MEMÓRIAS RETROGAMERS DE VERÃO: REVISTAS DE VIDEOGAME NA PRAIA – Parte II


Fevereiro de 1992. Estou com dez anos de idade, é verão e estou novamente em Torres, no litoral norte do RS. Passo numa banca para, como sempre, encher o saco do meu pai para me comprar uma revista – e eis que dou de cara com a Supergame nº 7, lançada naquele mês.

De cara, a capa já era de acelerar o coração. Na época, eu era o maior fã de Golden Axe do mundo, e a revista anunciava com todas as letras a chegada de Golden Axe II para o Mega Drive. Meu Deus, eu teria dado um rim por um Mega Drive com Golden Axe II depois de ler a matéria de capa daquela revista! E isso que o grande mérito da matéria eram as fotos do jogo, pois o texto em si era de um amadorismo comovente. Pra ser sincero, tenho minhas dúvidas de que o cara que escreveu aquela matéria tenha realmente chegado a jogar o game. É mais provável que ele tenha lido um press-release, visto as fotos e escrito a matéria em casa depois do jantar, na frente da TV.

Depois da sessão de cartas, a revista abria com a tradicional sessão Supertáticas, trazendo um punhado de dicas rápidas para games de Mega Drive, Master System (duas páginas para cada um) e Game Gear (apenas meia página para o pobre portátil da Sega). Depois, um especial de duas páginas sobre Rastan do Master System, com macetes exclusivamente para derrotar os sete chefões de fase do jogo.

A revista apresentava, como de costume, mais um episódio das aventuras de Billie Joy & Sticks contra o Dr. Shimega Baitz. Quem acompanhava essas historinhas na Supergame lembra que os desenhos eram meio matados e ordinários e o ritmo das tramas era irregular e abobado (pra dizer o mínimo), mas atire a primeira pedra quem não achava essa coisa divertida no final das contas. Sempre rolavam umas gags legais em cada parte da história, e haviam vários personagens divertidos, como a andróide gostosona Hadaly, a aranha de estimação do vilão Shimega, o cientista bonzinho K.Soft e outras bizarrices do tipo.

A revista prosseguia com um especial de quatro páginas sobre Toe Jam & Earl do Mega Drive. Eu sei que vai ter gente querendo me surrar, que vai ter gente querendo me enforcar num pé de couve, mas vou sincero: eu nunca, nunca, NUNCA gostei de Toe Jam & Earl, nem jamais vi qualquer graça nesse jogo. Era diferente, e fez um sucesso danado na época, mas sinceramente não é minha praia (trocadilho barato de verão, eu sei).

Daí vinha a matéria de capa: duas páginas (só duas páginas para a matéria de capa?!?) sobre o lançamento do Golden Axe II para o Mega Drive. A matéria se resume a cinco parágrafos que praticamente não falam de outra coisa além da trama do jogo. A informação mais técnica que a “reportagem” traz é de que o jogo tinha “quatro megas de memória” e “possibilita a participação de dois jogadores ao mesmo tempo“. Pelo menos a matéria era rica em fotos do jogo. Mas, por favor, não imagine que estou fazendo aqui algum tipo de crítica à extinta Supergame. Tudo isso era comum nessas revistas de videogame da época, que enlouqueciam a garotada de emoção na época (até pela falta de outras fontes de informação), mas que hoje parecem tremendamente amadorísticas para os padrões atuais daquilo que se espera de uma “mídia especializada”. Além disso, como é possível levar a sério um review que contém a frase “Jogo manhoso, cheio de desafios, que tá pintando pra deixar você amarradão, nenê“??!?!?!?

Outra preciosidade risível da revista era o “furo de reportagem” sobre a sequência de Sonic – The Hedgehog, que a Sega estava preparando para o Mega Drive. Veja só essa frase maravilhosa: “Dizem que está pra pintar a sequência do mega-hit da Sega, Sonic the Hedgehog, ou seja, Sonic the Hedgehog 2 – pra nós Sonic 2“. Meu Deus, dá pra ser mais prolixo do que isso? Mas calma que o drama continua: “O nome da nova aventura do renegado anti-herói parece que será ‘Escape From Ring Zone‘”.

HAHAHAHA!!! Peraí, peraí, deixa eu recuperar o fôlego! Primeiro: desde quando Sonic é um “anti-herói”? Segundo: “parece que será“?!? Mas que tipo de crédito é esse que a revista dava para sua fontes? A própria revista parecia admitir que estava publicando mais uma invencione ou boato do que uma informação digna de credibilidade! E terceiro: “Escape From Ring Zone“?!? Sério? Quem inventou essa bobagem?

Como invencione pouca é bobagem, a matéria ainda arrematava “prevendo” que “a explosão supersônica de Sonic 2 vai detonar nos Mega CD-Rom, lógico“. Nada lógico, na verdade, já que Sonic 2 jamais foi lançado para o Mega-CD (Sega-CD aqui no Ocidente). Enfim, a matéria é um delírio imaginativo do começo ao fim! É bem possível que tenham ficado sabendo que a Sega planejava um Sonic para o Sega-CD (o que de fato veio a acontecer) e então tenham presumido que se tratava de Sonic 2.

 

Essa inesquecível edição da saudosa Supergame ainda tinha mais uma série de coisas legais, como um detonado do ótimo Shinobi do Game Gear, uma matéria sobre Starflight do Mega Drive e alguns rápidos reviews de Spider-Man (Master System), Alienstorm (Mega/Master), Joe Montana Football (Master), Mercs (Mega), Bonanza Bros (Master), Sonic (Game Gear), Joe Montana II Sports Talk Football (Mega) e Dino Land (Mega).

