: passados apenas três meses e meio, para o meu espanto, o blog acaba de DOBRAR esse número! É isso mesmo, foram MAIS 8.780 visitas apenas entre março e junho de 2010! Apenas nos últimos três meses, portanto, o Cemetery Games bateu o número de visitantes que teve ao longo de todo o seu primeiro ano de vida.

Aproveito para agradecer, novamente, a todos os amigos e parceiros do Cemetery Games pela presença e pelas contribuições, seja indicando o blog, comentando os posts ou de qualquer forma “colocando gás” na invejável cena retrogamer brasileira. A maioria de nós vive hoje imersos nas (muitas) responsabilidades da vida adulta, mas sempre tirando um tempinho para jogar, analisar, dissecar e criticar aqueles games que marcaram as décadas passadas e conquistaram (seja por sua qualidade ou pela falta dela) seu espaço na história dos videogames.

Muito obrigado a todos os leitores habituais, e em especial aos amigos e parceiros Gaga Games, Shugames, GLStoque, Dingoo Brasil, Retroplayers, QG Master e outros. Que a gente prossiga firme e forte e, de preferência, com continues infinitos! Grande abraço!

MASTER GEAR ADAPTOR – o acessório que veio do Céu

Em 1993, juntando algum dinheiro que eu tinha ganho de presente, comprei o segundo videogame da minha vida e o primeiro portátil: o GAME GEAR, da Sega. Lançado três anos antes, o aparelho era um sonho de consumo na época. Portátil, tela colorida com iluminação própria, som estéreo com entrada para fones de ouvido, cartuchos que cabiam na palma da mão e games com qualidade de Master System. Apesar do fato de que o concorrente Game Boy da Nintendo vendia muito mais e fazia bem mais sucesso, do ponto de vista técnico o Game Gear dava de laço e era o máximo para a época, o equivalente do que hoje representa um PSP da Sony.No entanto, havia um problema:pouquíssimas locadoras (principalmente em cidades pequenas ou médias) trabalhavam com cartuchos de Game Gear. Isso era grave porque, naquela época,  as locadoras permitiam que os jogadores conhecessem uma gama maior de títulos gastando relativamente pouco (lembre-se: não existia nenhum tipo de pirataria para o console, muito menos “desbloqueios”, flash cards, memory sticks, cartões R4 e internet para baixar roms e rodar os jogos direto no aparelho). As locadoras eram as únicas alternativas à compra dos games, cujo preço era tão elevado quanto os jogos originais dos consoles contemporâneos. Para piorar, mesmo nas lojas a variedade de títulos que estavam disponíveis para o Game Gear não era muito alta (muitos games lançados no exterior nunca foram lançados por aqui). Era difícil achar uma loja que tivesse mais do que uma dezena de diferentes títulos do console à venda. Pelo menos aqui no Brasil, não apenas o preço era proibitivo como a variedade de games era limitada.

Assim, com todas as qualidades que o portátil tinha, ele acabava limitando o jogador, na prática, a contar com meia dúzia de games e nada além disso. Mas tudo iria mudar em 1994.

Um ano depois da compra do meu Game Gear, abro uma revista de videogame e vejo um anúncio da Tec Toy sobre o lançamento de um acessório chamado MASTER GEAR ADAPTOR (o nome original, fora do Brasil, era Master Gear Converter). Era um trambolho que você encaixava na entrada de cartuchos do Game Gear e que possibilitava usar, no portátil, os cartuchos do Master System, naquela época ainda um dos videogames mais populares no Brasil. Bom, desnecessário dizer que eu quase infartei quando li aquilo. O acessório literalmente transformava o Game Gear num Master System portátil, possibilitando o acesso aos títulos das locadoras e ao grande acervo de games de Master System lançados no país, que era muito maior do que o número de jogos lançados para o Game Gear. Comparando com a atualidade, seria mais ou menos como se não existisse pirataria para o PSP e, de repente, a Sony lançasse um acessório que permitisse que o PSP rodasse todos os jogos do Playstation 2. Compreende o valor do negócio?

Poucos meses depois, acabei ganhando o Master Gear Adaptor dos meus pais (eu provavelmente devo ter enlouquecido eles de tanto implorar por esse bagulho), e o resto foi só festa. Eu conhecia pouca gente que tinha Game Gear e que pudesse me emprestar alguns cartuchos, mas o número de pessoas que tinha Master System era muito maior. Além disso, eu agora podia desfrutar de todo o acervo das locadoras. Star Wars, Jurassic Park, Black Belt, Golden Axe, Phantasy Star, Sonic the Hedgehog, Spy vs Spy, Double Dragon, Moonwalker, Forgotten Worlds e E-Swat são alguns dos games de Master System dos quais lembro até hoje de ter alugado (ou de alguém ter me emprestado), e joguei vários desses até o final. Não posso deixar de citar, também, o inesquecível Prince of Persia do Master System, que ganhei de presente no Natal de 1994.


Uma curiosidade é que a caixinha do Master Gear Adaptor afirmava que o acessório “não era compatível” com cartuchos de 4 mega de memória. Na prática, isso seria uma grave limitação, pois impediria o acesso aos games mais sofisticados do Master, como Phantasy Star. No entanto, eu usei no aparelho vários cartuchos de Master System que tinham 4 megas e nunca tive maiores problemas (lembro apenas de alguns “glitches” visuais mínimos em Phantasy Star, em algumas telas, mas nada que atrapalhasse o jogo). Curiosamente, embora a caixa apresentasse tal advertência, a imagem frontal da caixa mostrava o aparelho rodando Sonic – The Hedgehog 2 do Master System, que é precisamente um cartucho com 4 mega de memória. Vai entender…

Em 1996, eu vendi meu Game Gear com todos os seus apetrechos (coisa da qual me arrependo amargamente até hoje), colocando um fim na era do portátil da Sega na minha vida. Mas foram anos de jogatina inesquecível da melhor qualidade, e com o conforto da portabilidade. Essa farra, sem dúvida, não teria sido tão divertida sem o Master Gear Adaptor. Valeu, Sega – e valeu, Tec Toy!!!

(As fotos foram todas “roubadas” de anúncios do Mercado Livre. Agradeço aos respectivos vendedores pelas imagens!)