SPACE INVADERS (1980, Atari 2600)


Hoje em dia é muito comum ouvirmos falar de killer apps – aqueles games ou programas que, sozinhos, fazem “decolar” um aparelho ou um videogame. Halo foi o killer app do primeiro Xbox, Tetris foi o killer app do Game Boy original, Wii Sports foi o killer app do Wii e GTA 3 foi o killer app do Playstation 2. Mas qual foi o primeiríssimo killer app da história dos videogames?

A resposta é: um jogo de tiro, surgido no Japão, que se tornou o maior sucesso dos arcades em sua época e que, convertido para o Atari 2600, foi responsável pelas vendas do console QUADRUPLICAREM. O nome desse game? Space Invaders, lançado em 1978 pela Taito e convertido em 1980 para o Atari.

Space Invaders no original dos arcades.

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Além de ter sido o primeiro killer app da história dos games, Space Invaders foi também a primeira conversão licenciada de um jogo de arcade para um videogame doméstico. Do dia pra noite, o Atari virava um sonho de consumo: você podia ter, no conforto de sua casa, o game mais quente dos fliperamas da época – e ainda por cima jogá-lo até não poder mais, sem gastar uma fortuna em fichas. Quem poderia resistir a ter um arcade na sala de estar?

Space Invaders na versão do Atari.

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A versão de Space Invaders do Atari 2600 não era apenas uma adaptação do grande hit do momento: ela podia, ainda, se gabar de não ficar devendo praticamente nada para o game original. Apesar das limitações técnicas do hardware do console, em 1980 ele ainda dava conta de transformar qualquer game de arcade em versões domésticas bem decentes. Ao contrário do que aconteceu alguns anos depois com Pac Man, a versão doméstica de Space Invaders agradou todo mundo e convenceu os consumidores de que o Atari 2600 era um brinquedinho que valia à pena ter em casa.

Em termos de mecânica, Space Invaders é tão pioneiro quanto simplório: fileiras de naves alienígenas estão invadindo a Terra, e o jogador conta com um canhão para derrubá-las. Se alguma dessas naves aterrisar, o jogo acaba. Como os aliens não negam sua personalidade hostil, eles aproveitam para também atirar no seu canhão. Felizmente, o jogador conta com a proteção de três “barreiras” para proteger-se dos tiros inimigos. De vez em quando, uma nave-mãe alienígena sobrevoa a parte superior da tela, e destruí-la representa pontos extras.

O resto da história todos nós conhecemos: após Space Invaders, estava criado e popularizado o gênero shot’em up, e muitos clones foram surgindo ao longo dos anos, como Galaxian, Galaga, Megamania e outros. Depois surgiriam shot’em ups com scroll (ou seja, que não estavam presos a telas fixas), como Zanac, Terra Cresta e Raiden, além de shot’em ups “laterais” ou “horizontais”, como o pioneiro Defender (1981), a popular série Gradius (Nemesis) da Konami, R-Type e tantos outros.

A minha experiência pessoal com o Space Invaders do Atari passou longe dos seus anos de ouro, afinal eu nem era ainda nascido em 1980! Foi só quando ganhei meu Atari, em 1987, que derrubar naves alienígenas passou a fazer parte da minha rotina. Naquela época, o jogo já era relativamente velho, mas nada disso era do meu conhecimento e nem me importava. O que interessava era entrar no mundo maravilhoso dos videogames, ainda que o Atari já estivesse totalmente ultrapassado nessa época, principalmente no mercado de países mais desenvolvidos.

Depois de Space Invaders, o espaço nunca mais foi um lugar seguro. Sorte a nossa!

TOP 20 DO GAME BOY ADVANCE – Parte 2

TMNT (2007)

Um dos últimos grandes títulos lançados para o Game Boy Advance, TMNT é seguramente o melhor game das Tartarugas Ninja desde o clássico Turtles in Time de 1991. O jogo é puro beat’em up 2D no melhor estilo terceira/quarta geração, e é muito melhor do que os games de mesmo nome lançados para outras plataformas (Xbox 360, Playstation 3, Wii, PC, PSP e Nintendo DS). Sim, a versão GBA foi de longe a mais aclamada dentre todas essas, e merecidamente. Uma dica: não confunda esse game (chamado simplesmente de TMNT) com o jogo Teenage Mutant Ninja Turtles, lançado em 2002 para o GBA. Embora aquele também seja interessante e mereça uma conferida, TMNT é incomparavelmente mais legal.

