Maratona Atari – YAR’S REVENGE (1981)

E vamos para mais uma etapa da nossa Maratona Atari, a nossa intrépida iniciativa de jogar e resenhar TODOS os games do Atari 2600 lançados comercialmente nos anos de ouro da segunda geração dos videogames. Para sacodir um pouco as coisas, nós vamos provisoriamente deixar de lado a ordem alfabética que estávamos seguindo até aqui e prosseguir, nas próximas etapas, de uma forma um pouco mais anárquica (ou seja, jogando o que der na telha).

Howard Scott Warshaw foi um programador muito peculiar dentro da história do saudoso Atari 2600, o pai de todos os videogames contemporâneos. Por um lado, ele é o criador do infame E.T – The Extra-Terrestrial, amplamente considerado o pior jogo do Atari, um dos piores jogos de todos os tempos e um dos motivos que levaram o mercado norte-americano de videogames a quebrar no ano de 1983. Se você eventualmente desconhece a desgraça que foi esse game do E.T e o quanto ele se tornou uma lenda e um sinônimo para tudo o que existe de ruim no universo, aguarde pelas próximas etapas da Maratona Atari, pois vai chegar o dia em que nós, corajosamente, iremos encarar esse célebre símbolo máximo da ruindade videogâmica!


Por outro lado, Warshaw também é o criador do jogo original de Atari (ou seja, que não era uma conversão de arcade) que mais vendeu em todos os tempos, e que sistematicamente é referido nas listas de melhores games do Atari. O nome da obra redentora de Warshaw atende pelo esquisito nome de YAR’S REVENGE.

No jogo, você encarna um YAR – uma criatura alienígena que parece basicamente com uma imensa mosca que cospe bolas de fogo ou algo semelhante. Seu objetivo é destruir o maléfico Qotile, um alien inimigo que mais parece um canhão laser, que está protegido dentro de uma espécie de casulo. Para destruir o casulo, o Yar pode atirar nele ou comer pedaços da estrutura (basta encostar nela, embora atirar seja bem mais eficiente).


Com o inimigo exposto, o Yar pode “invocar” um poderoso disparo de laser (o canhão Zorlon), vindo do outro lado da tela, para destruir o Qotile (é o único jeito de destruí-lo, vale lembrar). Só que a missão não será nada fácil, pois o Yar precisa escapar de um pequeno e vagaroso míssil que fica perseguindo o herói pela tela e precisa, ainda, fugir dos ataques do canhão inimigo, que ocasionalmente dispara uma poderosa rajada de energia na direção do herói “moscão”.

É claro que ver tudo isso que foi descrito nos últimos dois parágrafos sendo reproduzido dentro das limitadíssimas capacidades gráficas do Atari 2600 resulta em algo bastante fora dos padrões. Geralmente, games de atirar em alienígenas possuem uma estrutura bem básica, do tipo “meu canhão, a nave alienígena, os tiros do alienígena e os meus tiros”.

Já em Yar’s Revenge, você precisará de algumas partidas para se acostumar com a “baderna” visual do jogo. Logo de cara, você se sentirá no meio de uma viagem de ácido – ou tendo entrado por engano numa festa rave retrô. Vamos ver: uma mosca gigante alienígena, uma enorme e multicolorida/psicodélica parede de energia (ou campo de força, ou sabe Deus o que), um canhão inimigo, um enorme casulo de algo que pode ser qualquer coisa (mel cristalizado, chocolate?), um disparo inimigo em forma de asterisco, um disparo laser que fica à sua disposição quando o Yar encosta no canhão … deu pra entender, né? O jogador precisa de pelo menos uns dez minutos só pra entender o que está acontecendo e o que é preciso fazer.


No entanto, passada a perplexidade inicial, Yar’s Revenge mostra por que é considerado um dos melhores games do Atari. Sua mecânica mais elaborada do que o tradicional esquema “Space Invaders” da época torna o jogo rapidamente instigante e viciante. A ação na tela é ininterrupta e a atenção do jogador precisa estar voltada para múltiplos elementos, o que contribui para o desafio e para uma experiência de ação “arcade” absolutamente original, o que era bastante raro no Atari, já que os melhores títulos de ação eram geralmente conversões de arcades ou de jogos de outros sistemas. Em questão de minutos, você terá passado da sensação de estranheza perante o jogo para o vício de querer jogar outra partida para superar o seu score anterior.

