Contra – The Hardcorps (Mega Drive, 1994)

Ah, como eu adoro a boa e velha série “Contra”. E aqui está mais um game da série digno do nome.

Esse jogo foi informalmente chamado por muitos anos de “Contra IV“, pois foi lançado pouco tempo depois do CONTRA III – THE ALIEN WARS do Super Nes. Mas agora, com o lançamento do verdadeiro CONTRA 4 para o Nintendo DS em 2007, esse apelido não é mais apropriado.

Contra – The Hardcorps foi lançado em 1994 e quebrou a longa tradição da Konami de lançar os games da série Contra somente para sistemas da Nintendo. O Mega Drive foi premiado com um excelente exemplar da série, comparável ao lendário “Contra III” do Super Nintendo.

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Toda a tradicional ação da série está aqui, com tiroteios generalizados e explosões para todos os lados, e o jogo surpreende pela rapidez da ação. Muitas boas idéias de Contra III aparecem aqui, como as cidades em chamas e as fases com motocicletas.

O jogo também trouxe várias novidades: a possibilidade de se armazenar até quatro tipos de armas ao mesmo tempo (além de granadas) e uma barra de energia, fazendo com que o personagem não morra no primeiro tiro que levar, coisa inédita nos Contra. É provável que os desenvolvedores tenham feito isso por necessidade, porque mesmo assim esse jogo é MUITO difícil, mesmo para os padrões elevados da série.

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Ainda falando das inovações, enquanto os outros games da série sempre apresentavam um ou dois personagens para o jogador, neste estão disponíveis nada menos do que quatro heróis diferentes (um homem, uma mulher, um lobo (?!) e um robô).

Contra – The Hardcorps era (e continua sendo, apesar da idade) simplesmente indispensável para qualquer pessoa que goste de um bom game de ação e tiroteio desenfreado, no estilo daqueles inesquecíveis filmes descerebrados dos anos 80 como Rambo ou Comando para Matar.

Back to the Future (MSX, 1985)

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Eu tinha 11 anos de idade quando ganhei meu microcomputador MSX em 1992, e eu tinha sido um fã da série de filmes De Volta Para o Futuro desde os meus primeiros anos de vida.

Por isso, quando revirei os disquetes que acompanhavam o computador e vi que tinha ali no meio um game baseado no filme De Volta para o Futuro, quase surtei !!! Imaginei “boooh, esse certamente é o melhor game que existe! Deve ser IGUAL ao filme!!

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…     😦

Olhe bem para essa foto, por favor.

Agora, imagine a minha DECEPÇÃO quando fui jogar o game e dei de cara com essa MERDA, essa coisa ridícula, que parece saída da imaginação de uma criança de cinco anos de idade! Repare no visual retard, nos gráficos de Colecovision, na cara de Xororó do boneco que se supõe ser o Marty McFly!

Neste game debilóide, você encarna Marty e deverá correr pela cidade abrindo janelas para encontrar as casinhas de seus pais e então levá-los para a boate, para que namorem e no futuro se casem.

!!!!!!!!!

Sim, eu juro, é ESSA a moral do game! Dá pra pensar numa coisa mais estúpida para servir de argumento para um game baseado em Back to the Future? Não, é claro que não dá.

E a máquina do tempo?!? E o Dr.Brown? E Biff Tannen?? Esqueça, nada disso aparece aqui. Os caras que fizeram essa obra acharam mais importante colocar Marty abrindo janelas, pulando feito o Super Mario e fugindo da polícia.

Acho que um game protagonizado pelo cachorro do Dr.Brown, o Einstein, teria sido mais justificável.

O visual e a mecânica do jogo são infantis ao extremo e é tudo muito bobo e repetitivo. Talvez fosse um bom jogo para os padrões de ATARI, mas para o MSX era uma droga, um sofrimento e uma decepção amargurante e insuperável, destruidora de infâncias.

Tomara que essa desgraçada dessa softhouse Pony tenha ido a falência!

Halloween (Atari 2600, 1983)

Baseado no filme de mesmo nome, Halloween pode ser considerado como o melhor game com temática de horror do Atari 2600.

Na pele de uma desesperada mulher (presumivelmente, a personagem Laurie Strode do filme) você deve procurar as crianças que estão perdidas pela casa e levá-las em segurança para fora, pois escondido nas sombras está o psicopata assassino Michael Myers, sempre com uma bela faca na mão.

Em algum aposento randômico da casa aparece uma espada, e você pode usa-lá para “matar” o psicopata. Claro que essa morte é tão “eficiente” quanto nos filmes, ou seja, em poucos segundos o desgraçado volta, ainda mais rápido do que antes.

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Destaques: a violência explícita do game, provavelmente o mais sanguinolento do Atari. Quando Myers alcança uma criança, só o que sobra é um pequeno cadáver sobre uma poça de sangue. Quando Myers pega a mulher, ele a decapita, e a vítima sai correndo sem cabeça, com o sangue jorrando pelo pescoço !! TRASH, muito trash!!!

Destaque também para a música tema, igual a do filme e muito bem feita para os padrões técnicos do Atari.

Uma curiosidade: no Brasil, o nome deste game aparecia nos cartuchos sempre como sendo “Sexta-Feira 13“, apesar das carinhas de abóboras e da música-tema do filme tocando na abertura. Será que os fabricantes locais eram assim tão ignorantes mesmo? Ou será que preferiram mudar o nome do game propositalmente, já que os filmes da série Sexta-Feira 13 são bem mais conhecidos e populares do que os da série Halloween ? Mistério …

Deep Duck Trouble (Master System, 1993)

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Deep Duck Trouble é uma continuação espiritual do primeiro jogo do Master com o Pato Donald, o cultuado THE LUCKY DIME CAPER. A diferença é que, lançado dois anos antes, “Lucky Dime” fez bem mais sucesso do que Deep Duck Trouble, embora este seja graficamente superior. Afinal, nessa época, os videogames de 16-bits já estavam dominando o mercado (foi o ano da febre Mortal Kombat), jogando assim o Master System para escanteio. Creio que 1993 foi um dos últimos anos em que ainda haviam muitos lançamentos para o Master, mas entre estes últimos títulos saíram coisas muito boas, como Prince of Persia, este Deep Duck Trouble e até mesmo uma versão de Mortal Kombat, que aliás não era nada má (pouca gente sabe, mas até Mortal Kombat 3 chegou a ganhar uma versão para o Master System. Uma versão ruim até dizer chega, é lógico).

Este game é, também, bem mais fácil do que “Lucky Dime”, que tinha uma dificuldade de roer as unhas !!

Em Deep Duck Trouble, você entra na pele do Pato Donald, que encontra, num belo dia, o Tio Patinhas inflado e voando como um balão. Boquiaberto, Donald descobre que Patinhas foi vítima da maldição de um colar que obteve em uma ilha remota, na sua última aventura de “caça ao tesouro”. Assim, ele dá a Donald a missão de recolocar o colar na estátua de onde foi tirado, estátua essa que fica num palácio antigo oculto no meio da ilha.

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Como problema pouco é bobagem, para se entrar neste palácio são necessários quatro tesouros antigos, espalhados por diferentes partes da ilha.

Não precisa nem dizer que essa histórinha lembra muito as tramas do saudoso desenho “Duck Tales”!

Deep Duck Trouble é um dos games mais visualmente impressionantes que eu já joguei em um videogame de 8-bits. Os cenários são muito legais, detalhados e variados, com passagens vulcânicas, cavernas geladas, florestas, um navio afundado, etc …

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Enfim, o game é bem divertido e saudosistas do Master System encontrarão neste game mais um motivo para serem nostálgicos.