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METROID – ZERO MISSION (2004)

Imagine um remake do clássico Metroid original, lançado em 1986 para o Nintendo 8-bits. Imagine esse remake com gráficos incomparavelmente superiores, jogabilidade mais amigável, uma história melhor contada e com ambientes novos. Agora imagine isso num portátil! Gosto da série Metroid, mas nunca tive paciência pra encarar o envelhecido game do NES. Mas o trabalho que fizeram com esse remake foi tão genial que, quando ele me caiu em mãos, só consegui parar de jogar quando terminei o game. Metroid – Zero Mission é, por si só, motivo suficiente para se comprar um Game Boy Advance.

O combate com Mother Brain no NES (esquerda) e no remake do GBA (direita). Melhora “razoável”, hein?

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SUPER STREET FIGHTER II TURBO REVIVAL (2001)

O Game Boy Advance tinha a fama ser uma espécie de “Super Nes turbinado de bolso”. Mas às vezes o console se superava. Esse remake de Super Street Fighter II era tecnicamente equivalente ao original dos arcades, algo impressionante para um portátil em 2001. O visual do game é impressionante, bem como o framerate. Além disso, todo o conteúdo original está lá – lutadores, cenários, etc. O esquema do controle foi adaptado para os quatro botões do GBA, mas a jogabilidade saiu intacta. Possivelmente, apesar dos emuladores que existem para PSP e Dingoo, este game ainda hoje representa a melhor e mais fiel forma de se jogar Street Fighter II num portátil.

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SUPER MARIO ADVANCE 2 – SUPER MARIO WORLD (2002)

Um dos títulos disponíveis para o GBA já no lançamento do portátil era Super Mario Advance, um sensacional remake do clássico Super Mario Bros 2 do NES. O game agradou geral, mas a Nintendo tinha reservado o melhor para depois. A continuação das aventuras do bigodudo italiano no GBA era nada mais nada menos do que um maravilhoso remake portátil de Super Mario World, lançado originalmente em 1990 para o Super Nes. Super Mario World num portátil, o que pode ser melhor?!?!?

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ADVANCE WARS 2 – BLACK HOLE RISING (2003)

O primeiro game já era legal, mas esse aqui leva adiante essa fórmula absolutamente viciante de combate estratégico por turnos. Por trás do visual “bonitinho” e dos personagens cartunizados, Advance Wars 2 é um excelente game de estratégia, perfeito para um portátil e que se torna impossível de deixar de lado depois de algum tempo. Alguns podem reclamar que ele se parece demais com o primeiro game, mas eu ainda acho que, se é pra escolher entre um dos dois, é melhor ficar com este.

TOP 20 DO GAME BOY ADVANCE – Parte 1

Entre 2004 e 2008, fui o feliz proprietário de um Game Boy Advance. Não que eu tenha vendido-o depois disso, mas na prática aposentei o bichinho depois que comprei o PSP e o Nintendo DS, os dois videogames portáteis que atualmente dominam a cena. Mas até hoje considero o GBA o mais divertido e impressionante portátil que já tive, e então resolvi fazer uma pequena homenagem àqueles que considero os melhores games da biblioteca do console, apesar de a plataforma ser relativamente recente (o GBA foi lançado em 2001) na comparação com as velharias que normalmente relembramos aqui no Cemetery Games.

Essa lista não leva em consideração sucesso comercial ou respaldo da crítica, nem se preocupa em divisões por gêneros e estilos, e tampouco está estruturada em qualquer tipo de ordem “do pior para o melhor” ou vice-versa. São simplesmente os 20 jogos do Game Boy Advance que foram mais marcantes, divertidos e impressionantes na minha experiência pessoal – e que, para mim, justificaram plenamente a compra do console. Vamos à lista:

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TONY HAWK’S PRO SKATER 2 (2001)

Foi provavelmente o primeiro título do GBA que joguei, e o primeiro que me conquistou. Claro, era bem mais simples do que a famosa versão do Playstation, mas era uma adaptação sensacional que capturava o espírito do game original com fidelidade.  A transposição dos gráficos 3D para o visual isométrico funcionou muito bem. No começo, eu era um “pereba”, mas joguei tanto esse game que, quando comecei a deixá-lo de lado, eu já era um mestre na arte de fazer manobras radicais comparável ao próprio Tony Hawk. Claro que Hawk é bom nisso na vida real, enquanto que eu só consegui andar de skate na tela do GBA, mas isso é mero detalhe.

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STAR WARS EPISODE III – REVENGE OF THE SITH (2005)

Vários games legais foram lançados com base neste último filme da “trilogia prequel” de Star Wars. Lembro que a versão do Playstation 2 era bem divertida. Mas essa adaptação para o GBA se destacava pelos gráficos bonitos e pelo visual “desenho animado”, que lhe dava uma personalidade única. Além do visual caprichado, o game era divertido, tinha boa jogabilidade e seguia o roteiro do filme de maneira fidedigna. É ação/aventura plataforma 2D no seu melhor.