Em 1999, uma versão de Yar’s Revenge foi lançada para o portátil Game Boy Color. É bastante próxima do original, mas com visual significamente melhor trabalhado. Mais curiosa, no entanto, é o remake lançado em 2011 para Windows e Xbox Live Arcade. Essa nova versão é um “rail shooter” no qual Yar é representado como sendo uma fêmea humanóide com uma armadura mecânica que a permite voar (!). É isso aí, conseguiram deixar o game ainda mais bizarro do que já era!


Curiosamente, Yar’s Revenge é provavelmente o único clássico do Atari 2600 que eu não cheguei a conhecer na minha infância, durante os longos cinco anos (1987-1992) em que tive um clone nacional do Atari (o Supergame, da CCE). É meio estranho, considerando a significativa quantidade de jogos que eu tinha na época (os cartuchos compatíveis com Atari vendidos aqui no Brasil eram bastante acessíveis, ao contrário do que começou a ocorrer depois, a partir do Master System) e o grande acesso que eu tinha a cartuchos de amigos, de colegas de escola e ao acervo da locadora de games que já existia na minha cidade. Só o que posso concluir é que Yar’s Revenge realmente não era um game muito popular por aqui, na contramão do enorme sucesso que fez internacionalmente.

De qualquer forma, embora eu só tenha vindo a conhecê-lo já em plena vida adulta, é impossível não incluir tardiamente esse game esquisito, diferente e cheio de ação na lista dos grandes games que o amado Atari 2600 nos legou.

Opa, estava esquecendo de mais uma coisinha: o nome do game é “A Vingança do Yar”. Do que, afinal de contas, nosso herói estaria se vingando? Segundo o manual ilustrado que acompanhava o cartucho, o nosso protagonista mosca está se vingando da destruição de Razak IV, um dos mundos habitados por sua raça, e que foi exterminado pelos inimigos que o herói combate no jogo. Não é a curiosidade inútil mais legal que você já viu na vida?

CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS (1993, Mega Drive)


Acabou de ser lançado nos cinemas o novo filme da Marvel, Os Vingadores (The Avengers), e o negócio é bom demais – seguramente um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Para comemorar, nada melhor do que jogar o game baseado no filme. Deve ser um arraso, né? Com sorte, lançaram até mais de um jogo baseado nesse filmão e …

Peraí, espera aí um pouquinho! COMO ASSIM “não lançaram nenhum game baseado no filme”?!?

É isso mesmo, caros retrogamers. Para espanto e decepção dos gamers de todo o mundo, NENHUM jogo baseado no grande filmão do ano foi lançado. Isso aconteceu porque a produção do game (com versões previstas para Xbox 360, PlayStation 3 e PC) estava a cargo dos estúdios THQ Australia e Blue Tongue Entertainment, sendo que os dois foram fechados pela THQ, proprietária de ambos. Com isso, o game acabou cancelado.

Claro, nada impede que a Marvel venha a lançar algum jogo logo para capitalizar em cima do sucesso do blockbuster dos Vingadores. Mas pelo menos até o presente momento, o único jeito de ver esse grupo de super-heróis na tela dos videogames é … voltando ao passado! Felizmente, isso é o que nós fazemos de melhor por aqui. Portanto, limpem bem os pés antes de entrar no nosso DeLorean voador e lá vamos nós, voltar para o começo dos anos 1990.

Estamos no verão de 1993. Num belo dia de tédio na praia, comprei a mais recente edição da saudosa revista Videogame (a história dessa edição eu já contei nesse post aqui, lembram?). Um dos games destrinchados na publicação era Captain America and the Avengers do Mega Drive.


A primeira coisa que me chamou a atenção é que eu já conhecia um game de mesmo nome lançado para o Nintendo 8-bits, e que aliás eu achava bem legalzinho. Explico: a Data East lançou o jogo originalmente nos arcades, em 1991, e depois lançou versões dele para Mega Drive, Super Nes, Game Gear e Game Boy. Todos eram basicamente adaptações simplificadas do original do arcade, exceto pelo game do NES, que era um jogo de plataforma completamente diferente, embora estrelado pelos mesmos personagens e ostentando o mesmo título.