Enfim, infância na praia lendo sobre as maravilhosas novidades do Mega Drive e do Master System era uma coisa boa demais! Que sol, mar e garotas de biquini: legal mesmo era passar o verão inteiro pensando em porcos-espinhos correndo por florestas e bárbaros medievais fazendo bandidos em pedaços para resgatar um machado de ouro!

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9 pensamentos sobre “MEMÓRIAS RETROGAMERS DE VERÃO: REVISTAS DE VIDEOGAME NA PRAIA – Parte II

  1. A revista Supergame era a pior da época, pior em tudo, suas histórias eram toscas e mau desenhadas, só poderiam agradar os menores mesmo (na época eu tinha 19 anos)

    Golden Axe II foi totalmente frustante, inferior em tudo em relação ao primeiro um beat up totalmente genérico e esquecível.

    Sonic CD não acrescentou nada às versões em cartucho, exceto o desenho na apresentação e a trilha sonora decente

    Meu maior arrependimento na época foi ter comprado o Sega CD, dinheiro jogado fora por um Segamaníaco como eu, só valeu pelo Final Fight, e mesmo assim com jogabilidade inferior ao Snes

    Desta vez peguei pesado, mas escrevi meus sentimentos, quem sabe da próxima serei mais positivo…

  2. Fernando, fique à vontade! Aqui é um espaço de discussão retrogamer e serve, inclusive, para descer o cacete nas porcarias antigas hehehe.

    Eu gostava muito da Supergame, mas eu era criança, tinha entre 9 e 10 anos quando conheci a revista. Mesmo assim, meu interesse nela durou algo em torno de um ano, depois larguei de mão. Devo dizer que não acho a revista assim tão ruim na comparação com o amadorismo semelhante que se via nas concorrentes, mas de qualquer forma reconheço que, no geral, a revista Videogame era a minha favorita.

    Eu gosto muito do Golden Axe II, mas tenho consciência de que sou voto vencido entre os retrogamers. A maioria reprova o jogo. Eu gosto demais do primeiro Golden Axe e o segundo game é basicamente “mais do mesmo”, mas com gráficos e jogabilidade levemente superiores. Pra mim, é o que basta.

    O Sonic CD realmente não fazia nenhum uso revolucionário da mídia digital, mas tem o mérito de ser um dos melhores Sonics de todos os tempos. Tirando Sonic 1 e 2 do Mega Drive, o Sonic CD é o meu predileto. Gosto mais dele do que do Sonic 3 do Mega.

    O Sega-CD fazia babar na época, e mexe com o coração dos retrogamers, mas você está absolutamente certo ao constatar que o aparelho era um PÉSSIMO negócio para o consumidor médio naquela época – ainda mais no Brasil!

    O Final Fight do Sega-CD realmente é MUITO bom. Certamente vai ser dissecado aqui no Cemetery Games uma hora dessas …

    Abraço e continue aparecendo! 🙂

  3. Adorava a SuperGame (vê como os padrões da gente eram baixos na época? :p). Claro, adorava os consoles da SEGA e… putz, para tudo! Tem uma matéria de Starflight nessa edição, não lembrava não!! É chegar em casa e pegar essa revista!

    Tenho muito bem guardadinhas (em plásticos, numeradas, etc, aquela frescurite de colecionismo toda) as primeiras edições da Super, da Ação Games (incluindo as duas “A Semana em Ação” que tiveram a seção games que acabaram por dar na revista) e as Videogame. Esses posts do Caveira me faz lembrar que elas podem ser fonte de inspiração pra escrever bastante coisa legal hoje… ummmmm 😉

    Final Fight do SEGA CD? Perfeito 😀 Vou ficar ligado num review aqui do Cemetery dele no futuro.

    Abração!

    • É verdade, cara, essas revistas marcaram a infância da gente. Era a segunda experiência videogâmica mais legal que se podia ter depois de propriamente jogar um game legal. E essas revistas que saíam nas férias e no verão, então, eram uma coisa que povoavam a minha imaginação por meses a fio, porque mais do que nunca sobrava tempo pra ler, reler e dissecar tudo o que havia na revista. Bons tempos antigos que não voltam mais!

  4. Eu acho que a matéria sobre o boato, na verdade se refere ao Sonic CD, que originalmente, produzido pela Sega of Japan, seria a sequência do Sonic the Hedgehog. Tanto que o primeiro jogo é produzido pela Sega of Japan e se vc reparar no SONIC CD há o reaproveitamento do sprite do Sonic 1, e o sprite do Sonic 2 é o Sonic redesenhado com as pernas um pouco maiores e com uma paleta de cores pouca coisa diferente. No entanto no final , se juntaram Sega do Japão com seu projeto de Sonic 2 (que era o Sonic CD) e a Sega dos USA com o seu projeto apresentando a Tails, que pareceu mais interessante e com algo mais revolucionário (no caso o personagem novo), o Sonic 2 da Sega of Japan foi reaproveitado depois e implementadas novas features, como a animação de abertura e as músicas em áudio pra cd. Um ótimo jogo.

  5. Muito bom post! Não peguei a época da Supergame, só depois quando virou Super Game Power.

    Mas fato é que a matéria do Sonic não está de todo incorreta. O Sonic CD ERA o Sonic 2, mas deu treta e aí uma equipe fez o Sonic 2 que conhecemos e outra fez o Sega CD.

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