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CASTLEVANIA – ARIA OF SORROW (2003)

Durante os anos de ouro do Game Boy Advance, não houve nenhum console em que a franquia Castlevania tenha rendido frutos tão bons quanto no portátil da Nintendo. Enquanto que a série padecia nos consoles “grandes” com games de qualidade questionável, no GBA a série já chegou arrebentando com o aclamado Circle of the Moon, agradou geral com o ótimo Harmony of Dissonance e então atingiu o seu ápice absoluto com o terceiro e último Castlevania do GBA, este excepcional Aria of Sorrow. Dificuldade descabelante, gráficos excelentes, muita atmosfera, chefões monstruosos e épicos, um bom roteiro … mal dá pra acreditar que isso tudo se apresentava na forma de um joguinho portátil. Todos os três jogos da série lançados pro GBA são muito bons, mas esse aqui é claramente o melhor. Imperdível.

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GUNSTAR SUPER HEROES (2005)

Gunstar Heroes (1993) é lembrado até hoje como um dos melhores jogos de ação do saudoso Mega Drive, e durante anos os fãs do game choraram e rezaram por uma continuação. Bom, em 2005 finalmente as preces foram atendidas e a continuação do clássico foi lançada para o GBA. O resultado é um dos melhores games de ação 2D da década e um dos melhores games entre todos lançados para o console. Pra quem gosta de ação “old school” e tiroteio insano, esse jogo é uma verdadeira festa!

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DOUBLE DRAGON ADVANCE (2003)

Lembrado eternamente como o game que consolidou o sucesso dos games do estilo beat’em up nos anos 80, Double Dragon teve versões para tudo o que é máquina de rodar jogo: NES, Master System, Game Boy clássico, Mega Drive, etc. Bem, esqueça todas elas. Nem o original dos arcades é comparável com esse Double Dragon Advance, que é simplesmente a melhor versão de Double Dragon já feita até hoje – sim, melhor até que no arcade! Os gráficos e a jogabilidade estão mais caprichados do que nunca, e ainda tem o divertidíssimo modo de jogo 2 players, conectando dois GBAs. Como se não bastasse, ainda tem golpes novos e quatro fases inéditas. Esse game é uma aula sobre como fazer um remake de forma competente, e uma diversão imperdível para os fãs de velhos beat’em ups.

CONTINUA …

Diário de Bordo – FINAL FANTASY I (Parte 4)

Como vocês irão lembrar, o último Diário de Bordo terminou com o meu grupo de heróis chegando numa nova cidade chamada Pravoka. Lembram que eu mal tinha chegado lá e um cidadão tinha me pedido para salvá-los de alguma coisa? Pois bem, o problema que assola a cidade são PIRATAS! Uma rápida excursão pelo lugar me leva a encontrar o grupo de meliantes num canto da cidade, e logo a tchurma parte pro pau!

“Beat it, beat it … no one wants to be defeaaaaated ….”

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No começo, fiquei intimado com a grande quantidade de piratas (na tela de conversação, são apenas três, que viram NOVE na hora da luta). Mas transformei todos eles em carne moída com facilidade. Todo borrado, o líder dos piratas pede aos heróis para poupá-lo, e oferece em troca de nossa “piedade” um belo presente: o seu navio.

YEAH, agora eu tenho um NAVIO PIRATA!!! Urrú! CERTO que vou fazer o maior sucesso com a mulherada! Tipo, quem é que resiste a uma cantada do tipo “quer dar uma volta no meu navio pirata“?

Aproveito a ocasião para ter o meu saco puxado por alguns aldeões, para comprar umas armas, poções e armaduras novas e para puxar um ronco na pousada. Como a grana estava curta, dei umas voltas pelas redondezas da cidade e briguei com alguns goblins e outros peixes-pequenos das redondezas. E então entrei no meu novo barco, zarpando pelos mares.

“Sem ar-condicionado, sem TV a cabo, sem frigobar, sem internet wireless e sem quartos individuais. Caramba, mas que ESPELUNCA!”

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Bem … para onde ir? Um sujeito na cidade me falou que para o norte não havia nenhum porto. Um velho maluco me falou que tinha vindo de uma cidade sei lá aonde, e outro murrinha me disse que havia uma cidade de elfos do outro lado do oceano. Na dúvida, toquei pro sul. Em alto-mar, briguei com uns bucaneiros e com um tubarão (!?) até que localizei um porto. Logo ao sul, uma cidade. E vejam só: o lugar se chama Elfheim, provavelmente a tal cidade dos elfos do qual tinham me falado em Pravoka!

E o que vai me aparecer pela frente agora? Aguardem a quinta parte do Diário de Bordo pra saber!

“Ahhhhhh, Meu Deus, olha lá, é o LINK!!!! Ahhhhhh Link eu sou seu fã, me dá um autógrafo!!!”