Pelas fotos na revista, o jogo parecia interessante. Algum tempo depois, ainda na praia, eu tive oportunidade de jogá-lo … e gostei! Os gráficos não eram nenhum assombro e o jogo não era uma revolução nem nada do tipo, mas na época, com meus 11 anos de idade, fiquei particularmente satisfeito com as brigas em cenários urbanos e com a diversidade das fases. O game tem fases de sair dando soco no meio da rua, de sair voando e atirando em inimigos pelos céus, fases subaquáticas, no espaço e por aí vai. Devo dizer que, na época, eu gostei bastante.


Uma análise um pouco mais atenta do jogo, é claro, não deixa dúvidas no sentido de que a minha tenra idade me impediu de enxergar alguns defeitos mais óbvios do game. Os gráficos mais parecem saídos de um console de 8-bits, a música e efeitos sonoros são ruins (as vozes digitalizadas são piores do que as do clássico Altered Beast), a jogabilidade é confusa e pouco precisa e a animação é mal acabada, com cara de “frame skipping”.

Basta ver que a própria revista Videogame (que era uma “mãe” com quase todos os games) na época deu nota 6 para os gráficos, 6 para a música/efeitos sonoros e 7 para a diversão. Ou seja, nem a habitualmente deslumbrada publicação brazuca se convenceu com a estreia dos Vingadores no Mega Drive. Logo na tela de abertura, quando você ouve uma voz dizer “VÃ AVÂNGÃRS” no que parece ser o Capitão América com a boca cheia de paçoquinha, já dá pra perceber que os aspectos técnicos do jogo deixam a desejar.

Na trama do game, o terrível Caveira Vermelha (o mais tradicional inimigo do Capitão América), sempre afinzão de dominar um pouco de mundo, coloca sob seu comando uma equipe de super criminosos prontos para espalhar o caos por todo o globo. O pior de tudo, no entanto, é que tudo isso é só uma distração. O verdadeiro problema é que o ominoso vilão está terminando de construir uma terrível arma gigante laser em pleno solo lunar. Quando pronta, essa super arma dará ao Caveira vermelha o controle absoluto sobre o destino da Terra. Só quem pode impedí-lo, é claro, é o grupo dos heróis mais poderosos da Terra, Os Vingadores!

Mas não fique tão animado ainda. Se o seu plano era sair por aí detonando bandidos com o Hulk ou o Thor, prepare-se para um balde de água fria: a equipe dos Vingadores que aparece nesse game não é a mesma do filme. Viúva Negra, Thor e Hulk estão ausentes nesse game. Aqui, o supergrupo é representado por apenas quatro heróis: Capitão América (de longe, o melhor personagem), Homem de Ferro, Arqueiro e o misterioso Visão, uma espécie de andróide que mais parece o C3PO de capa e cueca por cima das calças.

A variedade de cenários nesse game permite uma boa variação também na mecânica do game, alternando entre beat’em up e tiro/aventura. Os personagens pequenos e gráficos desinteressantes até não comprometeriam tanto o conjunto da obra se a jogabilidade não fosse tão sofrível. O Captain America and the Avengers do Mega Drive é um “button-smasher” absolutamente sem cérebro, estratégia ou precisão. A movimentação dos personagens também acaba não ajudando muito.

Apesar desses defeitos nada perdoáveis, algo que sempre me agradou nesse game foi a sua capacidade de reproduzir com competência uma atmosfera de história em quadrinhos. A ação variada do game, cheia de idas e vindas e bizarrices (rola até um combate com um polvo gigante robótico!) realmente dá a impressão de que o game é uma HQ dos Vingadores se desenrolando na tela. Não é um trabalho realizado da melhor forma possível, mas os fãs de quadrinhos – e principalmente do Capitão América e dos Vingadores – certamente se divirtirão com o jogo, caso consigam ao menos sobreviver à primeira fase!

Longe de ostentar aquela qualidade de visual e de gameplay de games de super-heróis daqueles tempos, como por exemplo o sensacional War of the Gems (1996, Super Nes), esse Captain America and the Avengers pelo menos coloca o jogador no controle de uma aventura repleta de ação no melhor estilo das grandes aventuras das HQs. Sem falar que socar o Caveira Vermelha é sempre um estímulo reconfortante!

Não cheguei a jogar as versões do Game Gear e do Game Boy, mas desconfio que são bem inferiores à do Mega Drive – que já estava longe de ser perfeita. Recomendo certa cautela, portanto. A versão Super Nes é um pouco melhor acabada quanto aos efeitos sonoros e apresentação da história no começo do game, mas é essencialmente o mesmo jogo do Mega Drive, sem melhorias muito significativas.

Claro, há ainda o exclusivo Captain America and the Avengers do Nintendo 8-bits, mas isso já é história para uma próxima vez!

TUTORIAL – COMO EMULAR ZX SPECTRUM

Comentando o meu recente review sobre o game COMMANDO do microcomputador britânico ZX Spectrum, o Gagá (do Gaga Games, um dos melhores sites/blogs brasileiros de retrogaming da atualidade) sugeriu um tutorial sobre emulação do ZX Spectrum. Sugestão anotada e agora realizada: para quem ainda não é familiarizado com a emulação desta que é uma das plataformas mais amadas pelos retrogamers, aqui vai um tutorial bem mastigadinho sobre como se divertir com os games deste célebre microcomputador.

Para começo de conversa, você deve saber que emular games de computador geralmente não é tão fácil quanto emular games de consoles. O motivo é muito simples: nos velhos tempos, fazer os games rodarem nos próprios micros da época também era naturalmente mais complicado do que jogar nos consoles. A partir do formato estabelecido pelo Atari 2600 em 1978, os videogames sempre funcionaram do mesmo jeito: você coloca um cartucho no aparelho (ou, a partir da 5ª geração de consoles, um CD/DVD/Blu-Ray), liga o videogame e o jogo roda automaticamente (ou apenas com um um apertar de botão, como nos consoles atuais).

Double Dragon II – The Revenge (ZX Spectrum)

Os microcomputadores antigos nunca foram tão simples. Seus games vinham gravados em fitas K7 ou em disquetes, e era preciso digitar uma linha de comando na linguagem BASIC residente na memória do computador para fazer o jogo rodar a partir, digamos, do disquete onde estava gravado. Por exemplo: para rodar o game Pacmania do MSX, você colocava o disquete com o jogo no drive do computador e digitava load “pacmania.bas (ou algo parecido). A exceção eram os jogos em cartucho do MSX, que rodavam do mesmo jeito que um videogame (era só colocar o cartucho com o computador desligado, ligar o aparelho e o jogo rodava automaticamente). Mas, mesmo no MSX, os games em disquete ou fita K7 não funcionavam desse jeito barbadinha.

O ZX Spectrum, no entanto, nunca trabalhou com cartuchos. Isso quer dizer que não existem “roms” de games do Spectrum. “ROM” significa Read Only Memory, e era a memória exclusiva para leitura (não permitia gravação posterior de dados) onde eram armazenados os games nos cartuchos. Os games de Spectrum, por sua vez, existiam em formato disco (disk) ou fita (tape). É por isso que os games do micro são encontrados na internet com os mais diferentes formatos de arquivo (extensão), como por exemplo *.TZX, *.TAP e *.DSK.

The Munsters (ZX Spectrum)

A primeira notícia excelente para quem deseja se aventurar nos velhos games do ZX Spectrum é que a maior parte do acervo de jogos do micro foi transferida para o domínio público, sendo legalmente disponibilizada para download no sensacional site World of Spectrum, um verdadeiro templo sagrado para os fãs do antigo micrinho britânico. Mais de DEZ MIL games estão cadastrados no site, que ainda disponibiliza emuladores, utilitários e bases de dados de livros e informações de hardware. Se você quer se familiarizar com esse velho micro, ter o World of Spectrum salvo entre os favoritos no seu browser é algo indispensável.

Infelizmente, alguns poucos games (como é o caso do clássico Atic Atac e da famosa série Dizzy, por exemplo) ainda têm sua distribuição gratuita proibida. Como essas empresas estúpidas optam por proibir a distribuição do game sem dar alternativas legalmente corretas para as pessoas adquirerem esses títulos, a única coisa que resta a fazer, nesses casos, é dar um jeito de conseguir esses games por fontes “piratas” na internet (o que, naturalmente, é a coisa mais fácil do mundo). É uma pena que algumas empresas do setor insistam em atirar os jogadores na pirataria obrigatória, impedindo que as pessoas tenham qualquer acesso oficial (seja gratuito ou pago) a certos games antigos.

Highway Encounter (ZX Spectrum)

A segunda boa notícia é que existem formas bastante simples de emular o ZX Spectrum. De longe, a mais fácil de todas é o site http://www.zxspectrum.net, um emulador online que roda diretamente no seu browser e oferece dezenas e dezenas de games lançados entre 1982 e 1992 (inclusive alguns games “tributo” feitos recentemente por fãs do Spectrum). O emulador é incrivelmente prático e permite jogar os games do micro sem nenhum esforço: é clicar no game desejado e sair jogando! O esquema de teclas geralmente obedece o padrão tradicional do Spectrum (as teclas Q, A, O, P e a barra de espaços), mas alguns games oferecem a opção para que o jogador defina as teclas do jeito que preferir.

Batman –  The Movie (ZX Spectrum)

Claro, nem tudo são flores nesse emulador online. Existem diversos aspectos negativos: ele não roda em tela cheia, não permite salver imagens do jogo, não tem recursos de “save state/load state”, fica limitado aos games oferecidos pelo próprio emulador e só é compatível com jogos do Spectrum que tinha 48k de memória RAM, que era o modelo mais popular do velho micro britânico. No entanto, vários games de Spectrum só rodam no modelo de 128k, e vários games compatíveis com o 48k  só mostram todo o seu conteúdo (trilha sonora, por exemplo) com 128k.

Starquake (ZX Spectrum)

Outra opção de emulador online é o Qaop, no site http://wizard.ae.krakow.pl/~jb/qaop/. Ele roda com tela quase cheia e é tão amigável quanto o zxspectrum.net, mas infelizmente oferece uma quantidade muito pequena de jogos. Pelo menos estão presentes alguns clássicos como Highway Encounter, Manic Miner e Starquake.

É claro que, se você quiser conhecer a biblioteca de games do Spectrum com toda a qualidade possível (save states, podendo escolher o modelo de Spectrum emulado, etc), é necessário baixar um bom emulador e rodar os jogos direto do seu computador. É aí que começam os problemas. Existe uma infinidade de emuladores de Spectrum, que vão do horrível ao bom, mas a maioria deles apresenta um ou mais problemas sérios: uns são incompatíveis com sistemas operacionais mais modernos, outros são instáveis demais, outros não são mais atualizados há muitos anos, outros só rodam este ou aquele tipo de extensão de arquivo e outros são pobres demais em recursos.

Robocop (ZX Spectrum)

Se você é um usuário de PC acima da média e tem paciência, o negócio é experimentar diversos emuladores como Fuse, SpecX, Speccy, EmuZWin, ZX Spin e tantos outros. Talvez algum deles caia no seu gosto. Mas eu adianto a minha opinião: todos eles me decepcionaram de alguma forma, e nunca adotei nenhum como meu emulador preferencial de Spectrum.

Enduro Racer (ZX Spectrum)

Mas não corte os pulsos ainda, todas essas dificuldades têm uma solução simples: o emulador SPECTACULATOR. Disponível no site http://www.spectaculator.com, esse espetacular emulador faz juz ao nome e oferece tudo o que um retrogamer pode querer em termos de emulação de Spectrum: compatibilidade com os mais diferentes formatos de jogos, inúmeras opções de configuração de sons e gráficos, emulação de todos os modelos de Spectrum que já exitiram, recursos de save state/load state, exibição em tela cheia … uma maravilha!


Mas, como pão de pobre sempre cai com a margarina virada para o chão, é ÓBVIO que toda essa tranquilidade não vem de graça: o Spectaculator só pode ser usado gratuitamente por 30 dias, perdendo sua funcionalidade depois desse período. O jeito é comprar a versão paga, que custa salgados 30 dólares (cerca de R$ 50,00). Pagar por um emulador parece algo meio sem fundamento, mas nesse caso é bom lembrar que a vasta maioria dos games de Spectrum pode ser baixada gratuitamente sem nenhum tipo de infração de copyright, tudo legalizado. A meu ver, trata-se de um investimento que vale muito à pena.

Se você quer um emulador “offline” sem pagar pelo Spectaculator, também existem alternativas. A primeira, e mais óbvia, é baixar por aí uma versão “full” pirata do Spectaculator (não estou querendo incentivar ninguém à pirataria, mas é óbvio que a opção existe). Outra opção é recorrer a outros emuladores menos atuais e/ou eficientes.


A minha sugestão, nesse caso, seria o ZX32. Trata-se de um emulador de Spectrum que já foi muito bom, mas que caiu no esquecimento por falta de atualização (faz mais de 10 anos que não é atualizado). Apesar disso, ele tem a vantagem de ter a maioria dos recursos que o Spectaculator tem (save state, full screen, compatibilidade com muitos formatos de jogos, etc), e ainda por cima é 100% gratuito. Para que o emulador rode bem, é necessário alterar as propriedades do programa no Windows para que ele rode em 256 cores (é só clicar no arquivo executável com o botão direito do mouse e clicar em “propriedades”). Você pode baixar o ZX32 aqui: http://www.cryptacet.com/spectrum/zx32103.exe

La Abadia Del Crimen (ZX Spectrum)

Tendo um bom emulador e alguns jogos no seu computador, a execução dos mesmos é relativamente simples, semelhante ao que se vê nos emuladores de videogames como Mega Drive ou Nintendo 8-bits. Num Spectrum de verdade, um jogo em fita K7 precisava de vários minutos para ser carregado no computador, mas os emuladores geralmente abreviam automaticamente esse carregamento lento. Apesar disso, a maioria deles tem a opção de manter o carregamento original, inclusive com as listras coloridas e o barulho das informações da fita K7 sendo processadas – mas só os saudosistas mais doentes do mundo irão querer reviver esse antigo suplício. Os arquivos de games do Spectrum disponibilizados na internet normalmente já vêm configurados para apresentar um carregamento tão automático quanto possível, o que ajuda bastante e evita que o jogador precise se valer de linhas de comando para rodar os jogos.

Sai Combat (ZX Spectrum)

Por último, mas não menos importante, a dúvida para o iniciante é: o que jogar? Numa plataforma que foi agraciada com milhares de games ao longo de mais de 10 anos de vida útil, é preciso ser um pouco seletivo. Para saber o que vale à pena jogar no Spectrum, há uma série de fontes que podem ser consultadas. Uma delas, é claro, é o nosso Cemetery Games, onde até o momento nós já resenhamos uma série de grandes games do Spectrum (como Chase H.Q, Robocop, Commando, Atic Atac, Terra Cresta, Batman – The Movie, Crystal Castles e Astro Marine Corps), alguns meia-boca como Ghostbusters II e também  inevitáveis porcarias como Friday the 13th, Big Trouble in Little China, Out Run, The A-Team e Back to the Future.

Terra Cresta (ZX Spectrum)

Outra fonte confiável é a lista dos 100 melhores games de Spectrum feita pelos visitantes do World of Spectrum. A maior parte do filé do micrinho britânico está nessa lista, que pode ser acessada aqui: http://www.worldofspectrum.org/bestgames.html

Por fim, é impossível não recomendar o ótimo livro “The ZX Spectrum Book – 1982 to 199X“, de Andrew Rollings, que faz uma relação dos 200 melhores jogos do Spectrum. Você pode fazer o download integral do livro neste link: ftp://ftp.worldofspectrum.org/pub/sinclair/books/ZXSpectrumBook-1982To199xThe.pdf 

Saboteur (ZX Spectrum)

Por enquanto era isso, pessoal! Vida longa para o bom e velho ZX Spectrum, e espero que vocês tenham muita diversão com as pérolas eternamente divertidas do saudoso micrinho britânico.

Aviso de segurança

Caros retrogamers: como vocês já devem saber, o WordPress (servidor que hospeda o Cemetery Games) sofreu um sério ataque de hackers no começo deste mês, o que resultou em cerca de 30.000 (é, trinta mil!) blogs infectados ou avariados.

Até o presente momento, não há indícios concretos de que o Cemetery Games tenha sido atingido por algum tipo de malware ou software malicioso. Tampouco houve qualquer indicação de que o blog estaria sendo foco de ataques. No entanto, o WordPress vem se apresentando instável em algumas horas do dia, o que sugere cautela.

Recomendo que vocês mantenham um bom antivírus atualizado em permanente funcionamento no computador (sugiro o Avira, que é muito melhor do que o AVG e o Avast para esse tipo de contaminação). Nenhuma anomalia no Cemetery Games foi relatada até agora, mas se você notar qualquer problema, favor entrar em contato pelo endereço de e-mail habel@sinos.net para relatar o que constatou.

Os problemas com o WordPress têm prejudicado a atualização do blog, mas esse problema deve ser resolvido nos próximos dias.

Agora chega de alarmismo e vamos voltar para os nossos games antigos! 🙂